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Eu preciso aprender a ser só

12 de setembro de 2012 1

Que tipo de comportamento civilizado você estaria disposto a manter se fosse, aparentemente, o último ser civilizado sobre a Terra? Este argumento, que flerta com a boa ficção científica, é a premissa do romance Sozinho no Deserto Extremo (Editora Prumo, 320 páginas, R$ 29,90).

Sozinho no Deserto Extremo narra a história de um homem que, certa manhã de domingo, acorda em São Paulo e descobre que é o último ser vivo na cidade. Todos os outros desapareceram misteriosamente, como se vítimas de uma explosão seguida de imediata implosão, deixando apenas em seus lugares as roupas dispostas em misteriosos arranjos circulares. O romance é também o primeiro livro para adultos de Luiz Bras – que já lançou livros infantis, como São Paulo e o Imperador da China, e uma coletânea de crônicas e ensaios (Muitas Peles). Bras é também o pseudônimo com o qual o contista, crítico e organizador de antologias Nelson de Oliveira vinha assinando peças de ficção científica em projetos muitas vezes capitaneados por ele próprio, além de crônicas no jornal literário Rascunho.

Depois de Poeira, Demônios e Maldições (leia mais aqui), ficção científica distópica lançada em 2010, Bras se tornou o nom de plume oficial de Oliveira. Conhecido pelas experimentações formais nos trabalhos de seus primeiros anos de carreira, Oliveira/Bras já vinha flertando há algum tempo com o universo da literatura de gênero. Foi ele o organizador, em 2007, da coletânea de ficção científica Futuro Presente (Record). Ele também editou revistas do Projeto Portal, tentativa de aproximação entre autores de ficção científica mais estrita e escritores do que se costuma chamar de “literatura mainstream” – nomenclatura que é também problemática, uma vez que a ideia de “mainstream” casaria melhor com os “best-sellers”.

O cruzamento entre o legado mais realista do pregresso Oliveira e a imaginação feroz da nova identidade Luiz Bras faz de Sozinho no Deserto Extremoum livro peculiar na ficção nacional. Partindo de uma premissa sobrenatural, a do sumiço de quase toda a população do planeta, Bras investiga com profundidade as progressivas metamorfoses na psique esfacelada do último sobrevivente, um homem comum de meia-idade chamado Davi. O protagonista passa os primeiros dias após o evento sem sair de seu apartamento, em choque pela perda da mulher e dos filhos. Depois, premido pela necessidade de encontrar comida, explora a cidade vazia, de bicicleta (as ruas estão tomadas de carros acidentados que ficaram sem motoristas em pleno trânsito, chocando-se uns contra os outros e todas contra qualquer coisa que estivesse na frente: paredes, vitrinas, guardas de pontes). Davi invade lojas e casas em busca de víveres, imagina um meio desesperado de emitir sinais a possíveis sobreviventes, dorme cada noite em um local diferente, seguindo o fluxo da energia elétrica (sem ninguém para fazer a manutenção, as estações de alimentação vão se desligando paulatinamente)

Davi era um bem-sucedido publicitário. Enquanto o mundo ainda estava nos eixos, era um grande apreciador de cinema – e muitas das elaborações que ele faz para tentar entender o que aconteceu derivam de tramas de filmes de ficção científica a que assistiu. Davi não é um herói, é um homem comum, que pensa a todo instante nas problemáticas consequências de cada gesto. Se ele se ferir ou adoecer gravemente, o que fazer num mundo sem médicos? Quando expirar a validade dos alimentos industrializados disponíveis nos refrigeradores que ainda  funcionam, ele se alimentará de quê. A certa altura, o próprio romance se assume como uma variação mais realista e sombria de As Cidades Silenciosas conto de Ray Bradbury incluído em As Crônicas Marcianas, também com o mote de um homem sozinho em uma cidade abandonada, em Marte:

Você leu esse conto há muito, muito tempo, Davi. Mas a premissa logo pegou você de jeito. Liberdade, liberdade. Que delícia, ter o mundo todo à sua disposição, não precisar estudar nem trabalhar, não precisar ser gentil e educado com as pessoas gentis e educadas, nem hostil e agressivo com as pessoas hostis e agressivas. Que maravilha, entrar numa loja – em qualquer loja – e levar o que quiser, poder vestir qualquer roupa sem se preocupar com a opinião alheia. Não ter que votar, acorda cedo, pagar impostos ou fugir de psicopatas. O protagonista não estava preocupado com a falta de um médico em caso de acidente ou de uma doença grave. Ou com a falta de energia elétrica quando todas as usinas deixassem de funcionar.

A narrativa, estruturada em capítulos numerados informando quantos dias se passaram desde o misterioso evento (mas dispostos não necessariamente em ordem), também enfoca o medo de Davi por estar literalmente sozinho no mundo.

E seu medo ainda maior ao suspeitar que talvez não esteja.


Guerra e Paz – o primeiro contato

13 de janeiro de 2012 6


Prólogo

Como foi avisado ontem no Facebook do Mundo Livro, o blog estava com problemas na caixa de comentários. Sinto muito se você foi um dos que tentou comentar e não conseguiu. Agora parece que as coisas estão resolvidas, então, ao fim do post, todos comentando, né?

Nariz de cera

Decidimos, Carlos André e eu em uma conversa de corredor, que o dia de posts da maratona seria sexta-feira, e cá estamos. A boa notícia é que sim, comecei a leitura, mas antes de contar a quantas andamos, vou me desculpando.

É que escolhi certamente a pior semana do ano para reparar o parquê do meu apê, depois de uma infiltração do vizinho de cima. Hoje estou voltando pra casa de mala, cuia e gata – a Panda – para casa. Como gatos não curtem muito sair de casa, vocês podem imaginar que a leitura não foi a das mais privilegiadas nos últimos dias. Ainda assim, comemoro a chegada a página 65, o que significa que li fenomenais 4 capítulos. Mas, adivinha, não falarei sobre isso ainda.

OK, o post

Vou dar uma palhinha do que é a tradução do Rubens Figueiredo. Já na apresentação ele comenta que, em muitos trechos, o Guerra e Paz é escrito parte em russo e parte em francês, forma de “mostrar com que Rússia já era um país invadido antes mesmo da chegada das tropas de Napoleão.” Também na apresentação, o tradutor explica que o propósito foi preservar, o máximo possível, os traços linguísticos relevantes para o autor, entre repetições de palavras, expressões e estruturas sintáticas.

O que mais fica evidente no começo do livro é a mistura que Tolstói faz de francês e russo na mesma frase. Como o francês nessa edição fica no original (seguindo inclusive a pontuação original), o desafio do começo da leitura é por onde começar: eu, que não entendo nada de francês, fico hipnotizada por tentar entender antes da tradução, e depois salto lá para o rodapé para, de fato, ler, o que muda bastante o ritmo da coisa. Me parece, inclusive, que são duas leituras diferentes, mas ainda não sei como vou seguir.

Devo comprar um dicionário de francês?

Promessa para 2012 – Guerra e Paz

06 de janeiro de 2012 0

Eu não sei do Natal de vocês, mas o meu esse ano veio com o desafio. Um amigo me deu essa beleza de edição da Cosac Naify para Guerra e Paz, com tradução direta do russo, capa aveludada, papel especial e mimimi. Ainda não sabe qual é? Saca só aqui.

Pois com essa beleza de 2.536 páginas em mãos, é óbvio que terei de encarar Tolstói. Como promessas de Ano-Novo não são lá as mais cumpridas pelos devotos, chamo vocês, leitores, a acompanharem a minha volta a este blog (recebi ameaças do glorioso editor caso não voltasse…) com a série Promessas para 2012 – Guerra e Paz.

Com inspiração descarada da primeira edição Maratona tijolão literário neste blog, post semanais com o andamento da leitura – ou com firulas da edição, se algo não avançar tão bem quanto esperado – estarão aqui. Sugestões, dicas ou apoio moral, vamos pela caixa de comentários, né?

Me desejem sorte.

Um bacharelado em Filosofia totalmente diferenciado

21 de novembro de 2011 0

Não esquece!

12 de novembro de 2011 0

Para quem ainda não esteve na Praça este ano, um conselho: os saldos mais interessantes estão no corredor da Sete de Setembro. Não deixe também de aproveitar as últimas palestras. Na praça de alimentação, este ano há uma alternativa saudável: uma banca de sucos.


Destaques do dia


PARA PAIS – Içami Tiba debate com Leo Fraiman Como Ter uma Conduta Educacional Equilibrada, às 14h30min, no Memorial do RS. Às 16h30min, Içami lança Pais e Educadores de Alta Performance (Integrare), na Praça de Autógrafos.


HUMOR – Vitor Knijnik lança o livro Blogs do Além (Realejo), às 14h30min,na Praça de Autógrafos.


POESIA – Sérgio Vieira Brandão e Mário Pirata autografam Poemas (SVB Edição e Arte), às 14h30min, na Praça de Autógrafos.


JORNALISMO TELEVISIVO – O correspondente internacional Flávio Fachel autografa o livro Dicas de Telejornalismo às 16h30min, na Praça de Autógrafos.


SONS DA INFÂNCIA – O escritor e jornalista Luís Dill lança A Truta (Paulinas), às 17h, no Deck dos Autógrafos, no Cais do Porto.


PARA CRIANÇAS – Márcia do Canto lança O Mundo de Camila (Editora Projeto),às 17h,na Arena das Histórias.


CAUSOS GAUCHESCOS – Paulo Mendes lança Campereadas: Crônicas, Contos e Causos do Sul (Sulina),às 20h30min,na Praça de Autógrafos.


JULGAMENTO DE EICHMANN – Debate com a presidente da Sociedade Hannah Arendt, Simone Matthaei, e a sobrinha de Hannah, Edna Brocke, testemunha do processo contra a figura- chave do Holocausto, no Santander Cultural,às 18h.


Mais autógrafos

10 de novembro de 2011 1

Letícia Wierzchowski e Alessandra Lago autografam “O Menino e seu Irmão” no Cais do Porto. Foto: Fernanda Grabauska

A escritora Letícia Wierzchowski e a ilustradora Alessandra Lago autografam das 16h às 17h o livro “O Menino e seu Irmão” (Ed. Galerinha), no deck dos autógrafos no Cais do Porto. A história, ricamente ilustrada com bordados, é uma boa dica de leitura para as crianças. Conhecemos um menino em cuja família tudo se resolvia com três abraços, toda a comida cabia em três pratos e todos os casacos, em três cabides… até o nascimento de um irmãozinho.

Os autógrafos de Maria Teresa

04 de novembro de 2011 0

A sessão de autógrafos do novo livro do grupo Cuidado que Mancha, Maria Teresa e o Javali. Foto: Fernanda Grabauska

Os pequenos faceiros aí acabaram de conseguir seus exemplares autografados de Maria Teresa e o Javali, novo livro do Cuidado que Mancha escrito por Gustavo Finkler e ilustrado por Renata Mattar. Diferente dos outros livros do grupo, que vinham com CDs dos espetáculos Família Sujo, O Natal de Natanael e A Mulher Gigante, Maria Teresa e o Javali é um convite à imaginação, como escreve seu autor logo na introdução:

O livro que está nas suas mãos não é um filme, que já vem com todas as imagens e com todos os sons da história. Este livro também não é um CD de histórias, que já vem com toda a sonoplastia e com todos os diálogos gravados. (…) Não deixe que isso lhe atrapalhe. O legal deste livro é que você vai poder criar todas as imagens, ouvir todos os sons e sentir todos os cheiros e gostos através da sua imaginação.

E fica o aviso para as crianças: quem quiser ver o livro em sua montagem de teatro pode assistir a Maria Teresa e o Javali neste sábado e domingo, dias 5 e 6,  no Teatro Sancho Pança do Cais do Porto, área infantil da Feira.

O que Jane Tutikian aprendeu com Calvin e Haroldo

03 de novembro de 2011 0

Patrona da Feira do Livro, Jane Tutikian conta, no dia dedicado às histórias em quadrinhos na Feira do Livro, o que aprendeu com uma das duplas de personagens mais queridas do gênero, Calvin e Haroldo.

(Re)lançamento

01 de novembro de 2011 0

Por Fernanda Grabauska

O governador Tarso Genro era todo sorrisos no relançamento da revista Vox. Relançamento? Explico: a Vox era editada em meados de 2002, durante o governo Olívio Dutra, e acabou como uma ideia que se perdeu. Uma iniciativa da Secretaria Estadual da Cultura ressuscitou-a, no entanto: editada pela Corag em parceria com o Instituto Estadual do Livro, a publicação trimestral será centralizada em um só tema selecionado pelo IEL e pelo conselho editorial, apresentados por críticos, escritores, professores e jornalistas próximos da questão literária.

Lembrando o tempo em que ele também era crítico literário, Tarso falou da honra de trabalhar com o secretário de Cultura e ex-patrono da Feira do Livro Luiz Antônio de Assis Brasil:

_ Tive a honra de ter publicada  uma crítica em que chamava a atenção a um livro de um autor até então considerado um iniciante:Um quarto de légua em quadro, de Luiz Antônio de Assis Brasil.

Imortal caçula

22 de agosto de 2011 0

Aos 47 anos, o poeta, ensaísta e ficcionista Marco Lucchesi é o mais jovem integrante da Academia Brasileira de Letras. Eleito em março, ele vem a Passo Fundo pela primeira vez para o 4º Encontro Nacional da Academia Brasileira de Letras, para falar de Tramas da Ficção e da História. Um tema afim com seu romance de estreia, O Dom do Crime (Record), que reconstitui o Rio antigo sob o pretexto de um crime real _ numa narrativa que também põe em perspectiva o estatuto social da mulher no período, incluindo a Capitu de Machado de Assis. Por e-mail, elçe concedeu a seguinte entrevista a Zero Hora:

Zero Hora –  O senhor faz em O Dom do Crime algo que exegetas de Machado já haviam feito em prosa de não ficção: alcançar um retrato da sociedade da época que ponha Capitu em perspectiva. Por que optou pela ficção para isso? A ficção lhe dava uma liberdade ensaística maior?
Marco Lucchesi –
Os gêneros se tornam mais interessantes quando dissolvem seus limites ou zonas de tensão. É um processo que veio desde a segunda metade do século XIX – de um ponto de vista mais clássico. Muito embora  a experiência tenha a mesma idade da literatura. Capitu e a sociedade em perspectiva, essa me parece uma boa definição. O que me importou mais nisso tudo foi o olhar do narrador. O advogado preso a uma nuvem de detalhes. E um aprofundamento no século XIX através das lentes ficcionais.

ZH – Outros romances recentes abordam a história como matéria-prima romanesca e usam o pretexto do crime para a criação da história. A ficção brasileira está perdendo o preconceito com a literatura de gênero, descobrindo nela valores narrativos que podem ser usado em prol da “grande literatura”?
Lucchesi –
É uma possibilidade, sem dúvida. O meu interesse era o de relacionar a partir do crime três ordens ou  três camadas. O processo-romance, como base, alcançando  a história e uma espécie de visão cósmica ou metafísica do horizonte das personagens. O crime foi uma descoberta que me ajudou a conectar o que seria múltiplo e disperso.

ZH – É a sua primeira vez em Passo Fundo para a Jornada? Qual sua expectativa?
Lucchesi –
É a primeira vez, e Passo Fundo abriu um caminho pioneiro nas relações  entre o público a literatura, por onde críticos e autores formam um belo triângulo. Vou com um sentimento de adesão e desafio.