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Posts na categoria "O Que Você Está Lendo?"

O que vocês estão lendo, moças?

14 de agosto de 2013 0

Andei perguntando bastante a críticos, escritores, intelectuais, romancistas, jornalistas, o que andavam lendo. Desta vez, resolvi subverter a fórmula e pedir algumas belas, literalmente, sugestões de leitura. Porque não há mulher mais sexy do que aquela que carrega um livro:

natalieportman&Englander

Natalie Portman lendo O Ministério dos Casos Especiais, de Nathan Englander, uma dolorida fantasia sobre a ditadura militar na Argentina, enfocando uma família de um trambiqueiro judeu cujo mundo desmorona depois que seu filho é preso depois da saída de um show musical e desaparece, como desapareceram milhares tragados pelo horror do regime de Videla.

marilynleavesMarilyn Monroe lendo Folhas de Relva, a titânica obra-prima de Walt Whitman: ” Enquanto eu lia o livro, a famosa biografia: / - Então é isso (eu me perguntava) / o que o autor chama / a vida de um homem? / E é assim que alguém, / quando morto e ausente eu estiver, / irá escrever sobre a minha vida? / (Como se alguém realmente soubesse / de minha vida um nada, / quando até eu, eu mesmo, tantas vezes / sinto que pouco sei ou nada sei / da verdadeira vida que é a minha: /somente uns poucos traços / apagados, uns dados espalhados / e uns desvios, que eu busco /para uso próprio, marcando o caminho /daqui afora.”

Film Title: Inglourious Basterds

Au revoir, Shoshana: Em cena de Bastardos Inglórios, Melanie LaurentO Santo em Nova York - uma das mais populares entre as 50 aventuras escritas por Leslie Charteris e protagonizadas pelo anti-herói Simon Templar, o Santo (sim, o mesmo personagem pulp depois adaptado em um filme horroroso com o Val Kilmer). A edição é francesa, já que Shoshana está lendo a obra na Paris ocupada.

andersonPamela Anderson Unmarketable: Brandalism, Copyfighting, Mocketing, and the Erosion of Integrity (“Invendável: Marcas, disputas autorais, marketing negativo e a erosão da integridade“, em tradução livre), de Anne Elizabeth Moore, um estudo no qual uma escritora investiga as alianças e tomadas de espaço entre as grandes corporações americanas e o próprio movimento cultural que a elas se opõe.

jeansebergJean Seberg, responsável por haver nos cativado, lê O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

 

 

O que você está lendo, Fernando Ramos?

20 de março de 2013 0

Fernando Ramos, organizador da Festipoa Literária. Foto: Mauro Vieira, ZH

Aqui estamos de novo, fazendo de tudo para não perder o pique e dar continuidade à série O Que Você Está Lendo?, que pergunta a escritores, professores, intelectuais e críticos que leitura estão curtindo e gostariam de partilhar conosco, fomos questionar Fernando Ramos, editor do jornal literário Vaia, publicação que existe há 12 anos. Fernando é também idealizador e organizador da Festa Literária de Porto Alegre, a FestiPoa (www.festipoaliteraria.blogspot.com), um dos eventos mais bacanas dedicados à cultura no primeiro semestre, na Capital. Não esqueça, a série vai ao ar às quartas-feiras

Então, Fernando Ramos, o que você anda lendo?

Estou relendo o segundo livro da Angélica Freitas, Um útero é do tamanho de um punho. A poesia da Angélica me agrada muito, seus poemas são do tipo que surgem da inquietação e perplexidade diante da condição humana. Dessa inquietação, naturalmente, brotam perguntas (“Quem manda, de fato, no corpo da mulher?”) que renderam os 35 poemas reunidos nesse livro que chega para abalar algumas falsas noções de gênero e comportamentos atuais.
A poesia é sempre uma aventura, uma experiência estética marcante, não se presta para teses ou discursos. Angélica sabe disso, consegue fazer do poema essa experiência e transmitir esse acontecimento ao leitor.
Para Angélica, o poema é uma espécie de arma, ou punho fechado a golpear com sarcasmo desestabilizador (
num útero cabem capelas/ cabem bancos hóstias crucifixos/ cabem padres de pau murcho/ cabem freiras de seios quietos/ cabem as senhoras católicas/ que não usam contraceptivos); com ironia afiadíssima (uma pessoa já coube num útero/ não cabe num punho/ quero dizer, cabe/ se a mão estiver aberta/ o que não implica gênero/ degeneração ou generosidade); e com auto-ironia, portanto sem se excluir do embate (não diz coisa com/ coisa nem escreve nada/ que preste/ não alivia as massas/ nem seduz as cobras/ se reduz a isso/ a palhaça/ toca fagote/ com a boca cheia/ de colgate).
Um útero é do tamanho de um punho é leitura divertida, capaz de provocar boas gargalhadas, embora os poemas sejam mais ásperos e densos que os de Rilke Shake, seu livro anterior. Há muita musicalidade, leveza e fluência nos versos, como se a linguagem ganhasse uma linha melódica aliciadora e fosse envolvendo nossa sensibilidade de leitor numa espécie de canção.
Embora correndo risco de deslizar para uma poesia discursiva e de protesto ao abordar as temáticas de gênero e identidade com tamanha virulência, o sarcasmo, o nonsense e, sobretudo, a força estética e o humor dos poemas fizeram com que os disparos fossem no alvo. Poesia direta e límpida. Angélica é poeta das maiores.


O que você está lendo, Caio Riter?

13 de março de 2013 0

Caio Riter na sessão de autógrafos de seu livro "Eu e o Silêncio de Meu Pai". Arquivo Pessoal

Desde o ano passado que havíamos interrompido a série O Que Você Está Lendo?, que faz a pergunta título a escritores, professores, intelectuais e críticos. Devido a uma série de contratempos do editor deste blog, o fluxo da publicação, que deveria ser sempre às quartas-feiras, foi interrompido e não tivemos muito tempo para retomar. Agora, finalmente, estamos de volta com as dicas pedidas a colaboradores especiais. Na postagem de hoje, fomos colher uma dica com o escritor Caio Riter, um dos grandes nomes da literatura voltada para jovens no Estado. Riter é autor de mais de 40 livros, dirigidos para crianças, adolescentes e algumas incursões em volumes de contos para adultos. Entre seus trabalhos, incluem-se: Debaixo de Mau Tempo (Artes e Ofícios, 2005), O Rapaz que não era de Liverpool (Edições SM, 2006), Viagem ao redor de Felipe (Projeto, 2009) e Eu e o silêncio de meu pai (Biruta, 2011). Sua obra mais recente publicada é o volume de contos Vento Sobre a Terra Vermelha (8INVERSO, 2012)

Então, diga lá, o que você está lendo, Caio Riter?

Ando em tempos de me envolver com várias leituras, ando meio infiel. Dos tantos com que ando envolvido, acabo de ler dois romances. O primeiro de Paul Auster, Noite do Oráculo, em que o autor, mais uma vez, problematiza os limites entre verdade e invenção ao instaurar uma arquitetura narrativa em três camadas: em primeira pessoa, narra a história de Sidney, um escritor que retoma a escrita após um colapso e que inventa a história de um editor, Bowen, o qual – ao escapar de um acidente que poderia tê-lo matado – resolve abandonar a vida que leva e parte em busca de uma nova ordem. Todavia, leva consigo o romance de uma escritora falecida. Romance que lê, lê e relê. Auster vai, aos poucos, “descascando as camadas da cebola” e apontando para uma concepção de escrita que remete aos vates. Escrever é futurar. O segundo romance é Caim, de José Saramago, livro em que o autor português retoma o Antigo Testamento, discutindo a beatitude de Deus e o mau-caratismo do primeiro assassino bíblico. Caim é homem marcado pela tragédia; homem que, ao receber o castigo divino, irá estar presente nos momentos mais marcantes da relação de Deus com a humanidade, desde Adão e Eva até Noé. O romance, no entanto, parece-me apenas motivo para que Saramago questione a fé cristã, visto que os personagens carecem de maior composição íntima. Caim, assim como é títere nas mãos de Deus, é joguete do narrador que o quer como elemento questionador e problematizador do poder divino.


O que você está lendo, Ruben Oliven

22 de agosto de 2012 0

O antropólogo Ruben Oliven. Foto: Emílio Pedroso, ZH

Na série O Que Você Está Lendo?, que faz a pergunta título a escritores, professores, intelectuais e críticos, fomos buscar uma dica de leitura fornecida pelo antropólogo Ruben George Oliven, autor de trabalhos fundamentais na área da antropologia urbana no Brasil. Entre seus principais trabalhos – muitos deles aclamados pela forma como casam Antropologia, Sociologia e Ciência Política – contam-se A Parte e o Todo: A diversidade cultura no Brasil-nação (1982); Antropologia de Grupos Urbanos (1985) e Violência e Cultura no Brasil (1989). Oliven vem lançando há anos um olhar crítico sobre a tendência cada vez mais aprofundada no Rio Grande do Sul de só se relacionar com o global ou o nacional pela perspectiva regional.

Então diga-nos, o que você está lendo, Ruben Oliven:

Gosto de ler mais de um livro simultaneamente, em geral um de ficção e outro de ciência. Acabo de ler El Sueño del Celta de Mario Vargas Llosa, um livro sobre Roger Casement, um personagem controverso que foi cônsul britânico no Congo belga e no Peru, onde combateu as condições desumanas dos seringueiros. Ele recebeu o título de Sir da coroa britânica, mas pouco depois foi condenado à morte por ter-se aliado aos alemães na I Guerra Mundial para lutar pela independência da Irlanda. Estou também lendo The Making of the Middle Class, uma coletânea organizada por A. Ricardo López e Barbara Weinstein, que é um retrato fascinante e transnacional das modernas classes medias em diferentes países.


>>> Leia aqui outros depoimentos da série “O Que Você Está Lendo?”

O que você está lendo, Ricardo Barberena?

15 de agosto de 2012 0

Ricardo Barberena. Fonte: Arquivo pessoal

Tivemos uma breve interrupção de duas  semanas por motivos de força maior na nossa série das quartas-feiras, O Que Você Está Lendo?, que pergunta semanalmente a escritores, críticos, intelectuais e acadêmicos quais as suas leituras do momento e como elas poderiam ser partilhadas com nossos leitores. Nesta retomada da seção, nosso convidado é o professor de literatura Ricardo Barberena. Gaúcho, com doutorado e pós-doutorado pela UFRGS, Barberena é professor do Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, onde leciona Teoria Literária. Suas linhas de pesquisa incluem identidade nacional, diferença e cultura. É também o coordenador do Acervo Cyro Martins no banco de acervos Delfos, da PUCRS.

Então, o que você está lendo, Ricardo Barberena?

Cabeça a Prêmio, de Marçal Aquino, publicado em 2003, evidencia uma narrativa policial que não se restringe aos clichês de certos textos literários desse tipo de literatura, pois, inegavelmente, percebe-se uma escrita arrojada que mistura uma polpa de sangue, de intimismo, de simbolismo, de carne. Esse escritor brasileiro contemporâneo investe no rompimento de uma identidade nacional hegemônica, no tocante à representação de um Brasil bárbaro e profundo, submerso numa malha de paixões e desesperos humanos. Entre o desamparo e a violência estetizada, a nervosa narrativa de Aquino não se resume à descrição realista de matadores e vítimas trucidadas. Há, isso sim, um timbre narrativo cru e direto que combina uma estrutura narrativa complexa e descontínua, repleta de avanços, de elipses vertiginosas, de intensos deslocamentos geográficos. Balizado pela desarticulação dos estereótipos tropicais, o romance acaba por mapear as possíveis respostas para indagações fulcrais quanto aos descentramentos nas paisagens culturais de classe, raça, gênero, nacionalidade: Quem são os sujeitos dessa nação? Quais são as cabeças que estão a prêmio? Que país é esse?

>>> Leia aqui outros depoimentos da série “O Que Você Está Lendo?”

O que você está lendo, José Castello?

25 de julho de 2012 0

O escritor José Castello em Porto Alegre. Foto: Adriana Franciosi, ZH

Na seção O Que Você Está Lendo?, o depoimento de hoje é de José Castello, jornalista, crítico e escritor. Castello é autor da até hoje considerada fundamental biografia de Vinicius de Moraes: Vinicius – o Poeta da Paixão (Companhia das Letras, 1993). Voltaria ao poeta para traçar seu itinerário poético em Vinicius de Moraes: Geografia Poética (Relume/Dumará, 1996). Do mesmo ano é a biografia de João Cabral de Mello Neto, O Homem sem Alma (Rocco). Inventário das Sombras (Record, 1999) é outro de seus livros com perfis de autores como José Saramago, Nelson Rodrigues e Adolfo Bioy Casares, entre outros. Estreou na ficção em 2001, com Fantasma, um pastiche de suspense ambientado na Curitiba em que o autor vive. Em 2010, voltou à ficção com o elogiado Ribamar, vencedor na categoria romance da 53ª edição do Prêmio Jabuti de Literatura (leia entrevista sobre o livro aqui). É colunista dos jornais Rascunho e O Globo, no qual mantém o blog A Literatura na Poltrona (clique aqui).

O que você está lendo, José Castello?

Estou lendo Una Magia Modesta, de Adolfo Bioy Casares, em uma edição argentina da Temas Editorial. Na verdade, eu o estou relendo – para me ajudar a escrever um ensaio breve a respeito da relação – que considero essencial – dos escritores com a solidão. Muitos dos personagens de Bioy Casares são homens solitários, quase abandonados, que vivem acompanhados não só por seus fantasmas, mas sobretudo por suas fantasias. A fantasia guarda esse aspecto meio mágico: vinda do “nada”, ela é muito mais potente para preencher uma vida do que grande parte dos bens materiais. As criaturas de Casares sentem-me muito menos sozinhas do que muitas pessoas que circulam em meio a grandes multidões. Essa talvez seja a “magia modesta” que o próprio Casares manejava tão bem: transformar a solidão em companhia. Fazer da solidão um palco em que personagens secretos podem não apenas desembarcar, mas desempenhar histórias e conflitos que nos ajudam a viver. Descobri Adolfo Bioy Casares ainda muito jovem, em plena adolescência, e, desde então, nunca mais o parei de ler. Creio que essa é a quarta ou quinta vez que releio Una Magia Modesta, livro que recomendo com muito entusiasmo.

>>> Leia aqui outros depoimentos da série O que Você Está Lendo?

O que você está lendo, Silviano Santiago?

18 de julho de 2012 0

Silviano Santiago fala na abertura da Flip. Foto: Divulgação, Flip

Nosso convidado de hoje da série O Que Você Está Lendo? é o ficcionista e crítico Silviano Santiago. Mineiro de Formiga, onde nasceu em 1936, Santiago já enveredou pelo conto, pelo romance e pela poesia. Recebeu em 1981 o Prêmio Jabuti pelo romance Em Liberdade, uma “falsa continuação” para as Memórias do Cárcere do escritor Graciliano Ramos. Seu romance Heranças, de 2008, recebeu o Prêmio ABL de ficção no ano seguinte, e foi finalista do Portugal Telecom e (outra vez) do Jabuti. Sua ficção inclui ainda, entre outros, romances como Stella Manhattan, referencial anárquico nos anos 1980, O Falso Mentiroso,  e livros de contos como Keith Jarret no Blue Note.  Na seara da crítica, Santiago, é um dos grandes nomes da academia a refletir sobre nacionalidade e interpretação de identidades nacionais na literatura. Professor emérito da Universidade Federal Fluminense, publicou textos clássicos dos estudos literários, como Uma Literatura nos Trópicos, no qual desenvolveu o conceito de ”entre-lugar”, ainda hoje fundamental para o campo dos Estudos Culturais. No início de julho, foi um dos convidados de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty, com uma conferência sobre o homenageado Carlos Drummond de Andrade.


O que você está lendo, Silviano Santiago?

Por ter estado recentemente em Bogotá e ter-me surpreendido com a graça de uma cidade centauro, onde o velho e o novo se fundem, fui reler um conto de Guimarães Rosa que lá se passa. Páramo, conto inédito e dado como inacabado, hoje em Estas Estórias. Nocauteou-me. Rosa sai da geografia regional mineira, que tanto o encanta e lhe rende juros, para apreender – no degredo nas alturas dos Andes (1942-1944), que se seguiu aos 100 dias num campo de internamento nazista, em Baden-Baden, – o Nosso Tempo, para retomar o poema de Drummond em A Rosa do Povo. Apreende-o de maneira surpreendente e simbólica. A coação política no campo de internamento em Baden-Baden se casa à asfixia física causada pelo soroche, o mal das alturas. A dupla e trágica experiência dos tempos de guerra leva Rosa a criar um personagem tomado por crise psicótica. Caminha pelas ruas de Bogotá carregando às costas o seu duplo, “o homem com fluidos de cadáver”. Imperdível..

>>> Leia aqui outros depoimentos da série O Que Você Está Lendo?

O que você está lendo, Antônio Xerxenesky?

11 de julho de 2012 0

O escritor Antônio Xerxenesky. Foto: Jean Schwarcz, ZH

Vamos então a mais uma dica da nossa série O Que Você Está Lendo?, desta vez interrogando Antônio Xerxenesky. Porto-alegrense, é autor do romance Areia nos Dentes, publicado em 2008 pela Não Editora e reeditado pela Rocco em 2010 (leia textos sobre o livro aqui e aqui). Seu livro mais recente é a coletânea de contos A Página Assombrada por Fantasmas, também pela Rocco em 2011.  (leia entrevista aqui). É um dos editores da Não Editora, para a qual organiza a revista online de crítica e literatura Cadernos de Não Ficção.  E trabalha atualmente como redator do site do Instituto Moreira Salles, onde pode ser lido no blog da instituição. Foi um dos 20 autores selecionados para a edição dos 20 melhores jovens escritores brasileiros da revista Granta (leia o post abaixo).

O que você está lendo, Antônio Xerxenesky?

Estou longe de ser um grande leitor de poesia ou de entender do assunto a ponto de poder falar sobre o gênero com um mínimo de propriedade. Não obstante, me apaixonei pelo livro Poemas, da polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do Prêmio Nobel. Seus poemas são simples, no sentido de que parecem imediatamente acessíveis, ao invés de serem cifrados ou herméticos. O que não quer dizer, é óbvio, que sejam banais. Há uma sofisticação nos versos de Szymborska que produz resultados impressionantes até quando o tema é batido – é o caso do amor em Amor à Primeira Vista. A ironia também surge com elegância em outros poemas – basta observar Primeira foto de Hitler, onde ela descreve o lindo bebê Adolfinho. Já compararam a poesia de Szymborska com a de Drummond – acho que a comparação procede, pelos motivos expostos. Além do mais, faz bastante sentido, pois também sou entusiasta de Drummond. Por fim, gostei muito dos poemas da polonesa porque ela não se vale do verso mínimo, brevíssimo, uma tendência contemporânea que sempre me incomodou.

O Que Você Está Lendo, João Anzanello Carrascoza?

04 de julho de 2012 0

João Anzanello Carrascoza. Foto: Renata Massetti, Divulgação

Um dos participantes da recém-lançada coletânea Bem-vindo – Histórias com as Cidades de Nomes mais Bonitos e Misteriosos do Brasil (Bertrand Brasil, 126 páginas, R$ 25), organizada por Fabrício Carpinejar, o paulista João Anzanello Carrascoza é autor de contos (Amores Mínimos, Dias Raros, Espinhos e Alfinetes, Aquela Água Toda) e novelas infantojuvenis (A Terra do Lá), doutor em Comunicação e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo. Dono de uma prosa de encantadora sensibilidade, Carrascoza participa da Flip, que se abre hoje, em uma mesa no sábado, às 15h. Ele topou compartilhar com os leitores do Mundo Livro algumas das impressões sobre a leitura a que se dedica no momento:

O que você está lendo, João Anzanello Carrascoza?

Estou lendo O Retorno, romance da escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso, com quem estarei numa mesa da Flip, ao lado de Zuenir Ventura, discutindo o tema Em Família. A trama é narrada por Rui, um adolescente, que se vê obrigado, junto com seus familiares, a abandonar a casa em Angola, que então se tornará independente politicamente, e retornar para Portugal. A escrita é forte e lírica, ganhando, por vezes, o ritmo de uma música interior. Lendo essa prosa tão esmerada, que carreia um enredo comovente, parece até fácil escrever uma história que vaze vida. Ainda não terminei o livro, mas já o recomendo. Bastam umas páginas para você se sentir içado pelo vigor narrativo da autora.

O que você está lendo, Cíntia Moscovich

27 de junho de 2012 0

Cíntia Moscovich. Foto: Arivaldo Chaves, ZH

O blog inaugura hoje nova seção semanal, perguntando a escritores, jornalistas, editores, professores e intelectuais o que eles andam lendo e o que recomendam. Para começar a série O Que Você Está Lendo?, resolvi procurar a minha amiga e ex-colega de Zero Hora Cíntia Moscovich. Porto-alegrense, autora de Anotações Durante o Incêndio (leia um texto e um conto do livro aqui), A Arquitetura do Arco-Iris, Por Que Sou Gorda, Mamãe?, entre outros.

Ela poderá ser lida em breve na coletânea Bem-Vindo, organizada por Fabrício Carpinejar, na qual autores escrevem contos inspirados nos nomes sonoros e evocativos de cidades brasileiras. Luiz Ruffato, Marçal Aquino e Altair Martins também estão no volume (leia mais aqui). Cíntia também foi anunciada esta semana como integrante da delegação de 20 escritores brasileiros convidados pela organização da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, no México,  para um painel com o tema Ler um país é conhecê-lo. Ela estará na Feira entre os dias 24 a 29 de novembro, ao lado de nomes como Milton Hatoum e Michel Laub.

O que você está lendo, Cíntia Moscovich?

Acabo de ler Enquanto Água, do Altair Martins, segundo livro dele editado pela Record. Com capa linda de Leonardo Iaccarino e imagens de Rodrigo Pecci, o livro reune 18 contos (que contos!), todos eles, conforme anuncia o título, com histórias que envolvem água. De fato, são contos fluídos, líquidos, bons de serem lidos.  Quem, como eu, vem há muitos anos acompanhando a trajetória do Altair, sabe que a linguagem é um dos pontos fortes do moço (mas não só). Nesse Enquanto Água, há uma espécie de, digamos, simplificação (embora jamais seja esse o termo), mas nunca usando o recurso a  facilitações ou concessões. Aqui, a  linguagem se submete bem mais ao enredo/história, embora o autor mantenha aqueles achados metafóricos e imagéticos que o caracterizam e que fazem o leitor tirar o chapéu. Recomendo a leitura, ainda mais nesses dias de frio e estiagem.