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Posts na categoria "Maratona Tijolão Literário"

Vivos – Maratona Guerra e Paz

04 de fevereiro de 2012 6

Sim, já é quase sábado.

Sim, já é quase sábado pela terceira semana de dívida com o Mundo Livro – e com a minha promessa, não por falta de cobranças de Carlos André.

Novo acordo: conseguimos chegar a conclusão que posts semanais não são uma boa ideia.

Por enquanto, falamos em quinzenais, mas ainda tô pensando em dividir de acordo com as partes do livro. Isso porque, quando atrasei lá o primeiro coloquei na minha cabeça que escreveria quando terminasse a primeira parte, porque aí teria mais ou menos um panorama da história que o Tolstói tava armando.

Deu certo: Terminei a primeira parte (234 páginas, é pouco, sei). Deu errado: ainda devo devia a resenha de impressões.

Acontece que a primeira parte é uma sucessão de festas, eventos, encontros (e uma romaria até a casa de um moribundo rico), tudo para apresentar quem serão as personagens da história. Adoro o método, porque gosto das construções de personalidade nos ambientes sociais, nos diálogos.

O problema é que é tanta gente, e quase todos príncipes e princesas (porque o título na Rússia não tem o mesmo significado que conhecemos), que dá um tilt quando a história começa a ligar os pontos, mostrar os pedidos de favores, dizer quem é contra e a favor de Bonaparte e da entrada da Rússia na guerra.

Destaque para:

Pierre. Um fanfarrão, parasita social e defensor do Bonaparte. Não quer nem saber de entrar na guerra – nem de trabalhar. É filho bastardo do tal moribundo, mas até o final da primeira parte ainda não tinha herdado nada.

Príncipe Andrei: o final da primeira parte é quando ele está deixando a mulher no interior para ir para a guerra. Está menos interessado na batalha e em enfrentar o exército napoleônico do que em se livrar da mulher, preocupada demais com os costumes e com a vida alheia.

Anna Mikháilovna: viúva desesperada, convenceu o príncipe Vassíli a arrumar um bom posto para o filho Boris, com apoio do padrinho, o Conde Bezúkhov (o moribundo). Ela também está em busca de uma fatia da herança do conde, que parece que todos sabem, deve mesmo ir para Pierre.

Dito isso:

Peguem na minha mão para que eu consiga começar a segunda parte (antes que meu cérebro derreta com esse calor). E não me abandonem. Alguém aí tá lendo o Guerra e Paz também? A quantas anda?

Casamento à Indiana

21 de janeiro de 2009 1

Ganesh Gaitonde não é James Bond — apesar da rima irresistível — mas com ele também só se vive uma vez. E quanto mais o tempo passa, mais cadáveres vão sendo empilhados para construir o império do crime do então jovem trombadinha. Os estreitos e fétidos corredores dos cortiços de Mumbai vão se enchendo de corpos a medida que os capítulos avançam junto com história de ascensão do bhai. Nem existem dedos suficientes para contar a quantidade de mortos do último episódio, pra ser sincero. Mas um foi fatalmente especial: Paritosh Shah.

O mentor de Gaitonde acaba vítima de uma emboscada e morre fuzilado em sua limusine. E o que novo senhor feudal do crime indiano faz? Declara uma jihad (ops, momento Glória Perez de esbórnia cultural) contra seus desafetos? Prepara um khoo dos mais sangrentos? Decapita e assa um novilho em honra aos deuses da guerra? Enche a cara num boteco e abraça os viventes chorando “te considero muito, cara. Eu te amo, tu é um irmão pra mim”?

Não, ele se casa.

Ou melhor, escolhe uma mulher qualquer e manda dizer que vai casar com ela. Tudo para cumprir o último desejo do velho amigo e parceiro, que queria ver Gaitonde arrumando sarna pra se coçar, quero dizer, casado. Francamente, como se um postulante a chefão supremo do crime organizado num país de quase (na época) um bilhão de habitantes já não tivesse problemas suficientes. Imagina ter que planejar ataques contra facções rivais, tratar da contabilidade dos negócios no mercado negro, criar alianças com a polícia e políticos de todos os escalões do governo, mudar de identidade, endereço, número de telefone e carro a cada nova investida em território inimigo, cuidar o tempo todo para não ter uma cimitarra atravessada pelas costas e ainda se arriscar a ouvir um “tu não trouxe o curry de novo, não é? O mercadinho era no teu caminho, poxa. Custava parar e comprar um pouco, custava? Como eu vou assar esse carneiro sem curry, perdeu a cabeça? Tá pensando que eu sou o quê, uma polenteira qualquer, é isso? Hein, fala pra mim, é isso que você pensa? E olha pra mim quando eu falo com você!”

Mas mesmo assim, mesmo sabendo que estava arrumando pra cabeça, lá foi o nosso bhai concretizar o último suspiro do rotundo companheiro. A festa, conta Vikram, não parece ter sido das mais animadas, e ninguém deixou suas pistolas automáticas destravadas. O problema foi o dia seguinte, quando Ganesh olhou pro lado na noite de núpcias, por debaixo do sari vermelho…

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