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Posts na categoria "Festipoa Literária"

Coisas para fazer no fim de semana

27 de abril de 2012 0

Neste sábado, coincidem o último dia da FestiPoa Literária e o segundo (e também último) dia da Odisseia de Literatura Fantástica, uma tentativa de pôr a literatura de gêneros (não confundir com “gênero” no sentido maculino/feminino) no mapa de Porto Alegre. A programação da FestiPoa pode ser lida no site oficial da festa, aqui. A da Odisseia, o mesmo, no portal do evento, aqui.

Que bola dividida, hein, escolher entre alguns dos eventos que se sobrepõem na programação. Este seu blogueiro, por exemplo, viverá seu dia de maratonista participante.

Neste sábado, às 10h30min, no Auditório Luís Cosme da Casa de Cultura Mario Quintana, participo como mediador de uma mesa de debates entre o escritor e crítico Miguel Sanches Neto e o professor João Cezar de Castro Rocha sobre A Consciência da Crítica Literária Brasileira.

Depois, à tarde, às 15h, no Memorial do Rio Grande do Sul (ainda bem que é tudo no Centro), vou mediar outro debate, entre Taize Odelli e Luiz Ehlers, sobre Crítica literária e o Fantástico.

Com o cachê nababesco que receberei pelos dois eventos, seguramente devo superar os R$ 170 mil dos quais o Gabriel O Pensador abriu mão. Quem quiser protestar por isso vaiando o blogueiro, será bem vindo nas duas palestras. Espero vocês leitores lá

Uma festa para a literatura da cidade

30 de março de 2012 1

Ilustração de Fabriano Rocha para o material de divulgação da FestiPoa Literária

Será lançada neste sábado a programação oficial da 5ª edição da FestiPoa Literária, um dos eventos marco da programação cultural da Capital no primeiro semestre. Dois debates marcam o lançamento oficial da programação da FestiPoa, no Jardim Lutzenberger, no 5º andar da Casa de Cultura. Às 16h, um debate entre três grandes agitadores das letras, Tânia Rösing, Marcelino Freire e Sérgio Vaz. Às 18h, um debate sobre o fazer poético reúne Martha Medeiros e Marina Colasanti, com mediação de Maria Rezende. Marcelino Freite também aproveita para autografar seu novo volume de contos, Amar é Crime, pelo selo editorial do qual é um dos fundadores, Edith.

A 5ª edição da FestiPoa, que vai de 18 a 28 de abril e tem como homenageado Ivo Bender. Veja a programação dos 10 dias de festa literária, com links, quando possível, para matérias anteriores do Mundo Livro sobre convidados e obras desta edição:

DIA 18 DE ABRIL, QUARTA-FEIRA
No Bar Ocidente (João Telles, esquina com Osvaldo Aranha)
* 18h30min – O homenageado da programação, o dramaturgo Ivo Bender, conversa com Diones Camargo, Tatata Pimentel e Regina Zilberman
* 20h30min – Uma leitura dramática de obras do homenageado.

DIA 19 DE ABRIL, QUINTA-FEIRA
No Auditório Luís Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)

* 18h30min – A crítica literária Beatriz Resende e o professor e organizador de antologias Ítalo Moriconi debatem A Produção Literária Brasileira Contemporânea, com mediação do escritor Paulo Scott, autor de Habitante Irreal.
* 20h – O escritor Joca Reiners Terron, autor de Do Fundo do Poço se Vê a Lua, conversa com o brasileiro Sérgio Sant’Anna, autor de O Livro de Praga, e o argentino César Aira.

DIA 20 DE ABRIL, SEXTA-FEIRA
No Auditório Luís Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
* 18h30min – Ramon Mello entrevista Heloísa Buarque de Hollanda, crítica literária, professora, editora e curadora do Portal Literal.
* 20h – Cíntia Moscovich, autora de Por Que Sou Gorda, Mamãe, revê a literatura politicamente incorreta em debate com a musa do udigrudi nacional Márcia Denser.

No Espaço Cultural Sintrajufe-RS (Marcílio Dias, 660)
* 22h Sexta Básica, noite de leituras, performances, shows e apresentações poéticas e musicais. Com Iracema Macedo, Ramon Mello, Gabriel Pardal e o show Escrete Chico Buarque, com Antônio Carlos Falcão, Alexandre Missel e Jorge Furtado.

DIA 21 DE ABRIL, SÁBADO
Na Palavraria (Vasco da Gama, 165, bairro Bom Fim)
* 11h – O crítico argentino Cristian de Nápoli e Karina Lucena debatem A Produção Literária Latino-Americana Contemporânea, com mediação do professor Rubén Daniel.
* 14h24 – Sessão de leitura A Melhor Maneira de Dizer Tudo em 6 minutos, com Leila Teixeira.
* 14h30 _ O poeta Fabrício Corsaletti e o escritor Ismael Canepelle realizam o debate Estudos Para o Corpo da Linguagem, com mediação de Guto Leite.

Na Casa de Teatro (Rua Garibaldi, 853, bairro Independência)
* 17h – Os poetas Diego Grando e Gabriel Pardal debatem Poesia: Humor: Liberdade:, com mediação de Diego Petrarca. O bate-papo será seguido dos autógrafos dos livros Carnavália, de Gabriel Pardal; Sétima do Singular, de Diego Grando, e Correnteza e Escombros, de Olavo Amaral.
* 20h – Um sarau com leituras de Fabrício Corsaletti, Cristian de Nápoli e da poeta Angélica Freitas.

DIA 22 DE ABRIL, DOMINGO
Na Palavraria (Vasco da Gama, 165, bairro Bom Fim)
* 14h30 – Os escritores Henrique Schneider e Olavo Amaral falam sobre Narrativas Breves, Fantásticas e Reais, com mediação de Leila Teixeira.
* 16h24 – Sessão de leitura A Melhor Maneira de Dizer Tudo em 6 minutos, com Ramon Mello.
* 16h30 – Os escritores Pedro Maciel e Altair Martins debatem Identidade: Ficção, Esquecimento e Memória?, com mediação da jornalista Luciana Thomé. Seguido do lançamento de Previsões de um Cego, de Pedro Maciel.
* 18h30 – Luís Roberto Amabile e Carol Bensimon, autora de Sinuca Embaixo D’Água, debatem Literatura se Faz na Universidade? com mediação de Augusto Paim.
* 20h30 – Recital de poesia, com alunos da oficina Bem Dita Palavra, ministrada pela poeta carioca Maria Rezende.


DIA 23 DE ABRIL, SEGUNDA-FEIRA
No mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
* Das 17h às 22h – Noite do Livro e da Literatura, com leituras, por convidados e pelo público, de O Tempo e o Vento, e gravação de um vídeo celebrando 50 anos da conclusão da trilogia.
* 18h30 _ O quadrinista Rafael Coutinho e o cartunista Santiago debatem a produção de quadrinhos e humor, com mediação de Moa. Com lançamento do projeto e da exposição Gazzara.
No Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
* 20h – Leitura Dramática da peça O Tempo sem Ponteiros, de Diones Camargo. Direção de Diones Camargo. No elenco, Fernanda Petit, Fabrizio Gorziza, Renata Stein e Francine Kliemann.
No mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
* 21h30 – Performance Tanka!?, do grupo Hoburaco
* 21h44 – Sessão de leitura A Melhor Maneira de Dizer Tudo em 6 minutos, com Rosane Pereira.
* 21h30 – Performance Ontolombrologia Sertaneja: Ode aos Vates, com Gabrielle Vitória.

DIA 24  DE ABRIL, TERÇA-FEIRA
No auditório do Goethe Institut (24 de outubro):

* 20h – Leitura dramática de Quem Roubou meu Anabela?, de Ivo Bender, com direção de Marcelo Adams. No elenco, Gisela Habeyche, Margarida Leoni Peixoto, Marcelo Adams e Pedro Antunes.
* 21h _ O encenador Marcelo Adams e a professora de literatura Léa Masina debatem A Dramaturgia e a Ficção de Ivo  Bender

DIA 25  DE ABRIL, QUARTA-FEIRA
No Ocidente (Avenida Osvaldo Aranha, 960, entrada pela Rua João Teles, Bom Fim)

* 18h30 _ O neurocientista Ivan Izquierdo e o poeta Armindo Trevisan debatem Memória e Literatura, com mediação do escritor Altair Martins, autor de A Parede no Escuro.
* 20h _ O organizador do Bloomsday de Santa Maria, Aguinaldo Severino, e o tradutor e professor Caetano Galindo debatem Ulisses, de James Joyce
22h _ Show Ronald Augusto Trio

DIA 26  DE ABRIL, QUINTA-FEIRA

Na Sala II do Salão de Atos da Ufrgs (Campus Central, Avenida Paulo Gama)
* 19h –
Luiz Tatit e Luis Augusto Fischer debatem o Núcleo da Canção.
* 21h – Ademir Assunção entrevista Nei Lisboa.

DIA 27 DE ABRIL, SEXTA-FEIRA
No Auditório Luís Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)

* 18h30 _ O crítico Antonio Carlos Secchin e o poeta e diretor do IEL Ricardo Silvestrin conversam sobre produção poética e leitura de poesia. Seguido de lançamento de Memórias de um Leitor de Poesia, de Antônio Carlos Secchin
* 20h _ Homenagem ao Centenário de Publicação de Eu, de Augusto dos Anjos, com Jaime Medeiros Jr. Paulo Seben, Sidnei Schneider e Ana Tettamanzy.
* 21h30 – Lançamento da coletânea Moradas de Orfeu, reunindo poetas do RS, SC e PR, organizada por Marco Vasques.

No auditório do Goethe Institut (24 de outubro):

* 19h _ Sarau literário com temática Erotismo.

DIA 28 DE ABRIL, SÁBADO
No Auditório Luís Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)

* 10h30 _ Os críticos Miguel Sanches Neto e João Cezar de Castro Rocha debatem A Consciência da Crítica Literária Brasileira, com mediação do jornalista Carlos André Moreira

No mezanino da Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736)
* 15h – A professora Lívia Lopes Barbosa apresenta a conferência Drummond: Três retratos, um poeta.
* 16h – Lançamento de A Voz do Ventríloquo, de Ademir Assunção
* 18h – Livro ao Vivo, sarau de leitura de poesia, com Andréia Laimer, Diego Petrarca, Lorenzo Ribas e Rodolfo Ribas.
* 18h24 – Sessão de leitura A Melhor Maneira de Dizer Tudo em 6 minutos, com Everton Behenck
* 18h30min – Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, e Fabiana Cozza, participam do debate Desde que o Samba é Samba, com mediação de Marcelino Freire
* 20h30min – Show de Henry Lentino Quarteto

* 21h – Festa de Encerramento da programação

Novos projetos do IEL

09 de novembro de 2011 0

Em um evento que, infelizmente, atraiu cerca de cinco pessoas, o diretor do Instituto Estadual do Livro, Ricardo Silvestrin, anunciou dois projetos privilegiados em 2012. Selecionados em editais, as obras de autores novos, que recebem uma cota maior que as de autores já publicados, ainda estão análise pelo Conselho Editorial do Instiituto. Um espaço maior também será dado para livros de poesia e de contos, dos quais o mercado, segundo Silvestrin, não dá tanta conta. Romances e novelas também têm sua fatia na distribuição, embora menor do que a dos primeiros. Os projetos envolvendo novos autores ainda estão em fase de seleção.

Projetos de iniciativa do próprio Instituto envolvem o resgate da memória literária do Rio Grande do Sul, com historiografias e antologias de obras e autores do Estado. Silvestrin destaca uma Antologia Brasil – Uruguai de narradores, que aborda as similaridades e colaborações literárias entre os dois países.

O diretor aproveitou o ensejo para apresentar os dois projetos especiais para o próximo ano: a organização da obra completa do poeta Oliveira Silveira e da escritora Vera Karam. Vera teve algumas de suas peças editadas pelo IEL, mas é o ineditismo da obra de Oliveira Silveira que foi destacado na apresentação:

- É um poeta do porte de Armindo Trevisan, que merece ficar lado a lado nas estantes com a demais boa poesia produzida no Rio Grande do Sul – disse Silvestrin.


José Castello abre hoje a FestiPoa

28 de abril de 2011 0

O escritor José Castello - Foto: Joaquim de Carvalho, Divulgação

 

Tenho os 0lhos vazios. Um sopro ergue minha íris. Sou, como se diz, um Sampaku, alguém incapaz de ter uma reação adequada ao perigo e que, por isso, traz os olhos deslocados pelo pavor.
Também Franz Kafka se esquivou da luta contra Hermann, preferindo a mudez. Embora nervosos, seus olhos continuaram fixos, depositados bem no centro das órbitas. Talvez porque em seus escritos ele não parasse de gritar.
Minha íris não toca a parte inferior dos olhos. Ao contrário, ela se ergue — como se batesse asas, lutando pada escapar das pálpebras. Diz-se que os Sampakus habitam um espaço cinzento entre a a vida e a morte. Sempre me senti um pouco separado da existência.
Em situações de risco, congelo: nessas horas, meus olhos se erguem na esperança de não ver.
O que se esquece é que os Sampakus trazem uma ventania interior. Tumulto intenso, que desloca todo o corpo, não só os olhos. Os nervos sacolejam, os músculos esticam, os órgãos balançam e se chocam contra os ossos. Com seus olhos opacos, eles (nós) caminham no grande olhos de um ciclone.
Um dia, em um mercado, uma mulher — com olhos saltados de formiga — deu um nome (outro nome, sempre um abismo) ao que sou: “Você parece um peixe morto.” Estava nervosa porque, por um descuido, atirei o carrinho de compras aos seus pés.
A expressão “peixe morto” me choca, pois evoca um assassinato. Ao usá-la, a mulher me mata um pouco. “Assassina” — mas as palavras não me saem. Uma leve náusea as substitui.
Espanta-me que veja em mim um peixe, que é escorregadio e indecifrável. Peixes, você sabe, pai, morrem pela boca, asfixiados pelas palavras que não conseguem dizer. A boca aberta e os olhos arregalados pelo espanto inútil. Não por horror ao que veem, mas pela grande gosma que levam dentro de si.

A FestiPoa Literária começa hoje com um encontro promissor entre o homenageado desta 4ª edição, João Gilberto Noll, e o crítico e escritor José Castello, às 17h, na livraria Letras & Cia (Osvaldo Aranha, 444, telefone  51 3225-9944). Mais tarde, às 19h30min, no mesmo local, Castello vai lançar seu romance publicado no ano passado, Ribamar (do qual retiramos o trecho acima). Originalmente, o bate-papo seria conduzido pelo poeta Fabrício Carpinejar, mas, devido a um cancelamento de última hora por conta da agenda de Fabrício, este que vos escreve será o responsável pela apresentação de Castello (confira a programação  completa da Festipoa no post anterior).

Ribamar é uma obra ambiciosa na qual Castello, usando como estrutura a partitura musical de uma canção de ninar, entremeia duas narrativas centrais: a de José, escritor tentando resolver os problemas da relação com o pai,  Ribamar, e a do escritor checo Franz Kafka com seu pai Hermann, descrita na visceral Carta ao Pai que Kafka escreveu mas não enviou. Castello se compraz em embaralhar as noções de ficção e realidade, incluindo aí o fato de usar o próprio nome e o de seu pai na trama do romance. Como parte da nossa cobertura do FestiPoa, entrevistamos Castello por telefone.

Zero Hora — O senhor vem a Porto Alegre para uma conversa com João Gilberto Noll, um autor que está em atividade há quase quatro décadas e que, apesar da boa recepção crítica, sempre parece sofrer uma certa incompreensão pela singularidade de sua obra, avessa a classificações, difícil de enquadrar. O senhor concorda?
José Castello —
Eu acho que muito mais do que um autor difícil de enquadrar, o Noll é difícil de suportar, e é por isso que a maior parte dos leitores tem dificuldade com a obra dele. Acho que entre os narradores brasileiros vivos, creio que nenhum deles consegue chegar tão perto do drama contremporâneo quanto o Noll. Os personagens dele caminham sem saber em que direção estão indo, têm esse estado de um pouco de atordoamento, uma mistura de solidão e cegueira, de isolamento, uma coisa que  a gente sente muito no mundo de hoje, apesar de vivermos em um mundo hiperconectado. Mas as pessoas se sentem muito sozinhas nesse excesso de conexões. A contemporaneidade vive um momento de vazio. Vivemos num mundo de excesso de coisas, objetos, mercadorias, bens de consumo, informação, gente, cidades imensas, cheias de carros. O sentimento que define a nossa época é o do vazio. Psicanalistas amigos meus falam que muita gente chega hoje em um consultório sem nada a dizer, diferente da terapia clássica em que as pessoas falvam o tempo todo. Hoje as pessoas de hoje sabem que estão sofrendo  mas não sabem o quê ou por quê.  As síndromes contemporâneas são experiências de perder o centro, e as narrativas do Noll são sobre isso, seus personagens sentem uma fome que nunca se sacia, uma fome que parece não ter objeto de satisfação. Fazem as tentativas mais diversas, sempre fracassando, continuando sempre com a mesma inquietação.

ZH – Nesse sentido é interessante notar que a obra de Noll já tinha esse propósito coerente desde os anos 1980, quando muito do cenário atual não era o mesmo. Muitas das inovações tecnológicas responsáveis pelo excesso de informação não estavam por aí, e o país vivia com a anistia um momento de um certo otimismo. E Noll já apontava esse vazio.
Castello –
Concordo com você, a obra dele tem um caráter profético. Embora eu não acredite em profecias e premonições, não posso deixar de constatar isso. Com o avançar dos anos, a obra está ficando cada vez mais atual.

ZH – Seu romance Ribamar se vale de uma partitura de uma canção de ninar como a própria estrutura com a qual o livro é montado. Como o senhor chegou a essa estrutura?
Castello —
Levei quatro anos trabalhando no Ribamar. Até o terceiro ano, eu te confesso que não sabia que livro estava escrevendo. Eu estava fazendo várias coisas diferentes inspiradas por sonhos. Ora achei que o livro que eu faria era um ensaio sobre Kafka e sua relação com o pai, ora uma fantasia da infância do meu pai, ora eu iria abordar a relação difícil com meu pai. Eu não parava de sonhar, anotar aqueles sonhos, recriar, retrabalhar. Eu estava em um momento em que eu não sabia o que estava acontecendo comigo, confesso que estava um pouco assustado. Cheguei a achar que estava escrevendo vários livros ao mesmo tempo e que eu teria de optar por um deles até que um dia fui visitar a minha mãe. Minha mãe está muito desligada do mundo, fica entregue a longos silêncios. Eu me sentei ao lado dela e ela começou a cantarolar uma música. Eu perguntei que música era aquela. Ela me contou que era uma canção de ninar que o meu pai cantava para mim, que por sua vez o pai dele cantava para ele, e o meu bisavô cantava para o meu avô, era uma herança familiar. Eu anotei a música e decorei a melodia, e passei ambas por telefone para o meu irmão Marcos, que tem formação musical, e e ele transcreveu a partitura a música em uma partitura para mim. O fato de minha mãe cantar aquela música naquele momento foi muito simbólico para mim, porque eu não conversava com ela sobre as dificuldades do livro, e sessenta anos depois de o meu pai começar a cantá-la, essa música voltava para mim. Eu pensei: tenho de fazer alguma coisa com isso, não é à toa que isso surgiu para mim agora. E cantarolando a música, eu vi nas diferenças entre as notas as diferenças entre os temas que eu estava tratando. A nota Sol refere-se à viagem que eu fiz a Parnaíba atrás de coisas do meu pai, que nasceu por lá. Descobri sem querer que estava trabalhando numa forma musical, estava lidando com várias melodias ao mesmo tempo, e a maneira de unificá-las foi aquela partitura.

ZH – No livro, o personagem tem seu nome, algumas das suas características, o personagem do pai tem o nome de seu pai. Recentemente, em uma conversa com o escritor Michel Laub, ele comentou que está em uma fase de aceitação do fato de que ao usar retalhos selecionados de sua biografia em seu romances o leitor vai tomar aquela história como algo que de fato aconteceu na biografia do autor. E o senhor, como se sente com isso
Castello –
Gosto muito de uma ideia do Juan José Saer. A gente normalmente tem a ideia de que a ficção é pura imaginação — isso é inclusive um problema em oficinas literárias, porque os alunos têm a ideia de que é só inventar qualquer coisa que passe pela cabeça. O Saer dizia que a ficção, ao contrário, é uma escrita de fronteira, ela tem sempre um pé na realidade, é  uma reconstrução, um alargamento, uma expansão da realidade. Você está falsificando a partir do real, e não contra o real. Não é a partir do nada que você escreve, você trabalha com elementos que estão à sua frente. Claro, você pode imaginar que há coisas no meu livro que são biográficas pelo fato de o protagonista se chamar José, que é meu nome, e o pai se chamar Ribamar, como o meu pai, José Ribamar, mas qualquer elemento que entre ali no livro é retrabalhado, o meu compromisso é com a invenção. Parti do Kafka e da relação dele com o pai para falar da minha relação com o meu pai. Quando fui a Parnaíba, não fui lá como um repórter para anotar detalhes por detalhes. A Parnaíba que está no romance eu em grande parte inventei. Eu fui a Parnaíba para melhor inventá-la.

ZH – O senhor também cruza a ficção com A Carta ao Pai, de Kafka, que é um dos textos paradigmáticos dessa relação com o pai que está em praticamente toda a grande literatura. Misturar Kafka e o contraponto de sua relação com o pai na história é sua forma de dizer algo novo sobre esse tema tão presente?
Castello —
O Kafka também surgiu através de um acaso. Eu usei esse método: durante os quatro anos que eu trabalhei no livro, tudo o que me acontecia e que tinha a ver com o livro, voltava para o livro. Eu conto no livro a história de que volta às mãos do narrador um exemplar d’A Carta ao Pai que ele havia presenteado ao seu próprio pai trinta anos antes. Essa história de fato aconteceu comigo, e quando o livro que eu dera ao meu pai voltou à minha mão, me obriguei a  pensar: o que faço com a história desse livro? Só poderia ser outro livro. A volta às minhas mãos da Carta ao Pai foi o que me fez decidir a escrever o Ribamar. Trabalhei o tempo todo com o acaso, com coisas que me aconteceram durante o processo do livro, eu incluí no livro o próprio processo do livro para poder chegar a uma obra verdadeira. Porque para mim a literatura não é só ofício, é um ato antes de tudo, é algo que você vive e sobre o qual você produz uma escrita. A escrita é o resto do que você vive enquanto está escrevendo o livro. O livro resulta daquilo que você viveu. Hoje há uma ideia muito arraigada de que a literatura é procedimento, é entretenimento, os alunos de oficinas literárias estão à procura de técnica e carpintarias. E a literatura não é algo que se faz por fazer, é algo que ou você se joga na aventura ou não se joga, não tem receita de bolo. Cada livro é uma aventura pessoal, uma travessia única que você faz. É claro que por isso esse livro me modificou como pessoa.

ZH – Há, no entanto, ali, a verdade íntima de um autor que busca reinventar sua relação com o pai, mesmo que não seja biográfica. Mas em algum momento o nível de exposição lhe incomodou?
Castello –
Você tem razão. Embora o livro não seja um livro de memórias, uma autobiografia ou nada parecido, apesar disso, ele é baseado em coisas muito pessoais, como nas ficções do Noll, para voltarmos à pergunta do início. Se você for ler lá os livros dele, Harmada, Lorde, a pergunta aflora: aquilo aconteceu com o Noll? Você percebe, lendo o Noll, que ele empenhou naquilo sentimentos viscerais. Ele não escreve por divertimento, para fazer estilo, para escrever bem, para ganhar prêmios, ele escreve porque tem de escrever. Você lê  O Coração das Trevas, não importa se o Conrad em sua vida de marujo subiu o Congo. O que importa é que ali estão vivências muito fortes que o Conrad empenhou naquela escrita. Se você escreve para valer, você empenha algo de você na sua escrita. Isso não significa que o meu livro seja bom ou ruim, mas que eu empenhei muito de mim nele. E para mim a literatura é esse empenho. Se não, você esta fazendo gênero.

Veja a programação completa da Festipoa Literária

27 de abril de 2011 1

Começa a partir desta quinta-feira a Festipoa Literária, uma festa literária que, até o dia 8 de maio, vai mergulhar Porto Alegre na literatura. Em sua 4ª edição, com o escritor João Gilberto Noll como homenageado, a festa literária enfileira uma extensa programação com entrada franca que coloca a literatura no centro da esfera pública: debates, palestras, performances, leituras, intervenções, exposições, sessões de autógrafos e pura festa. Se os senhores já leem este blog há algum tempo, talvez lembrem que a Festipoa foi o evento que me transformou oficialmente num patife, e é o mesmo que traz todos os anos a Porto Alegre convidados de todo o Brasil, autores e leitores de projeção para uma diálogo com a atual produção contemporânea do Estado. Neste ano, a Festa tem, além de nomes locais da atual literatura, como Daniel Galera, Antônio Xerxenesky e Carol Bensimon, personagens como Antonio Cicero, Nelson de Oliveira, Xico Sá, Carlos Nejar, Paulo Scott e Nicolas Behr. A programação completa pode ser vista abaixo (com, quando foi o caso, um link para um texto já publicado sobre o autor aqui no blog). Mais informações sobre a Festa e os participantes, vá até a página oficial do evento. E não deixe de acompanhar por aqui a nossa cobertura.

QUINTA-FEIRA (28 de abril)
Na Letras & Cia (Osvaldo Aranha, 444, telefone 51 3225-9944)

17h — Abertura: João Gilberto Noll lê trechos de seus livros. Após, José Castello conversa com Noll, escritor homenageado da 4ª edição da FestiPoa Literária
19h — Homenagem ao coletivo Dulcinéia Catadora. Convidados: Lúcia Rosa e Peterson Marques (Dulcinéia)
19h30 — Lançamento de Ribamar, de José Castello.

Na Casa de Teatro (Garibaldi, 853, telefone 51 3029-9292)
21h30 — Festa em homenagem a João Gilberto Noll e ao coletivo Dulcinéia Catadora.

SEXTA-FEIRA (29 de abril)
Na Letras & Cia:
17h30 — Antônio Xerxenesky, Paulo Ribeiro e Nelson de Oliveira participam da mesa Zona de Confronto e Literatura de Invenção.

No Instituto Goethe
19h30 —
Sarau Rebeldes e Aventureiros, com Biblioteca Goethe Institut e Cirandar.

SÁBADO (30 de abril)
Na praça Alexandre Záchia (Em frente ao Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo. Avenida Capivari, 602, bairro Cristal)
Das 09h às 17h - A Volta do Povo à Praça: atividades culturais, saraus, leituras e lançamento do livro Imagens Faladas – uma reportagem fotográfica sobre a memória do bairro Cristal.

Na Letras & Cia
10h30 - Ricardo Silvestrin, Nicolas Behr e Edson Cruz participam da mesa Matéria de Memória e Poesia. Com lançamento do livro Bagaço da Laranja, de Nicolas Behr.
14h30 - Mesa Políticas Públicas para o Escritor, o Livro, a Leitura e a Literatura, com Fabiano Santos (Ministério da Cultura), Jéfferson Assumção (Secretaria de Estado da Cultura) e Ademir Assunção (poeta e editor da revista Coyote)
16h30 - Luíz Horácio conversa com Carlos Nejar sobre sua recente História da Literatura Brasileira. Após, lançamento dos livros História da literatura brasileira e Viventes.
18h54 - A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: Leitura de Poemas com Diego Grando.
19h - Mesa Poéticas do Conto, com Deonísio da Silva, Charles Kiefer e Miguel Sanches Neto. Na sequência, lançamento de Contos Reunidos, de Deonísio; Então você quer ser escritor?, de Miguel Sanches Neto e Poética do Conto, de Charles Kiefer.

DOMINGO (1º de maio)
Na Palavraria (Vasco da Gama, 165, telefone 51 3268-4260)

15h - Mesa Poesia no Livro, no Palco e na Web, com Horacio Fiebelkorn, Ramon Mello e Ademir Assunção
16h54 – A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: leitura de poemas com Ramon Mello
17h – Mesa Poesia Hispânica e Brasileira em Traduções e Publicações, com Virna Teixeira, Douglas Diegues e Cristian De Nápoli

No Pé Palito Bar (João Alfredo, 577, telefone 51 3225-7091)
20h - Festa, com lançamentos da coletânea O Melhor da Festa, Volume 3 e de outros livros. Show do Coletivo Avalanche e Entrega do II Prêmio Artistas Gaúchos (criado para reconhecer aqueles que fazem pela arte local. Informações no site www.artistasgauchos.com.br)
Leituras com Ademir Assunção, Horacio Fiebelkorn, Cristian De Nápoli, Douglas Diegues, Lúcia Santos, Virna Teixeira, May Pasquetti e 5XClarice

SEGUNDA-FEIRA (2 de maio)
Na Palavraria
18h30 –
Tailor Diniz, Samir Machado e Paulo Wainberg discutem literatura policial com mediação de Carlos André Moreira
20h – Carol Bensimon e Daniel Galera debatem Cidades inventadas, Cidades que inventamos, com mediação de Flávio Wild

Na Casa de Cultura Mario Quintana (Andradas, 736, telefone 51 3221-7147)
20h -
Show dos PoETs, com gravação de DVD e abdução de Antonio Cicero. No Teatro Bruno Kiefer

TERÇA-FEIRA (3 de maio)
Na Letras & Cia

18h30 - Mesa Literatura e adaptações, com Paula Mastroberti, Caio Riter e Izaura Cabral. Mediação de Daniel Weller.
19h54 - A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: Leituras do grupo Nos Lemos
20h — Palestra-entrevista: Um Outro Pastoreio e as Novas Formas Narrativas: Rodrigo dMart e Índio San são entrevistados por Augusto Paim.

Cinebancários (Espaço Cultural Casa dos Bancários, General Câmara, 424, telefone 51 3433-1200)
19h
- Exibição do documentário Malditos Cartunistas, seguido de debate com os cartunistas Fábio Zimbres e Chiquinha e com os diretores do filme, Daniel Paiva e Daniel Juca

Matita Perê Bar (João Alfredo, 626, telefone. 51 3372-4749)
21h – Rubem Penz e Sergio Napp debatem a crônica.

QUARTA-FEIRA (4 de maio)
Na Casa de Cultura Mario Quintana

17h30 – Mesa e abertura da exposição Design da Cultura/Cultura do Design, com Fabriano Rocha, Samir Machado de Machado, Flávio Wild e Vitor Mesquita. Na Galeria Augusto Meyer.
19h - Mesa Literatura nas HQs, com Claudio Levitan, Eloar Guazzelli e Carlos Ferreira. No Quintana’s bar, no Mezanino.
20h30 - Café dos Cataventos: Santa Maria Sempre Chama Para Festa (ou Como e Por que Festejar um Bloomsday no RS). Debate com Aguinaldo Severino, Lu Thomé, Samir Machado e Antonio Xerxenesky.

Na Casa de Teatro
22h - Sarau do Bertoldo em homenagem a Antonio Cicero. Com Bianca Obino, Diego Petrarca, Cris Cubas, Lorenzo Ribas, Andréia Laimer, Ricardo Silvestin e Sidnei Schneider.

QUINTA-FEIRA (5 de maio)
Na Casa de Cultura Mario Quintana:
17h –
Mesa Canção e Letra de canção, com Antonio Cicero, Frank Jorge e Felipe Azevedo. No Auditório Luis Cosme.
18h30 -
Mesa Satolep/São Luís: literatura e música de Zeca Baleiro e Vitor Ramil. Com mediação de Guto Leite. No Auditório Luis Cosme.
20h –
Mostra Artística Cabaré do Verbo: escritores e músicos convidados da FestiPoa Literária. Lançamentos: L’Amore No, de Leonardo Marona, e Poesia sem Pele, de Lau Siqueira. No Quintana’s bar (Mezanino).

SEXTA-FEIRA (6 de maio)
Na Casa de Cultura Mario Quintana
16h30 -
Portuguesia: Apresentação da “contra-antologia” coordenada pelo mineiro Wilmar Silva e pelo português Luís Serguilha. No Auditório Luis Cosme.
17h - Portuguesia: Luis Serguilha provoca o poeta E. de Melo e Castro. Na pauta, intervenções, leitura de poemas e lançamento de Neo-Poemas-Pagãos, de Melo e Castro. No Auditório Luis Cosme.
18h – Portuguesia: Guesas livres, com Sandro Ornellas, Leonardo Marona e Ronald Augusto. No Auditório Luis Cosme
18h30 - Portuguesia: Ronald Augusto provoca seus colegas Reynaldo Bessa, Luis Serguilha, Wilmar Silva. O tema é A Poesia em transe: imaginários de resistência. No Auditório Luis Cosme.

Espaço OX/Ocidente (Osvaldo Aranha, 960, telefone 51 3312-1347)
20h30 às 23h — Sexta Básica: leituras e shows com Lima Trindade, Sandro Ornellas, Telma Scherer, Reynaldo Bessa, Marcelo Sahea, Maria Rezende e CasaMadre

SÁBADO (7 de maio)
No IEL (Instituto Estadual do Livro: Rua André Puente, 318, telefone. 51 3311-7311)

10h30 – Mesa Medula de diálogos: Experiências de linguagem & Imaginários de resistência. Com Sandro Ornellas, Maria Rezende, Telma Scherer e Rodrigo Garcia Lopes.
12h – Guesas livres: Reynaldo Bessa, Marco de Menezes, Maria Rezende e Telma Scherer
14h30 – Lançamento do livro Koa’e, de Luis Serguilha, que dialoga sobre sua obra com Jane Tutikian e Maria Luiza Berwanger
16h - Lançamento da contra-antologia Portuguesia (org. Wilmar Silva)

Na Bamboletras (Bamboletras – Lima e Silva, 776, telefone 51 3227-9930)
15 às 18h – Festinha Cidade Poema
, com Laís Chaffe, Marô Barbieri, Christina Dias, Alexandre Brito, Celso Gutfreind e Sandra Santos

Na Palavraria

16h - Mesa A literatura em Publicações Culturais, com os editores Rogério Pereira (jornal Rascunho), Victor Nechi (revista Norte) e Lima Trindade (revista Verbo21)
18h - Leitura dramática de Pedrarias, de Roberto Medina, com o Grupo Teatral Ninho de Escorpiões

Na Casa de Teatro
20h30 – Mesa Humor Sempre Humor, com Adão Iturrusgarai, Laerte e Xico Sá, seguida de lançamentos dos livros Aline e Antrologia, de Adão; Muchacha, de Laerte; Chadabadabá, de Xico Sá e Ordinário, de Rafael Sica.
23h – Macbar: Drama e Riso: Reginaldo Pujol Filho, Xico Sá, Marcelino Freire, Lu Thomé e Altair Martins fazem leituras improvisadas de Macbeth.

DOMINGO (8 de maio)
Na Palavraria
14h30
- Palestra de E. de Melo e Castro: O Paganismo em Fernando Pessoa e sua Projeção no Mundo Contemporâneo.
16h - Lançamento da revista Coyote e Pocket Show com Rodrigo Garcia Lopes (poeta e editor da revista).
16h26 – A melhor maneira de dizer tudo em 6 minutos: leituras de poemas com Eliana Mara Chiossi.
16h30 - Mesa Música e palavra na boca de poeta: Everton Behenck, Botika e Marcelino Freire.

No Beco (Independência, 936, telefone 51 3026-2126)
19h - Performance sonora NeoNão Poesia Biosonora: Wilmar Silva e Fracesco Napoli
19h30 – Mesa-homenagem a Laerte, com participação de Paulo Scott, Fábio Zimbres, Rafael Sica e Chiquinha.
20h30 - Lançamentos de O Minotauro e o Monstro, de Laerte e Paulo Scott, e de A Agramaticidade das Feridas do Coração, de E. de Melo e Castro, publicações com capas de papelão reciclado do coletivo Dulcinéia Catadora.
21h30 – Festa de encerramento. Com shows de Banda Rocartê, Ronald Augusto Trio e com o espetáculo A Timidez do Monstro, com Paulo Scott, Flu, Mauro Dahmer e convidados.

De como me tornei um patife

04 de maio de 2010 3

Ok, esta talvez vocês achem um tanto cabotina, mas é engraçada – e prometo que será curtinha.

No ano passado, fui convidado pelo jornalista e poeta Fernando Ramos, um dos responsáveis pelo jornal alternativo Vaia, aqui de Porto Alegre, para participar de uma das atividades da segunda edição da Festipoa Literária – um debate com o escritor Walmor Santos sobre o Contestado e o romance que o autor estava lançando sobre o episódio: Contestado: a Guerra dos Equívocos (volume 1: O poder da fé). A Festipoa é organizada pela turma do jornal e vem se transformando rapidamente em uma daquelas belas sacudidas que Porto Alegre precisa levar no primeiro semestre para acordar do marasmo. Lógico, portanto, que eu topei.

Em março do mesmo ano, o Fernando me pediu que enviasse para ele uma foto e um currículo mui breve para ser posto no ar nos links de identificação dos convidados no site da festa. Tentando resistir à minha mania de ser prolixo, mandei a nota biográfica abaixo (atenção ao trecho sublinhado, voltaremos a ele):

Carlos André Moreira nasceu em São Gabriel em 1974. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atualmente é mestrando em Literatura Portuguesa no Instituto de Letras da mesma universidade.
Desde 2003, trabalha no Segundo Caderno de Zero Hora, onde exerce a função de crítico literário e repórter da área de Cultura. Mantém e edita o blog de crítica literária Mundo Livro
(www.zerohora.com/mundolivro).
Já teve contos publicados nas revistas Coyote, Etc, na antologia Contos Comprimidos (Editora Casa Verde) e em sites da internet, como o extinto Patife. Ainda neste semestre, deve sair pela editora Leitura XXI seu primeiro romance, Tudo o Que Fizemos.

Bom, o evento rolou, o debate sobre o Contestado foi bem bacana, e, passado um tempo, o Fernando me mandou outro e-mail dizendo que estava reunindo textos dos participantes da festa em 2009 para serem editados no segundo volume de uma antologia chamada O Melhor da Festa – cujo volume 1 havia sido lançado na segunda edição do Festipoa. Mandei um conto escrito especialmente para a ocasião, e ele foi incluído no volume 2, que, respeitando a ainda incipiente tradição, foi lançada agora mês passado durante a terceira edição da Festipoa – e que reúne gente boa como Telma Scherer, Caio Riter, Altair Martins, Monique Revillion, Rafael Bán Jacobsen e o Luis Fernando Verissimo, homenageado daquela edição.

A parte engraçada vem agora. No fim do livro, editado pela Casa Verde, foi incluída uma breve nota biográfica sobre cada um dos participantes. E só agora notei que, no que concerne à minha figura, foi usada uma versão resumida e atualizada do texto que eu havia enviado. E na edição, com o corte de algumas frases, ele ficou assim (atenção para o termo grifado):

Carlos André Moreira – nasceu em São Gabriel em 1974. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atualmente é mestrando em Literatura Portuguesa no Instituto de Letras da mesma universidade. Patife. Publicou o romance Tudo o Que Fizemos.

Como se vê, além da atualização criteriosa sobre a publicação do meu livro, que não havia saído ainda na época em que escrevi aquela minibio, tornei-me, saliento com orgulho, um dos poucos patifes do meio literário com sua condição devidamente documentada por escrito, e não escamoteada, como é a regra.

Estou brincando, é claro. Não é uma crítica ao Fernando e ao belo trabalho de organização da antologia – só menciono o episódio porque achei mesmo muito engraçado.

Samba literário

22 de abril de 2010 0

O sambista e escritor Nei Lopes (foto: Marcia Moreira/DIvulgação)

Neste ano de 1924, o prestígio da Tribuna do Rio entre as massas populares é incontestável. É a “Tribuna do povo para o povo”, como diz seu reclame. Sua redação e sua grande e bem equipada oficina ficam na rua Gonçalves Dias, num prédio de dois andares, a alguns passos da rua do Ouvidor. Contando com a colaboração de grandes profissionais da imprensa, a Tribuna é um jornal vivo, novo, alegre e movimentado. E explora, como é do tempo, escândalos que são sempre do agrado do grande público. Um dia é a história do “Chupão”, um ser tido como sobrenatural, que, na calada da noite, invade propriedades do sertão carioca, de Jacarepaguá a Santa Cruz, para sorver o sangue de rebanhos inteiros, dizimando-os e atacando até crianças de berço, durante o sono. Outro dia é a história do Dozoio, um pobre rapaz que foi espiar a mulher do vizinho tomar banho no rio Guandu e aí, enfeitiçado por ela, virou, sem qualquer explicação científica plausível, uma espécie de lobisomem, um monstro de olhos esbugalhados e acesos como dois enormes faróis, que sai à noite, em busca da satisfação de seus desejos bestiais. Tudo invencionice, fantasia, mentiras cariocas.
A
Tribuna do Rio mantém inclusive uma bem cuidada sessão de palpites de bicho, dados por alguém – dizem que o próprio doutor Roberto, o dono – que se assina “Borboleta”. Mas o tempo das grandes tiragens mesmo, das vendas espetaculares, é o carnaval. Aí repórteres e redatores percorrem as sedes dos blocos, ranchos e cordões, transformando em celebridades seus modestos diretores, os frequentadores mais assíduos e destacados, promovendo concursos e certames, entregando prêmios e troféus, publicando em gravuras muito bem desenhadas os estandartes das agremiações.

Em um país com uma relação tão extensa e umbilical com o samba e o carnaval, surpreende o ralo número de obras recentes a se dedicar a esmiuçar esse universo que se confunde com o da própria formação do Brasil. É o que faz o sambista, escritor, lexicógrafo Nei Lopes no romance Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova (Língua Geral, 282 páginas), uma deliciosa narrativa que, aproveitando a figura de Honorata, também chamada de Tia Amina, uma das célebres “baianas do Carnaval da Praça Onze”, mergulha em um Rio de Janeiro ainda com pinta da arrabalde, uma Capital alçando seu passo a caminho da modernidade.

Lopes usa a figura de Tia Amina – cuja vida está retratada em um misterioso manuscrito que cai às mãos de um jornalista – para passear pelo Rio de Janeiro em formação entre 1870 e 1930, flagrando personagens históricos fundamentais da trajetória negra no Brasil, como o “monarca do Rio” Dom Obá, o compositor Sinhô, o marinheiro João Cândido, os intelectuais André Rebouças e José do Patrocínio. E, claro, do carnaval, do samba em sua origem clandestina e das “tias baianas” que até hoje são parte integrante da cultura do Rio – não é a toa que toda Escola de Samba por lá tem de ter, obrigatoriamente, uma “ala das Baianas”.

Lopes estará hoje em Porto Alegre, para autografar Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova no Auditório do Espaço Cultural Casa dos Bancários (General Câmara, 424) e conversar sobre o livro com o professor Jefferson Tenório. Outro programa muito recomendável como parte da programação da Festipoa Literária.

A invenção e a mentira de Manoel de Barros

22 de abril de 2010 0

Por viver muitos anos dentro do mato
moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro —
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas
por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas
Água não era ainda a palavra água
Pedra não era ainda a palavra pedra
E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar às pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha, era
só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
Como se fosse a infância da língua

Os versos acima são do primeiro poema de Canto de Ver, primeira seção do livro Poemas Rupestres (2004), do poeta mato-grossense Manoel de Barros. Publicado originalmente pela Record, esse e os demais livros da carreira do artista estão reunidos no volume recém-lançado Poesia Completa (Leya, 496 páginas, R$ 69,90), cuja capa ilustra este post, uma boa oportunidade para um olhar de conjunto sobre a trajetória do autor. Manoel de Barros é hoje um dos poetas mais populares do Brasil, fazendo uma poesia que busca o maravilhamento e o encanto do leitor inventando a voz da infância em imagens lúdicas e ligadas ao universo natural.

Manoel de Barros é também o tema e a alma do documentário Só Dez Por Cento é Mentira, dirigido por Pedro Cezar, uma investigação sobre o universo poético criado por Manoel de Barros que investe mais na palavra e menos nos fatos da “biografia” do artista – não é à toa que o subtítulo do filme é “Desbiografia oficial de Manoel de Barros“. O filme também se vale de depoimentos de outros poetas admiradores do trabalho do sul-matogrossense, como Elisa Lucinda, Fausto Wolff e Viviane Mosé. Um filme que havia despertado minha curiosidade já quando assisti pela primeira vez o trailer, que vocês podem conferir na janela do Youtube abaixo.

O problema de quem ficou curioso e queria ter a oportunidade de assistir é que filmes como esse, mesmo financiados com recursos da Petrobrás, como se vê no site oficial, nem sempre conseguem uma oportunidade no circuito exibidor de Porto Alegre – claramente defasado em relação ao centro do país em qualquer produção que não seja blockbuster e às vezes até nessas. Por isso, agora é que vem o mais bacana: como parte da programação da Festipoa Literária, Só Dez Por Cento é Mentira será exibido hoje, quinta-feira, no CineBancários (General Câmara, 424), às 15h, 17h e 19h (esta última sessão será precedida de bate-papo e leituras de poemas de Manoel de Barros com Diego Petrarca, Cris Cubas e Andréa Laimer).

Autógrafo do dia no Festipoa

21 de abril de 2010 0

A que mais me intriga é a janela do 7º andar da repartição pública do outro lado da rua. Bate sol da tarde, o ar quebrou e há mais de uma semana está para consertar; as funcionárias começaram a usar roupas sumárias, decotes profundos, nenhum sutiã. Fecham os olhos com entrega, entreabrem os lábios e sorvem o ar morno que um leque, agitado, lhes dá na boca. Na segunda-feira, voltam da hora de almoço equipadas com mini-ventiladores de cinco reais, boa fortuna de algum camelô. Na terça-feira, uma delas leva um ventilador de mesa que lhe esvoaça os cabelos. A veterana passa um creme branco no rosto na frente do computador. O calor só faz piorar. Na quarta-feira não há nenhuma nuvem no céu. Anseio ardorosamente pelas funcionárias do município. Mas a quarta-feira é da paralisação por melhores salários (e condições de trabalho). Na quinta-feira, elas chegam, seminuas, às onze da manhã – e inesperadamente o reparo foi feito. É como assistir um filme mudo. Mandam a estagiária trepar numa cadeira. Cambaleando no salto agulha, ela mexe no termostato sem resultado (encolhe os ombros). Então, resignadas, se apinham num canto, se aconchegam, esfregam os braços uma da outra, os biquinhos duros.
Com o binóculo do meu avô, meus doze anos voltam: Little Computer People e SimCity combinados a meus pés. Eu ficava horas. Horas. Na mesma época em que o After Dark era um
killer app, creio.
No computador da empresa não se pode instalar nada nem acessar um site qualquer. Eles pensam que assim podem obrigar você a trabalhar. Funciona com a maioria das pessoas. Funcionou comigo, até eu começar a trazer meus brinquedos.
Faz dois anos que imitei um golfinho na dinâmica de grupo e entrei como Engenheiro de TI. Não tem cabimento tentar concurso agora. Mesmo que seja para cair no meio do harém do outro lado da rua. Continuo aqui com meu binóculo Zeiss.

O trecho acima foi retirado de Herói, conto do livro Amostragem Complexa (7Letras, 2009, 150 páginas, R$ 34), da carioca Simone Campos, também autora dos romances A Feia Noite (7Letras, 2007) e No Shopping (7Letras, 2000) – este último publicado quando a escritora tinha apenas 17 anos. Simone estará em Porto Alegre hoje para autografar Amostragem Complexa após um debate marcado para 16h, na Livraria Letras & Cia (Osvaldo Aranha, 444). Ela divide a mesa com os também escritores Alexandre Rodrigues e Antonio Xerxenesky. A mediação é da jornalista Luciana Thomé. A função é parte da programação da Festipoa Literária, que vocês podem conferir na íntegra uns dois posts abaixo.

Também hoje, às 20h, no Pé Palito bar (João Alfredo, 577), será lançada a coletânea O Melhor da Festa (editora Casa Verde), produzida especialmente para a Festipoa e que reúne contos, poemas e artigos dos participantes da edição 2009 do Festipoa.

Semana de Festa na Cidade

20 de abril de 2010 0

Começa hoje e vai até domingo em Porto Alegre a Festipoa Literária, uma festa que, recém em sua terceira edição, já está se consolidando como o principal evento literário do primeiro semestre da Capital. Dezenas de atividades envolvendo literatura, música, exibição de filmes, performances artísticas, leituras, palestras, debates e sessões de autógrafos põem o livro no centro do debate público em Porto Alegre. Grande parte da programação é de entrada franca. Hoje na capa do Segundo Caderno, falamos um pouco mais sobre a festa e seu homenageado, o escritor Sergio Faraco, um dos maiores contistas em atividade no país. Para quem quiser se programar para acompanhar a festa, informamos agora a programação completa, que não coube nas páginas do jornal por motivo de espaço:

Dia 20 de abril, também conhecido como hoje:
- Na Palavraria (Av. Vasco da Gama, 165)
17h:
Cíntia Moscovich e o crítico paulista e curador de arte Jacob Klintowitz conversam com Sergio Faraco sobre produção de contos e tradução.
18h30: Maratona Literária, com leitura em voz alta, em revezamento, da coletânea de contos Dançar tango em Porto Alegre, de Sergio Faraco.
19h: Edgar Vasques conversa sobre literatura adaptada para HQ com o artista plástico e designer gráfico Fabriano Rocha e o escritor e artista gráfico Leandro Dóro.

- No CineBancários (Rua Gen. Câmara, 424)
15h, 17h e 19hs: Sessões dos filmes Ferreira Gullar, a necessidade da arte; O canto e a fúria; e Por acaso, Gullar, os três sobre a vida e o universo poético de Ferreira Gullar

No Café da Oca:
20h30 às 23h30:
Mostra artística Cabaré do Verbo: música e leituras de poemas, Diego Petrarca, Lorenzo Ribas, Karine Capiotti, Petit Poa-RS, Rádio Putzgrila, Rodolfo Ribas, Rocartê, Projeto Floco.

Dia 21 de abril: Quarta-feira (amanhã, para os íntimos):
Na Livraria Letras & Cia (Av. Osvaldo Aranha, 444):
14h: Edição especial do Papo de Artista com Marcelo Spalding, Nanni Rios e Paulo Tedesco, com o tema “As artes e a literatura na era digital”. Na ocasião será lançada a revista online Expressões Digitais, coordenada por Nanni Rios, editora de arte digital do portal Artistas Gaúchos.
15h30: Leituras com Everton Behenck e Rodrigo Rosp
16h: Debate com os escritores Simone Campos, Alexandre Rodrigues e Antonio Xerxenesky. Mediação de Luciana Thomé. Depois, Simone autografa seu livro de contos Amostragem complexa (7Letras, 2009, R$ 49,00).
18h: Pocket show com Bianca Obino.
18h30: Luis Paulo Faccioli, Luis Dill e o baiano Lima Trindade conversam sobre o conto na literatura brasileira contemporânea.

No CineBancários:
15h, 17h e 19h: Exibição do filme Um Aceno na Garoa, de Mário Nascimento, baseado em conto de Sergio Faraco.

No Pé Palito Bar
20h: Lançamento da coletânea O Melhor da Festa, volume dois (Casa Verde, 152 páginas, R$ 20,00) um livro produzido especialmente para a FestiPoa. A obra reúne poemas, contos e crônicas inéditas de 32 autores que participaram da segunda edição do evento no ano passado.
21h: Baile das Artes:Samba Grego, Nelson Coelho de Castro, Petit Poa-RS, Guto Leite, Everton Behenck e DJ Fred _ Festa

Dia 22 de abril: Quinta-feira:
No CineBancários:
15, 17h e 19h: Exibição do filme Só Dez por Cento é Mentira - desbiografia oficial de Manoel de Barros. A sessão das 19h será precedida de bate-papo e leituras de poemas de Manoel de Barros com Diego Petrarca, Cris Cubas e Andréa Laimer.

No Auditório do Espaço Cultural Casa dos Bancários (Rua Gen. Câmara, 424)
17h: João Gilberto Noll lê trechos dos seus livros Acenos e Afagos (Records/2009), Lorde e Mínimos Múltiplos Comuns (Francis).
18h: O sambista Nei Lopes lança o livro Mandingas da Mulata velha na Cidade Nova (Língua Geral, R$ 34,00) e conversa com o professor Jefferson Tenório.

Na Palavraria:
19h30: Lançamento do Campeonato Gaúcho de Literatura e um debate sobre prêmios e concursos literários com Rodrigo Rosp e Daniel Weller.

Na Sala Álvaro Moreira (Av. Érico Veríssimo, 307):
20h: Olhar de Ana Mariano sobre o mundo, a memória, o sexo e o amor: espetáculo com a atriz Sofia Salvatori, com direção de Margarida Leoni Peixoto.

Dia 23 de abril: Sexta-feira:
Na Palavraria:
16h30: Marco Cena, Samir Machado de Machado e Clô Barcelos falam sobre a criação de capas para livros.
18h: Pocket show com Felipe Azevedo.
18h30: Jorge Furtado, Pena Cabreira e Juarez Fonseca conversam sobre letras de canções na música popular brasileira.

No Espaço Cultural Casa dos Bancários
18h: Leitura de Contos da Vida Breve com Henrique Schneider.
18h30: Carlos André Moreira e Alcy Cheuiche discutem o romance histórico como gênero.

Na Sala Álvaro Moreira
20h:
Leitura da peça Diálogos Espectrais, de Ivo Bender, com Luiz Paulo Vasconcellos, Júlio Conte, Giselle Cecchini e Diones Camargo.

No Zelig:
20h30: Festa Sexta básica – dia do livro e do autor: Grupo Trilho, Cristina Moreira, Leila Teixeira, Lima Trindade, Wladimir Cazé (ES), Guilherme Darisbo, Duo HoffParú e Antonio Falcão e banda.

*Dia 24 de abril: Sábado:
Na livraria Letras & Cia:
09h30: Grupo Nos Lemos (Manuel Estivalet, Bruno Brum Paiva, Janaína Quiroga, Nelson São Bento e Tina Gonçalves); leitura encenada baseado em textos.
10h: Debate com os poetas Bárbara Lia, Wladimir Cazé e Laís Chaffe. Depois, Bárbara autografa A Última Chuva, (Mulheres Emergentes Edições Alternativas, 2007) e Cazé lança Macromundo (Confraria do Vento, 2010).

No Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano (ICBNA) (Rua Riachuelo, 1257)

11h: Projeto Bate Boca Bom: Linhas de fuga e transmigrações da poesia de língua portuguesa: painel com o português Luis Serguilha e Ronald Augusto. Mediação de Liana Timm. Depois, lançamento e sessão de autógrafo do livro Korso (Dulcineia Catadora), de Serguilha
14h: A artista plástica Lúcia Rosa fala sobre o coletivo Dulcinéia Catadora. Lançamento e sessão de autógrafo dos livros Quatro Quartos, de Monique Revillion e Duas Palavras, de Altair Martins;
16h: Exibição de minimetragens do projeto Cidade Poema e leitura de poemas com Everton Behenck, Berenice Sica Lamas, José Antônio Silva, Liana Timm e Laís Chaffe, coordenadora do projeto.
16h30: A poética do mar: da poesia de Castro Alves à canção de Dorival Caymmi, performance que une poesia e música com Marlon de Almeida e Moisés Dornelles
18h30: Vida e obra de Oliveira Silveira, com Jorge Fróes e recital de poesia com Vera Lopes e Grupo. Lançamento da Antologia de Poemas de Oliveira Silveira.

Na Palavraria:
16h: Pedro Gonzaga
conversa com José Hildebrando Dacanal sobre Riobaldo & Eu: a roça imigrante e o sertão mineiro
17h30: Leitura de trechos de Desacordo Ortográfico (Não Editora), com Reginaldo Pujol Filho;
18h: Debate com Xico Sá, Cardoso e Cláudia Tajes. Depois, lançamento e sessão de autógrafo de Chabadabadá – aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha (Ed. Record), de Xico Sá.

Na Praça da Alfândega, em frente ao Clube do Comércio.
16h: Oficina de pintura de capas de papelão e confecção de livros com Lúcia Rosa (coletivo Dulcineia Catadora). Os participantes pintarão as capas e escolherão o título que desejam montar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo e-mail jornalvaia@gmail.com ou pelo fone (51) 9892.3603.

Dia 25 de abril: Domingo:
Na Palavraria:
14h: Painel: Conto, Imagem e Construção do Invisível, com Flávio Wild, Olavo Amaral e Cássio Pantaleoni;
15h: Lançamento e sessão de autógrafos de Histórias Para Quem Gosta de Contar Histórias (8Inverso), com Cássio Pantaleoni;
16h: Bate-papo com os escritores Henrique Rodrigues e Diego Petrarca e lançamento com sessão de autógrafos da coletânea de contosComo se não houvesse amanhã (Ed. Record), organizada por Rodrigues, com vinte histórias inspiradas em músicas do grupo Legião Urbana, cada uma escrita por um autor diferente.
18h: Altair Martins conversa com Amilcar Bettega e Marcelino Freire sobre os rumos da narrativa curta.

No OX/OCIDENTE
20h: Festa de encerramento, com Marcelino Freire, Altar Martins, Monique Revillion e outros escritores convidados, além das bandas Bumblebee, Fapo e os humanóides e Suco Elétrico.