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O que você está lendo, Caio Riter?

13 de março de 2013 0

Caio Riter na sessão de autógrafos de seu livro "Eu e o Silêncio de Meu Pai". Arquivo Pessoal

Desde o ano passado que havíamos interrompido a série O Que Você Está Lendo?, que faz a pergunta título a escritores, professores, intelectuais e críticos. Devido a uma série de contratempos do editor deste blog, o fluxo da publicação, que deveria ser sempre às quartas-feiras, foi interrompido e não tivemos muito tempo para retomar. Agora, finalmente, estamos de volta com as dicas pedidas a colaboradores especiais. Na postagem de hoje, fomos colher uma dica com o escritor Caio Riter, um dos grandes nomes da literatura voltada para jovens no Estado. Riter é autor de mais de 40 livros, dirigidos para crianças, adolescentes e algumas incursões em volumes de contos para adultos. Entre seus trabalhos, incluem-se: Debaixo de Mau Tempo (Artes e Ofícios, 2005), O Rapaz que não era de Liverpool (Edições SM, 2006), Viagem ao redor de Felipe (Projeto, 2009) e Eu e o silêncio de meu pai (Biruta, 2011). Sua obra mais recente publicada é o volume de contos Vento Sobre a Terra Vermelha (8INVERSO, 2012)

Então, diga lá, o que você está lendo, Caio Riter?

Ando em tempos de me envolver com várias leituras, ando meio infiel. Dos tantos com que ando envolvido, acabo de ler dois romances. O primeiro de Paul Auster, Noite do Oráculo, em que o autor, mais uma vez, problematiza os limites entre verdade e invenção ao instaurar uma arquitetura narrativa em três camadas: em primeira pessoa, narra a história de Sidney, um escritor que retoma a escrita após um colapso e que inventa a história de um editor, Bowen, o qual – ao escapar de um acidente que poderia tê-lo matado – resolve abandonar a vida que leva e parte em busca de uma nova ordem. Todavia, leva consigo o romance de uma escritora falecida. Romance que lê, lê e relê. Auster vai, aos poucos, “descascando as camadas da cebola” e apontando para uma concepção de escrita que remete aos vates. Escrever é futurar. O segundo romance é Caim, de José Saramago, livro em que o autor português retoma o Antigo Testamento, discutindo a beatitude de Deus e o mau-caratismo do primeiro assassino bíblico. Caim é homem marcado pela tragédia; homem que, ao receber o castigo divino, irá estar presente nos momentos mais marcantes da relação de Deus com a humanidade, desde Adão e Eva até Noé. O romance, no entanto, parece-me apenas motivo para que Saramago questione a fé cristã, visto que os personagens carecem de maior composição íntima. Caim, assim como é títere nas mãos de Deus, é joguete do narrador que o quer como elemento questionador e problematizador do poder divino.


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