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Posts na categoria "Feira do Livro 2009"

João Gilberto Noll vence o Fato Literário 2009

15 de novembro de 2009 1

João Gilberto Noll, de óculos, com os outros concorrentes ao prêmio/Danilo Fantinel
O escritor João Gilberto Noll foi o grande vencedor da 7ª edição do Prêmio Fato Literário. Ele obteve 43% dos votos válidos do Júri Oficial e, com isso, ganhou R$ 20 mil a que concorria. Em cerimônia encerrada há pouco na Feira do Livro de Porto Alegre, Noll se disse lacônico e apenas agradeceu às pessoas que o levaram à escrita.

– Hoje é um dos pontos altos da minha vida – disse o escritor, que durante um vídeo de apresentação dos concorrentes ao Fato admitiu que sonhava com este reconhecimento local.

Há poucos dias, foi anunciado que Noll ficou em segundo lugar no cobiçado Prêmio Portugal Telecom com o livro Acenos e Afagos.

Também concorriam ao Fato Literário 2009 os escritores Altair Martins, 34 anos, que neste ano venceu o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Primeiro Romance com A Parede no Escuro, e o poeta e jornalista Fabrício Carpinejar, 37 anos, que recebeu seu primeiro Jabuti neste ano com a coletânea de crônicas Canalha! na categoria melhor livro de Conto/Crônica.

Na categoria Projetos houve dois vencedores. Pelo Júri Oficial, a Biblioteca Ilê Ará, recebeu 51% dos votos válidos. Criada a partir de uma parceria entre o Instituto C&A e o Instituto Leonardo Murialdo, a Ilê Ará conta com 2,9 mil livros. Situada no ponto mais alto do Morro da Cruz, em Porto Alegre, inclui espaço para literatura infanto-juvenil, onde são realizadas rodas de leitura, e uma sala de estudos. Mensalmente, a biblioteca atende cerca de 500 pessoas e mantém uma média de 400 empréstimos. O prêmio para a biblioteca é de R$ 20 mil.

Já pelo Júri Popular, a ação “Leia Menino”, promovida pelo Colégio Ipiranga, da cidade de Três Passos, na Região Noroeste do Estado, obteve 45% dos votos válidos. No projeto, tudo que é arrecadado em dinheiro reverte integralmente – na forma de bônus – para estudantes e bibliotecas do município. Os valores são convertidos para a compra de exemplares na Feira Três-Passense do Livro. Os próprios estudantes e os responsáveis pelas bibliotecas escolhem os títulos que serão adquiridos. O prêmio para o Leia Menino é de R$ 10 mil.

* Visite o site oficial do Fato Literário
* Entenda o Prêmio Fato Literário

Texto de Danilo Fantinel

Os Sertões é revisado na Feira

15 de novembro de 2009 4

Debate sobre /Danilo Fantinel

Neste 15 de agosto novembro, último dia da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre, o evento promoveu um debate entre intelectuais sobre Os Sertões, obra maior do escritor fluminense Euclides da Cunha sobre a insurreição de Canudos, na Bahia, entre 1896 e 1897. O evento é parte das atividades quelembra os 100 anos de morte do escritor, em 15 de agosto de 1909.

Os convidados Antônio Hohlfeldt, Márcia Ivana de Lima e Silva, Antonio Vieira Sanseverino e Luís Augusto Fischer fizeram uma releitura de Os Sertões a partir de diferentes pontos de vista.

Hohlfeldt focou seu discurso nos relatos jornalísticos do autor despachados diretamente do front, em um esforço anterior ao próprio livro. As informações eram repassadas para meninos contratados por Euclides, que levavam o material a pé até Salvador. Da capital baiana, o texto era repassado ao Estado de S. Paulo por telégrafo, que publicava seus artigos.

Hohlfeldt retomou informações da época, leu relatos diversos a respeito dos costumes e da linguagem local, e situou a perspectiva intelectual de Euclides na cobertura de guerra.

Márcia Ivana de Lima centrou sua participação na questão literária da obra e no impacto dela sobre diversos campos acadêmicos. Ela lembrou que o livro é estudado em faculdades diversas como História, Comunicação, Antropologia, Sociologia e Geografia, entre outras.

– É um texto que proporciona uma leitura sob diversas perspectivas. Toda ciência e exatidão se dão de forma literária. Existe um certo consenso de que é um livro difícil de ler, mas quando lemos nos deparamos com um texto apaixonante, de excelentes qualidades literárias – comentou, lembrando que as descrições científicas e jornalísticas são subvertidas pelo próprio fator literário da obra.

Márcia também ressaltou o “jogo de antíteses” que se constrói em Os Sertões, o que reforça a idéia de que, na guerra, tudo e todos tendem a se igualar e mesmo o bem e o mal já não são separados de forma muito clara, o que ajudaria a promover uma identificação da obra com o leitor.

Foto: Danilo Fantinel

Já Antonio Vieira São Severino explicou que Os Sertões entrou para a história da literatura nacional pelo que Euclides da Cunha aponta em seu conjunto, a partir dos “desenhos” que faz sobre a terra, o homem e a luta (as três partes que compõem o livro). Severino também lembrou que o autor foi marcante ao utilizar artifícios retóricos para a exposição dos horrores do conflito e da violência da guerra.

Luís Augusto Fischer encerrou o debate confirmando o senso crítico comum de que Euclides foi o primeiro autor nacional a elaborar uma interpretação do Brasil pelo ponto de vista local e utilizando a língua portuguesa corrente na América do Sul, mas a partir do uso e da negação de correntes teóricas e científicas europeias, como as de Hegel.

– Euclides tinha uma honestidade intelectual que negociava com as visões europeias, pois estas nem sempre se enquadravam na realidade local.

Fischer afirmou que Euclides é um ensaísta essencial para a cultura brasileira e disse que Os Sertões deveria ser leitura obrigatória em escolas, já que ainda hoje tem uma linguagem atual. Para o professor e escritor gaúcho, é como se a obra tivesse sido feita “para ser lida 100 anos depois”.

– Deveríamos ter mais acesso ao livro. Apesar da dificuldade da leitura, no conjunto final o leitor só sairá ganhando.

Texto de Danilo Fantinel

Fome de poesia

15 de novembro de 2009 1

Tadeu Vilani
Quem visita a Feira do Livro este ano tem uma deliciosa surpresa: poemas comestíveis.

A degustação literária é uma experiência sensorial de leitura em sete sabores: cinco doces (chocolate, limão, maracujá, menta e morango) e dois salgados (queijo e bacon). Para escrever os textos saborosos, cinco escritores gaúchos foram convidados: Cardoso Czarnobai, Charles Kiefer, Cíntia Moscovich, Fabrício Carpinejar e Moacyr Scliar.

Utilizando papel de arroz aromatizado e impresso com tinta comestível, a iniciativa encanta as crianças e intriga os mais crescidinhos. A curiosidade é tanta que há quem devore a papeleta e só depois lembre: “esqueci de ler o poema!”

Não vale guardar a lembrança, com pena de comer. Em contato com o ambiente, o papel resseca e fica quebradiço. Além do mais, literatura degustável sem provar o sabor não tem graça.

Confira a reação dos visitantes e do escritor Leonardo Brasiliense com a novidade:

Sexo, drogas, rock and roll e literatura

13 de novembro de 2009 0

Cristine Kist

Woodstock completa 40 anos em 2009. O festival de música (e de algumas outras coisas) povoa o imaginário de toda uma geração que nem havia nascido em agosto de 1969. E a data não passou em branco na Feira do Livro. Uma mesa formada por Robson de Freitas Pereira, Luís Augusto Fischer e Juarez Fonseca relembrou os velhos solos de Jimi Hendrix e a inesquecível apresentação de Janis Joplin. Tendo ao fundo a projeção do filme que imortalizou o festival e à frente uma sala lotada, os três conversaram sobre as memórias e consequências daquele final de semana chuvoso e tumultuado.

Robson, o mediador do grupo, destacou que embora Woodstock não figure em todos os livros de história e enciclopédias, a memória se mantém a partir dos livros e filmes: “Ao assistir o filme e ler os livros parece que todos estivemos lá”. Juarez fez um pequeno resumo do filme aos presentes, e destacou que “a indústria do rock como nós conhecemos hoje se sedimentou em Woodstock”. Para ele, foi depois do festival que o rock se tornou o estilo hegemônico do mercado fonográfico. Fischer contribuiu ao ler trechos de um dos muitos livros escritos para contar a história das 500 mil pessoas que assistiram aos shows de The Who e Neil Young em uma fazenda no interior do estado de Nova York.

Hoje, na Feira, os 500 mil se transformaram em 200 e o palco em uma burocrática projeção, mas os cabelos compridos e os óculos hippies ainda estavam lá.

Texto de Cristine Kist

Obras intraduzíveis não têm importância

13 de novembro de 2009 0

Cristine Kist

A frase de Borges que intitula este post é uma das preferidas do tradutor Ernani Ssó. Hoje, ele deu início a uma oficina em três módulos cujo propósito é orientar leitores que querem ser tradutores. Entre os oficineiros concentrados na grande mesa montada na Biblioteca do CEEE Érico Veríssimo, um chamou atenção. Sebástian, argentino, certamente não penou muito para traduzir as obras escolhidas por Ernani para a etapa prática do encontro, todas em espanhol.

Para o professor, o principal é fazer com que o texto não pareça uma tradução: “A minha preocupação em tradução é que o texto soe como se fosse escrito em português. A maioria dos textos de tradução você lê e sabe que são traduzidos. Não só porque a história se passa na Europa ou nos Estados Unidos, você sabe porque tem o uso de palavras que não se diz comumente. Por exemplo, quem fala colina, bosque? Ninguém diz essas coisas, todo mundo diz mato, morro…”. A oficina encerra no próximo domingo e até lá os alunos devem estar aptos a traduzir obras de Borges e Cortázar.

Texto de Cristine Kist

A estranha fusão entre crack e poesia

10 de novembro de 2009 2

O grupo de filosofia e poesia do Instituto Fernando Pessoa lançou hoje no Centro Erico Verissimo Entrevidas, crack e poesia. O livro reúne uma série de poemas cujo crack é o pano de fundo. Os versos foram todos compostos pelas participantes da oficina, que já trabalham juntas há alguns anos.

Segundo a coordenadora do grupo, Izabel Zielinsky, “o poema vem pra mexer com todas as nossas coisas mais profundas e pra ocupar lugares que, às vezes, como em um jogo de xadrez, precisam ser arrumados para que a partida dê certo”. Para os que tem dúvidas quanto a eficiência dos versos no combate à droga, Izabel disse que “esses poemas vão ser daquela pessoa que se apropriou deles, e ela vai fazer uso dele quando sentir necessidade, nos seus momentos de tristeza, de alegria, nos seus momentos mais íntimos. A poesia é vida e está em todos os lugares, e por isso deveria falar estar no mundo do crack também.”

Depois de uma breve apresentação da coordenadora, as alunas Angélica Pizzoli Kley, Berenice Medeiros, Jaqueline Paim, Magda Nieckele, Marga Paradeda, Margit Lamacchia, Maria Helena Schmitz, Dalva Tesainer Bonato e Noely Luft deram início à leitura dos poemas e arrancaram aplausos da sala praticamente lotada.

Texto de Cristine Kist

Mais um físico

08 de novembro de 2009 0

O público não se incomodou com a chuva e lotou a sala O Arquipélago do Centro Cultural Érico Veríssimo para ver o italiano Paolo Giordano no início da noite desse sábado. Giordano é autor de A Solidão dos Números Primos, que foi traduzido para cerca de 20 idiomas e já vendeu mais de um milhão de exemplares. Agora, o livro que narra a trajetória de duas personagens cujas vidas foram transformadas por incidentes traumáticos vai ganhar uma adaptação para o cinema. O roteiro foi feito pelo próprio escritor, que disse não acreditar que a solidão seja de todo ruim.

Giordano tem 27 anos, é formado em física – assim como o gaúcho Bán Jacobsen, personagem do post abaixo - e atualmente trabalha em sua tese de doutorado. A expectativa era de que embarcasse para o Rio de Janeiro ainda no domingo. Sobre Porto Alegre, afirmou ser uma parte do Brasil que parece muito com a Europa. Aos interessados, o aviso: a edição de segunda do caderno da Feira traz uma longa entrevista com o escritor.

Texto de Cristine Kist

Roubou a cena

06 de novembro de 2009 4

A sessão de autógrafos era do Anonymus, mas o centro das atenções foi mesmo o pequeno ajudante do chef. Alarico, de apenas 5 anos, encantou todos os que se amontoaram na praça em busca de uma dedicatória no Receitas Fáceis do Anonymus Gourmet . E o menino assinou mesmo, com direito a uma cor de caneta para cada livro que passou por ele. Vestido exatamente como o dindo, camisa social e gravata borboleta, o guri de cabelo loiro e olhos azuis esbanjou simpatia e não demonstrou cansaço em nenhum momento. Um verdadeiro astro.

Confere aqui como foi a sessão:

Texto de Cristine Kist

Patrono e colega

23 de setembro de 2009 1


Carlos Urbim, em solenidade no Leopoldina Juvenil em abril deste ano. Foto: Dulce Helfer/ZH

Como a essa altura vocês já puderam ler aqui neste texto publicado na Zero Hora Online, o cidadão sorridente aí de cima, o jornalista e escritor Carlos Urbim, 61 anos, foi anunciado hoje pela manhã como o novo patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, que realizará sua 55º edição de 30 de outubro a 15 de novembro.

Ali no texto do online vocês têm um panorama resumido da trajetória de Urbim como escritor, então aqui no nosso bloguinho Mundo Livro vamos apresentar o patrono sob uma luz diferente: a do Urbim jornalista. Em quatro décadas como jornalista, Urbim já trabalhou em Istoé, DIário do Sul, Folha da Manhã e esteve por muitos anos na redação de Zero Hora, onde editou cadernos variados como o Vida, o Cultura, a antiga Revista ZH e depois sua versão fundida com o caderno Donna. É uma personalidade carismática e generosa o Urbim, algo que vocês poderão comprovar perguntando a qualquer pessoa do meio – e foi oq ue eu resolvi fazer, a propósito. Pedi ao editor de ZH Eduardo Veras, que trabalhou com Carlos Urbim aqui no Segundo Caderno (quando este seu blogueiro era repórter de polícia, do outro lado da redação). Passei a mão também em um texto escrito em 1999 pelo hoje famosoDavid Coimbra, quando Urbim estava lançando seu livro Caderno de Temas, pela editora gaúcha Mercado Aberto. Aproveitem, porque acho que vocês terão uma ideia bem melhor de quem é esse Carlos Urbim, autor de Um Guri Daltônico, Uma Graça de Traça e Um Piá Farroupilha, esse senhor sorridente que a partir do fim de outubro será o novo rosto da Praça da Alfândega, metaforicamente falando, lendo os seguintes textos, de grande qualidade.

Um autor apaixonado
EDUARDO VERAS

A primeira vez em que ouvi falar de forma elogiosa do escritor e jornalista Carlos Urbim — o novo patrono da Feira do Livro de Porto Alegre — foi aos tempos em que eu era estagiário no Departamento de Jornalismo da Rádio da Universidade, uns 20 anos atrás. O Urbim iria voltar a trabalhar na rádio, depois de uma temporada no Diário do Sul, e havia uma animadora expectativa em razão disso: 
— O Urbim vai voltar! O Urbim vai voltar! — vibravam os funcionários mais antigos.
Mas ninguém sabia explicar direito o porquê.
Só aos poucos fui descobrir, e da melhor forma possível: trabalhando ao lado dele. Primeiro, lá mesmo, na Rádio da Universidade, e, muito depois, na Redação da Zero Hora. Num lugar e no outro, as pessoas sempre sublinhavam o espírito generoso do Urbim, a bonomia que se irradia da sua gargalhada, o jeito de menino grande meio fora do lugar (se bem que, às vezes, ele era de rompantes, se irritava, discursava).
Se eu fosse tentar apontar o que há de tão animador em trabalhar ao lado do novo patrono da Feira do Livro, citaria, talvez, o jeito apaixonado como ele observa as coisas do mundo. Qualquer acontecimento de aparência desimportante pode virar pretexto para uma história infantil ou o ponto alto de uma reportagem. Urbim é sujeito de uma entrega amorosa — às pautas e à vida. Um breve exemplo:
Certa vez, ele entrevistava, por telefone, o escritor Fernando Sabino. Era para um perfil de Mafalda Verissimo (a viúva de Erico, discreta, serena, recusava-se a falar com a imprensa, a única forma de saber dela era a partir dos depoimentos de amigos e conhecidos). O Urbim entrevistou o Sabino, fez as perguntas que tinha de fazer, agradeceu a entrevista. Foi então que, emocionado, ainda com o fone no ouvido, antes do tchau definitivo, levantou-se da cadeira e, com aquela voz grave, tonitruante, quase aos berros, anunciou:
— Fernando Sabino, eu queria lhe dizer que quem lhe entrevistou foi um menino que, lá em Santana do Livramento, no extremo sul do Brasil, devorava, lia todos, não perdia um livro de Fernando Sabino.
Imagino a surpresa do Sabino. Pena que ele não viu que o Urbim falou isso de pé, solene, apaixonado.

Como pandorga em céu azul
DAVID COIMBRA

O Urbim tem pé 43. Pezão. Daqueles caras que a turma diz: se leva um tiro, morre de pé.
Tem um vozeirão, também. Quando fala alto, todo mundo ouve, mesmo se está num salão.
O Urbim tem os gestos largos de quem é da Fronteira. Aliás, ele É da Fronteira. De Livramento. Fala cheio de sotaque. Assim:
— LeiTE quenTE é bom pra genTE.
E o Urbim, que coisa, escreve poesia para crianças.
Não é estranho?
Não.
Porque o Urbim, apesar de ter 30 anos só de jornalismo, apesar de ter a responsabilidade de ser o editor da Revista ZH, apesar de coordenar o projeto Jornalista por um Dia, apesar de ser pai zeloso de um quase jornalista, Emiliano, 20 anos, e um futuro quase advogado, Glauco, 18, apesar de todas essas adultas responsabilidades, Carlos Urbim é um piazão. É. Um guri. Desses que puxam carrinho pelas ruas e pelos terrenos baldios das cidades do Interior.
Por isso, por ainda ser um piá, o Urbim escreve com tanta naturalidade para os piás. Por isso, o livro que ele lança hoje, às 16h, na Livraria Bamboletras, no Nova Olaria, esse livro, Caderno de Temas, flui, leve como uma pandorga no céu azul.
O Urbim entende disso, de livro infantil. Já escreveu nove. Entre eles, clássicos como Um Guri Daltônico, Saco de Brinquedos e Uma Graça de Traça. Para Urbim, fazer poesia infantil é brincadeira de criança. Que faz com tanto gosto que, numa festa, num churrasco entre amigos ou numa mesa de bar, de repente ele começa, lá com sua voz retumbante e seu sotaque vincado:

O que será?
Pense: de Ibirubá,
ibirubense?
Ou menininha
de Ibirubá
é ibirubinha?
Ibirubá
o que será?
É pitangueira
do mato, constato

Declamado com sua entonação emocionada, esse pequeno poema, um dos tantos que estão no Caderno de Temas, faz sucesso nas rodas freqüentadas por Urbim. Exatamente porque ele se emociona, porque faz o que faz com prazer. Como quem brinca. E, na verdade, brinca. Porque o Urbim ainda é um guri. Que calça 43.