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Posts na categoria "Erótico"

Alta temperatura na Praça

04 de novembro de 2013 0
Nathalia Rech, Nanni Rios e Monique Esswein Guimarães no Sarau Erótico. Foto: Carlos André Moreira

Nathalia Rech, Nanni Rios e Monique Esswein Guimarães no Sarau Erótico.
Foto: Carlos André Moreira

Com a ajuda do vento, forte, a temperatura caiu bastante na noite de segunda-feira na Feira do Livro. No Auditório Barbosa Lessa do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, contudo, o clima aumentou alguns graus com um apelo a uma tradicional (e muitas vezes clandestina) expressão literária: o erotismo.

Um salão lotado por um público em sua maioria jovem riu, gargalhou, aplaudiu e se embeveceu com poemas licenciosos e partilháveis, mas impublicáveis, de clássicos como Catulo e Aretino a contemporâneos como Paula Taitelbaum e Armando Freitas Filho. Dando um entendimento menos técnico e mais literal à expressão “prazer do texto”, o Sarau Erótico é um projeto capitaneado por Nanni Rios e Monique Esswein Guimarães, sendo realizado periodicamente na primeira segunda-feira do mês, no Bar do Nito, tradicional endereço do samba na Capital.

Na edição da Feira, a convidada especial foi a poeta Nathalia Rech – que também teve poemas lidos no sarau. É um tanto difícil apresentar ao querido leitor a essência da noite safada vivida ontem, porque os textos escolhidos ao sabor do improviso (e a reação aprovadora da plateia) são a grande graça do projeto. Para quebrar a timidez dos mais inexperientes, as condutoras do encontro começaram apresentando textos retirados de livros empilhados ao lado da poltrona. Ao lado de algumas taças de vinho.

– Infelizmente, o vinho tem de ficar no palco, é orientação da Feira, mas quem subir para ler pode tomar um gole – convidou Nanni Rios.

Logo, alguns mais desabusados se encorajam a subir no palco e ler também – dois contos de Caio Fernando Abreu, poemas de Olivério Girondo, Natália Corrêa, Vinicius de Moraes (um dos campeões dos aplausos), estrofes próprias compostas pela plateia na hora, versos catados na internet pelo celular. A plateia acompanhou em um silêncio atento (mas não reverencial). Uma ou outra linha despudorada provocou riso imediato.

A orgia literária durou mais de uma hora e passou rápido – como é próprio das atividades prazerosas, literárias ou não

Cinquenta Clones Cinzas

10 de dezembro de 2012 1

Quem acompanha este blog com alguma assiduidade sabe que somos interessados em capas de livro como elementos valiosos da própria existência da obra, sejam elas desastres bregas sobre os quais é possível escrever série inteiras até coincidências curiosas entre duas capas diferentes que se parecem bastante.  A quem questiona a validade de se deter de vez em quando em uma capa de livro, é bom lembrar, sempre, que a capa de um livro é a apresentação da obra ao leitor, e muitas vezes a face “gráfica” de uma obra estará tão marcada na lembrança de um leitor quanto o conteúdo da obra (quem dentre vocês não guarda na memória até mesmo a capa de uma leitura particularmente especial ou formadora?)

E quem acompanha qualquer notícia sobre o mercado literário nos últimos meses ficou sabendo, até mesmo quem não estava muito interessado, que chegou às livrarias a trilogia Cinquenta Tons de Cinza, escrita por uma jornalista inglesa, E.L. James, e que foi logo apelidada pela mídia de “Crepúsculo para Mães”. Confesso que a primeira vez que eu li algo sobre isso, ainda quando o livro foi publicado lá fora, imaginei, confiando em um certo discernimento essencial do assim chamado “grande público”, que essa moda não ia emplacar, mas quebrei a cara, e não pela primeira vez (quando li as primeiras páginas da edição nacional da série Crepúsculo, enviadas pela editora ainda antes do filme e da febre toda, também imaginei que algo tão tosco não teria grande repercussão, e de novo me revelei um péssimo vidente).

Bueno, mas os Cinquenta Tons. Já falamos, assim como muitos outros já falaram, que o mercado editorial se orienta por um instinto de manada em busca de uma onda lucrativa. O sucesso de Harry Potter inundou as livrarias com fantasia mágica em séries novas e republicadas para pegar carona na onda, como Eragon, de Christopher Paolini, a Trilogia de Tinta, de Cornelia Funke, ou a série Percy Jackson, de Rick Riordan - esta, em particular, divide com o menino bruxo um bom número de similaridades estruturais, como já apontamos aqui. Essa primeira vaga tem contribuído para tirar o gênero do gueto a que era contido até os anos 1990. O Caçador de Pipas e O Livreiro de Cabul produziram uma infindável marola de publicações ao estilo “drama-verdade-denúncia-edificante” no Oriente Médio. Crepúsculo ditou a mais recente safra de literatura a aportar nas bancas: anódinas histórias românticas para adolescentes iludidas, temperadas com toques de horror e fantasia, como as séries Fallen, de Lauren Kate, Sussurro, de Becca Fitzpatrick ou Os Imortais, de Alyson Noël. Quem prestou alguma atenção às livrarias no último mês já deve ter percebido que começa a se ensaiar movimento semelhante com os clones da trilogia de E.L. James.

Mas o que começou com essa onda do Crepúsculo e parece se reproduzir com ainda mais veemência com a onda Cinquenta Tons… é a tentativa de direcionar o leitor incauto para “algo-parecido-com-aquela-outra-coisa-que-você-gostou” usando até mesmo um padrão gráfico e um estilo de capa muito similares aos dos fenômeno original. Senão vejamos: Cinquenta Tons de Cinza, a edição nacional da Intrínseca, aproveita as imagens de capa das edições americanas originais, todas marcadas por uma composição sóbria e um jogo de brilhos e sombras focado sobre detalhes de um elemento qualquer do jogo erótico protagonizado pelo casal principal (uma gravata, signo da masculinidade endinheirada do personagem Grey e venda em horas vagas; uma máscara de baile à fantasia e, finalmente, um par de algemas. Se bem que esta interpretação pode ser chute meu, eu não li o livro).

Pois não demorou muito para surgirem os candidatos ao “próximo Cinquenta Tons” – tentativas quase sempre infrutíferas, uma vez que esse tipo de movimento costuma abocanhar um ou outro leitor mas jamais iguala o original em termos de venda e ainda contribui para a saturação e o desgaste ainda mais rápido da “onda”. A primeira a se firmar, aparentemente, foi Toda Sua, de Sylvia Day, também uma série – o selo mais popularesco da Companhia, o Paralela, já lançou o segundo volume, Profundamente Sua (senhor…).  A emulação, aqui, é clara, trocando apenas o objeto, um sapato de salto, cor de fundo predominantemente cinza, as linhas do objeto em close, sombras e fulgores. O que realmente diferencia os dois é um uso maior do preto, algum dourado e uma chamada vagamente constrangedora na capa do livro de Sylvia Day:

O segundo volume segue o mesmo padrão, trocando o salto pelo que parece ser um bracelete cravejado de pedras coloridas. Também neste caso a capa da edição original aproveita uma imagem produzida para uma das edições lá de fora, provando que a moda do imitatio não é prerrogativa do mercado editorial brasileiro e sim uma tendência importada para as estantes locais. Outro livro lançado logo depois da chegada dos Cinquenta Tons ao Brasil que também vai na mesma linha foi Luxúria, de Eve Berlin, que apareceu por aqui em edição da Lua de Papel. Uma rápida pesquisa mostra que Eve Berlin é um pseudônimo usado por uma escritora de carreira já consolidada no mercado das histórias água-com-açúcar ao estilo Júlia-Sabrina-Bianca, o que explica porque as capas originais dos livros da autora lá fora (também é uma trilogia, a propósito, com o nome em inglês de Edge Trilogy) não só são bem diferentes da edição nacional como também poderiam concorrer a qualquer certame de capa brega. Aqui, preferiu-se uma alusão disfarçada ao mesmo padrão de capa: cinza e preto, detalhe de um objeto que remete ao jogo erótico (no caso, um corselete), além de uma chamada apelativa de efeito. A fonte do título também aposta em um itálico rebuscado que remete aos romances de banca de jornal:

Sobra espaço nessa ciranda até para que editoras com coisas vagamente semelhantes em seu catálogo queiram dar uma segunda chance a livros mais antigos que podem ser repaginados ao “estilo Cinquenta Tons“. A Record acabou de jogar nas livrarias Falsa Submissão, de Laura Reese, uma obra de apelo erótico cuja capa novamente remete ao padrão que já identificamos, um jogo entre cinza, preto, reflexos e brilhos de tom geral sóbrio (imagino que essa sobriedade toda seja para tentar passar a mensagem de que estes livros são sim sobre sexo, mas recusam a vulgaridade – o que, para mim enquanto leitor, significa que o sexo nessas obras não deve valer muito a pena – com trocadilho, por favor). Novamente, a composição é dominada por um objeto de dupla função, vestuário e fetiche, neste caso um cinto masculino.

O detalhe a levar em conta, contudo, é que Falsa Submissão é um romance de 1996, e já havia sido publicado no Brasil no fim dos anos 1990 pela mesmíssima editora, com uma capa que não tem nada a ver com a da nova edição a não ser por deixar o conteúdo erótico mais explícito ao se valer da imagem de um corpo feminino nu. O tema da “submissão” também ficava mais claro como gesto da mulher na capa, o de colocar as mãos para trás como se à espera de ser amarrada. Em tempos de “pornô para mamães”, o livro foi reembalado com o cinto fazendo as vezes de alusão bastante sutil ao tema:

Que fique bem claro que este pequeno levantamento (ops) não diz nada a respeito do conteúdo dos livros, e sim da forma como as editoras escolheram apresentá-los para o público, todos como similares uns aos outros em temperatura e tema. Provavelmente são obras bem diferentes entre sim, mas as editoras preferem, por questões mercadológicas, enviar para os leitores a mensagem, expressa já na primeira coisa à vista, a capa, de que são todos ramos da mesma árvore

Tons de cinza e pornô rosa-choque

11 de julho de 2012 0

A escritora E.L. James. Foto: Michael Lionstar, Divulgação

Best-seller da hora, Cinquenta Tons de Cinza, da inglesa EL James, chega às livrarias brasileiras em 1º de agosto, pela Intrínseca. Como a editora carioca ainda está finalizando a edição e deve enviar as provas da imprensa somente no final desta semana, decidimos, aqui em Zero Hora, comprar a versão em inglês para antecipar a publicação da matéria sobre a trilogia-fenômeno (os outros dois títulos, Cinquenta Tons Mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade, saem, respectivamente, em 15 de setembro e 1º de novembro próximos).

Concluindo o texto que está na capa do Segundo Caderno desta quarta-feira, pedi à Intrínseca que me enviasse ao menos alguns trechos da tradução. Acredito que a história da autora estreante – que vendeu impressionantes 10 milhões de exemplares em apenas seis semanas, nos Estados Unidos – tenha perdido muito do encanto na passagem do inglês para o português. Não se trata de um enredo brilhante ou mesmo inédito, mas o texto em português me pareceu flertar bem mais de perto com aqueles livrinhos açucarados, bem baratinhos, vendidos em banca de revista. Nada contra esses títulos também – cada um com seu público. Melhor ler algo de qualidade duvidosa do que não ler nada, penso eu.

De qualquer maneira, vou adiante. Pretendo ler os três volumes – in English. Não fosse a chuva insistente, iria hoje mesmo à Saraiva do Praia de Belas, aqui perto da redação, para comprar os outros dois.

Confira, a seguir, parte do primeiro capítulo, quando a estudante de Literatura Inglesa Anastasia Steele conhece o bilionário Christian Grey. Substituindo uma amiga doente, ela vai até a empresa dele fazer uma entrevista para o jornal da faculdade. Nota relevante: as páginas iniciais não refletem exatamente o que vem mais adiante. Cinquenta Tons de Cinza é repleto de sexo – e principalmente sexo sadomasoquista. Eis a razão da fama do arrasa-quarteirão.

Trecho
– O senhor é muito jovem para ter construído um império deste porte. A que deve seu sucesso? – Olho para ele. Seu sorriso é enternecedor, mas ele parece vagamente desapontado.
– Os negócios têm a ver com pessoas, Srta. Steele, e sou muito bom em avaliar pessoas. Sei como elas funcionam, o que as faz florescer, o que não faz, o que as inspira e como incentivá-las. Emprego uma equipe excepcional, e recompenso-a bem. – Ele faz uma pausa e me fita com aqueles olhos cinzentos. – Acredito que, para alcançar o sucesso em qualquer projeto, é preciso dominá-lo, entendê-lo por completo, conhecer cada detalhe. Trabalho muito duro para isso. Tomo decisões com base na lógica e nos fatos. Tenho um instinto natural capaz de detectar e promover uma boa ideia, e boas pessoas. No fim, o fator preponderante sempre se resume a pessoas competentes.
– Quem sabe o senhor simplesmente tenha sorte.
Isso não está na lista de Kate, mas ele é muito arrogante. Uma expressão de surpresa brilha rapidamente em seus olhos.
– Não acredito em sorte ou acaso, Srta. Steele. Quanto mais eu trabalho, mais sorte pareço ter. A questão é realmente contar com as pessoas certas na sua equipe e saber direcionar a energia delas. Acho que foi Harvey Firestone que disse: “O crescimento e o desenvolvimento das pessoas é a maior ambição da liderança.”
– O senhor fala como um fanático por controle. – As palavras saem da minha boca antes que eu possa impedi-las.
– Ah, eu controlo tudo, Srta. Steele – diz ele sem nenhum vestígio de humor no sorriso.
Olho para ele, e ele sustenta o meu olhar, impassível. Meu coração bate mais depressa, e o meu rosto torna a corar.
Por que ele me deixa tão nervosa? Será pela impressionante aparência física? Pelo olhar inflamado que dirige a mim? Pelo jeito de passar o dedo no lábio inferior? Queria que ele parasse de fazer isso.
– Além do mais, é possível conquistar um imenso poder quando nos convencemos, em nossos devaneios mais secretos, de que nascemos para controlar – prossegue ele, com a voz macia.
– Acha que possui um imenso poder? –
Fanático por controle.
– Emprego mais de quarenta mil pessoas, Srta. Steele. Isso me dá certo senso de responsabilidade, ou poder, se quiser chamar assim. Se eu decidisse não me interessar mais por telecomunicações e vendesse minha empresa, em um mês, mais ou menos, vinte mil pessoas teriam dificuldade para pagar suas hipotecas.
Meu queixo cai. Estou estarrecida com sua falta de humildade.

Sadomasô romântico

26 de junho de 2012 0

A Intrínseca prepara para 1º de agosto o lançamento da versão em português de um dos sucessos mais impressionantes do mercado literário em todos os tempos. Cinquenta Tons de Cinza (480 páginas, R$ 39,90 a versão impressa e R$ 24,90 o e-book), primeiro romance da novata Erika Leonard, pseudônimo E.L. James, vendeu 10 milhões de exemplares em apenas seis semanas nos Estados Unidos. Por aqui, a editora dá a largada com tiragem inicial de 200 mil exemplares, algo raramente visto no mercado brasileiro.

Outros dois títulos compõem a trilogia: Cinquenta Tons Mais Escuros (512 páginas, R$ 39,90 e R$ 24,90, com lançamento em 15 de setembro) e Cinquenta Tons de Liberdade (544 páginas, R$ 39,90 e R$ 24,90, com lançamento previsto para 1º de novembro). Os direitos para a adaptação no cinema já foram adquiridos pela Focus Features, da Universal Pictures, por US$ 5 milhões.

Explica-se o furor em torno da novidade: a autora inglesa, que vive em Londres, apresenta a relação (fortemente erótica) entre Anastasia Steele, uma recatada moça de 22 anos, recém-saída da universidade, e Christian Grey, “bilionário charmoso, brilhante, atormentado, intimidante e enigmático” (uau!), segundo a descrição do release distribuído à imprensa. Consumida pelo desejo, Anastasia se submete às exigências sexuais impostas pelo amado, assinando um contrato que repassa a ele o controle completo de sua vida.

O primeiro volume já está em pré-venda nas principais livrarias do país. Pode-se encontrar também o texto original, em inglês. Mais informações no site www.cinquentatonsdecinza.com.br