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	<title>Mundo Livro</title>
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	<description>Literatura, livros e leituras, o livro lá fora, o fórum dos livros</description>
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		<title>Detetives no fim da estrada</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 20:51:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Policial]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Dennis Lehane]]></category>
		<category><![CDATA[Estrada Escura]]></category>
		<category><![CDATA[Gone Baby Gone]]></category>
		<category><![CDATA[Kenzie e Gennaro]]></category>
		<category><![CDATA[literatura policial]]></category>
		<category><![CDATA[Romances]]></category>
		<category><![CDATA[Thriller]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma resenha de Estrada Escura, o mais recente thriller da dupla de detetives Kenzie e Gennaro, criada por Dennis Lehane]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/lehane.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2308" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/lehane.jpg" alt="" width="309" height="500" /></a></p>
<p>Quando gosto de algum artista (seja escritor, músico, ator, cineasta) é difícil não gostar de alguma obra dele. É o caso de <span style="color: #ff0000"><em><strong>Estrada Escura</strong></em></span>, de <span style="color: #ff0000"><strong>Dennis Lehane</strong></span>. De longe, não está entre os melhores livros do autor (como<span style="color: #000000"><em><strong> Naquele Dia </strong></em></span>e <span style="color: #000000"><em><strong>Paciente 67</strong></em></span>), muito menos daqueles que fazem parte da série protagonizada pela dupla de detetives <strong>Patrick Kenzie</strong> e <strong>Angela Gennaro </strong>(como <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2007/07/12/um-livro-antes-dos-30/" target="_blank"><span style="color: #000000"><em><strong>Um Drink Antes da Guerra</strong></em></span></a> e <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2007/07/12/vai-benzinho-vai/" target="_blank"><em><strong>Gone, Baby, Gone</strong></em></a>). Mesmo assim, o novo livro de Lehane está acima da média da literatura policial atual.</p>
<p><em><strong>Estrada Escura</strong></em> se passa 12 anos depois do penúltimo livro da dupla <strong>Kenzie/Gennaro</strong>, <em><strong><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2007/07/12/vai-benzinho-vai/" target="_blank">Gone, Baby, Gone</a>.</strong></em> E traz de volta personagens da obra. Em <em><strong>Gone</strong></em>..., Patrick e Angie investigam o desaparecimento de Amanda, uma menina de quatro anos que vivia com uma mãe negligente, alcóolatra e drogada. Agora, a menina, que foi devolvida à mãe, volta a desaparecer e as feridas que surgiram naquele caso voltam a abrir. A trama gira em torno de dois dilemas.</p>
<p>O primeiro deles é: fazer a coisa errada e mesmo assim ter razão ou fazer a coisa certa e mesmo assim estar errado? Isso porque quando recuperaram Amanda, mais de uma década antes, eles a tiraram de uma família que poderia lhe fazer feliz e a entregaram de volta à mãe alcóolatra. A menina havia sido sequestrada pelo próprio tio e entregue a um casal. O certo errado era resolver um crime (o sequestro) e devolver a menina a sua mãe. O errado certo era deixar a menina ser criada por quem realmente poderia lhe dar amor e um futuro.</p>
<p>Na nova busca por Amanda, os detetives de Boston dão de cara com a máfia russa e com um emaranhado de crimes que inclui tráfico de bebês, produção de drogas, pedofilia, falsificação de identidade e o roubo de uma relíquia. Só que, diferente dos livros anteriores – além dos já citados, <em><strong>Apelo às Trevas</strong></em>, <em><strong>Sagrado </strong></em>e <em><strong>Dança da Chuva</strong></em> – eles já são quarentões, estão casados e são pais de uma menina de quatro anos.</p>
<p>Eis aí o outro dilema. A vida de ação e violência que os dois estavam acostumados – e até gostavam – passa para o segundo plano já que, agora, têm uma criança para prover e zelar. E como enfrentar bandidos violentos, sem escrúpulos, que não teriam dúvida de colocar em risco a vida de um ser indefeso sem ficar com remorso ou medo?</p>
<p>Lehane não perdeu o estilo veloz – que entremeia os dramas dos personagens e as cenas de ação – e, às vezes, irônico. Nem a habilidade de criar uma atmosfera sombria e ameaçadora, mas ele se perde um pouco no final, ao solucionar a busca por Amanda. Mas os dilemas dos personagens são descritos de forma bastante real,  o que aproxima muito a história do leitor. Ah, vale lembrar que <em><strong>Gone, Baby, Gone</strong></em> foi adaptado para o cinema, com <strong>Ben Afleck</strong> (isso mesmo) na direção. E só para variar, <a href="http://www.imdb.com/title/tt0452623/" target="_blank">o filme</a> não ficou tão bom quanto o <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2007/07/12/vai-benzinho-vai/" target="_blank">livro</a>.</p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Texto de Roberto Jardim</strong></span></p>
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		<title>Vivos – Maratona Guerra e Paz</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 02:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tássia Kastner</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura Russa]]></category>
		<category><![CDATA[Maratona Tijolão Literário]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[maratona]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Tolstói]]></category>

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		<description><![CDATA[Tássia Kastner e suas impressões sobre a primeira parte de Guerra e Paz]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/logo_guerraepaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2281 alignleft" style="margin: 10px" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/logo_guerraepaz-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a>Sim, já é quase sábado.</p>
<p>Sim, já é quase sábado pela terceira semana de dívida com o Mundo Livro – e com a minha promessa, não por falta de cobranças de Carlos André.</p>
<p><strong>Novo acordo</strong>: conseguimos chegar a conclusão que posts semanais não são uma boa ideia.</p>
<p>Por enquanto, falamos em quinzenais, mas ainda tô pensando em dividir de acordo com as partes do livro. Isso porque, quando atrasei lá o primeiro coloquei na minha cabeça que escreveria quando terminasse a primeira parte, porque aí teria mais ou menos um panorama da história que o <strong>Tolstói </strong>tava armando.</p>
<p><strong>Deu certo</strong>: Terminei a primeira parte (234 páginas, é pouco, sei). Deu errado: ainda <del datetime="2012-02-04T01:49:51+00:00">devo</del> devia a resenha de impressões.</p>
<p>Acontece que a primeira parte é uma sucessão de festas, eventos, encontros (e uma romaria até a casa de um moribundo rico), tudo para apresentar quem serão as personagens da história. Adoro o método, porque gosto das construções de personalidade  nos ambientes sociais, nos diálogos.</p>
<p>O problema é que é tanta gente, e quase todos príncipes e princesas (porque o título na Rússia não tem o mesmo significado que conhecemos), que dá um tilt quando a história começa a ligar os pontos, mostrar os pedidos de favores, dizer quem é contra e a favor  de Bonaparte e da entrada da Rússia na guerra.</p>
<p><strong>Destaque para</strong>:</p>
<p><strong>Pierre. </strong>Um fanfarrão, parasita social e defensor do Bonaparte. Não quer nem saber de entrar na guerra – nem de trabalhar. É filho bastardo do tal moribundo, mas até o final da primeira parte ainda não tinha herdado nada.</p>
<p>Príncipe Andrei: o final da primeira parte é quando ele está deixando a mulher no interior para ir para a guerra. Está menos interessado na batalha e em enfrentar o exército napoleônico do que em se livrar da mulher, preocupada demais com os costumes e com a vida alheia.</p>
<p>Anna Mikháilovna: viúva desesperada, convenceu o príncipe Vassíli a arrumar um bom posto para o filho Boris, com apoio do padrinho, o Conde Bezúkhov (o moribundo). Ela também está em busca de uma fatia da herança do conde, que parece que todos sabem, deve mesmo ir para Pierre.</p>
<p><strong>Dito isso</strong>:</p>
<p>Peguem na minha mão para que eu consiga começar a segunda parte (antes que meu cérebro derreta com esse calor). E não me abandonem. Alguém aí tá lendo o <em><strong>Guerra e Paz</strong></em> também? A quantas anda?</p>
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		<title>Gralha: pega, mata e come</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:34:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Científica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Alemã]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[27]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Erros Tipográficos]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[Jonathan Franzen]]></category>
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		<category><![CDATA[Maurice Dantec]]></category>
		<category><![CDATA[mercado editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Raízes do Mal]]></category>
		<category><![CDATA[Rock]]></category>

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		<description><![CDATA[Um ensaio sobre erros tipográficos, literatura pop, e um romance alemão recente]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No jargão editorial, "<strong>gralha</strong>" é o nome que se dá para os erros de edição, impressão e digitação que escaparam da revisão final e ganharam seu espaço na eternidade literária da página juntamente com a obra. Não sou editor, então talvez um dia pergunte a pessoas como o <strong>Samir Machado</strong>, o <strong>Rodrigo Rosp</strong> ou o <strong>Tito Montenegro</strong> qual a origem do nome – minha única hipótese, fruto de pura imaginação, é que uma gralha tipográfica se assemelha a uma mancha preta no lugar errado, como o pássaro pendurado num fio de luz, mas tenho a impressão que isso soa vagamente absurdo. E gralha é coisa séria, acreditem em mim. Dependendo de seu número e de sua natureza, podem ser um problema dos mais graves: a diferença crucial entre uma boa e uma péssima experiência de leitura.</p>
<p>Porque leitura também é resultado de um processo de sedução: o autor investe seus recursos estilísticos em trazer o leitor para dentro do mundo que está construindo, e isso é mais claro na ficção, mas não se restringe a ela. Quanto mais árido um texto de não ficção, maior é a nossa sensação de lê-lo "de fora", de algum lugar puramente intelectual de onde o autor tenta nos acenar. A fluidez de um texto cumpre um papel no seu entendimento, por mais que a academia cheia de jargões relute em aceitar isso. E essa sedução do texto tem, na minha cabeça, uma função análoga à experiência acústica. As boas salas de concerto são construídas de modo a que o som se espalhe e crie um universo cálido no qual o ouvinte não apenas ouve, ele se vê imerso nas vibrações que ele não pode ouvir mas que ainda assim estão lá e ajudam a dar essa sensação de mergulho no ambiente sonoro _ esta também é a razão porque o som de um CD sempre foi um lixo se comparado so vinil: o CD limou do registro as frequências mais baixas e mais altas que o ouvido humano não alcançava. A ideia era deixar o som mais "limpo", mas o efeito foi o contrário.</p>
<p>Pois penso, sem nenhuma prova que o demonstre, que a estrutura de um livro, a cadência da prosa, a escolha do mote justo é o equivalente formal na literatura a essa construção de ambiente, a esse lugar imaginário que se situa na intercessão entre o leitor e o livro aonde se chega pelo prazer da leitura como se por uma estrada. E a gralha tipográfica é o equivalente ao buraco na pista: é o que dificulta o trânsito e torna o viajante insuportavelmente consciente dos esforços da jornada. É como a nota em falso que quebra a ilusão tão custosamente construída.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/raizes.jpg"><img class="size-full wp-image-2302 alignleft" style="margin: 10px" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/raizes.jpg" alt="" width="268" height="400" /></a>O ótimo romance <em><strong>Raízes do Mal</strong></em>, de <strong>Maurice Dantec</strong>, por exemplo, uma mistura delirante de ficção científica e noir de primeira qualidade, foi editado pela<strong> Sulina </strong>aqui no Brasil no início de 2010, se não me engano, com tradução de <strong>Juremir Machado da Silva</strong>. Comprei meu exemplar uns três meses depois na Palavraria, após de um evento do qual participei – e após haver lido um texto do próprio Juremir sobre o livro. Peguei uma carona para casa e esqueci o livro no carro. Passaram-se outros dois meses até eu e o motorista que me deu a carona conseguirmos outra vez marcar um café para a devolução. Mas finalmente comecei a leitura, e foi uma experiência dolorosa.</p>
<p>A prosa de Dantec era, de fato, vertiginosa, e ele conseguia discutir em profundidade a violência e o isolamento no mundo contemporâneo usando a ficção científica como pretexto, como os melhores autores do gênero fazem. E tinha lances de imaginação tão fervilhantes que eu me perguntava, sempre admirado, "de onde esse cara tirou isso?". Mas havia tantos erros no texto, tantas gralhas penduradas na leitura que eu submergia no universo inventivo do livro para ser puxado pelos cabelos na página seguinte. Meses depois conversei com o editor <strong>Luiz Gomes</strong>, durante a Feira do Livro, e ele me disse que, por vários problemas internos de comunicação, o livro havia sido impresso sem passar pelo revisor - que deveria ter feito o trabalho e não fez, algo assim. E que uma edição nova seria em breve colocada no mercado sem esses problemas. Não sei se isso de fato foi feito, mas espero que sim, a leitura desse livro em particular provavelmente seria muito mais alucinante sem tantos erros para te puxar "para fora" do romance.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/liberdade.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-2303" style="margin: 10px" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/liberdade.jpg" alt="" width="268" height="400" /></a>Outro caso é <em><strong>Liberdade</strong></em>, de <strong>Jonathan Franzen</strong>. Um romance de mais de 600 páginas escrito com a intenção declarada de oferecer um panorama total da realidade americana contemporânea, à maneira dos grandes mestres do realismo europeu do século 19. Uma tarefa que, pela sua própria natureza, exige a sedução da prosa, a manha de tragar o leitor para dentro das páginas para só deixá-lo emergir horas depois, como quem sai de uma piscina em que prendera a respiração: ofegante e ainda todo molhado. Em alguns momentos da leitura, Franzen de fato consegue isso, mas o volume tem vários erros tipográficos que puxam o leitor de volta, alguns deles tão inacreditáveis que me pergunto se não houve algo semelhante ao que ocorreu com a edição de <em><strong>Raízes do Mal</strong></em>. Li o livro primeiramente em inglês, e portanto tais erros pareciam ainda mais flagrantes na edição em português, mas na época dei um desconto porque estava lendo uma prova de impressão encadernada enviada pela editora, a Companhia das Letras, e não o exemplar final. Conversando com outros leitores do livro já pronto, como os meus editores<strong> Ticiano Osório</strong> e<strong> Cláudia Laitano,</strong> percebi que os problemas ainda estavam lá.</p>
<p>Erros tipográficos são coisa tão séria que provocam crimes, ao menos em um dos romances protagonizados pelo detetive<strong> Cliff Janeway</strong>, o ex-policial bibliófilo e negociante de livros raros criado pelo escritor americano de romances policiais <strong>John Dunning</strong>. Em <em><strong>Impressões e Provas</strong></em>, outra edição da Companhia das Letras, Janeway investiga por que uma edição rara de <em><strong>O Corvo</strong></em>, de Edgar Allan Poe, impressa para uma confraria de bibliófilos, parece ser a causa de uma trilha de cadáveres. Mais não digo para não murchar a surpresa de ninguém. Só não posso deixar de registrar que o crime no livro tem a ver com uma <strong>gralha</strong> em uma edição de <em><strong>O Corvo</strong></em>.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/capa_27_romance.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2301" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/capa_27_romance.jpg" alt="" width="435" height="640" /></a></p>
<p>Mas na verdade este post não foi escrito por causa de nenhum dos livros citados anteriormente, e sim porque comecei a ler ontem um livro chamado <span style="color: #ff0000"><em><strong>27</strong></em></span>, um romance de um alemão chamado <span style="color: #ff0000"><strong>Kim Frank</strong></span> (Tordesilhas, 216 páginas, R$ 34,90) e que foi publicado aqui no Brasil no ano passado _ por uma mórbida coincidência, bem na época em que a morte de <strong>Amy Winehouse</strong> aos 27 anos revivia o tema central tratado no romance. 27 pertence àquela vertente que se convencionou chamar de "literatura pop" depois do sucesso que o <strong>Nick Hornby</strong> fez com <em><strong>Alta Fidelidade</strong></em> no fim dos anos 1990. Quem usa essa qualificação quase sempre confunde, na minha opinião, "literatura pop" com "music namedropping", ou seja, a tentativa de tornar seu texto mais "esperto" tomando a música pop como tema e despejando o maior número de nomes de bandas e artistas que você conseguir. Um jovem alemão de nome Mika, um rapaz que não conhece o pai e mora com a mãe ausente — uma médica que passa o tempo todo em congressos —, torna-se um astro de rock após uma sucessão de episódios nos quais o acaso, mais do que sua própria vontade, parecem ser determinantes. Mika é obcecado pelo número 27, e ao encontrar no quarto do tio — um jornalista que passou os últimos dias, doente de AIDS, morando com o protagonista e sua mãe _ uma série de dossiês sobre astros de rock que morreram aos 27 anos — <strong>Jimi Hendrix, Janis Joplin, Kurt Cobain, Jim Morrison.</strong></p>
<p>Mika me parece um personagem inconsistente entre outras coisas por isso. Ele tem 17 para 18 anos e ainda não havia percebido nem ouvido falar dessa coincidência. Conhece música, o rock ao menos, com uma propriedade técnica maior que a minha (o autor do livro é ele próprio um roqueiro), mas nunca ouvira falar de <strong>Robert Johnson</strong> até encontrar os recortes (não passa <em><strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt0090888/" target="_blank">A Encruzilhada</a> </strong></em>na TV alemã, será?). Esses são problemas da construção do personagem, e poderiam ser menores, mas se tornam mais graves ao somar-se a uma inacreditável sucessão de erros de revisão – não sei se mantidos do original ou cometidos na versão nacional traduzida por Eduardo Simões. Menciono apenas dois deles:</p>
<p>* Mika se torna um roqueiro depois de arranjar um estágio numa gravadora. Em um diálogo com seu novo chefe, na página 53, Mika diz que o baterista de sua banda dos sonhos seria <strong>John <span style="text-decoration: underline">BONHEM</span></strong>, do <strong>Led Zepellin</strong>. O estranho é que o chefe da gravadora não só não o corrige como diz que gostaria de ir ao show dessa suposta banda perfeita. Tá certo que executivos de gravadora não sacam nada de música, mas seria inferir demais achar que Mika se equivocou e o executivo não percebeu, bla bla. </p>
<p>* Em um momento que se pretende dramático nas páginas 61 e 62, Mika se encontra com seu único amigo, um jovem um pouco mais velho do que ele que trabalha cinzelando lápides no cemitério local. Lennart, o amigo, está podre de bêbado porque passou a  noite assentando seu próprio nome na pedra de um túmulo – a sepultura é a de um rapaz com a mesma idade e com o mesmo nome de Lennart. Mostrando que a cidade em que vivem é pequena pra dedéu, Mika não só conhecia o outro Lennart, o falecido, como esteve no enterro do jovem. E aí ele sai-se com esta ao recordar o sepultamento:<br />
"<em>E eu me lembro de algo insólito. Os amigos cantam, num coro abafado, <strong>'Nevermind'</strong>, do Nirvana. Supostamente a <span style="text-decoration: underline"><strong>CANÇÃO</strong></span> favorita de Lennart.</em>"</p>
<p>Provavelmente todos vocês perceberam que o baterista do Led era <strong>John <span style="text-decoration: underline">Bonham</span></strong>, e que <em><strong>Nevermind</strong></em> é o nome de um <span style="text-decoration: underline">disco</span> do Nirvana, não de uma canção - a palavra <em>nevermind</em> está na letra de uma das canções do álbum, mas o nome dela é <em><strong>Smells Like Teen Spirit</strong></em>. Em outro romance, com outra proposta, talvez fosse possível relevar deslizes como esse. Mas nesse livro em particular, o de um ROQUEIRO obcecado com uma lenda macabra de que ASTROS DE ROCK morrem aos 27 anos, são duas gralhas que, a exemplo do carcará da Bethânia, "pega, mata e come" qualquer fruição que se pudesse estar experimentando com toda a dificuldade do mundo, uma vez que o livro não é nenhum primor de escrita ou construção.</p>
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		<title>O adeus de Wislawa Szymborska</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 21:23:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Nobel de Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura polonesa]]></category>
		<category><![CDATA[Nobel de Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Wislawa Szymborska]]></category>

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		<description><![CDATA[Um poema da Nobel polonesa, incluído na primeira edição brasileira de seus poemas. Ela morreu hoje, em sua casa, em Cracóvia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2299" class="wp-caption aligncenter" style="width: 461px"><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/wislawa.jpg"><img class="size-full wp-image-2299" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/02/wislawa.jpg" alt="" width="451" height="640" /></a><p class="wp-caption-text">A Nobel polonesa Wislawa Szymborska</p></div>
<p>Foi divulgado agora há pouco que a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996, a polonesa <span style="color: #ff0000"><strong>Wislawa Szymborska </strong></span>faleceu, aos 88 anos, em sua casa, na Cracóvia que tanto marcou seu trabalho. A informação foi tornada pública pelo agente da escritora, <strong>Michal Rusinek</strong>.</p>
<p>Szymborska, figura praticamente desconhecida no Brasil, protagonizou um dos melhores lançamentos literários do ano passado, a edição de <span style="color: #ff0000"><em><strong>[poemas]</strong></em></span> (Companhia das Letras, 170 páginas), uma coletânea de seus trabalhos pela primeira vez editados em livro no Brasil – à parte poemas avulsos que pipocaram aqui e ali em alguma revista ou antologia coletiva. Traduzidos por Regina Przybycien (como é que se pronuncia o nome dessa gente, senhor?), são versos que dão prova da grande contenção e domínio que a artista tinha sobre sua arte, musical e evocativa, com uma linguagem que buscava a simplicidade da forma e a complexidade dos conceitos - uma poesia à qual não eram estranhos o humor e a militância política.</p>
<p>Nascida em 1923, em Bnin, na Polônia, Szymborska testemunhou na juventude a ocupação nazista e mais tarde o autoritarismo soviético. De acordo com Rusinek, ela "morreu tranquilamente, enquanto dormia".</p>
<p>Em homenagem à poeta, vai abaixo um dos poemas reunidos no livro:</p>
<p><span style="color: #0000ff"><strong>A ALEGRIA DA ESCRITA</strong></span></p>
<p><em>Para onde corre essa corça escrita pelo bosque escrito?<br />
 Vai beber da água escrita.<br />
 que lhe copia o focinho como papel-carbono?<br />
 Por que ergue a cabeça, será que ouve algo?<br />
 Apoiada sobre as quatro patas emprestadas da verdade<br />
 sob meus dedos apura o ouvido.<br />
 Silêncio – também essa palavra ressoa pelo papel<br />
 e afasta<br />
 os ramos que a palavra "bosque" originou.</em></p>
<p><em>Na folha branca se aprontam para o salto<br />
 as letras que podem se alojar mal<br />
 as frases acossantes,<br />
 perante as quais não haverá saída.</p>
<p> Numa gota de tinta há um bom estoque<br />
 de caçadores de olho semicerrado<br />
 prontos a correr pena abaixo,<br />
 rodear a corça, preparar o tiro.</em></p>
<p><em>Esquecem-se de que isso não é a vida.<br />
 Outras leis, preto no branco aqui vigoram.<br />
 Um pestanejar vai durar quanto eu quiser,<br />
 e se deixar dividir em pequenas eternidades<br />
 cheias de balas suspensas no voo</p>
<p> Para sempre se eu assim dispuser nada aqui acontece<br />
 Sem meu querer nem uma folha cai<br />
 nem um caniço se curva sob o ponto final de um casco.</p>
<p> Existe então um mundo assim<br />
 sobre o qual exerço um destino independente?<br />
 Um tempo que enlaço com correntes de signos?<br />
 Uma existência perene por meu comando?</p>
<p> A alegria da escrita.<br />
 O poder de preservar<br />
 A vingança da mão mortal.</em></p>
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		<title>A China de ontem e a de amanhã</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 22:25:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Chan Kanchoong]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica de Um Vendedor de Sangue]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Chinesa]]></category>
		<category><![CDATA[Mao Tsé-Tung]]></category>
		<category><![CDATA[Mao Zedong]]></category>
		<category><![CDATA[Os Anos de Fartura]]></category>
		<category><![CDATA[Yu Hua]]></category>

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		<description><![CDATA[Um texto sobre dois romances chineses recentes: "Crônica de um Vendedor de Sangue", de Yu Hua, e "Os Anos de Fartura", de Chan Koonchung]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/vendesangue.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2295" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/vendesangue.jpg" alt="" width="433" height="650" /></a></p>
<p>Dos lugares-comuns a arte garimpa materiais preciosos muitas vezes. Lembrar que a China é uma das sociedades mais autoritárias do planeta e que pode vir a ser a potência econômica do século 21 são dois desses clichês, nos quais dois autores chineses contemporâneos se amparam para criar bons romances agora lançados no Brasil. Em Os Anos de Fartura, sucesso internacional mas não publicado na China, o jornalista <span style="color: #ff0000"><em><strong>Chan Koonchung</strong></em> </span>cria uma distopia cujos elementos mais perturbadores vêm da própria realidade. E, com <span style="color: #ff0000"><em><strong>Crônica de um Vendedor de Sangue</strong></em></span>, o escritor Yu Hua - autor de outros dois romances sobre o passado chinês, <em><strong>Viver</strong></em> e <em><strong>Irmãos</strong></em> - tece uma evocação histórica bela e dolorosa em iguais medidas.</p>
<p>Na comparação entre ambas as obras,<strong>Yu Hua</strong> é um romancista com uma técnica mais apurada e um domínio muito maior da arte narrativa, embora a imaginação de <strong>Chan Koonchung </strong>seja surpreendente. Koonchung imagina a China de um futuro bem próximo, o do ano de 2013. No mundo reinventado em<em><strong> Os Anos de Fartura</strong></em>, a economia ocidental não se recupera da crise dos valores mobiliários ocorrida nos Estados Unidos em 2008 e vai à falência em uma segunda crise três anos depois. Imediatamente, em melhores condições econômicas, a China promove uma abertura de capital controlada pelo Partido Comunista, libera a propriedade privada e logo megacorporações chinesas dominam o mercado econômico internacional – ao ponto de uma companhia local comprar a rede internacional de cafés Starbucks, entre apenas um dos exemplos.</p>
<p>O paralelo com <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2008/01/14/certas-distopias-1/" target="_blank"><em><strong>1984</strong></em></a> e<em><strong> <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2008/01/14/certas-distopias-2/" target="_blank">Admirável Mundo Novo</a></strong></em>, duas das distopias fundamentais da literatura, não é gratuito. Num mundo em que todos parecem felizes com a prosperidade econômica, após 60 anos de planos revolucionários desastrosos, ninguém parece ligar para o fato de que o governo ainda é uma ditadura de partido único – e poucos parecem lembrar de que um mês inteiro da história chinesa parece ter sido suprimido dos registros, o fevereiro de 2011 que separa a quebradeira internacional e a ascensão econômica do Império do Meio.</p>
<p>Embora seja confuso em termos formais (suas trocas de pessoas narrativas não parecem servir de fato à história; personagens e situações promissores são abandonados; os capítulos finais que revelam alguns dos mistérios por vezes parecem tediosos relatórios de comércio exterior, destoantes da dinâmica da primeira metade), o romance de Koonchung tem, entre suas qualidades, a forma como interliga o que às vezes parece uma trama fantasiosa com o que de fato a China vem realizando para manter seu controle sobre povo, instituições e tecnologias. Na boa edição da L&amp;PM, contudo, este leitor em particular sentiu a estranheza da opção do sistema escolhido para a transliteração do mandarim. Tá certo que <strong>Mao Zedong</strong> e <strong>Teng Xiao Ping</strong>, com seus nomes transliterados ao estilo <em>Pinyin</em>, já são formas correntes em vários livros que li nos últimos anos, deixando para trás a antiga transliteração Wade-Giles. Mas que a capital do país vire <strong>BEIJING</strong> me pareceu um pouco demais.</p>
<p>Mais sutil e minimalista, <em><strong>Crônica de um Vendedor de Sangue</strong></em>, de <strong>Yu Hua</strong>, também se assenta sobre uma base real: 30 anos de história da China comandada por Mao, mostrados por meio do microcosmo de uma família residente em uma cidade provinciana. <strong>Xu Sanguan, </strong>o protagonista, é um homem testemunha e vítima do processo histórico da China maoísta. Ele trabalha em uma fábrica de seda no interior, mais tarde transformada em siderúrgica para apoiar o desastroso "Grande Salto para Frente" do supremo timoneiro. Sofre com a fome provocada pelas reformas econômicas e rurais do governo, e anos depois sua família passa a ser alvo dos carrascos voluntários da Revolução Cultural.</p>
<p>Em intervalos, Xu Sanguan se vê coagido pelas circunstâncias a vender sangue para um dos bancos de sangue de fundo de quintal espalhados pelo país, coordenado por um funcionário corrupto - e que ainda assim paga o equivalente a meses de trabalho duro na fábrica ou na lavoura. Usando como mote o mercado clandestino de sangue, situação real que provocou a contaminação de aldeias inteiras devido às condições pouco higiênicas em que as doações eram tomadas, Yu Hua lança mão do sangue e de seus significados simbólicos para traçar por meio da família Xu e de seu desespero uma história crítica e dolorosa sobre vidas comuns arrastadas pelo autoritarismo.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/fartura.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2296" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/fartura.jpg" alt="" width="500" height="500" /></a></p>
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		<title>A Bibiana do Erico Verissimo - e a do filme...</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 23:42:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Gaúchos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Erico Verissimo]]></category>
		<category><![CDATA[Bibiana Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Capitão Rodrigo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura e Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[O Continente]]></category>
		<category><![CDATA[O Tempo e o Vento]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>

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		<description><![CDATA[Filme O Tempo e o Vento tem sua Bibiana. O quanto ela corresponde à descrita por Erico Verissimo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No começo do capítulo <em><strong>Um Certo Capitão Rodrigo</strong></em>, de <span style="color: #ff0000"><em><strong>O Continente</strong></em></span>, primeira parte da saga<span style="color: #ff0000"><em><strong> O Tempo e o Vento</strong></em></span>, <span style="color: #ff0000"><strong>Erico Verissimo</strong></span> assim descreve a jovem <strong>Bibiana Terra</strong> (que, naquela altura, o leitor já conhecia como a avó-matriarca da família Terra Cambará sitiada no sobrado na praça central de Santa Fé durante a Revolução Federalista, em 1895):</p>
<p><em><strong>Bibiana</strong> tinha um rosto redondo, olhos oblíquos e uma boca carnuda em que o lábio inferior era mais espesso que o superior. Havia em seus olhos, bem como na voz, qualquer coisa de noturno e aveludado. Os forasteiros que chegavam a Santa Fé e deitavam os olhos nela, ao saberem-na ainda solteira, exclamavam: "Mas que é que a rapaziada desta terra está fazendo?" E então ouviam histórias... Bento Amaral, filho do coronel Ricardo Amaral Neto, senhor dos melhores e mais vastos campos dos arredores do povoado, andava apaixonado pela menina, tinha-se declarado mais de uma vez, mas a moça não queria saber dele. <br />
 – O herdeiro do velho Amaral? – estranhavam os forasteiros. <br />
 – Sim senhor. <br />
 – Mas o moço é aleijado? <br />
 – Qual nada! É até um rapagão mui guapo.<br />
 Ninguém conseguia compreender. As outras moças invejavam Bibiana Terra e não entendiam como era que ela, não sendo rica, rejeitava o melhor partido de Santa Fé, aquele moço bonitão a quem elas de muito bom grado diriam sim no momento em que ele se declarasse.<br />
 Mas quem ficava mais perplexo que qualquer outra pessoa era o próprio Pedro Terra, que não atinava com uma explicação para a atitude da filha. Ele não morria de amores pelos Amarais. Tinha até queixas do velho Ricardo, que lhe tirara as terras e se recusara a ajudá-lo quando o trigo fora águas abaixo. Além disso, achava os Amarais prepotentes, vaidosos, gananciosos, e também sabia que Ricardo não fazia muito gosto no casamento do filho com Bibiana, pois queria que o rapaz casasse com alguma moça rica de Rio Grande ou Porto Alegre. Por todas essas coisas Pedro Terra não insistia com a filha para que aceitasse Bento Amaral. Mas mesmo assim não compreendia e ficava vagamente inquieto à idéia de morrer sem ver a filha casada com um homem de bem. <br />
 Fosse como fosse, os Amarais eram por assim dizer os donos de Santa Fé. E Bento visitava os Terras com alguma freqüência, tratava-os bem, dava presentes a Juvenal, a Arminda e principalmente a Bibiana, que os recebia sem nenhuma alegria, mal murmurando uma palavra de agradecimento, quase sempre sem olhar para o pretendente. <br />
 Pedro Terra às vezes inquietava-se pensando no gênio da filha. Era voluntariosa, duma teimosia nunca vista, e dum orgulho tão grande que era capaz de morrer de fome e de sede só para não pedir favores aos outros. No entanto, quem olhasse para ela julgaria, pelo seu suave aspecto exterior, estar diante da criatura mais meiga e submissa do mundo.</em></p>
<p>Não tive como não ir atrás dessa descrição para compará-la com a foto abaixo (de um ensaio para a revista Trip), já que foi recentemente anunciado que essa Bibiana, a Bibiana jovem que conhece o Capitão Rodrigo e se casa com ele, será vivida pela atriz e cantora Marjorie Estiano no longa que o diretor Jayme Monjardim prepara adaptando a saga - sim, parece que é a saga toda, mas não tenho informações mais detalhadas. Consultem <a href="http://www.otempoeoventoofilme.com/" target="_blank">a página oficial da produção</a>.</p>
<div id="attachment_2293" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/estiano.jpg"><img class="size-full wp-image-2293" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/estiano.jpg" alt="" width="306" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Bibiana, minha prenda, estás aquecendo água pro mate?&quot; Foto: Trip/divulgação</p></div>
<p>A Bibiana matriarca do sobrado será vivida por <strong>Fernanda Montenegro</strong>. O interessante é que o<strong> Capitão Rodrigo</strong> nesta versão será <strong>Thiago Lacerda</strong>. E, embora a figura de <strong>Tarcísio Meira</strong> tenha se cristalizado como capitão devido ao sucesso da minissérie que anda até reprisando por aí, de acordo com o que me informaram, é possível que o capitão do Erico tivesse mais a ver com o Lacerda mesmo (a não ser a altura. Rodrigo é descrito como um homem de estatura média). O Capitão, na descrição do Erico no romance, era assim:</p>
<p><em>Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira</em></p>
<p>Prosseguindo na leitura, vemos Rodrigo entrar na birosca do Nicolau e quase arranjar briga com o irmão de Bibiana, Juvenal Terra devido a uma bravata que tinha a intenção de ser engraçada. Apaziguados os ânimos, ambos sentam-se a uma mesa para um trago. Rodrigo pede uma linguiça, que na época ainda devia ter trema, acredito. E é pelos olhos de Pedro Terra a partir daí que vemos mais um pouco da figura de Rodrigo:</p>
<p><em>Só o jeito de olhar é que não era lá muito agradável: havia naqueles olhos muito atrevimento, muita prosápia e assim um ar de superioridade. Depois, Juvenal sempre desconfiara de homem de olho azul... No entanto, podia jurar que nunca vira cara de macho mais insinuante. Os cabelos do capitão eram meio ondulados e dum castanho escuro com uns lampejos assim como de fundo de tacho ao sol. O nariz era reto e fino, os beiços dum vermelho úmido, meio indecente, e o queixo voluntarioso</em>.</p>
<p>Vejamos como isso se traduzirá no filme, então.</p>
<p>__________________</p>
<p><strong>PS:</strong></p>
<p>– Vem cá, essa notícia de que a <strong>Marjorie Estiano</strong> vai ser a Bibiana não é da semana passada?</p>
<p>– É, é sim.</p>
<p>– Então pra que tocar neste assunto aqui no blog agora?</p>
<p>– Porque era uma boa oportunidade de colocar uma foto insinuante de uma garota bonita. Não é sempre que se consegue isso, mas <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2011/03/08/suave-veneno/" target="_blank">todas as vezes</a> que <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2009/04/29/diabinha-de-butique/" target="_blank">conseguimos</a>, a audiência subiu à estratosfera. Por que não, então?</p>
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		<title>Precisamos falar sobre maternidade</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 00:31:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema e Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura em Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptações literárias]]></category>
		<category><![CDATA[Adolescência]]></category>
		<category><![CDATA[Ficção Contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura e Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Massacres escolares]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[Precisamos Falar sobre o Kevin]]></category>

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		<description><![CDATA[NOTA DO EDITOR DESTE BLOGUE: Com a proximidade da estreia no Brasil do filme Precisamos Falar Sobre o Kevin, adaptação cinematográfica estrelada por Tilda Swinton do romance que chamou pela primeira vez atenção internacional para o nome da escritora Lionel Shriver, achei apropriado republicar aqui no blog crítica do livro escrita pelo meu amigo Cauê [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2290" class="wp-caption aligncenter" style="width: 650px"><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/kevin.jpg"><img class="size-full wp-image-2290" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/kevin.jpg" alt="" width="640" height="425" /></a><p class="wp-caption-text">Tilda Swinton na adaptação cinematográfica do livro (Foto: Divulgação)</p></div>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>NOTA DO EDITOR DESTE BLOGUE: </strong>Com a proximidade da estreia no Brasil do filme <em><strong>Precisamos Falar Sobre o Kevin</strong></em>, adaptação cinematográfica estrelada por <strong>Tilda Swinton</strong> do romance que chamou pela primeira vez atenção internacional para o nome da escritora <strong>Lionel Shriver</strong>, achei apropriado republicar aqui no blog crítica do livro escrita pelo meu amigo Cauê Fonseca e veiculada na versão impressa do jornal por ocasião do lançamento do livro, em 2007. Aproveitem. Ah, sim, e o livro já tem quatro anos, então se você ainda não leu e sofre da doença infantil e tatibitate do spoiler, desista agora ou não se manifeste. Abraço.</span></p>
<p><span style="color: #ff0000"><strong>Texto de Cauê Fonseca</strong></span></p>
<p>O ditado de que não se julga um livro pela capa nunca esteve tão errado. A figura macabra de um adolescente com cabeça de felino é retrato fiel e hipnotizante do personagem central de <em><span style="color: #ff0000"><strong>Precisamos Falar sobre o Kevin</strong></span></em> (Intrínseca, 464 páginas). A ficção de <span style="color: #ff0000"><strong>Lionel Shriver</strong></span> gira em torno de uma chacina cada vez mais comum em escolas americanas, mas com a lucidez que falta aos noticiários ao analisar o tema.</p>
<p>A abordagem sensata de um assunto tão espinhoso — a ponto de o livro ter sido recusado por 25 editoras — vem por cartas da narradora, <strong>Eva Khatchadourian</strong>, a seu ex-marido, <strong>Franklin</strong>, em meio ao dia-a-dia de quem tenta reconstruir a vida das cinzas. Esporadicamente, Eva quebra a rotina com visitas à penitenciária juvenil onde seu filho de 16 anos, Kevin, cumpre pena após assassinar sete colegas, uma professora e um funcionário de sua escola.</p>
<p>Como toda a sociedade americana, Eva é tomada pela ânsia de encontrar porquês e culpados após a barbárie, e é com a honestidade de quem não tem nada a perder que ela faz uma minuciosa revisão de 15 anos convivendo com aquele "país  estrangeiro em casa", que viria a se tornar um assassino. Enquanto o pai via o garoto como a resposta para "a grande questão", como o sentido da vida, Eva, desde o momento em que o bebê rejeita seu seio cheio de leite, percebe que ele nunca quis responder a questão alguma. Começa aí um duelo de rejeição entre mãe e filho, permeado pela preocupação de Eva com a personalidade cruel de Kevin.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/kevincapa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2291" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/kevincapa.jpg" alt="" width="600" height="600" /></a></p>
<p>Somente entre 1997 e 1998, houve 42 assassinatos em escolas americanas. De forma que seria impossível dar verossimilhança a  um livro sobre o tema sem citar casos reais. Eva relembra desde o primeiro deles, cometido na Califórnia, em 1979, por <strong>Brenda Spencer</strong>, até o célebre massacre de <strong>Columbine</strong>, em 20 de abril de 1999. Na cronologia do livro, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Columbine" target="_blank">Columbine</a> acontece apenas 12 dias após os crimes cometidos por Kevin, que classifica os assassinos reais <strong>Eric Harris</strong> e <strong>Dylan Klebold</strong> como "trouxas que acabam com a reputação dos massacres". A mãe identifica certo ressentimento pelo filho ter tido<br />
 o número de baixas superado pela dupla, que matou 15 pessoas.</p>
<p>O livro decepciona quem busca um relato sobre o perigo da ausência dos pais na criação dos filhos, dos videogames violentos, do acesso a armas de fogo e do <em>bullying</em> — palavra da moda que define a secular intimidação entre colegas de escola. Kevin — com seus traços belos, roupas curtas e trejeitos dissimulados frente aos mimos do pai — é um assassino mais complexo do que um mero adolescente excluído, de forma que todos os clichês sobre o tema caem por terra ao longo da narrativa. Olhando sobretudo para si mesma, Eva tenta responder a questões muito mais complexas: é possível uma pessoa nascer genuinamente má? Uma mãe pode odiar um filho desde o seu nascimento?</p>
<p>Mas não se trata de um bom livro de respostas. Até mesmo as explicações que Eva consegue tatear ao longo da narrativa se esvaem no capítulo derradeiro. O final de <em><strong>Precisamos Falar sobre o Kevin </strong></em>é o melhor exemplo de sua tônica: uma obra brilhantemente escrita que, quanto menos responde às suas angústias, mais fascinante fica.</p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="http://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F17%2Fprecisamos-falar-sobre-maternidade%2F&amp;linkname=Precisamos%20falar%20sobre%20maternidade" title="Facebook" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/facebook.png" width="16" height="16" alt="Facebook"/></a><a class="a2a_button_twitter" href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F17%2Fprecisamos-falar-sobre-maternidade%2F&amp;linkname=Precisamos%20falar%20sobre%20maternidade" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a><a class="a2a_button_google_bookmarks" href="http://www.addtoany.com/add_to/google_bookmarks?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F17%2Fprecisamos-falar-sobre-maternidade%2F&amp;linkname=Precisamos%20falar%20sobre%20maternidade" title="Google Bookmarks" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google.png" width="16" height="16" alt="Google Bookmarks"/></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="http://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F17%2Fprecisamos-falar-sobre-maternidade%2F&amp;linkname=Precisamos%20falar%20sobre%20maternidade" title="Google Gmail" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/gmail.png" width="16" height="16" alt="Google Gmail"/></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F17%2Fprecisamos-falar-sobre-maternidade%2F&amp;title=Precisamos%20falar%20sobre%20maternidade" id="wpa2a_2">Salvar / Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Guerra e Paz – o primeiro contato</title>
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		<comments>http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2012/01/13/guerra-e-paz-%e2%80%93-o-primeiro-contato/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Jan 2012 18:48:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tássia Kastner</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[maratona]]></category>
		<category><![CDATA[promessas para 2012]]></category>
		<category><![CDATA[Tolstói]]></category>

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		<description><![CDATA[

Prólogo
Como foi avisado ontem no Facebook do Mundo Livro, o blog estava com problemas na caixa de comentários. Sinto muito se você foi um dos que tentou comentar e não conseguiu. Agora parece que as coisas estão resolvidas, então, ao fim do post, todos comentando, né?
Nariz de cera
Decidimos, Carlos André e eu em uma conversa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><br class="spacer_" /></p>
<div><strong><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/logo_guerraepaz.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-2281 alignleft" style="margin-top: 1px;margin-bottom: 1px;margin-left: 2px;margin-right: 2px" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/logo_guerraepaz-150x150.jpg" alt="" width="120" height="120" /></a></strong></p>
<p><strong>Prólogo</strong></p>
<p>Como foi avisado ontem no Facebook do Mundo Livro, o blog estava com problemas na caixa de comentários. Sinto muito se você foi um dos que tentou comentar e não conseguiu. Agora parece que as coisas estão resolvidas, então, ao fim do post, todos comentando, né?</p>
<p><strong>Nariz de cera</strong></p>
<p>Decidimos, Carlos André e eu em uma conversa de corredor, que o dia de posts da maratona seria sexta-feira, e cá estamos. A boa notícia é que sim, comecei a leitura, mas antes de contar a quantas andamos, vou me desculpando.</p>
<p>É que escolhi certamente a pior semana do ano para reparar o parquê do meu apê, depois de uma infiltração do vizinho de cima. Hoje estou voltando pra casa de mala, cuia e gata – a Panda – para casa. Como gatos não curtem muito sair de casa, vocês podem imaginar que a leitura não foi a das mais privilegiadas nos últimos dias. Ainda assim, comemoro a chegada a página 65, o que significa que li fenomenais 4 capítulos. Mas, adivinha, não falarei sobre isso ainda.</p>
<p><strong>OK, o post</strong></p>
<p>Vou dar uma palhinha do que é a tradução do Rubens Figueiredo. Já na apresentação ele comenta que, em muitos trechos, o Guerra e Paz é escrito parte em russo e parte em francês, forma de "mostrar com que Rússia já era um país invadido antes mesmo da chegada das tropas de Napoleão." Também na apresentação, o tradutor explica que o propósito foi preservar, o máximo possível, os traços linguísticos relevantes para o autor, entre repetições de palavras, expressões e estruturas sintáticas.</p>
<p>O que mais fica evidente no começo do livro é a mistura que Tolstói faz de francês e russo na mesma frase. Como o francês nessa edição fica no original (seguindo inclusive a pontuação original), o desafio do começo da leitura é por onde começar: eu, que não entendo nada de francês, fico hipnotizada por tentar entender antes da tradução, e depois salto lá para o rodapé para, de fato, ler, o que muda bastante o ritmo da coisa. Me parece, inclusive, que são duas leituras diferentes, mas ainda não sei como vou seguir.</p>
<p>Devo comprar um dicionário de francês?</p>
</div>
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		<title>Pamuk e os moldes do romance</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 23:10:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos André Moreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ensaio]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria Literária]]></category>
		<category><![CDATA[Conferências Norton]]></category>
		<category><![CDATA[O Romancista Ingênuo e o Sentimental]]></category>
		<category><![CDATA[Orhan Pamuk]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o escrever]]></category>

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		<description><![CDATA[Contrariando a sisudez que a palavra " Nobel" costuma decalcar, como um rótulo, em seus laureados, o turco Orhan Pamuk, vencedor do prêmio em 2006, se apresenta em seu novo livro como uma das mais agradáveis companhias para discutir literatura.  Ou melhor, romances, tema de seu mais recente livro a sair no Brasil,  O Romancista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2285" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><img class="size-full wp-image-2285" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/pamuk.jpg" alt="" width="480" height="609" /><p class="wp-caption-text">Orhan Pamuk durante passagem por Porto Alegre, em 05/12/2011. Foto: Ricardo Duarte, ZH</p></div>
<p>Contrariando a sisudez que a palavra " Nobel" costuma decalcar, como um rótulo, em seus laureados, o turco <span style="color: #ff0000"><strong>Orhan Pamuk</strong></span>, vencedor do prêmio em 2006, se apresenta em seu novo livro como uma das mais agradáveis companhias para discutir literatura.  Ou melhor, romances, tema de seu mais recente livro a sair no Brasil, <strong> <span style="color: #ff0000"><em>O Romancista Ingênuo e o Sentimental</em></span> </strong>(Tradução de Hildegard Feist. Companhia das Letras, 152 páginas. R$ 34).</p>
<p>O livro compila seis conferências proferidas por Pamuk – autor de <a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/2009/05/14/todos-os-nomes-vermelhos/" target="_blank"><em><strong>Meu Nome É Vermelho</strong></em></a> e <em><strong>Neve</strong></em> – no ciclo de palestras Norton, da universidade de Harvard. A cada ano, a instituição convida um artista ou pensador expoente em seu campo para ministrar seis conferências sobre tema à escolha do  convidado. Tal projeto já deu origem a outros ótimos livros sobre arte narrativa,  como<em><strong> Licões dos Mestres</strong></em>, de<strong> George Steiner</strong>;<strong><em> Seis Propostas para o Próximo Milênio</em></strong>, de<strong> Italo Calvino</strong>; ou<em><strong> Seis  Passeios pelos Bosques da Ficção</strong></em>, de <strong>Umberto Eco</strong>. O livro de Pamuk, para escapar do óbvio "Seis Considerações sobre o  Romance", ou coisa do gênero, empresta o título de um ensaio de<strong> Friedrich Schiller</strong>, que dividia os poetas de seu século 18 entre ingênuos ( que escrevem  de modo espontâneo, sem considerações sobre o processo - Goethe, no caso da divisão proposta por Schiller) e os  sentimentais (reflexivos,  muito cônscios dos passos necessários para a literatura  enquanto construção e artifício - como o próprio Schiller).</p>
<p><em><strong>O Romancista Ingênuo e o Sentimental</strong></em> é dividido em seis conferências sobre aspectos do romance - e  sobre as características que fizeram do gênero um fenômeno avassalador,  capaz de assumir o protagonismo em qualquer ambiente literário para o qual foi transplantado.  Pamuk fala do que forma um romance, de como a imersão almejada ( e por vezes conseguida) por grandes romancistas na realidade representada em suas obras é análoga à apreensão visual de uma pintura.  O quanto elementos da realidade concreta transplantados para a narrativa romanesca sustentam a ilusão de verdade no leitor que se entrega à leitura.</p>
<p>Pamuk escreve com um ponto de vista subjetivo: é ele próprio um romancista de uma tradição tardia do romance, desenvolvido num país em que se mesclam retalhos de Ocidente e Oriente.  Algumas das intuições e leituras oferecidas nas seis conferências depuram temas já tratados nos ensaios reunidos em um livro anterior, <em><strong>Outras Cores</strong></em> (2010). Na abertura da quarta conferência, por exemplo, o Nobel turco escreve a respeito de <strong>Dostoiévski</strong>:</p>
<p><em>"Quando lemos os romances de Dostoiévski, às vezes achamos que deparamos com alguma coisa surpreendentemente profunda - que alcançamos um considerável conhecimento da vida, das pessoas e, sobretudo, do nosso próprio eu. Esse conhecimento parece tão familiar e, ao mesmo tempo tão extraordinário que por vezes nos enche de medo".</em></p>
<p>Essa afirmação que retoma o que Pamuk já dissera sobre o mestre russo nos ensaios de <em><strong>Outras Cores</strong></em> sobre <em><strong>Notas do Subterrâneo</strong></em> e<em><strong> Os Demônios</strong></em>.</p>
<p>Embora Pamuk apresente as mecânicas do romance do ponto de vista de um romancista praticante, são seus insights de leitor o ponto forte do livro.  Para ele, o que diferencia a prosa romanesca de outras experiências narrativas como a poesia épica é que o romance tem um " centro" oculto e impreciso, que reorganiza sob sua gravidade todos os elementos de que o livro é composto - descrições, frases, personagens, objetos.  Esse centro, por vezes difícil de capturar, é" uma profunda opinião ou insight sobre a vida, um ponto de mistério, real ou imaginado, profundamente entranhado".  Pamuk é um romancista que, ao refletir sobre seu ofício, não esconde jamais a paixão e o maravilhamento sobre aquilo que a forma dominante da literatura dos últimos três séculos é capaz de fazer.</p>
<p>Sentimental na forma, mas ingênuo na paixão.</p>
<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/oromancista.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2286" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/oromancista.jpg" alt="" width="348" height="536" /></a></p>
<p><a class="a2a_button_facebook" href="http://www.addtoany.com/add_to/facebook?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F12%2Fpamuk-e-os-moldes-do-romance%2F&amp;linkname=Pamuk%20e%20os%20moldes%20do%20romance" title="Facebook" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/facebook.png" width="16" height="16" alt="Facebook"/></a><a class="a2a_button_twitter" href="http://www.addtoany.com/add_to/twitter?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F12%2Fpamuk-e-os-moldes-do-romance%2F&amp;linkname=Pamuk%20e%20os%20moldes%20do%20romance" title="Twitter" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/twitter.png" width="16" height="16" alt="Twitter"/></a><a class="a2a_button_google_bookmarks" href="http://www.addtoany.com/add_to/google_bookmarks?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F12%2Fpamuk-e-os-moldes-do-romance%2F&amp;linkname=Pamuk%20e%20os%20moldes%20do%20romance" title="Google Bookmarks" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/google.png" width="16" height="16" alt="Google Bookmarks"/></a><a class="a2a_button_google_gmail" href="http://www.addtoany.com/add_to/google_gmail?linkurl=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F12%2Fpamuk-e-os-moldes-do-romance%2F&amp;linkname=Pamuk%20e%20os%20moldes%20do%20romance" title="Google Gmail" rel="nofollow" target="_blank" ><img src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/wp-content/plugins/add-to-any/icons/gmail.png" width="16" height="16" alt="Google Gmail"/></a><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwp.clicrbs.com.br%2Fmundolivro%2F2012%2F01%2F12%2Fpamuk-e-os-moldes-do-romance%2F&amp;title=Pamuk%20e%20os%20moldes%20do%20romance" id="wpa2a_6">Salvar / Compartilhar</a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Promessa para 2012 – Guerra e Paz</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jan 2012 15:41:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tássia Kastner</dc:creator>
				<category><![CDATA[1]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra e Paz]]></category>
		<category><![CDATA[maratona]]></category>
		<category><![CDATA[Maratona Tijolão Literário]]></category>
		<category><![CDATA[tijolão literário]]></category>
		<category><![CDATA[Tolstói]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu não sei do Natal de vocês, mas o meu esse ano veio com o desafio. Um amigo me deu essa beleza de edição da Cosac Naify para Guerra e Paz, com tradução direta do russo, capa aveludada, papel especial e mimimi. Ainda não sabe qual é? Saca só aqui.
Pois com essa beleza de 2.536 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/29000037.jpg"><img class="size-full wp-image-2283 aligncenter" style="border-style: initial;border-color: initial" src="http://wp.clicrbs.com.br/mundolivro/files/2012/01/29000037.jpg" alt="" width="240" height="242" /></a></p>
<p><span style="text-align: left">Eu não sei do Natal de vocês, mas o meu esse ano veio com o desafio. Um amigo me deu essa beleza de edição da Cosac Naify para </span><em>Guerra e Paz</em><span style="text-align: left">, com tradução direta do russo, capa aveludada, papel especial e mimimi. Ainda não sabe qual é? </span><a href="http://editora.cosacnaify.com.br/blog/?p=10382">Saca só aqui</a><span style="text-align: left">.</span></p>
<p><span style="text-align: center">Pois com essa beleza de 2.536 páginas em mãos, é óbvio que terei de encarar Tolstói. Como promessas de Ano-Novo não são lá as mais cumpridas pelos devotos, chamo vocês, leitores, a acompanharem a minha volta a este blog (recebi ameaças do glorioso editor caso não voltasse...) com a série Promessas para 2012 – Guerra e Paz.</span></p>
<p>Com inspiração descarada da primeira edição Maratona tijolão literário neste blog, post semanais com o andamento da leitura – ou com firulas da edição, se algo não avançar tão bem quanto esperado – estarão aqui. Sugestões, dicas ou apoio moral, vamos pela caixa de comentários, né?</p>
<p>Me desejem sorte.</p>
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