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O homem das multidões

28 de outubro de 2012 0

J.J. Benítez, com o microfone, fala no Memorial do RS. Foto: Carlos André Moreira

J.J. Benítez é um homem de muitos paradoxos. Espécie de Dan Brown dos anos 1980 e início dos 1990, com a série Operação Cavalo de Troia, Benítez há anos não está mais no ápice de sua popularidade, mas ainda é conhecido o bastante no Brasil para ter protagonizado uma das palestras mais concorridas deste primeiro fim de semana da Feira. A plateia interessada em ouví-lo ocupou todos os 240 lugares disponíveis na Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul na noite de ontem, e muitos ainda ficaram de pé, encostados nas paredes (como vocês podem ver na foto que não é das melhores, mas eu nunca disse que era um grande fotógrafo).

Benítez desafia uma definição unívoca por mais de um motivo. Sua primeira manifestação foi declarar que tudo o que tinha para dizer estava em seu livro, e que a estar ali, conversando com outros sobre coisas a respeito das quais já escreveu, ele preferia estar em casa. Para ele,m seria melhor que o debate fosse pontuado de perguntas do público, mas depois dessa declaração Benítez falou sem parar por 45 minutos, deixando espaço para apenas duas perguntas da plateia.

Outro ponto inusitado de Benítez é sua relação, ou melhor, seu discurso público, sobre sua própria obra. A saga Operação Cavalo de Troia apresenta um relato sobre a vida de Jesus Cristo, discrepante dos Evangelhos, que ele definiu como um “fracasso completo em traduzir os ensinamentos de Cristo.” O narrador é um major da agência americana NASA  enviado ao passado em uma máquina do tempo experimental. Não é a primeira vez que um romance apresenta a vida de Jesus por um prisma diverso dos Evangelhos canônicos: José Saramago, Nikos Kazantzákis, Eduardo Mendoza e Christopher Moore já fizeram isso, para falar de apenas quatro, com estilos e propostas bem variadas. Só que Benítez alega, e repetiu isto ontem na sua palestra, que  tudo o que ele conta nos seus romances é verdadeiro, retirado de documentos secretos da NASA que relatam uma viagem no tempo real empreendida por dois astronautas de carne e osso.

- Se tudo o que está ali fosse não a verdade, e sim um romance de fantasia, eu já deveria ter sido indicado ao Nobel – provocou.

A saga já está no nono volume, Caná, que teoricamente encerraria a série, mas Benítez anunciou que trabalha em outros quatro romances que dão continuidade à obra e revelam “todas as perguntas” deixadas em aberto pelos outros, pasmem, nove livros publicados e que não solucionaram ainda todos os nós..

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