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Posts na categoria "Prêmio Portugal Telecom"

Os 10 do Portugal Telecom

31 de agosto de 2010 1

A organização do Prêmio Portugal Telecom divulgou agora há pouco, no Consulado Geral de Portugal em São Paulo, os 10 finalistas do certame, escolhidos pelo júri intermediário para concorrer na última etapa aos R$ 100 milhões da premiação. O grande vencedor será conhecido no dia 8 de novembro. Os finalistas são (já com link para textos anteriores aqui no blog sobre o livro, quando é o caso):

* A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito Mello (Companhia),
* Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki (Companhia)
* Caim, de José Saramago (Companhia)
* Lar, de Armando Freitas Filho (Companhia)
* Leite Derramado, de Chico Buarque (Companhia)
* Monodrama, de Carlito Azevedo (7Letras)
* O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho (Companhia)
* Olhos Secos, de Bernardo Ajzenberg (Rocco)
* Outra Vida, de Rodrigo Lacerda (Alfaguara/Objetiva)
* Pornopopeia, de Reinaldo Moraes (Objetiva)

De cara, nota-se na lista:

– A coincidência parcial entre os finalistas do Portugal Telecom e do Prêmio São Paulo de Literatura: os livros de Chico Buarque, Bernardo Carvalho, Rodrigo Lacerda, Reinaldo Moraes e Ondjaki também figuravam na lista de veteranos do Prêmio SP de 2010, e Carlos de Brito Mello foi indicado entre os estreantes. São seis finalistas coincidentes em 10 – e lembrando que no São Paulo só concorrem romances, enquanto no Portugal Telecom temos na lista de finalistas os livros de poesia de Armando Freitas Filho e de Carlito Azevedo. Mas isso também não quer dizer nada. O livro que venceu o Prêmio SP na relação dos veteranos, A Minha Alma é Irmã de Deus, de Raimundo Carrero, não figura entre os finalistas do Portugal Telecom.

– A predominância da Companhia das Letras (são seis livros em 10)

– O fato de que só há homens na lista – algo que já havia se repetido na lista de autores já estabelecidos do Prêmio SP.

– A completa ausência do conto na relação dos 10 melhores – embora houvesse exemplares do gênero na lista anterior, a dos 50 semifinalistas.

Levou mais um

30 de outubro de 2008 0

Dando seqüência à sua vocação inegável para papa-prêmio, o romance O Filho Eterno (Record, 224 páginas, R$ 34), de Cristóvão Tezza, foi anunciado agora há pouco como o grande vencedor do prêmio Portugal Telecom, uma das maiores premiações literárias do país. Pelo primeiro lugar, Tezza vai ganhar R$ 100 mil.

Em segundo lugar, empatados, ficaram Beatriz Bracher, com Antônio, e António Lobo Antunes, com Eu Hei-de Amar uma Pedra. Em terceiro, Bernardo Carvalho, com O Sol se Põe em São Paulo.

Tezza já havia ganho o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, no fim do ano passado, e neste ano papou o Jabuti de romance (e ainda concorre para levar melhor livro de ficção, prêmio que será anunciado em breve) e agora leva uma das premiações que mais pagam no Brasil a um único vencedor.

Para quem ficou com curiosidade de saber um pouco mais sobre esse livro que além de tudo é uma narrativa comovente, honesta e muito perturbadora, divido com vocês o texto que escrevi para o Caderno da Feira do ano passado, na qual o escritor catarinense radicado no Paraná esteve presente lançando o livro, na época ainda recém-publicado.

PAI APRENDIZ

CARLOS ANDRÉ MOREIRA
Ao longo de 14 romances e quase 20 anos de carreira, o escritor catarinense  radicado no Paraná Cristóvão Tezza construiu reputação literária com obras compostas em tom assumidamente confessional – mas não biográfico.
Isso até o seu romance mais recente, que o escritor autografa hoje na Feira do Livro. O Filho Eterno já é o maior sucesso literário de Tezza, com uma narrativa
que, mais do que confessional, surge de uma experiência assumidamente autobiográfica: o árduo aprendizado afetivo de um pai que precisa aceitar seu filho deficiente.

- Foi a maior repercussão que já tive com um livro, e não apenas da crítica, mas dos próprios leitores. Todo dia chega e-mail de alguém – conta o autor, por telefone, de Curitiba.

O escritor de 55 anos desembarca em Porto Alegre para cumprir uma agenda na Feira que inclui um encontro sobre o ensino de Língua Portuguesa (Tezza também é docente da matéria) e os autógrafos de O Filho Eterno. O romance parte da experiência de Tezza como pai de um portador de Síndrome de Down.

— Levei tempo para me decidir a escrever. Foi difícil pegar o tom da linguagem, acertar o começo do livro. Depois que comecei e resolvi esse problema em particular, ele foi às cegas, começou a se reescrever meio sozinho, embora eu ainda tenha levado o um ano e meio regulamentar que demoro para escrever um livro.

O Filho Eterno conta a história pelo ponto de vista de um jovem pai que, aos 28 anos, na década de 1980, vê seu primeiro filho nascer com Down. E o Down desse texto é apenas a adaptação polida da linguagem bem menos cuidadosa que se usava na época: mongolóide. É uma adaptação que o próprio romance não faz. Corajosamente, Tezza assume a brutalidade dos sentimentos que a chegada do filho deficiente provoca no pai narrador, evitando criar uma história edificante de telefilme americano. Revolta e rejeição são as primeiras coisas que o pai consegue sentir, além de uma absurda esperança de que o progresso tecnológico da medicina de alguma forma torne seu filho “normal”. A honestidade e a delicadeza com que Tezza vai acrescentando camada a camada as novas percepções do narrador quanto ao filho (esperança, responsabilidade, afeto, resignação, amor) não mascaram os momentos de fraqueza do pai nesse difícil aprendizado afetivo.

— Um bom narrador tem de ter boa dose de crueldade. Se você se propõe a fazer literatura, tem de ir o mais fundo que alcançar. Mas não considero meu livro cruel, ele é a construção de uma afetividade que passa por emoções contraditórias. Uma coisa completamente humana — pondera.

Acertar o tom dessa narrativa foi algo que ele conseguiu fazer ao mirar-se no modelo estilístico de um dos romances do Nobel sul-africano J.M. Coetzee, Juventude, relato de formação também com tintas autobiográficas e um narrador inconveniente de tão sincero consigo e com os outros.

— Li o romance e fiquei com ele na cabeça uns dois ou três anos — diz.

O Filho Eterno marca também uma nova fase na carreira de Tezza, que teve relançados pela Record três de seus primeiros livros: Aventuras Provisórias, O Fantasma da Infância e sua obra de estréia, Trapo. O Filho Eterno também teve acertada este mês sua publicação na Itália, em julho de 2008, e na França, em agosto de 2008.

— O Filho Eterno está me abrindo muitas portas e por mais tempo. Desde o Trapo, vivo a experiência, que é a de muitos autores, de lançar um romance, ter boa repercussão, aí passa um ano e o livro desaparece.