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Posts na categoria "Mundinho Literário"

Coisas para fazer no fim de semana

27 de abril de 2012 0

Neste sábado, coincidem o último dia da FestiPoa Literária e o segundo (e também último) dia da Odisseia de Literatura Fantástica, uma tentativa de pôr a literatura de gêneros (não confundir com “gênero” no sentido maculino/feminino) no mapa de Porto Alegre. A programação da FestiPoa pode ser lida no site oficial da festa, aqui. A da Odisseia, o mesmo, no portal do evento, aqui.

Que bola dividida, hein, escolher entre alguns dos eventos que se sobrepõem na programação. Este seu blogueiro, por exemplo, viverá seu dia de maratonista participante.

Neste sábado, às 10h30min, no Auditório Luís Cosme da Casa de Cultura Mario Quintana, participo como mediador de uma mesa de debates entre o escritor e crítico Miguel Sanches Neto e o professor João Cezar de Castro Rocha sobre A Consciência da Crítica Literária Brasileira.

Depois, à tarde, às 15h, no Memorial do Rio Grande do Sul (ainda bem que é tudo no Centro), vou mediar outro debate, entre Taize Odelli e Luiz Ehlers, sobre Crítica literária e o Fantástico.

Com o cachê nababesco que receberei pelos dois eventos, seguramente devo superar os R$ 170 mil dos quais o Gabriel O Pensador abriu mão. Quem quiser protestar por isso vaiando o blogueiro, será bem vindo nas duas palestras. Espero vocês leitores lá

O que diz Antônio Carlos Secchin sobre o Prêmio Moacyr Scliar

21 de março de 2012 1

Antônio Carlos Secchin na Jornada de Passo Fundo de 2009. Foto: Jean Pimentel

A comissão julgadora da 1ª edição do Prêmio Moacyr Scliar foi composta por Heloisa Buarque de Hollanda, Ricardo Vieira Lima, Antônio Carlos Secchin, Armindo Trevisan  e Carlos Felipe Moisés. Um dos pontos que o poeta Eduardo Sterzi elenca como “absurdo” em sua carta de renúncia à Menção Honrosa recebida por sua obra Aleijão é que Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras e crítico com longa relação de leitura e diálogo com Ferreira Gullar, fazia parte do júri – e Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar (José Olympio), foi o vencedor entre os 152 inscritos. Entrevistamos também, desta vez por telefone, Antônio Carlos Secchin.

Zero Hora – O poeta Eduardo Sterzi renunciou a uma menção honrosa concedida pelo júri do Prêmio Moacyr Scliar e qualificou como absurdo o fato de o senhor integrar o júri e ao mesmo tempo ser um dos prefaciadores do livro vencedor. Como o senhor responde a isso?
Antônio Carlos Secchin –
Fico muito espantado com essa reação de Eduardo Sterzi. Esse é um concurso para o qual se convidam pessoas que tenham certa experiência com o objeto literário. Eu já integrei praticamente todos os júris de poesia no Brasil, e com mais de 30 anos de carreira universitária e literária é impossível não conhecer os poetas que estão em atividade.  Quando recebi o convite, não sabíamos quem havia se inscrito. Dentre os 152 concorrentes, aliás, talvez eu tenha escrito prefácios para mais de 20 deles. Seguindo essa lógica só podem participar de júris de concursos literários eremitas que jamais escreveram sobre qualquer livro em sua vida.

ZH – O senhor é de fato um dos prefaciadores do livro, ao lado de Alfredo Bosi. De algum modo essa circunstância não poderia ser apontada como um impedimento à sua objetividade de jugalmento?
Secchin –
Não. Não é segredo que sou um leitor da obra de Ferreira Gullar, já escrevi sobre ele, assim como já escrevi sobre Cecília Meirelles, preparei a edição da obra de João Cabral, sou um dos curadores da reedição da obra de Carlos Drummond de Andrade. Como crítico, eu tenho uma relação com os grandes poetas da língua. Ressalto ainda que quando as pessoas são convidadas para júri, não sabem quem são os inscritos. Escrever uma apresentação é uma coisa. Ter a consciência ética de julgar é outra. Posso ter escrito sobre mais de uma dezena de livros e nem todos entraram na minha relação final das obras que mereciam ganhar. Não é como se eu estivesse protegendo o Gullar dentro do júri. Circunstancialmente, o Gullar ganhou, o que protege o livro dele é a alta qualidade desse livro, que já vinha credenciado pelo Prêmio Jabuti. Tanto que éramos cinco jurados e a vitória foi por unanimidade. Ainda que eu tivesse tido alguma intenção ou ação para favorecer o livro do Gullar, o meu voto não teria sido determinante. Se eu não quisesse que ele ganhasse o prêmio, também teria sido vencido, porque os outros quatro votos foram nele. Duvidar disso é querer apequenar a dimensão do livro.

ZH – Qual foi o método de trabalho do júri? Os senhores chegaram a se reunir pessoalmente, uma vez que são radicados em Estados diferentes?
Secchin –
Não houve uma reunião específica em Porto Alegre. Poderíamos ter enviado cada um nossos votos e depois o Instituto Estadual do Livro que tabulasse tudo e anunciasse o vencedor, mas eu propus, e todos concordaram, que em vez de apenas mandarmos uma lista, trocássemos mensagens sobre os principais livros em um fórum de discussão. O processo não foi voluntarista, mas nasceu de um longo amadurecimento de propostas, contrapropostas, listas que os jurados trocaram entre si via mensagens.

ZH – O motivo principal da desistência de Sterzi é a transferência da cerimônia de premiação para o Rio de Janeiro, algo que se dá apenas pela projeção do vencedor. O que o senhor pensa disso?
Secchin –
Aí já é outra questão. Isso não tem nada a ver com o prêmio em si. É uma questão de logística de operacionalidade do prêmio. Um concurso como o Moacyr Scliar é de dimensão nacional. Os organizadores do Prêmio acharam que esse concurso de caráter nacional sendo oferecido na Bibloteca Nacional daria mais visibilidade ao prêmio, mas isso é uma questão interna. Até o local da entrega já ser alvo da polêmica me parece desviar o foco da questão de que possa ter havido um livro que foi o melhor dentre os inscritos.

ZH – Mas a transferência obedeceria a uma idiossincrasia do premiado, o fato de que Gullar não viaja de avião?
Secchi –
De fato, Ferreira Gulllar é um poeta que há alguns anos optou por não fazer viagens de avião, é um homem de idade, não vejo problema nisso. Mas se o prêmio fosse entregue em Porto Alegre, para esses casos há uma fórmula muio simples, que seria enviar um representante. Quando se optou pelo Rio de Janeiro, não foi só para atender a um pedido do Gullar. Quem sabe na biblioteca Nacional o Prêmio vá ter uma divulgação maior ainda. Quando ele ganhou o Prêmio Camões também o prêmio foi entregue no Rio de Janeiro.

ZH – E o fato de a editora do livro também oferecer o coquetel de entrega não lhe parece estranho?
Secchin –
Como se sabe, o prêmio não é apenas para o autor, esse prêmio é para a editora também. Qual é o absurdo de uma editora premiada com um dinheiro em concurso nacional, querer fazer uma festa para o autor que ganhou esse prêmio? A Biblioteca nacional não está gastando um tostão da festa, o que talvez fosse mais problemático. Acredito que é muito mais decoroso que a editora, como retribuição desse prêmio, use um pouco do valor para organizar uma festa para seu autor.

O Instituto Estadual do Livro responde

21 de março de 2012 3

Ricardo Silvestrin, diretor do IEL. Foto: Mariana Muller

O Prêmio Moacyr Scliar foi anunciado oficialmente em agosto do ano passado.  Patrocinado pela Petrobrás e pelo Banrisul, ele oferece R$ 150 mil para o escritor e R$ 30 mil para a editora da obra vencedora, para custear uma nova edição a ser distribuída em bibliotecas. A primeira edição do prêmio foi aberta a livros de poesia publicados nos dois anos anteriores. A segunda edição, prevista para o ano que vem, vai contemplar contos também lançados até dois anos antes, e assim sucessivamente, alternando os dois gêneros. Foram 152 livros inscritos no certame, entre eles Aleijão, de Eduardo Sterzi.

O livro vencedor foi Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar (José Olympio, 2009). Sterzi recebeu Menção Honrosa, bem como os livros Em Trânsito, de Alberto Martins (Companhia das Letras); A Vida Submarina, de Ana Martins Marques (Scriptum) e Lar,, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras).

Na última sexta-feira, Sterzi renunciou à menção em uma mensagem dirigida ao diretor do Instituto Estadual do Livro, Ricardo Silvestrin. Para ouvir a posição do Instituto sobre os Motivos que levaram à renúncia de Sterzi e sobre os comentários feitos por ele em sua carta de renúncia, entrevistamos Silvestrin, também por e-mail:

Zero Hora – O poeta Eduardo Sterzi renunciou, em uma carta aberta endereçada ao senhor, à menção honrosa que havia sido conferida a ele pelo Prêmio Moacyr Scliar. Ele cita como razões a mudança para o Rio da solenidade oficial de entrega e o fato de a própria editora da obra vencedora oferecer o coquetel de premiação – como de fato está expresso no convite que foi divulgado pelo IEL. O senhor já leu o comunicado? Qual sua posição oficial sobre ele e sobre os pontos apontados por Sterzi?
Ricardo Silvestrin
– Sim. O autor enviou e-mail para o IEL na sexta feira (dia 16), às 21h31min, solicitando que seu nome e seu livro fossem retirados da lista dos ganhadores de menção honrosa. Foi respondido a ele, com base no item 6.4 do regulamento, que diz os casos omissos serão resolvidos pela Secretaria de Estado da Cultura e pelo Instituto Estadual do Livro, que sua solicitação, embora não concordando com seus argumentos, foi aceita. Os outros pontos estão respondidos abaixo das tuas perguntas.

ZH – Por que um prêmio realizado no Rio Grande do Sul, homenageando um dos maiores escritores do Rio Grande do Sul e conferido por uma secretaria de governo do Rio Grande do Sul terá solenidade de entrega oficial no Rio de Janeiro? A escolha do agraciado determinou a mudança do local de entrega? Por quê?
Silvestrin –
O agraciado, Ferreira Gullar, comunicou à Secretaria de Cultura e ao IEL que não viaja de avião. Não viajou, por exemplo, para Lisboa quando foi o escolhido para receber o prêmio Camões, que foi entregue a ele também na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Como o Governador Tarso Genro estaria no Rio em função de atos do governo, no dia 29, data prevista pelo edital, o Governo, a Secretaria de Cultura e o IEL decidiram aproveitar a oportunidade para fazer a entrega. Embora realizado por uma Secretaria de Estado do Rio Grande do Sul, embora leve o nome de um dos maiores escritores nossos, trata-se, também, de um prêmio nacional que leva o nome de um dos maiores escritores nacionais. A vontade, é claro, era realizar a entrega aqui, no Palácio do Governo. Mas, em virtude da inviabilidade de deslocamento do vencedor, não foi possível.  Outro ponto levantado pelo autor que pediu sua exclusão da lista dos ganhadores de menção honrosa – menções que foram propostas pelos jurados e aceitas pela Secretaria e pelo IEL – seria o fato do coquetel de confraternização ser pago, no Rio de Janeiro, no próximo dia 29, pela editora premiada.  Como está no edital, a editora do livro premiado (e poderia ser mesmo um livro independente; sendo nesse caso o autor também o editor), recebe a quantia de trinta mil reais como pagamento pela compra dos direitos de edição para uma nova tiragem de cinco mil exemplares impressa pela Corag (apoiadora do Prêmio). Essa edição será distribuída nas bibliotecas públicas e pontos de cultura do estado. Nada, a nosso ver, impede a editora de oferecer um coquetel, por sua iniciativa, para receber os convidados do evento, o autor, as autoridades e confraternizar com todos. Aliás, essa é a praxe em lançamentos.

ZH – O edital do prêmio, como é padrão em certames do gênero, proíbe a inscrição de membros da comissão julgadora e de parentes e “afins”. Sterzi argumenta que, dada a reconhecida amizade de Antônio Carlos Secchin com Ferreira Gullar, soa estranha a premiação. O “afins” neste caso não englobaria também críticos que tenham prefaciado, apresentado ou recebido agradecimentos nos livros inscritos?
Silvestrin –
Não. O “afins”, segundo o Direito de Família, define o que segue:
“O parentesco pode ser, portanto: a) consangüíneo ou natural, quando se funda na igualdade de sangue; b) afim, quando se forma entre um indivíduo e a família de outro, por intermédio da união sexual.”
Ou seja, não se trata de parente afim (sogro, cunhado, genro, concunhado…) Além disso,  as decisões da comissão julgadora são soberanas – o IEL não tem qualquer interferência no resultado do concurso.  Se, por hipótese, o IEL tivesse a possibilidade de qualquer ingerência – o que seria um absurdo legal, veja-se: a comissão julgadora é composta por 5 membros. A decisão foi por unanimidade – e dessa comissão fazem parte, por exemplo, pessoas com a idoneidade moral e intelectual de um Armindo Trevisan, pra citar um nosso conterrâneo. Essa comissão não considerou que o fato de um dos membros ter feito o prefácio da obra de um autor de longa trajetória na cultura brasileira fosse um impedimento a ponto de propor a sua abstenção na votação. Matematicamente, um voto nada poderia fazer contra os outros.  E a votação foi individual.  Houve prazo de recurso contra a decisão, o qual se esgotou, e ninguém interpôs recurso algum, isto é: a comunidade literária reconheceu como idônea a atribuição do prêmio.

ZH – A formação da comissão julgadora foi efetuada pelo IEL e pelo Secretário de Cultura do Estado, de acordo com o que está no edital. Qual foi o critério de escolha dos nomes que formaram o júri?
Silvestrin –
O critério está explicitado no item 3.1. Todos os nomes escolhidos se enquadram nesse critério. São poetas, ensaístas, antologistas, professores com destacada atuação no meio literário do país. Procurou-se compor um grupo que tivesse uma visão tanto da produção contemporânea, como o caso do crítico e antologista Ricardo Vieira Lima, da produção dos últimos quarenta anos, como a professora, antologista e editora Heloísa Buarque de Holanda, ensaístas e poetas destacados, como Trevisan, Secchin e Carlos Felipe Moisés.  Todos foram convidados quando do lançamento do edital. Os livros inscritos foram divulgados e enviados para a Comissão Julgadora só após o IEL tê-los recebidos dento do prazo de inscrição. Não havia como barrar qualquer jurado antes da inscrição dos exemplares. Depois disso, a decisão se haveria algum impedimento para o julgamento ficaria a cargo da Comissão Julgadora.

Polêmica nos bastidores do Prêmio Moacyr Scliar

21 de março de 2012 10

Eduardo Sterzi na Flip 2011. Foto: Walter Craveiro, divulgação

Na central de hoje do Segundo Caderno, encontra-se um texto que resume em parte uma polêmica recente envolvendo a 1ª edição do Prêmio Moacyr Scliar. Na última sexta-feira, dia 16 de março, o poeta, jornalista, crítico literário e professor Eduardo Sterzi, que havia sido laureado com uma menção honrosa no resultado pelo júri do prêmio, enviou um e-mail ao diretor do Instituto Estadual do Livro renunciando à premiação.

De acordo com ele, o prêmio havia se tornado um festival de “promiscuidades” e apequenava-se ao mudar a premiação do Palácio Piratini, onde estava inicialmente prevista a entrega oficial, para a Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, devido à bem conhecida aversão de Ferreira Gullar, o vencedor, em pegar aviões. Também mencionava de passagem que era outro “absurdo” o fato de Antônio Carlos Secchin, integrante da Academia Brasileira de Letras, fazer parte do júri. Ele, ao lado de Alfredo Bosi, é um dos prefaciadores da obra que venceu o prêmio, Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar.

Para saber mais detalhes dos motivos que levaram o poeta autor de Aleijão (o livro que recebeu a menção honrosa no concurso) a renunciar à menção honrosa que recebeu, procuramos Sterzi, gaúcho que há anos reside em São Paulo, e ele nos respondeu a seguinte entrevista, por e-mail (nos posts seguintes, publicaremos também o contraditório das entrevistas com Ricardo Silvestrin, diretor do IEL, e com o próprio Antônio Carlos Secchin:

Zero Hora – Você divulgou uma carta aberta rejeitando a menção honrosa concedida a Aleijão pelo júri do Prêmio Moacyr Scliar – na qual aponta como motivo a transferência da cerimônia oficial para o Rio. Poderia detalhar um pouco mais seus motivos?
Eduardo Sterzi –
Minha decisão de renunciar à menção honrosa se deu na última sexta-feira, quando recebi um email do Instituto Estadual do Livro com o convite para a cerimônia de entrega do Prêmio Moacyr Scliar. Não posso dizer que fiquei surpreso com a decisão de transferir a cerimônia para o Rio de Janeiro, porque já imaginava que algo assim poderia acontecer. Mas a falta de surpresa não diminuiu minha indignação ao enfim confirmar o que, em alguma medida, já se desenhava desde que o nome do vencedor do prêmio foi anunciado. Para quem conhece um pouco do comportamento pregresso de Ferreira Gullar, era óbvio que ele não se deslocaria a Porto Alegre para receber o prêmio. Já se tornou parte da mitologia pessoal do poeta, amplamente divulgada e freqüentemente reiterada pelo próprio, seu medo de avião, que funciona como um ótimo álibi para fugir de compromissos indesejáveis.
Ferreira Gullar está em seu direito, claro, em se recusar a voar seja para onde for; o que não compreendo é que, dada a recusa do autor, o Instituto Estadual do Livro ou o governador (que, segundo o convite, confirmou sua presença) tenham decidido transferir para outro estado uma festa que, evidentemente, deveria ocorrer em solo gaúcho. Não consigo me lembrar de outro prêmio que tenha feito isto, ainda mais se tratando de uma premiação promovida pela administração pública. Consegues imaginar, por exemplo, o Prêmio São Paulo de Literatura deslocando sua cerimônia de entrega para outro estado? Isto é falta de dignidade, falta de altivez. O que se quer? Conferir prestígio ao novo prêmio com uma meia dúzia de fotos de autoridades sul-riograndenses ao lado do “grande poeta”? Pois o resultado, a meu ver (e não só meu), foi precisamente o contrário. O prêmio se desvaloriza, o nome do seu patrono é desrespeitado e a imagem do Rio Grande do Sul, que é o meu estado, sai diminuída. Mas o que realmente me escandalizou foi verificar que, entre os apoiadores do evento, se encontra a editora agraciada junto ao seu autor (não esqueçamos que não só Ferreira Gullar ganhou R$ 150 mil, mas que também a José Olympio arrebatou R$ 30 mil). Também não consigo me lembrar de prêmio algum que acabe incluindo entre os patrocinadores de sua festa de entrega (no caso, o coquetel) um dos próprios ganhadores. Isto é promiscuidade – não há outra palavra.

ZH –  Você menciona que Antônio Carlos Secchin, um dos integrantes do júri, é um dos prefaciadores do livro vencedor, Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar. Crê que isso tenha influenciado a decisão final do júri?
Sterzi –
É impossível afirmar que o fato de Secchin ser um dos prefaciadores do livro premiado influenciou na decisão do júri. Mas acredito que, seja ele mesmo, sejam os organizadores do prêmio, alguém deveria ter percebido que havia aí um impedimento ético. O que se pode supor, com alguma segurança, é que pelo menos um dos votos dos jurados já tinha uma clara tendência, uma vez que o comprometimento de Secchin com a obra de Gullar não se limita à redação do prefácio do seu último livro, mas é antigo, constante e intenso, a ponto de, em janeiro de 2002, o crítico ter viajado até Estocolmo para apresentar à Academia Sueca a candidatura do poeta ao Nobel (cf. p. ex. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u21150.shtml). Lembro ainda que não se trata do primeiro júri de que Secchin participa e do qual Gullar sai como vencedor. Isto já aconteceu no Prêmio Camões de 2010. “Naturalmente”, naquela ocasião, foi o mesmo crítico a telefonar para Gullar para lhe dar a notícia… (cf. p. ex.
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ferreira-gullar-ganha-o-premio-camoes,559893,0.htm).
Friso que não vejo nenhum problema no comprometimento de um crítico com determinado autor que ele admire especialmente. O que acho complicado é que este comprometimento passe a envolver dinheiro público e instituições que deveriam agir com a máxima transparência possível. Fico extremamente incomodado com o fato de que isto se dê justo com o Instituto Estadual do Livro, órgão pelo qual tenho o orgulho de ter publicado o meu primeiro livro, Prosa, em 2001.

ZH – Você anunciou a sua renúncia no dia 16 de março. Por que não na época do anúncio da premiação?
Sterzi
– Porque, como disse na primeira resposta, só recebi o convite para a cerimônia no dia 16.

ZH – Em uma comunidade literária, as relações entre jurados e concorrentes não acabam sendo de algum modo inevitáveis, uma vez que os jurados são, em sua maioria, também profissionais do meio, críticos ou criadores? E em algum certame no qual você participou como jurado, em algum momento houve, devido ao grande número de inscritos, alguma relação (prefácio, homenagem ou mesmo menção nos agradecimentos) com obras concorrentes?
Sterzi –
É certo que, no âmbito literário, cuja amplitude é relativa, inevitavelmente chegará um momento em que haverá relações entre jurados e concorrentes. Não só relações positivas, frise-se, mas também relações negativas – umas ou outras, nos mais diversos graus de comprometimento. Foi por estar consciente dessa quase inevitabilidade que, ao confirmar que o resultado da premiação era o que eu já previa, preferi não me manifestar a respeito e acabei aceitando a menção honrosa que me foi oferecida. Friso que, embora acredite que, pelas razões já expostas na minha segunda resposta (sobretudo o grau de comprometimento entre crítico e autor neste caso específico), havia um impedimento ético para a participação de Secchin no júri, não foi este o motivo de minha renúncia à menção honrosa. Questões éticas são sempre passíveis de discussão, dependem de escalas de valores compartilhadas ou não por uma comunidade, dependem até mesmo – como tu bem observas – das particularidades da constituição de uma determinada comunidade (aqui, por exemplo, o fato de ser relativamente restrita). Renunciei à menção honrosa por um fato muito objetivo, que foi a transferência da cerimônia de entrega do prêmio para outro estado que não aquele que promoveu o prêmio. Isto me pareceu uma falta de altivez e de dignidade indiscutíveis. Algo realmente inédito, diria até mesmo impensável no caso de outros prêmios promovidos por instituições ligadas a governos estaduais. Não vejo nisto senão um casuísmo deplorável. Pergunto-me: digamos que o agraciado tivesse sido qualquer outro autor que também alegasse medo de avião ou outro motivo para não ir a Porto Alegre receber o prêmio; o IEL também transferiria a cerimônia para a cidade em que este hipotético autor mora? O governador do Estado também se deslocaria para esta cidade? Não vamos longe: se o agraciado tivesse sido qualquer um dos ganhadores de menção honrosa, isto aconteceria? É evidente que não. Seria absurdo. E é absurdo. A isto se soma o fato de, no convite oficial para o evento, a editora premiada aparecer também como apoiadora, isto é, em bom português, como patrocinadora (e, portanto, dona) de parte da festa. É claro que a José Olympio tem todo o direito de promover um coquetel em homenagem ao seu autor. O que acho promíscuo é este coquetel tornar-se parte da própria cerimônia de premiação. Vejo aí uma promiscuidade lamentável, que também não comporta, a meu ver, muita discussão. Que a editora proponha tal coisa, tudo bem; que o IEL aceite, é um absurdo. Que eu me lembre, nos júris de que participei, nunca um houve uma situação como esta ocorrida no Prêmio Moacyr Scliar (até porque, que eu saiba, nenhum outro crítico brasileiro viajou a Estocolmo para apresentar a candidatura de outro escritor ao Nobel…), tampouco como as que mencionas (prefácio, homenagem ou menção nos agradecimentos). A maioria dos júris de que participei foi de concursos literários destinados a obras inéditas, em que não tínhamos acesso aos nomes dos autores. E, no único caso diverso, o Açorianos de 1997, não me lembro de haver nenhum problema dessa ordem.

Em uma comunidade literária, as relações entre jurados e concorrentes não acabam sendo de algum modo inevitáveis, uma vez que os jurados são, em sua maioria, também profissionais do meio, críticos ou criadores? E em algum certame no qual você participou como jurado, em algum momento houve, devido ao grande número de inscritos, alguma relação (prefácio, homenagem ou mesmo menção nos agradecimentos) com obras concorrentes?

Teste cronológico

15 de junho de 2011 9

“Não é preciso enfatizar que, neste momento, o prestígio do romance é extremamente baixo, tão baixo que as palavras ‘eu nunca li romances’, que há uma dúzia de anos costumavam ser pronunciadas com uma ponta de desculpa, são agora sempre ditas num tom de orgulho consciente. É verdade que ainda existem alguns romancistas contemporâneos ou mais ou menos contemporâneos que a intelligentsia considera permissível ler: mas a questão é que o romance bom-ruim comum é habitualmente ignorado, enquanto o livro de versos ou de crítica bom-ruim comum ainda é levado a sério. Isso significa que, se você escreve romances, automaticamente faz jus a um público menos inteligente do que se tivesse escolhido outra forma literária. Há duas razões bastante óbvias para que seja impossível hoje escrever bons romances. O romance está visivelmente se deteriorando e continuará a se deteriorar com mais rapidez se a maioria dos romancistas tiver alguma ideia sobre quem lê seus livros.”

O problema é que o romance está sendo morto aos gritos. Perguntemos a qualquer ser pensante por que “nunca lê romances” e descobriremos geralmente que, no fundo, isso se deve às bobagens repulsivas escritas por resenhistas promocionais. Não há necessidade de multiplicar os exemplos. Eis um espécime, do Sunday Times da semana passada: “Se você é capaz de ler este livro e não dar urros de prazer, então sua alma está morta”. Isso ou algo parecido é escrito agora sobre todos os romances publicados, como se pode ver observando as citações das sobrecapas dos livros. Para alguém que leva o Sunday Times a sério, a vida deve ser uma longa luta para se pôr em dia. Os romances são disparados contra você à taxa de quinze por dia, e cada um é uma obra-prima inesquecível que se você deixar de ler estará pondo sua alma em perigo. Isso deve dificultar demais a escolha de um livro na biblioteca e você deve se sentir muito culpado quando não urra de prazer. Porém, na verdade ninguém relevante é enganado por esse tipo de coisa, e o desrespeito em que recaiu a resenha de romances se estendeu aos próprios romances. Quando todos os romances são despejados sobre nós como obras de gênio, é natural supor que todos são lixo. No meio da intelligentsia literária, essa suposição é agora líquida e certa.”

Tive a ideia deste post à luz de uma leitura recente e após acompanhar a momentosa e um tanto inefetiva polêmica entre Beatriz Resende, Alcir Pécora e a nova geração de autores sobre o fim da literatura brasileira.

O considerado leitor  é capaz de adivinhar em que ano foram escritos os trechos que abrem este post? Alternativas abaixo:

a) 1892

b) 1936

c) 1963

d) 1986

e) 2010

Respondam com seus palpites nos comentários. Quando divulgar o resultado, retomo a conversa e explico o que me levou a esta pequena experiência.

Merval e o Poder

03 de junho de 2011 1

Como todos vocês já viram ontem, o jornalista Merval Pereira, de O Globo, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras na cadeira de nº 31, antes ocupada por Moacyr Scliar. Merval recebeu 25 votos contra 14 de um escritor “de ofício” com uma vasta obra pregressa, Antônio Torres (o que provocou muitas manifestações de protesto na internet e evidencia que a eleição se pautou por outros critérios que não o eminementemente literário)

Não tenho como me aprofundar mais porque afora textos acompanhados um que outro no espaço de opinião de O Globo, não li muito mais, nem o único livro individual publicado por Merval, um calhamaço de 700 páginas compilando todas as crônicas políticas escritas pelo jornalista ao longo dos oito anos do governo Lula. Por isso, pedimos uma análise para alguém que já houvesse lido o livro e conhecesse mais a fundo o trabalho jornalístico de Merval Pereira: a colunista e editora de política Rosane de Oliveira. Vai abaixo a opinião dela, gentilmente cedida ao nosso blog:

Intimidade com o Poder
Rosane de Oliveira

Não foi por seu texto literário que o jornalista Merval Pereira venceu a eleição para ocupar a cadeira do gaúcho Moacyr Scliar na Academia Brasileira de Letras.  Pesou mesmo o prestígio de colunista de política e ex-diretor de Redação do jornal O Globo, comentarista da GloboNews e da CBN, e as relações cultivadas ao longo dos últimos anos. Livro de sua exclusiva autoria Merval só tem um _ uma coletânea de artigos reunidos sob o título O Lulismo no Poder (Editora Record, 2010). A outra obra — A Segunda Guerra, a Sucessão de Geisel — editada em 1979 pela Brasiliense, foi escrita em parceria com André Gustavo Stumpf.

Para os gaúchos que sonharam ver na cadeira de Scliar um escritor da terra, a eleição de Merval só não é uma frustração maior porque o candidato principal, Luiz Antonio Assis Brasil, havia desistido de pleitear a indicação alegando que ainda não processara a morte do amigo. O poeta Luiz de Miranda, que se lançou candidato e depois recuou, tem uma vasta obra literária, mas, assim como Assis Brasil,  não teria como enfrentar o poder de Merval entre os acadêmicos.

É impossível comparar o estilo de Merval ao de Scliar. O novo dono da cadeira número 31 é um jornalista por excelência, sagaz e bem-informado, capaz de produzir longas análises sobre a conjuntura política, mas seu texto em nada lembra a elegância da literatura de Scliar. É mais duro e menos elaborado, porque produzido com a urgência que se exige do analista político hoje, de opinar em tempo real. Em O Lulismo no Poder, Merval traça um retrato crítico dos dois mandatos do ex-presidente Lula e do papel do PT.

Em comum com Scliar o sucessor tem a característica de homem de vastos conhecimentos e milhares de amigos. Pode discorrer sobre qualquer assunto, mas a política é seu porto. Scliar vinha da área médica, mas também transitava com facilidade em diferentes terrenos.

De como me tornei um patife

04 de maio de 2010 3

Ok, esta talvez vocês achem um tanto cabotina, mas é engraçada – e prometo que será curtinha.

No ano passado, fui convidado pelo jornalista e poeta Fernando Ramos, um dos responsáveis pelo jornal alternativo Vaia, aqui de Porto Alegre, para participar de uma das atividades da segunda edição da Festipoa Literária – um debate com o escritor Walmor Santos sobre o Contestado e o romance que o autor estava lançando sobre o episódio: Contestado: a Guerra dos Equívocos (volume 1: O poder da fé). A Festipoa é organizada pela turma do jornal e vem se transformando rapidamente em uma daquelas belas sacudidas que Porto Alegre precisa levar no primeiro semestre para acordar do marasmo. Lógico, portanto, que eu topei.

Em março do mesmo ano, o Fernando me pediu que enviasse para ele uma foto e um currículo mui breve para ser posto no ar nos links de identificação dos convidados no site da festa. Tentando resistir à minha mania de ser prolixo, mandei a nota biográfica abaixo (atenção ao trecho sublinhado, voltaremos a ele):

Carlos André Moreira nasceu em São Gabriel em 1974. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atualmente é mestrando em Literatura Portuguesa no Instituto de Letras da mesma universidade.
Desde 2003, trabalha no Segundo Caderno de Zero Hora, onde exerce a função de crítico literário e repórter da área de Cultura. Mantém e edita o blog de crítica literária Mundo Livro
(www.zerohora.com/mundolivro).
Já teve contos publicados nas revistas Coyote, Etc, na antologia Contos Comprimidos (Editora Casa Verde) e em sites da internet, como o extinto Patife. Ainda neste semestre, deve sair pela editora Leitura XXI seu primeiro romance, Tudo o Que Fizemos.

Bom, o evento rolou, o debate sobre o Contestado foi bem bacana, e, passado um tempo, o Fernando me mandou outro e-mail dizendo que estava reunindo textos dos participantes da festa em 2009 para serem editados no segundo volume de uma antologia chamada O Melhor da Festa – cujo volume 1 havia sido lançado na segunda edição do Festipoa. Mandei um conto escrito especialmente para a ocasião, e ele foi incluído no volume 2, que, respeitando a ainda incipiente tradição, foi lançada agora mês passado durante a terceira edição da Festipoa – e que reúne gente boa como Telma Scherer, Caio Riter, Altair Martins, Monique Revillion, Rafael Bán Jacobsen e o Luis Fernando Verissimo, homenageado daquela edição.

A parte engraçada vem agora. No fim do livro, editado pela Casa Verde, foi incluída uma breve nota biográfica sobre cada um dos participantes. E só agora notei que, no que concerne à minha figura, foi usada uma versão resumida e atualizada do texto que eu havia enviado. E na edição, com o corte de algumas frases, ele ficou assim (atenção para o termo grifado):

Carlos André Moreira – nasceu em São Gabriel em 1974. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atualmente é mestrando em Literatura Portuguesa no Instituto de Letras da mesma universidade. Patife. Publicou o romance Tudo o Que Fizemos.

Como se vê, além da atualização criteriosa sobre a publicação do meu livro, que não havia saído ainda na época em que escrevi aquela minibio, tornei-me, saliento com orgulho, um dos poucos patifes do meio literário com sua condição devidamente documentada por escrito, e não escamoteada, como é a regra.

Estou brincando, é claro. Não é uma crítica ao Fernando e ao belo trabalho de organização da antologia – só menciono o episódio porque achei mesmo muito engraçado.

Passe Livre

30 de abril de 2009 5

Hoje o mercado editorial brasileiro é dominado por uns seis grandes conglomerados editoriais que estão sempre disputando entre si o passe de alguns dos nomes mais representativos da ficção brasileira. Não que publicar seja mais fácil para o estreante, para esses o sistema parece continuar o mesmo: lançamento de algumas obras por editoras pequenas ou regionais, o que pode servir para chamar a atenção do gigante e render aí sim um contrato de publicação. Mas com aqueles autores brasileiros considerados “canônicos” e cuja obra ainda não caiu em domínio público (logo, Machado não vale), a briga é cerrada entre as casas editoriais para trazer para seus catálogos nomes respeitáveis, obras que marcaram época e escritores ainda em atividade e que garantem vendas boas e constantes (embora não monstruosas) porque sua obra é estudada com profundidade ou recomendada nas escolas. Ah, sim, e até o Paulo Coelho, a rigor nosso maior best-seller, foi alvo dessa disputa.

De uma década para cá, vimos a Objetiva comprar o passe de Luis Fernando Verissimo (que era da L&PM), a Agir comprar os direitos de publicação da obra de Nelson Rodrigues, que vinha saindo pela Companhia, reunir a obra de Mário de Andrade (que saía pela Itatiaia) e tomar da Planeta o novo romance de Paulo Coelho (que já havia deixado a Rocco uns seis anos antes). A Planeta arrebatou da Nova Fronteira o clássico 1968: O Ano que Não Terminou, de Zuenir Ventura, e ainda o publicou com uma continuação escrita para marcar os 20 anos do tal ano ininterrupto. Nessa ciranda, a Companhia das Letras foi uma das mais ativas: trouxe para seu time Erico Verissimo e Jorge Luís Borges (cuja obra saía pela Globo), Jorge Amado (que era da Record), Lygia Fagundes Telles (que era da Rocco) e Vinicius de Moraes (que eu não me lembro onde estava. Ediouro? Alguém lembra?).

Pois depois de tantas contratações vitoriosas a Companhia sofreu uma perda importante. Depois que a notícia foi publicada no jornal O Globo, a editora divulgou um comunicado hoje à tarde informando que Rubem Fonseca não faz mais parte de seu catálogo, interrompendo assim uma relação de duas décadas e mais de 20 títulos — incluindo aí edições de bolso de títulos como Agosto e A Grande Arte e uma coletânea de 64 contos naquela coleção de coletâneas que tem reunido mestres nacionais e estrangeiros da narrativa curta.

Por ora, pelo teor do comunicado, Fonseca não está acertado com ninguém — qualquer acerto seria visando, obviamente, ao próximo livro do autor, já em produção, já que toda sua obra ainda está disponível pela companhia e será repassada para a nova editora à medida que os títulos forem esgotando. A Companhia disse que não comentaria as razões. E se a companhia não abre o jogo, merece um prêmio quem conseguir fazer falar o próprio Fonseca, conhecido por não dar entrevistas no Brasil há anos. Provavelmente, no momento mesmo em que redijo este post, já deve estar em curso uma disputa nos bastidores pelas demais editoras nacionais para trazer para seu convívio um dos gigantes nacionais ainda em atividade.