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Posts de maio 2014

Lançamentos do TVCOM Tudo Mais

29 de maio de 2014 2

Nesta quarta-feira, Carlos André Moreira comentou os seguintes lançamentos no TVCOM Tudo Mais:

A Queda da América, de Allen Ginsberg (Poesia, L&PM Pocket, 224 páginas, R$ 18,90)

Poesia Total, de Wally Salomão (Poesia, Companhia das Letras, 540 páginas, R$ 49)

Roseanna, de Maj Sjowall e Per Wahloo (Romance policial, Record, 256 páginas, R$ 35)

O Horror da Guerra, de Niall Ferguson (História Geral, Planeta do Brasil, 768 páginas, R$ 89,90)

Os Maias, de Eça de Queirós (Romance, edição comentada e ilustrada, Zahar, 576 páginas, R$ 64,90)

O Rei de Amarelo: Genealogia do Horror

23 de maio de 2014 0

Capa de O Rei de Amarelo

O Rei de Amarelo, do escritor americano Robert W. Chambers (1865 – 1933), foi publicado em 1895, mas foi preciso uma série de sucesso na TV mais de cem anos depois para que ele ganhasse uma chance no mercado livreiro nacional. As referências a um “Yellow King” no programa True Detective, exibido pela HBO, despertaram o interesse sobre esta obra considerada um clássico do horror e uma influência para nomes como H.P. Lovecraft e Robert E. Howard, anos mais tarde.

A própria leitura de O Rei de Amarelo (Tradução de Edmundo Barreiros, Intrínseca, 256 páginas, R$ 19, 90) é uma boa oportunidade para leitores chegados em genealogias, uma vez que por suas páginas desfilam, como em uma síntese, elementos que Chambers pega emprestado de seus precursores mais diretos (incluindo mestres do gótico na literatura) e coisas que foram amplamente aproveitadas por escritores que vieram depois – à “metaficção” que é moda em estudos pós-modernos.

A obra se estrutura em 10 contos ligados entre si por um “livro dentro do livro”: uma peça em dois atos chamada O Rei de Amarelo, “terrível em sua simplicidade, irresistível em sua verdade”. O texto da peça, do qual Chambers sabiamente fornece apenas versos isolados e vislumbres, tem o perturbador efeito de levar quem o lê à loucura, pelo horror retratado em suas páginas.

Chambers pega emprestado nomes e conceitos de Ambrose Bierce; a representação do “Rei de Amarelo” como uma figura encapuzada coberta de trapos deve um pouco a Edgar Allan Poe no conto A Máscara da Morte Rubra. O tom de neurastenia e pesadelo do conjunto também vem diretamente de Poe. Já a ideia de um “livro amaldiçoado” influenciaria H.P. Lovecraft na criação do terrível Necronomicon, o “livro dos nomes mortos”.

Chambers mistura o horror com algo de ficção científica, ao imaginar, logo no primeiro conto, um futuro no qual os Estados Unidos se tornaram uma suposta “utopia” nacionalista, sem negros e na qual o “problema dos índios” foi resolvido e o governo providencia “câmaras de suicídio” para os que não suportam mais a vida naquela comunidade (ecos dessa ideia  no programa Futurama não devem ser coincidência). As demais narrativas, contudo, enfocam em sua maioria estudantes de arte em Paris às voltas com sombrias aparições, sonhos perigosos e fórmulas químicas inacreditáveis. Com essa mudança, o conjunto vai gradualmente se tornando desigual. O mérito de Chambers está na poderosa imaginação, mas a cadência de seu texto por vezes carrega nas tintas excessivas da prosa romântica do período.

Três perguntas para Marcelino Freire, homenageado da 7ª FestiPoa

19 de maio de 2014 0

marcelinoFoto: Virginia Ramos / Divulgação

Nesta segunda-feira começa mais uma FestiPoa Literária! Até domingo, bate-papos e leituras com atrações nacionais e internacionais ocorrem em diferentes pontos da cidade. O homenageado da vez é o escritor pernambucano Marcelino Freire. Reconhecido contista, o autor lança em Porto Alegre seu primeiro romance, Nossos Ossos (Record, 128 páginas, divulgação). A sessão de autógrafos será logo na primeira noite da Festa, às 20h, no Instituto Goethe, depois de mesa de debate com o escritor iniciada às 18h30min (confira aqui a programação completa). Carlos André Moreira, editor do PrOA e deste blog, preparou três perguntas sobre a homenagem para Marcelino. Confira as respostas na íntegra:

Você é um participante frequente de encontros literários – já veio mais de uma vez à FestiPoa, à Feira do Livro, à jornada de Passo Fundo, apenas para ficar no Rio Grande do Sul. Você é um escritor meio cigano?
Agora mesmo eu respondo a essa pergunta do aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. Os voos todos sofreram atraso metereológico. Eta danado! Eu sou até um escritor cigano, mas às vezes o céu não está para brigadeiro. Ave nossa! Cabra, eu vou aonde sou chamado. Assim: para falar daquilo que eu amo, eu sou capaz de cruzar fronteiras, a pé, a nado, eternamente. Até dezembro irei para umas dezenas de cidades pelo Brasil. Sou cigano, camelô, repito, o que for preciso para, cangaceiramente, fisgar o leitor à unha.

Você é um autor com menos de 50 anos. Soa de algum modo engraçado ser “autor homenageado” tão jovem?
Acho que o meu fim está próximo, tão moço que sou. No mesmo dia em que fui avisado da homenagem da FestiPoa, recebi o convite para ser o homenageado da Bienal do Livro de Pernambuco do ano que vem. Aceitei com carinho, e até susto, essas duas homenagens. Assisto, na página no Facebook da FestiPoa, a depoimentos lindos a meu respeito. Fico emocionado e me perguntando se, de fato, mereço. De minha parte, fecho os olhos e agradeço. Espero estar vivo até lá (se o avião deixar, por exemplo) para abraçar os amigos e bebemorar.

O que você espera do encontro com o público da Festipoa Literária?
Eu amo o Rio Grande do Sul. Sempre fui muito bem recebido pelas bandas daí. Tenho vários amigos, leitores queridos, gente que abriu o coração para o meu trabalho. Pessoalmente vou beijar a mão de todo mundo, brindar e brindar. Como homenageado, acho que vou beber mais do que os outros. Já preparei o meu peito, já reservei o que ainda resta do meu fígado.

Todorov discute a obra de Goya

16 de maio de 2014 0
Quatro "Três de Maio de 1808", de Goya

Quatro “Três de Maio de 1808″, de Goya. Reprodução, ZH

Em uma de suas pinturas mais famosas, Três de Maio de 1808 em Madrid (imagem acima), o artista espanhol Francisco de Goya (1746 – 1828) usa a luz de forma quase sobrenatural para atrair a atenção do espectador para o personagem central. A cena é dramática: diante de um pelotão de fuzilamento, um homem levanta os braços, como o duplo de um Cristo crucificado. Soldados sem rosto, corpos ensanguentados no chão e o olhar de desespero de seus companheiros completam a cena. No ambiente de horror e trevas que cerca o condenado, sua camisa imaculadamente branca explode na tela como um clamor silencioso pela paz – e pela própria luz.

Em Goya – À Sombra das Luzes (Companhia das Letras, 281 páginas, R$ 49,50), Tzvetan Todorov, que esteve em Porto Alegre há dois anos no seminário Fronteiras do Pensamento, investiga luz e sombra na obra do pintor, mas não no sentido concreto do jogo cromático. As luzes, aqui, são as do Iluminismo, e as sombras, a obra “secreta” do pintor, criada à margem da atividade como artista oficial da corte que durante anos garantiu seu sustento.

A grande guinada de sua carreira, de pintor convencional a artista que retratava as angústias e os pesadelos de sua época (e de todas as épocas), acontece depois de uma doença que o acometeu por volta dos 40 anos. Seus quadros, antes repletos apenas por reis e rainhas em trajes de gala, passam a exibir também loucos, prisioneiros, velhos, crianças abandonadas, mulheres violentadas.

Interessa a Todorov apontar o diálogo desta vertente clandestina da obra de Goya – que ele cria para si mesmo e não para ganhar dinheiro ou para exibir ao público – com os ideais iluministas da sua época. Para o autor, Goya promoveu uma espécie de revolução pictórica ao colocar o homem comum no lugar de heróis, figuras religiosas ou representações mitológicas.

Retratando o humano no que ele tem de trágico e patético e o cotidiano da guerra do ponto de vista dos derrotados, Goya tornou-se eterno e universal. Como constatou certa vez o crítico de arte Fred Licht: “Quem quer que tenha olhado, mesmo apressadamente, os jornais do último meio século constatatará que as notícias mais significativas tinham sido ilustradas por Goya há mais de 150 anos”.

As várias faces de Paulo Leminski

13 de maio de 2014 0

leminski_orlando_azevedoFoto: Orlando Azevedo / Divulgação

O escritor e jornalista paranaense Domingos Pellegrini cultivou uma amizade regada a longas conversas com o poeta Paulo Leminski. A partir dessas memórias, escreveu Minhas Lembranças de Leminski, que está chegando agora às livrarias. O livro é uma biografia não autorizada e, como o projeto de lei referente aos textos biográficos foi aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados, fiz uma entrevista com o autor sobre este tema para o Segundo Caderno. É claro que aproveitamos para falar sobre Leminski e suas múltiplas facetas – é a partir delas que se dividem os capítulos deste lançamento. Para os leitores deste blog, foram guardados alguns trechos desta conversa nos quais Pellegrini fala sobre o poeta. Confira:

Estoicismo
Leminski ganhou muito pouco dinheiro em vida porque optou por fazer arte. Isso não é um demérito, e sim um mérito. Foi sua escolha, sua missão. Era uma pessoa aprofundamente honesta com sua vocação. Decidiu ser poeta, tradutor… Para isso, precisava de tempo. Tempo para ler, pesquisar, gerar suas coisas. Ele era um grande redator de publicidade: se estivesse afim de ganhar dinheiro, ganharia muito. Mas aí não escreveria como escreveu.
Quando jovem, eu costumava ir três ou quatro vezes por ano para Ilha do Mel. Sempre que fazia isso, passava pela casa dele, em Pilarzinho, na ida e na volta. Eu chegava às 8h, a Alice (Ruiz, poeta, viúva de Leminski) saia para trabalhar, e a gente ficava até as 20h conversando. Era uma conversa intensa. Às 20h, ele já estava cansado, se enrolava nele mesmo e dormia no chão da sala. Aí eu ia embora.

Origens
Ele tinha orgulho de ser mestiço. Quando ele falou para mim que era mestiço, pensei que ele estivesse de gozação: “Sou filho de negra com polonês, cara!”. Ele não tinha nenhum traço negro aparente, pensei que fosse brincadeira. Depois que morreu, descobri que era verdade, lendo a biografia do Toninho Vaz (O Bandido Que Sabia Latim, Record, 2001).

Morte
Leminski nunca teve medo da morte. Ele tinha medo de atravessar a rua em São Paulo, isso tinha, uma bobagem assim. Mas medo da morte ele não tinha. Assim como não tinha medo de ter opiniões políticas, de ser um anarquista militante que nem carteira de identidade tinha. Tanto que na biografia do Toninho Vaz, aparece o Rodrigo Garcia Lopes ao lado dele na ambulância dizendo “vai ficar tudo bem, cara”, e ele responde: “Que tudo bem o quê, pode chamar o gaiteiro!” (risos). Ele enfrentou a morte. Não reclamou nunca. Outro dia conversei com o Ademir Assunção, que conviveu com ele em São Paulo, ele me falou: “O Leminski jamais se queixava”. Estava sempre de bom humor, mesmo sendo corroído pela cirrose, uma corrosão lenta e inexorável.

Capa de "Minhas Lembranças de Leminski"

Capa de “Minhas Lembranças de Leminski”

Minhas Lembranças de Leminski
Domingos Pellegrini
Geração Editorial
Biografia, 200 páginas, R$ 34,90

 

 

Marcelo Almeida autografa "Thriller Andino"

13 de maio de 2014 0

thriller_andino

Marcelo Almeida autografa nesta terça-feira, às 19h30min, na Palavraria, o livro Thriller Andino (Buqui, 88 páginas, R$ 27). Esta é a estreia do autor de 27 anos no mercado editorial. Formado em Letras, Almeida é tradutor de livros e já cursou diferentes oficinas literárias.

Neste curto romance repleto de ação, um mineiro que descobriu um veio de ouro tenta fugir de um grupo de perseguidores no deserto do Atacama.