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Posts na categoria "Este blog"

Esperamos vocês na Praça

31 de outubro de 2013 0
Praça da Alfândega pronta para 59ª Feira

Praça da Alfândega pronta para 59ª Feira. Foto: Bruno Alencastro

Como já aconteceu em outras edições da Feira do Livro, este seu blog Mundo Livro estará em plena atividade durante a Feira do Livro, com notas, imagens, resenhas, entrevistas realizadas ao longo dos 17 dias da Feira do Livro, que começa amanhã. Aqui (e na versão da coluna no Caderno da Feira que será publicada no jornal de papel) você encontrará nossas listas de indicações, top tudos, seções e coisas interessantes sobre a Feira. Não esqueça também de nos acompanhar no Facebook e no Twitter.

O que é um "autor gaúcho"?

13 de setembro de 2013 0

1 – Trabalho em um jornal que dá alguma importância ao lugar em que o personagem nasce. É uma derivação natural da linha de perspectiva local adotada pelo veículo, mas isso, lá de vez em quando, como qualquer sistema de categorização, cria alguns problemas de nomenclatura. Quando saem os finalistas indicados por um prêmio, como o recente Portugal Telecom, por exemplo, destacamos nas páginas da Zero Hora os “autores gaúchos” – que é também uma das categorias deste blog ali na barra de cima, e que só são tão poucas porque eu simplesmente me esqueci como é que eu mexo naquilo para ampliá-las.

2 – Só que essas categorizações são difíceis, e nunca 100% eficientes – o que significa exatamente chamar alguém de “autor gaúcho”? É um autor nascido no Rio Grande do Sul ou que desenvolveu seu trabalho por aqui? Até que ponto uma informação como essa é precisa? Peguemos, primeiramente, alguns exemplos que transcendem essa questão e que são relacionados a artistas de outras paragens que também despertam esse tipo de dúvida. Italo Calvino nasceu em Santiago de Las Vegas, em Cuba. Por pura circunstância. A maior parte de sua vida foi vivida na Itália. Ele escrevia em italiano. Ele era um escritor italiano, falar qualquer outra coisa além disso é bobagem. Mas sempre deve haver espaço, claro, para incluir aí o que chamo de “fator espertinho”. O fator espertinho designa uma reação precipitada de um leitor querendo provar uma coisa que, no fundo é verdade: que o jornalista não sabe nada.

3 – Me explico: jornalistas não sabem nada. Não conhecem a maioria das coisas sobre a Terra, eles apenas sabem, e nem todos, procurar pelas informações de modo mais rápido e eficiente que a maioria. Logo, o jornalista é sim, um ignorante na maioria das coisas, até porque o primeiro ato de um jornalista deve ser não saber, para então tentar obter o conhecimento que não sabe para que possa depois levá-lo a seu público. Só que isso não significa, em todos os casos e para todo o sempre, que todos os jornalistas sejam rematados imbecis. Mas há o leitor espertinho que, ciente da primeira premissa, toma a segunda como verdadeira, e sempre caça algo que para ele é erro. Às vezes é mesmo. Às vezes não.

4 – Em um show do Milton Nascimento que fui cobrir há muitos anos, encontrei uma ex-colega de trabalho, uma fotógrafa, e a primeira coisa que ela me disse, antes mesmo de cumprimentar, foi: “Bá, que mancada, hein? Matéria de hoje dizia que o Milton Nascimento é carioca”. Só que, e aí entra essa nuança problemática da qual falávamos: dizer que o Milton Nascimento é carioca não está errado, uma vez que ele de fato nasceu no Rio de Janeiro. Talvez estivesse se disséssemos que ele é um “artista carioca”, uma vez que ele integrou uma das grandes gerações da música mineira, incluindo seus parceiros do clube da esquina Márcio e Lô Borges.

5 – Passando finalmente para o assunto que abriu a conversa, a literatura. Donaldo Schüler, há anos residente e atuante no Estado, é nascido em Santa Catarina. Celso Sisto, vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura 2011, é carioca de nascimento – como Milton –, mas vive no Estado e aqui desenvolveu sua carreira nos últimos anos. Na atual geração dos contemporâneos “autores gaúchos”, há alguns que representam desafio semelhante a uma definição geográfica concreta. Os daniéis, por exemplo, Galera e Pellizzari. Galera nasceu em São Paulo, morou um bom tempo em Porto Alegre, passou por São Paulo, Santa Catarina e andava por aí por Porto Alegre esses dias (mas já pode ter mudado de novo, vai saber). Pellizzari nasceu em Manaus, mas também morou um bom tempo em Porto Alegre – hoje vive em São Paulo. O que talvez ajude a defini-los dessa forma é que estrearam por aqui. Fizeram parte da formação do CardosOnline quando se conheceram em uma faculdade local, fundaram a Livros do Mal aqui… É isso o que os torna, para fins de nominação no jornal, “autores gaúchos”  - e, claro, esse é o tipo de detalhe que não tem relevância nenhuma, mas eu andava querendo retomar os textos neste blogue.

Este blog está em férias

28 de junho de 2013 0

Não desistam de nós, não encerramos as atividades, apenas o editor deste espaço está em férias até a primeira semana de julho. Momento de aproveitar as férias para algumas leituras que depois repercutirão por aqui. Abraço.


O ritmo do blog

04 de maio de 2013 0

Provavelmente vocês já devem ter notado que o ritmo do blog andou dando uma diminuída nas últimas semanas. O motivo é que este que vos escreve anda editando interinamente o caderno Cultura, que sai aos sábados na Zero Hora, e não teve muito tempo para se dedicar a novas postagens. As atividades do Mundo Livro, entretanto, não estão suspensas, apenas entraram em uma rotina mais entrecortada. Espero retomar alguma regularidade a partir da próxima semana, mas podem continuar voltando. Não estamos desativados, apenas operando em outra escala.

Como sempre, um abraço e um obrigado pela leitura.

As cores deste blog

12 de setembro de 2012 0

Faz algum tempo, mudamos o projeto gráfico deste blog, com a adoção do cabeçalho bonitão lá de cima – que tem tons terrosos e em preto e branco. Para manter uma certa harmonia visual do conjunto, isso nos levou a mudar o padrão dos títulos dos posts, antes em azul, para uma cor mais condizente com o tom do topo.

Como o tema que usamos neste blog prevê que os títulos dos posts e os links sejam sempre da mesma cor, a mudança automaticamente atingiu também os links para textos. Mas vinha me incomodando o fato de que a nova cor poderia passar despercebida por ser por demais semelhante ao padrão da fonte normal, então fui lá nas configurações e mudei para um marrom mais contrastante, creio eu.

Como vocês podem ver neste exemplo aqui.

Mas preciso saber o que vocês, nossos leitores, acharam. Está mais fácil identificar os links nos textos?

Opiniões na caixa de comentários.

Abraço.

Breve comunicado

29 de junho de 2012 0

Amigos do blog, por uma questão de força maior, fica para segunda-feira que vem o post com o terceiro texto da série Bairrismo? Conta Outra. E para evitar novos atrasos da mesma natureza, resolvi transferir a seção para as segundas-feiras em definitivo. Quem quiser ler os próximos, já sabe: segundas-feiras no ar.

Abraço.

Coisas para fazer no fim de semana

27 de abril de 2012 0

Neste sábado, coincidem o último dia da FestiPoa Literária e o segundo (e também último) dia da Odisseia de Literatura Fantástica, uma tentativa de pôr a literatura de gêneros (não confundir com “gênero” no sentido maculino/feminino) no mapa de Porto Alegre. A programação da FestiPoa pode ser lida no site oficial da festa, aqui. A da Odisseia, o mesmo, no portal do evento, aqui.

Que bola dividida, hein, escolher entre alguns dos eventos que se sobrepõem na programação. Este seu blogueiro, por exemplo, viverá seu dia de maratonista participante.

Neste sábado, às 10h30min, no Auditório Luís Cosme da Casa de Cultura Mario Quintana, participo como mediador de uma mesa de debates entre o escritor e crítico Miguel Sanches Neto e o professor João Cezar de Castro Rocha sobre A Consciência da Crítica Literária Brasileira.

Depois, à tarde, às 15h, no Memorial do Rio Grande do Sul (ainda bem que é tudo no Centro), vou mediar outro debate, entre Taize Odelli e Luiz Ehlers, sobre Crítica literária e o Fantástico.

Com o cachê nababesco que receberei pelos dois eventos, seguramente devo superar os R$ 170 mil dos quais o Gabriel O Pensador abriu mão. Quem quiser protestar por isso vaiando o blogueiro, será bem vindo nas duas palestras. Espero vocês leitores lá

Poesia num blog desses? - Carlos Drummond de Andrade e Stalingrado

14 de março de 2012 0

Foto de Stalingrado durante o cerco, em 1943.

Ando para cima e para baixo nos últimos dias com A Rosa do Povo, na nova edição que a Companhia das Letras está lançando para marcar a reedição da obra integral de Carlos Drummond de Andrade. É um livro – bem como os outros de Drummond de sua melhor fase – em que se mergulha e fica por lá. Lemos, relemos, voltamos algumas linhas, porque há uma certa qualidade esquiva que não se abre à primeira leitura, mesmo neste que é o livro por assim dizer mais “engajado” de Drummond, com poemas mais declaradamente ligados à questão social e mostrando um certo namoro do poeta com o Comunismo – o que não deixa de ser compreensível, dado que os poemas foram escritos entre 1943 e 1945, ou seja, Drummond contrapunha a resistência da União Soviética ao avanço do horror nazista.

Um dos principais símbolos desta resistência está completando 70 anos neste 2012: o cerco de Stalingrado, que durou de julho de 1942 a fevereiro de 1943. Impressionado com a férrea resistência soviética em uma batalha que teve aproxidamente dois milhões de baixas como resultado, Drummond escreveu uma ode à cidade cercada. É ela que transcrevemos abaixo no nosso Dia Nacional da Poesia:

Carta a Stalingrado

Stalingrado…
Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!
O mundo não acabou, pois que entre as ruínas
outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora,
e o hálito selvagem da liberdade
dilata os seus peitos, Stalingrado,
seus peitos que estalam e caem,
enquanto outros, vingadores, se elevam.

A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.
Os telegramas de Moscou repetem Homero.
Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novo
que nós, na escuridão, ignorávamos.
Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída,
na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,
no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas,
na tua fria vontade de resistir.

Saber que resistes.
Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.
Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.
Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.
Saber que vigias, Stalingrado,
sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantes
dá um enorme alento à alma desesperada
e ao coração que duvida.

Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!
As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.
Débeis em face do teu pavoroso poder,
mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,
as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta,
aprendem contigo o gesto de fogo.
Também elas podem esperar.

Stalingrado, quantas esperanças!
Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!
Que felicidade brota de tuas casas!
De umas apenas resta a escada cheia de corpos;
de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.
Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas,
todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,
mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,
ó minha louca Stalingrado!

A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,
apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,
caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,
sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?
Uma criatura que não quer morrer e combate,
contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,
contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,
contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate,
e vence.

As cidades podem vencer, Stalingrado!
Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.
Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.
Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres,
a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.

Carlos Drummond de Andrade. 1943


Poesia num blog desses? Sophia de Mello Breyner Andresen

14 de março de 2012 0

Sophia Andresen em desenho de Arpad Szenes.

Já que estamos fazendo essas publicações póeticas em homenagem ao Dia Nacional da Poesia, vamos puxar um pouco o leme para paragens menos óbvias do que o cânone nacional do século XX. Os leitores aplicados de poesia conhecem a obra da portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen (1919 – 2004), mas seu nome (e que nome) ainda pode soar desconhecido aos ouvidos do assim chamado “leitor comum”. O que é uma pena. Amiga de João Cabral de Melo Neto, Sophia a ele se assemelhava no rigor e na contenção que em nada diminuía o impacto de seus versos, pelo contrário, potencializáva-os. Como escreveu meu colega Roger Lerina em uma resenha de um volume de seus Poemas Escolhidos, publicados no Brasil em 2005, Sophia, “ainda que respirasse o ar de seu tempo, escrevia como se pertencesse a época alguma.”

Mesmo que muitos de seus poemas retratassem uma insatisfação com o mundo moderno contemporâneo,  Sophia foi uma poeta militante, engajada contra a ditadura salazarista nos anos 60 e 70 e deputada de oposição.  Seu trabalho divide-se, portanto, entre versos políticos de melancolia agressiva e temas líricos e ideias que ela revisitou com afinco ao longo de 60 anos de trabalho (o mar, os corais, o vento, a praia, a casa materna no Porto, a cultura helênica). Uma tensão que fica evidente no poema abaixo:

ESTE É O TEMPO

Este é o tempo
Da selva mais obscura

Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura

Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura

Este é o tempo em que os homens renunciam
Sophia de Mello Breyner Andresen

Resgatando coisas do baú

23 de setembro de 2011 1

Este blog, como eu já expliquei em outro post, foi inaugurado numa época em que não havia sequer o site de Zero Hora como hoje o conhecemos, e já passou ao longo de seus cinco anos por diversas mudanças de sistemas e ferramentas de postagens – com o milagre da tecnologia de desconfigurar os posts e as tags antigos toda vez que mudava algo. Da última vez que mudaram, decidi não fazer um mutirão maluco para corrigir sozinho isso tudo, até porque duvido que alguém consulte de fato arquivo de blog, esta coisa tão imediatista e já ultrapassada no mundo apressado de hoje.

Mas como eu ia dizendo: as primeiras ferramentas eram praticamente a lenha, com limitações atrozes, como a impossibilidade de carregar mais de uma foto e um limite de caracteres que impedia textos mais longos. Para publicar a íntegra de entrevistas, então, era um parto, tinha-se de subdividir o material que havia sobrado em vários posts menores, e não valia a pena publicar o que já tinha saído no jornal. Como agora esta ferramenta permite posts mais extensos com íntegras, estou aos poucos recuperando entrevistas bacanas que possam ainda ser de algum interesse.

Digo isso porque, ao preparar para publicação em breve uma entrevista com o jornalista Ivan Sant’Anna, me lembrei que havia uma entrevista com ele da época doo lançamento de Plano de Ataque, boa radiografia dos ataques de 11 de setembro, que havia sido vítima dessa estética do retalho e que poderia ser recuperada na íntegra – e foi o que fiz.

* Quer ler Ivan Sant’Anna sobre o 11 de setembro e os atentados? Clica aqui