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Posts na categoria "Feira do Livro 2012"

Uma história coletiva

12 de novembro de 2012 0

Douglas Silva, Luíza Schmidt, Cláudia Tajes e Marcelo Santos na Feira

Ao longo da primeira semana da Feira do Livro de Porto Alegre, Zero Hora provocou seus leitores a colaborarem em uma história criada em parceria com Luis Fernando Verissimo. Na segunda semana, fez-se o mesmo, mas o ponto de partida foi dado pela autora de Por Isso Eu Sou Vingativa e Louca por Homem, Claudia Tajes. Leia aqui o resultado e um breve relato de como a coisa funcionou.

Neste fim de semana, no último dia da Feira, Cláudia esteve na Feira para conhecer alguns de seus colaboradores (depois do primeiro trecho, escrito por Claúdia, a história teve sequência com sugestões enviadas por e-mail e selecionadas pela redação do Segundo Caderno). Na imagem acima, vocês podem ver, da esquerda para a direita, Douglas Silva, Luiza Schmidt, Claudia e Marcelo Santos.

Numa amostra do perfil bastante diversificado dos leitores/colaboradores, Douglas trabalha com química, Luíza é advogada (passou recentemente no exame da OAB) e Marcelo é professor de história – em comum, a paixão pela palvra escrita: Marcelo já ganhou alguns concursos de contos e Luíza também teve um dos trechos selecionados na história coletiva escrita com Luis Fernando Verissimo. Com a palavra, Claudia Tajes a respeito do resultado da ideia original (o texto completo, com todas as contribuições, pode ser lido aqui):

“Gostei do rumo que eles deram pra história, porque eu tinha pensando em uma coisa mais macabra, com a vizinha cozinhando as criancinhas do prédio talvez, e eles deixaram a história mais bem-humorada”

A Feira e a Cidade - um documentário

10 de novembro de 2012 0

Ao longo das últimas semanas, este repórter e uma equipe de Zero Hora online dedicou algum tempo e muito esforço a entrevistas, pesquisas e edição de um webdocumentário sobre a história da Feira do Livro. O vídeo entrou no ar hoje em ZeroHora.com.

Este seu blogueiro agradece ao empenho e ao belo trabalho de edição da jovem jornalista Raquel Saliba. Você pode assistir ao resultado abaixo:

Um trecho para hoje - o samba é assim

09 de novembro de 2012 0

Sodré parou, recuou dois passos, encafuou-se atrás de um poste ao notar que Valdemar vinha em sua direção na Rua do Estácio,  altura do Bar do Apolo. Deu para sair na escama, dobrar a esquina  sem que o outro o percebesse. 
Caraminholou, iniciou a volta ao quarteirão para surpreendê-lo pelas costas.
Manhã deserta na zona do baixo meretrício.
Se matasse esse rival, que era preto nesta vida, não teria problema com a polícia, já que era branco e funcionário do Banco do Brasil. Muito por esse motivo acatou a ideia de Valdirene. Nunca pensou em matar ninguém, nem mesmo Brancura. Não fosse o amor, não cometeria esse crime de morte.
Ia naquela hora tentar matar Valdemar à navalha. Se precisasse, pregaria chumbo nele, já que levava às costas, presa ao cós da calça, uma pistola para qualquer eventualidade. Tentaria matar com arma branca porque chama menos a atenção. Tinha de acertar logo a jugular, num ataque único, sem produzir muita dor. Nada de um monte de golpes para uma morte só. Não queria jorramento de sangue, não suportaria gente que demorasse a morrer em suas mãos.
A bem da verdade, Brancura era que tinha de ir primeiro. Era ele o cafetão dela, o perigoso, o malandro velho do Largo do Estácio, cobra de duas cabeças, faca de dois gumes. Valdemar era só um bobo apaixonado, moleque novo, sem real noção das desavenças da vida. No entanto, quando mulher cisma não tem jeito, ela não estava querendo mais Valdemar na face da terra. Tirá-lo de circulação era um modo de provar a ela seu amor e sua cumplicidade. 
Valdemar entrou no Bar do Apolo, pegou um revólver da mão de Brancura, colocou-o na cinta, foi à esquina montar tocaia.
Brancura foi para o sobrado de uma de suas putas para assistir a tudo de camarote. Poderia ter largado mão desse negócio de vingança, já que pensava em deixar aquela vida para trás a fim de seguir sua sina de fazedor de versos bonitos, de criador de melodias intocáveis; sina de fazer samba que nem Bide, Silva, Bastos, Baiaco, Edgar e tantos outros ali de sua área que tinham a arte como religião. Pra quê? Não ia casar com a virgem de seus sonhos? Então por que essa necessidade de vingança? O que nos leva a querer ser sempre o mais esperto? O maioral?
Seu Tranca-Rua da Calunga Grande lhe dissera que, se ele cumprisse a sua recomendação, sua vida caminharia no rumo que ele sempre quis: arrumaria emprego, seus sambas seriam comprados e moraria no mesmo cazuá que a mulher que lhe dava prazer de verdade. Então, pra que ver o português morto nessa trama que bolou? Só para provar a si e aos amigos que era o mais malandro dos malandros? Coisa feia! Coisa de bobo. Na verdade, no fundo, no fundo, tinha certa desconfiança de que Valdirene gozava com Sodré. Também nunca apostou tudo na macumba, apesar de ter experiência suficiente para saber que sua vida espiritual também iria cair para um patamar de padrão vibratório sem nenhuma força para elevação de alma. Então, por que agia assim? Essa coisa de errar sabendo que está errando não é tolice de criança que não recebe corretivo de pai e mãe? De criança que faz esperneamento de raiva por qualquer coisa? O ser humano tem esses sentimentos de nada. Tem gente que se alegra com situações de força negativa.
Um babaca de pouca fé.

O trecho acima é de Desde que o Samba é Samba (Planeta, 336 páginas), romance histórico de Paulo Lins, que estará hoje às 19h na Feira do Livro para um bate-papo com Lúcia Jahn na Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul. Depois do encontro, às 20h30min, o escritor carioca, também autor de Cidade de Deus, autografa o novo romance no próprio Memorial. Em  Desde que o Samba é Samba, Lins reconta a fundação da primeira escola de samba, no morro do Estácio, no Rio, nos anos 1920. Retrata o gênero como cria da boemia carioca, de personagens com um pé na Zona do Meretrício e outro nos terreiros da umbanda, e traça as origens do caldo cultural e étnico nacional.

Capa Brega do Dia: Barbecue

07 de novembro de 2012 0

Lembram quando eu disse que tinha uns romances que pareciam ter ganho edição tradicional por acidente, e que seu destino estava mais ligado às obras em papel jornal para vender nas bancas de revistas? Pois eu nem ia voltar a esse tema, mas encontrei a colega jornalista Fernanda Grabauska na Feira e ela me comentou que havia fotografado uma capa brega para mim (sim, a seção tem leitores fiéis que sugerem e colaboram, este caso não foi o único).

Quando ela me mostrou a imagem em seu telefone, era a deste romance, A Vida no Texas, de Judith Gould, que eu JÁ havia fotografado dias antes. Tomei aquilo como um sinal: esta capa tem de entrar.

Até porque se a vida no Texas for que nem a da imagem, até esqueço que lá é a terra do Bush e, quem sabe, não faço uma visitinha?

Capa Brega do Dia: Quadrinho do Batizado

06 de novembro de 2012 0

Em meus tempos de guri, no interior do Estado, era bastante popular entre famílias de classe média baixa como a minha uma espécie de “quadrinho do batizado” que se constituía de um número variável de reproduções de fotos do rosto de um mesmo bebê em um fundo branco. Era costume das famílias pendurarem esses quadros nas paredes da sala, recepcionando as visitas. Sempre achei o resultado meio estranho, parecia que aquelas crianças estavam prestes a se afogar em leite ou algo assim. Com que surpresa descobri, vasculhando as capas do dia, que a moda não se restringiu apenas às salas de visita de conjuntos habitacionais populares, mas às capas de livros de uma escritora respeitada como Joyce Carol Oates – hoje um nome frequentemente cotado para o Nobel. Esta edição de seu romance Eles, pela Edições MM, espécie de “quadrinho de batizado do mal”, é de 1978.

Um trecho para hoje - Getúlio

06 de novembro de 2012 0

Uma visão retrospectiva dos fatos ajudaria a mostrar que, de fato, Getúlio se encontrava em considerável dívida política com Borges de Medeiros. Em 20 de fevereiro de 1921, fora reeleito para a Assembleia dos Representantes, com 78.381 votos (sexto colocado) e a necessária chancela do chefe do PRR. No ano seguinte, em outubro de 1922, tivera seu nome apontado, por decisão do mesmo Borges, para a Câmara Federal. Com a ajuda da máquina estadual republicana, foi confirmado nas urnas, por uma eleição extraordinária, para cumprir um mandato-tampão. Iria completar o período de pouco mais de um ano que restava do mandato pertencente originalmente ao deputado federal rio-grandense Rafael Cabeda, falecido em 12 de setembro de 1922. Portanto, Getúlio estava perto de trocar o Rio Grande do Sul pelo Rio de Janeiro.
“A esta hora estás eleito deputado federal, e tuas virtudes, lato sensu, reconhecidas e proclamadas”, escreveu-lhe Érico Ribeiro da Luz, ex-intendente de São Borja. “Bem se diz – e uma vez me repetiste – que para vencer, às vezes, basta esperar”, alegrava-se o amigo na carta a Getúlio.
É inegável que a escolha do nome de Getúlio Dornelles Vargas para a Câmara obedecia a uma série de conveniências do borgismo. A rigor, pela lera exata da lei, Getúlio – ou qualquer outro filiado ao PRR – não poderia sequer ter concorrido ao carto de deputado federal naquele momento. Isso porque o partido comandado por Borges já dispunha de quatro das cinco cadeiras relativas ao terceiro distrito eleitoral do Rio Grande. Como a quanta cadeira pertencera ao oposicionista Cabeda e a Constituição Federal assegurava o direito de representação das minorias, a vaga teria que obrigatoriamente ser preenchida por outro representante dos federalistas.
“O candidato apresentado pelo Partido Republicano Rio-grandense é um verdadeiro intruso, um pretendente à usurpação dos direitos da minoria”, protestou a posição, em ofício às mesas eleitorais.
A reclamação foi ignorada e Getúlio, declarado eleito. Havia poucos meses, ainda no fim de 1921, ele seguira a orientação ditada por Borges de Medeiros, quando da campanha pela sucessão do então presidente da República, Epitácio Pessoa. O candidato oficial do Catete para as eleições presidenciais de 1922, apoiado por Minas Gerais e São Paulo, fora o mineiro Artur Bernardes, conforme o figurino de alternância do poder entre os dois estados mais poderosos na nação. Pessoa, a despeito de ser paraibano e apelidado pela imprensa de “Patativa do Norte”, recebera apoio dos cafeicultores paulistas, ao defender medidas de valorização permanente do produto no mercado internacional. Era, portanto, a vez de Minas dar as cartas, mantendo os termos do pacto inalterados. O gaúcho Borges de Medeiros, contudo, resolveu insurgir-se contra a hegemonia da conhecida “República do café com leite”.Borges aderiu à Reação Republicana, aliança que tentava construir um eixo alternativo de poder, composto pelo Rio de Janeiro e pelas oligarquias da Bahia e Pernambuco, estados que, um dia poderosos no Império, haviam aos poucos perdido relevância econômica e se tornado forças políticas periféricas após o advento da República, com a ascensão do baronato paulista do café. Ao somar-se a esse bloco, o emergente Rio Grande do Sul, por meio da resolução de Borges de Medeiros, declarou apoio oficial ao candidato oposicionista, o fluminense Nilo Peçanha, que durante a campanha pregou ardorosamente contra o “imperialismo dos grandes estados” e acenou com a promessa de “arrancar a República das mãos de alguns para as mãos de todos”.
João Francisco, a Hiena do Cati, voltou à cena  para recriminar a opção eleitoral de Borges: “Parece mentira mas é verdade! Borges de Medeiros está agora abraçado com o algoz de Pinheiro Machado”, escreveu, alardeando de novo a teoria conspiratória de que Nilo Peçanha estava por trás do assassinato do senador gaúcho. “Eu conhecia bem a hipocrisia do sr. Medeiros e sabia que ele e seus íntimos se sentiram melhor e até se regozijaram com o desaparecimento de Pinheiro Machado”, denunciou a Hiena. “Quando Pinheiro Machado caiu atravessado pelo punhal de um miserável sicário ao serviço de miseráveis políticos, Medeiros chorou lágrimas de crocodilo”, acusou João Francisco.
Getúlio, ainda líder do governo estadual na Assembleia dos Representantes, evitou uma resposta direta às acusações de João Francisco contra Nilo Peçanha, mas na sessão de 30 de novembro de 1921 partiu em defesa da candidatura presidencial abraçada por Borges de Medeiros, opção duramente criticada pela oposição interna dos federalistas rio-grandenses.
“Quando queremos a eleição de um nome nacional, escolhido em uma convenção livre, sem compromissos prévios, os federalistas se rebelam, opinando por um desconhecido”, condenou Getúlio, que julgava Artur Bernardes, governador de Minhas Gerais, uma insondável e perigosa incógnita.
Contra Bernardes havia um episódio rumoroso, no qual cartas atribuídas a ele desacatavam um ícone da caserna, o marechal Hermes da Fonseca, referido nas tais mensagens como um “sargentão sem compostura”, paparicado por oficiais que não passariam de um “canalha” que precisava “de uma reprimenda para entrar na disciplina”. As cartas, soube-se logo depois, eram escandalosamente falsas. Mas o estrago em relação à imagem de Bernardes junto aos militares já estava feito.
Não era isso, entretanto, que sustinha o discurso de Getúlio Vargas contra o candidato oficial ao Catete. Getúlio alegava que Bernardes não teria a expressão política e o conhecimento da questão nacional de Nilo Peçanha, já testado na presidência da República, mesmo brevemente, entre junho de 1909 e novembro de 1910, ao assumir, como vice, após a morte do então titular Afonso Pena.
“Vossas Excelências assinaram um cheque em branco para descontar no banco do Catete, em troca de favores oficiais”, acusou Getúlio em discurso na Assembleia dos Representantes, levantando desconfianças em torno dos reais motivos da preferência dos adversários federalistas pela candidatura de Artur Bernardes.

O trecho acima foi retirado das páginas 176, 177 e 178 do primeiro volume da biografia Getúlio, do jornalista Lira Neto (leia resenha do livro aqui). Também biógrafo de Padre Cícero, de José de Alencar e de Maysa, Lira Neto lançou em maio a biografia do maior personagem político do Brasil no século 20. Volta a Porto Alegre agora para participar de Feira em um dia lotado de atrações sobre a história remota ou recente do Brasil. Lira Neto conversa às 19h, na Sala dos Jacarandás do Memorial do Rio Grande do Sul, com a historiadora Mary Del Priore, que vem autografar em Porto Alegre seu recente estudo A Carne e o Sangue, sobre o triângulo amoroso entre Dom Pedro I e suas mulheres Imperatriz Leopoldina e Domitila de Castro e Canto Melo (leia entrevista com a autora aqui).

O dia também tem debate entre os jornalistas Leonencio Nossa, autor da reportagem Mata!, sobre a guerrilha do Araguaia, e Mario Magalhães, que vem lançar na Feira a biografia do líder guerrilheiro Carlos Marighella.

Capa Brega do Dia - descanse em paz

05 de novembro de 2012 0

A capa brega de hoje é uma tentativa de desagravo, a seu modo. Para provar que estamos nos esforçando com esta seção, decidimos encontrar exemplares outros que não a velha literatura de gênero de terceira qualidade, Geny predileta quando o assunto é o mau gosto gritante de suas capas.

Para provar que o conceito transcendental de “capa brega” não vitima apenas os Sidney Sheldon e as Danielle Steele da vida, encontramos esta edição esquisitíssima de um clássico da literatura universal, Eugênia Grandet, de Balzac, em uma edição dos anos 1980 da série Grandes Sucessos, da Editora Abril. Encontrei esta capa em particular flanando pela Praça no Dia dos Finados, o que me pareceu bastante apropriado com aquela coroa de defunto em volta da ilustração.

Só faltou mesmo o “saudades eternas” escrito na fita.

Capa Brega de hoje - festa estranha

02 de novembro de 2012 0

Reconheçamos para o bem da justiça: nem sempre a culpa total de uma capa brega ou óbvia recai sobre o designer – principalmente nos casos da literatura de gênero, muitas vezes a editora prefere que a capa apresente os elementos mais óbvios associados ao que o leitor espera encontrar. Romance meloso? Casal jovem em agarra-agarra apaixonado. Saga familiar? Casa de aspecto senhorial e montagens de rostos ou retratos de família de várias gerações.

No caso do thriller, os elementos são armas, homens armados, criminosos em atitude suspeita e/ou ameaçadora. Pois parece que o designer, talvez por imposição da editora, a Record daqueles bons tempos dos anos 1980 e 1990, em que a editora forneceu farto material para esta sessão, resolveu misturar esses elementos todos neste Delírio Sangrento, suspense do autor americano Justin Scott. E o resultado foi esse aí de cima, algo como “PCC na rave”.

Capa Brega do Dia: Lembrando clichês

31 de outubro de 2012 0

Existe um tipo de literatura que transcende a capa e é ela própria uma releitura do brega por natureza. São romances que poderiam estar sendo vendidos nas coleções baratas de bancas de jornal mas ganham, misteriosamente, edição nobre, em formato convencional, sem que isso melhore em uma vírgula o sentimentalismo do conteúdo.

Danielle Steele é uma dessas campeãs de vendas com livros que parecem estar vestindo a roupa errada. E com capas como a dessa edição mais antiga de Relembranças, romance no qual uma nobre italiana revê o próprio passado, seus amores, suas tragédias, etc., etc. e o resto é meio fácil de imaginar

Essa coisa brilhante que é a chuva*

29 de outubro de 2012 0

Esperto é o senhor Ademar Martim dos Santos, 60 anos. Quando a chuva ainda não era tão intensa na tarde da Feira, ele já era visto estendendo plásticos sobre suas caixas de saldos. Não era alarme ou exagero. Com a experiência de quem atua na Feira há 10 anos, ele sabia: vinha água pela frente. Ele só não havia imaginado o quanto.

Lá pelas 18h30min, o céu desabou às ganhas na praça, provocando correria pelos corredores. Veja o pessoal da Saraiva, aí em cima, por exemplo. Foi a chuva apertar e a água, associada ao vento, começou a vazar pela parte de baixo da lona de proteção, molhando ou respingando os livros.

O jeito foi correr para retirar o que dava de cima das prateleiras dos estandes, tentando salvar os volumes que estavam na linha de fogo, ou melhor de água, das goteiras.

Outros tiveram problemas com goteiras na lona da cobertura – posta à prova pela primeira chuva do ano. Por toda parte viam-se funcionários da equipe de manutenção tentando vedar, ainda que provisoriamente, os vazamentos.

Passada meia hora de chuvarada, o centro da praça e parte do corredor central estavam como na foto acima, cheios de poças e parcialmente alagados.

Trabalho dobrado para garis como Cíntia Cristina de Oliveira, da Cootravipa, que, desconsiderando o caudal cada vez mais volumoso, batalhava para dar vazão à água em direção aos bueiros no centro dos corredores. Para ela, a tarefa vale a pena. Ela adora trabalhar no entorno da praça e de seus livros, que observa com maravilhamento. Há dois anos é empregada da empresa, já passou por duas feiras antes desta, e guarda como um tesouro uma lembrança preciosa:
- No ano passado até ganhei um livro aqui na Feira.

* Obrigado a Cíntia Moscovich, de quem peguei emprestado o título deste post. A frase dá nome ao mais recente livro de crônicas da autora gaúcha, que tem sessão de autógrafos no próximo dia 3 de novembro, um sábado, às 18h.

Ah, sim, as fotos desta matéria são minhas.