Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Posts na categoria "Thrillers"

Dois sentidos de execução

28 de novembro de 2013 0

quintateste

Um dos principais autores policiais em atividade, Michael Connelly produz muito e rapidamente. E não raro ancora suas tramas na realidade imediata, transformando-as em comentários da contemporaneidade. É o que faz em seu mais recente lançamento no Brasil, A Quinta Testemunha, no qual usa as consequências da crise financeira internacional como pano de fundo para um romance de crime.

Em A Quinta Testemunha, o protagonista é o advogado Michael Haller – que já havia aparecido em outros romances, como O Poder e a Lei, transformado, em 2011, num filme estrelado por Matthew McConaughey. Especialista criminal, Haller é forçado pela crise a mudar de ramo, atuando como defensor de alguns dos milhares de americanos que estão tendo suas hipotecas executadas pelos bancos. Com o desenrolar do romance, no entanto, ele se vê outra vez diante de um júri criminal depois que uma de suas principais clientes, uma ruidosa ativista, é acusada de executar – no sentido físico – o gerente de execuções – no sentido jurídico – do banco que tentava tirar- lhe a casa.

Uma das características que dotam de valor a obra de alguns grandes romancistas policiais contemporâneos é o equilíbrio delicado entre a manutenção de uma forma que é mais ou menos a mesma desde o século 19 (afinal, um romance de crime faz parte de um gênero bastante demarcado) e a subversão dessa mesma forma. É o truque dos grandes autores de suspense da contemporaneidade, como Fred Vargas, Dennis Lehane, Ian Rankin: desenvolver um estilo pessoal reconhecível no meio do que é, essencialmente, uma receita formulaica.

Connelly também faz parte desse time. Seus livros, embora tragam histórias fechadas e independentes, têm o hábito balzaquiano de fazer com que personagens de uma narrativa apareçam como coadjuvantes em outras, montando um grande painel da sociedade americana. Mas, em A Quinta Testemunha, ele é menos bem-sucedido. Diferentemente dos livros de Connelly protagonizados pelo detetive Harry Bosch, as histórias em que Michael Haller é o centro têm de lidar, ainda, com outra fórmula (bem típica do mercado editorial americano): o romance de tribunal.

Em A Quinta Testemunha, é aí que Connelly desaponta.  Embora trate de um tema candente do momento, como a crise econômica, o foco do romance no julgamento (também um teatro com regras demarcadas) não se afasta muito do modelo de autores como John Grisham ou Scott Turrow. Dado o que Connelly já fez antes, não é o bastante.

Barulhinho Bond

28 de junho de 2012 0

E já que falávamos em espionagem no post anterior, vai aqui mais um post, motivado desta vez por eu ter visto, no cinema, esta semana, o trailer de Operação Skyfall, a próxima aventura de 007 nos cinemas, com estreia marcada para o dia 2 de novembro (não deixa de ser significativo que um filme com um Bond que mata geral venha a público no Dia de Finados). Na aventura, James Bond terá outra vez o rosto de Daniel Craig. Mas acredite, o sujeito aí em cima é, provavelmente, o mais próximo que você poderia chegar do rosto de de Bond se ele realmente existisse.

Explico: aproveitando a estréia do filme Cassino Royale, em 2006, a editora Record lançou uma nova tradução do livro de mesmo nome que deu origem ao filme e à série literária de Ian Fleming. Algumas coisas precisaram ser adaptadas do livro para o filme (o cenário da Guerra Fria não existe mais, e portanto Le Chiffre deixa de ser um espião soviético e vira um banqueiro internacional de terroristas, revolucionários e traficantes) e pequenas situações descritas foram sutilmente adaptadas. O primeiro encontro entre Bond e seu futuro interesse romântico, Vesper Lynd (vivida no filme pela irreal Eva Green), por exemplo, não se dá no avião que leva Bond ao cenário do desafio, e sim em um restaurante, apadrinhado pelo agente britânico atuante em Montecarlo, Mathis (que também participa do filme, tendo importância decisiva na trama). Após uma primeira conversa bem menos tensa do que a que Vesper e 007 têm no filme, Bond se levanta e sai do restaurante, deixando para trás Mathis e Vesper. É nesse momento que o agente se vira para a garota e pergunta o que ela achou dele. Ela responde com o que mais se parece com uma descrição física de Bond até ali:

Ela não olhou diretamente para ele ao responder:
– Ele é muito bonito, parece um pouco com Hoagy Carmichael, mas tem alguma coisa fria e cruel.

Hoagy Carmichael
é o cidadão da foto acima, um pianista de jazz nascido em 1899 em Indiana, nos Estados Unidos, contemporâneo do mais conhecido (por quem, como eu, não é fã de jazz) Duke Ellington. Compositor de músicas que hoje são consideradas standards do repertório jazzístico, fez participações em cinema e alcançou o que se considera o ápice criativo depois de se mudar para Hollywood, na década de 1940. Ele morreu em 1981, na Califórnia, após um infarto e uma longa carreira que incluiu mais composições clássicas, canções para cinema e TV e até um papel dramático na série Laramie. E, como se vê na foto, o Bond cinematográfico que mais chega perto de se parecer com ele – e ainda assim não chega nada perto – é Sean Connery quando jovem.

Assista abaixo ao trailer de Operação Skyfall: