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Posts na categoria "Luis Fernando Verissimo"

Livro Inédito. Pero no mucho...

08 de dezembro de 2009 0

A meta de chegar a 500 mil livros doados não foi batida. Mas quem colaborou com a campanha Livro Inédito, do Banco de Livros, pode degustar virtualmente os dois primeiros capítulos de Os Espiões, novo trabalho de Luis Fernando Verissimo. A decisão de liberar 20% do romance policial foi tomada depois do recolhimento próximo de 350 mil unidades e o lançamento do livro em papel.

– Como Os Espiões deixou de ser inédito, não havia porque segurar muito mais _ explica Waldir Silveira, presidente do Banco de Livros, projeto de arrecadação de livros desenvolvido pela Fiergs.

As doações, no entanto, continuam. Quem quiser pode procurar qualquer um dos pontos de arrecadação nas agências dos Correios, Caixa Econômica Federal, Panvel, Zaffari, Chevrolet e estacionamentos Safe Park.

A liberação do restante do livro, no entanto, ainda é incerta:
– Nosso prazo era até o final de novembro, ou seja, não temos mais o que bater. Agora vamos conversar com a editora para acharmos uma solução _ define Silveira.

Os romances de Verissimo

14 de outubro de 2009 1

Conforme vocês puderam ler hoje no Segundo Caderno de Zero Hora, antecipamos um pouco do que você vai encontrar no livro Os Espiões, romance que Luis Fernando Verissimo deve lançar até o fim do ano por sua editora, a Objetiva. Como este já é o sexto romance de Verissimo, que, apesar das incursões nas narrativas longas em prosa, ainda é mais conhecido como cronista, resolvi fazer aqui para o blogue uma breve análise livro a livro da produção romanesca de Verissimo. Uma produção marcada, como nas crônicas, pelo humor, pelo texto leve de um mestre da coloquialidade (o que por escrito não é fácil) e pelo uso desbragado, pós-moderno, eu diria, de referências múltiplas e da própria literatura ou o ofício da escrita como tema.

O Jardim do Diabo (L&PM, 1988 – a edição atual é da Objetiva)
Com seu primeiro romance, Verissimo já estabelece as regras do jogo e deixa claro o que o leitor de suas narrativas longas vai encontrar: uma trama na qual a experiência do narrador confunde ficção e realidade e a própria literatura é referência temática. Um escritor fracassado de romances de mistério é procurado por um investigador de polícia. O motivo é fantástico: uma mulher foi assassinada em um cenário e com um método idênticos aos descritos em um dos livros do escritor (e isso anos antes do filme Instinto Selvagem). Daí, se vê encrencado com uma trama de paranoia e fantasia tratada sem um pingo de reverência. Ainda hoje é uma das obras mais ousadas de Verissimo, quase um delírio PaulAuesteriano com humor.

Gula: o Clube dos Anjos (Objetiva, 1998)
Encomenda para uma coleção sobre os sete pecados capitais que ffez bastante sucesso nos anos 1990, contando com livros de Zuenir Ventura sobre a Inveja e José Roberto Torero sobre a Ira. A Verissimo coube a Gula, e ele a usa como pretexto para falar de amizade e gastronomia, parodiando os mistérios policiais ao estilo Agatha Chistie com um grupo de convidados à mesa de um jantar — e a subsequente morte de um deles. Em uma confraria de 10 amigos dedicados à boa mesa (que já viu dias melhores), os integrantes vão morrendo um a um após saborosos jantares oferecidos por seu mais novo integrante, o misterioso Lucídio. Verissimo confirma neste romance o estilo que lhe será recorrente: metalinguagem, a prosa leve do mestre da crônica e humor que vai da piada simples ao sofisticado uso de referências eruditas.

Borges e os Orangotangos Eternos (Companhia das Letras, 2000)
Escrito para uma série de policiais protagonizados por escritores famosos que a Companhia das Letras lançou nos anos 1990 e que incluía ainda O Doente Moliére, de Rubem Fonseca, e Stevenson entre as Palmeiras, de Alberto Manguel, entre outros.. Verissimo radicaliza aqui os elementos dos livros anteriores: narrador/escritor, erudição, paródia das fórmulas de gênero. Nos anos 1940, Vogelstein, um apagado tradutor a serviço da lendária Globo, de Porto Alegre, conhece Jorge Luís Borges em um congresso em Buenos Aires sobre Edgar Allan Poe – para o qual foi mandado por acaso. Cruzando esses elementos que remetem por si sós à literatura de misterio, Verissimo envolve Vogelstein em uma trama de assassinato e forças ocultas digna das publicadas na revista Mistério Magazine, da já mencionada Editora Globo, onde Vogelstein trabalha justamente como tradutor de… Borges.

O Opositor (Objetiva, 2002)
Outra participação em uma série temática, desta vez dedicada aos dedos da mão – que teve também Carlos Heitor COny escrevendo sobre o indicador em O Indigitado e Moacyr Scliar sobre o anular com Na Noite do Ventre, o Diamante.. Encarregado do polegar, Verissimo cria mais uma vez uma paródia de trama de suspense e conspiração nonsense. O inusitado é o cenário: a Amazônia. Em um bar de Manaus, um jovem jornalista encontra Polaco, um bêbado gigantesco que lhe narra suas aventuras como Opositor, ou Apagador a serviço de uma misteriosa corporação que decide os destinos do mundo, formada por menos de duas dezenas de indivíduos que controlam a maior parte da riqueza mundial. Enredado pelas histórias do imenso bêbado, o jornalista se vê envolvido em um acontecimentos que parecem dar razão ao misterioso personagem.

A Décima Segunda Noite (Objetiva, 2007)
Mais uma participação em uma série, desta vez uma trilogia de livros que relê de maneira contemporânea comédias de Shakespeare. Inspirando-se em Noite de Reis, do bardo inglês, Verissimo cruza em volta de um salão de beleza em Paris uma trama de casais trocados, disfarces, falsas identidades pessoais e sexuais e um narrador do Reino Animal: um papagaio que por influência de seu antigo dono, um intelectual exilado, abusa das citações eruditas.