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O Senhor das Moscas e o bicho em nós

27 de novembro de 2013 0
Imagem da adaptação cinematográfica de O Senhor das Moscas

Imagem da adaptação cinematográfica de O Senhor das Moscas

Texto de Eduardo Nunes

Já pensou como seria se pudéssemos recriar a civilização noutro lugar, a partir de um grupo de crianças ainda não totalmente corrompidas pelos nosso piores vícios?

Em O Senhor das Moscas, de 1954, William Golding nos apresenta um dos possíveis desdobramentos dessa premissa, ao narrar o estabelecimento de uma sociedade após a queda, em uma ilha paradisíaca do Pacífico, de um avião que transportava meninos ingleses em fuga de uma guerra nuclear, em um tempo incerto.

Sem adultos sobreviventes, os jovens estudantes passam a viver num microcosmo em que são refundadas, de modo alegórico, algumas das bases da nossa civilização.

Três personagens se destacam no romance: Ralph, o belo, que representa o poder estatal constituído; Jack, o forte, que personifica a belicosidade, a selvageria, a diversão; e Porquinho, o odiado, símbolo da intelectualidade, que, por sua aparência física grotesca e retórica irritante, é desprezado por todos – menos, em certa medida, por Ralph, que se vale da inteligência do gordinho para governar.

A formação de um Estado é um dos primeiros acontecimentos após a queda do avião e ocorre, sobretudo, por decisão de Porquinho: é ele quem vê em uma linda concha branca encontrada na praia o signo capaz de congregar a comunidade e em Ralph a figura ideal para presidir a república de meninos – cabendo ao próprio Porquinho o papel de Eminência Parda.

Além da concha, tocada como uma trombeta por Ralph para convocar reuniões e segurada pelos oradores para garantir o direito de falar nessas assembleias, outros elementos na ilha reproduzem dimensões da civilização de onde provêm os jovens estudantes:

* A fogueira, que deveria ficar constantemente acesa para fazer fumaça e chamar a atenção de algum navio que pudesse estar naquela parte do Oceano Pacífico. No microcosmo da ilha, a esperança de salvação depositada em um barco incerto vindo de algum lugar do mar infinito faz as vezes de religião. Os jovens vivem o constante dilema de se concentrar na vida na ilha, dedicados à caça e à diversão, ou sacrificar tempo e energia para manter acesa a fogueira que pode, ou não, trazer a salvação.

* Os óculos de Porquinho, o único meio de acender a fogueira ao serem usados como lente, representam a técnica – uma técnica que pode ser roubada do intelectual, que se torna, assim, descartável.

* “Os pequenos”, crianças menores, que não participavam das decisões do Estado e dedicavam o tempo na ilha a comer frutas e brincar na praia, representam as massas que não se envolvem na política ou na definição dos rumos da sociedade.

* “O Bicho”, um animal imaginário que aterroriza os meninos e motiva caçadas e explorações na ilha – quando começa a se sobressair a força da liderança de Jack. O Bicho é uma alegoria para o demoníaco, o sobrenatural, o terror. Mais tarde, uma caveira de porco cravada em uma estaca pelos caçadores liderados por Jack (essa cabeça se revela o Senhor das Moscas que dá nome ao livro) fala ao menino Simon (definido por Porquinho como “louco”) que o Bicho está dentro de cada um dos jovens da ilha. O Bicho é o Mal, que não pode ser destruído.

AVISO: a partir daqui, os spoilers ficam mais pesados.

Jack, já líder dos caçadores da ilha, ganha cada vez mais influência, desafia a autoridade do Estado e reivindica a liderança formal sobre todos os meninos. Derrotado na arena democrática, ele rompe com Ralph e funda em outra parte da ilha uma tribo rival, que seduz a maioria dos jovens com a promessa de caça, diversão e proteção mútua – depois, seu Estado se revela uma ditadura cruel e militarizada.

A tribo de Jack dizima o Estado de Ralph. Simon acaba morto em um ritual macabro da “dança da caça ao porco” (uma espécie de festim satânico), Porquinho é assassinado depois de ter os óculos roubados, os gêmeos Sam e Eric são coagidos pela força a se juntar ao bando e Ralph, isolado, passa a ser caçado por toda a ilha.

No final do romance, os “selvagens” (como Ralph define seus perseguidores) incendeiam toda a ilha para obrigar a sua presa a revelar o esconderijo. Numa fuga desesperada dos assassinos sedentos de sangue, o líder deposto chega à praia e depara com a tripulação de um navio de guerra britânico, que chegou à ilha atraída pela fumaça do grande incêndio florestal.

A salvação de Ralph dos seus algozes poderia parecer um irritante Deus ex machina colocado lá só para livrar miraculosamente o personagem da morte, mas acaba sendo o desfecho perfeito para o livro, pois nos obriga a colocar a nossa civilização inteira em perspectiva e olhá-la com olhos de fora.

Assumindo-se que a ilha do livro é a Terra e os meninos são a humanidade, os marinheiros representam um Outro mais desenvolvido ou no mínimo mais poderoso – extraterrestres evoluídos ou deuses, por exemplo.

Imagine se, agora mesmo, a nossa praia global fosse visitada por uma nave de seres evoluídos e estes nos flagrassem numa perseguição de morte iniciada sem nenhuma causa minimamente justa, que é o que acontecia com Ralph, que estava prestes a ser assassinado apenas para satisfazer a vontade de poder de Jack. Não pareceríamos crianças imaturas? Como explicar as irracionalidades do mundo a esses seres?

OK, talvez depois descobríssemos que esses ETs eram também representantes de uma sociedade em guerra – que é precisamente o que acontece no livro – e aí podemos imaginar o terror do comandante do navio ao chegar a uma ilha paradisíaca e ver crianças náufragas reproduzindo os mesmos erros do mundo dos adultos.

É… A caveira que falou a Simon tinha razão. O Bicho está em todos nós. E não pode ser morto.

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Intervalo na praça

15 de novembro de 2013 0
Pausa para a história na Feira. Foto: Carlos André Moreira

Pausa para a história na Feira. Foto: Carlos André Moreira

A cena chamava a atenção de quem passasse pela lateral do edifício da Caixa, ali perto do corredor da Rua da Praia. Por volta das 16h de ontem, a professora Adriane Feijó, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Chico Mendes, lia para uma dezena de seus alunos as histórias do livro Um Caramelo Amarelo Camarada, de Dilan Camargo – obra que, por coincidência, o autor autografaria ontem na Praça. Era uma forma de entreter a gurizada, alunos de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental, durante um intervalo da visita à Feira do Livro.

– Gostei muito da história de um elefante enrolado pra atender o celular. Às vezes, a gente também fica assim pra falar no celular – comentou a aluna Maria Isabel, de 12 anos.

– Eu brinco que trago eles para cheirar os livros, porque comentei que um dos cheiros mais legais no mundo é o de livro novo – diz Adriane.

Livreiros x distribuidores: surda discordância

15 de novembro de 2013 0
Descontos são ponto de conflito entre livreiros e distribuidores/editores na Praça. Foto: Lauro Alves

Descontos são ponto de conflito entre livreiros e distribuidores/editores na Praça.
Foto: Lauro Alves

Quando se pensa em um “mercado livreiro”, imagina-se uma cadeia que começa no autor e termina no leitor – com espaço aí no meio para o editor, que publica o livro, para o distribuidor, que leva o livro até as livrarias, e para o livreiro, que o vende para seu consumidor final. Por essa lógica, a Feira seria o momento em que essa cadeia toda se movimenta até a Praça para atingir o público, mas na prática há uma fissura que vem se estabelecendo entre alguns livreiros e os outros elos da cadeia. Muitos livreiros tradicionais estão preferindo fazer essa cadeia passar por fora do Estado.

– Sempre somos apontados como os vilões que não oferecem o desconto de 20% na Feira, mas, na prática, como os distribuidores que montam banca não nos repassam os descontos que obtêm das editoras, eles fazem concorrência direta conosco na Praça – reclama o livreiro Paulo Roberto Fogaça, da livraria Fogaça, de Caxias do Sul, que tem uma barraca na Feira no corredor da 7 de Setembro.

Ignacio Moreno, da Livraria do Arquiteto, instalada no corredor que leva à estátua do General Osório, concorda com o colega.

– É do que sobra após o desconto que sai o dinheiro para as despesas como inscrição na Feira, funcionários, montagem e desmontagem das bancas. Se eu trabalhar com um desconto de 20% em tudo, acabo pagando para trabalhar. Melhor, então, negociar direto com São Paulo – comenta.

A questão dos descontos funciona assim: se um livro custa R$ 50 para o leitor na livraria, muitas vezes o livreiro repassa para a editora R$ 30 desse valor, ficando com R$ 20. Se for dado o desconto de 20%, ele corresponde ao valor integral de R$ 50, ou seja, desconto de R$ 10 e custo de R$ 40 para o consumidor final. De acordo com Fogaça, as distribuidoras muitas vezes não aceitam absorver o desconto com o livreiro e, portanto, o livreiro continua a repassar os mesmos R$ 30 – e ficando com os R$ 10 restantes para cuidar das despesas operacionais.

– Trabalho com alguns livros jurídicos caríssimos, que, dentro desse esquema, não me permitem cobrar menos de R$ 108. Aí, você vai na banca de uma editora montada na Praça, e eles estão vendendo o deles a R$ 90. É o livreiro que passa por ganancioso – detalha Fogaça, que também diz preferir negociar com distribuidores de fora.

Top 5: Escritores-protagonistas

14 de novembro de 2013 0

Cinco bons livros protagonizados por autores reais

1 – O Mestre de Petersburgo,  de J.M. Coetzee
> O nobel sul-africano imagina Dostoiévski em uma trama de crime, mistério e loucura que poderia ter inspirado um dos mais perturbadores romances do autor russo, Os Demônios.

2 – Arthur & George,  de Julian Barnes
> Um dos grandes prosadores ingleses reconstitui duas histórias em paralelo como símbolo da condição do imigrante na Inglaterra, a de um indiano injustamente acusado de um crime e a do escritor Arthur Conan Doyle, o criador do Sherlock Holmes.

3 – Os Crimes do Mosaico, de Giulio Leoni
> Um escritor italiano transforma o inventor da literatura italiana, Dante Alighieri, em um protótipo de detetive investigando um brutal homicídio em Florença.

4 – A Manobra do Rei dos Elfos, de Robert Löhr
> O escritor alemão, convidado desta 59ª Feira, cria uma trama de espionagem protagonizada, entre outros, por Goethe e Schiller, transformados em agentes em missão.

5 – O Mestre, de Colm Tóibin
> Começamos com um mestre, encerramos com outro. Esta é a reconstituição dos anos em que o americano Henry James, já consagrado por Retrato de uma Senhora, tenta a sorte nos palcos ingleses com a peça Guy Domville.

Pano pra manga na praça

14 de novembro de 2013 0
Rousseau de Pano  na banca da Tomo Editorial. Foto: Carlos André Moreira

Rousseau de Pano na banca da Tomo Editorial. Foto: Carlos André Moreira

Na barraca da Tomo Editorial, numa das extremidades do corredor da Rua da Praia, um pequeno autor vinha aguardando imóvel há dias pela sua sessão de autógrafos, que foi realizada hoje às 19h, na Praça de Autógrafos. O Rousseau de pano que está exposto na banca foi criado pela designer Sirlei Chiminazzo e marca o lançamento do oitavo volume da editora dedicado à coleção Filosofinhos/Les Petits Philosophes.

O livrinho dedicado a Rousseau é de autoria de Cauê Borges (texto) e Francisco Juska Filho (ilustrações). Os títulos da coleção pretendem apresentar em formato de história para crianças ideias de grandes filósofos do pensamento ocidental. Descartes, Freud, Sócrates, Platão, Marx, Kant e Sartre e Simone de Beauvoir (dividindo um mesmo volume) são os autores que já ganharam edição pela série.

Diálogos impossíveis do ano

14 de novembro de 2013 0
Verissimo em sua casa em Porto Alegre. Foto: Fernando Gomes, ZH

Verissimo em sua casa em Porto Alegre. Foto: Fernando Gomes, ZH

Com um novo livro na Praça, Os Últimos Quartetos de Beethoven, Luis Fernando Verissimo recebeu a notícia ontem de que seu livro Diálogos Impossíveis foi escolhido o Livro do Ano de Ficção no Jabuti, o mais tradicional prêmio literário brasileiro. É uma boa oportunidade para republicar aqui entrevista feita com o autor há um ano, na época em que ele, como agora, participou de uma mesa na Feira do Livro de Porto Alegre. Na papo que reproduzimos aqui, e que foi publicado no  caderno da Feira de 2012, Verissimo fala sobre o livro agora premiado, que reúne alguns dos “diálogos impossíveis”imaginados por ele entre figuras históricas e da cultura pop.

Zero Hora – Como surgiu a ideia da série“ diálogos impossíveis”?
Luis Fernando Verissimo – O Arthur Dapieve, da editora Objetiva, fez a seleção das crônicas e notou que um tema reincidente em algumas delas era o de diálogos imaginários. Foi ele que deu o título ao livro.

ZH – Com os “diálogos”, sua intenção é usar o humor provocado pelo anacronismo ou pela liberdade da imaginação para fazer deles comentários de nossa época e de seus personagens?
Verissimo – A intenção era imaginar como seria, por exemplo, um encontro do Pablo Picasso com o Goya e, por meio do diálogo dos dois, dizer algumas coisas sobre eles, suas semelhanças e diferenças, e alguma coisa sobre a arte. A motivação foi sempre a de aproveitar a liberdade que a imaginação nos dá para fazer esses encontros impossíveis.

ZH – Como se dá seu processo de seleção de crônicas para uma publicação em livro? É o senhor quem organiza e seleciona, ou mesmo apresenta uma ideia que os unifique, como este Diálogos Impossíveis, ou há alguém na editora que o ajuda nesse trabalho?
Verissimo – As crônicas são selecionadas entre as publicadas em jornais, no caso na Zero Hora e no Estadão, e  o obviamente entre as que não são topicais e perderiam o sentido sem a referência ao fato passageiro. A seleção é da editora, sujeita a minha revisão, claro.

dialogosimpossZH – Neste seu novo livro, os textos são historietas, contos humorísticos, narrativas de humor às vezes nonsense. É um livro eminentemente narrativo. Essa seleção foi determinada pela natureza ficcional dos próprios diálogos?
Verissimo – Na verdade, os “diálogos impossíveis” são poucos no livro. As outras crônicas não me parecem muito diferentes das que têm saído em livros, pelo menos na minha opinião. Mas sempre gostei de diálogos, de contar uma história ou revelar personagens e sua relação usando só diálogos.

ZH – O senhor é continuamente apontado como o maior cronista em atividade no Brasil. Quem são os cronistas atuais que acompanha e definiria como os melhores atualmente?
Verissimo – Acho que o Arnaldo Jabor escreve muito bem. Gosto do Zuenir Ventura, do Milton Hatoum como cronista, do Antonio Prata. E temos os nossos David Coimbra, Claudia Laitano, Carpinejar, Martha Medeiros… Além da meia-dúzia que estou esquecendo…

ZH – Em mais de um texto de seu novo livro, o senhor fala de circunstâncias absurdas ou vontades mal interpretadas em velórios. Seus textos têm abordado mais a ideia de finitude? 
Verissimo – Pois é. Não sei por que, mas acho que velórios dão boas histórias. Se isso vem de uma preocupação com a minha própria finitude,que é constante,não sei. Sei que não quero ninguém rindo no meu velório.

ZH – O senhor parece hoje comentar com menos constância o cenário político, como fez em outros momentos de sua carreira. Por quê? É um otimista ou se sente desencantado com muito do que aconteceu na política brasileira nos últimos anos, inclusive os escândalos envolvendo o governo Lula?
Verissimo – Acho que há muito o que criticar no governo Lula, mas a oposição ao PT no poder tem sido tão preconceituosa e desonesta que é preciso cuidar para não ser cúmplice da reação. Quanto às condenações pelo escândalo do mensalão, acho que só se pode dizer dos juízes do Supremo o que disse o Marco Antonio sobre os assassinos de Cesar, na peça do Shakespeare, sem sua ironia: que são todos homens honrados. Acreditar que foram condicionados pelo clima  político ou pela imprensa é desacreditar em tudo o mais e cair num vácuo moral. Prefiro a condenação do PT ao vácuo. Mas não deixa de ser estranha a indiferença às origens da prática do mensalão, para favorecer o PSDB em Minas, e na compra de votos para reeleger o Fernando Henrique.

ZH – Que lugar o humor ainda tem em uma sociedade como a brasileira, que parece um tanto mais indignada e agressiva? O brasileiro está perdendo o humor?
Verissimo – O humor é uma maneira de dizer, e com ele se diz tudo. Com humor, pode-se comentar até a falta de humor. E pode haver humor até em velório.

Luta pela vida em meio à guerra

12 de novembro de 2013 0
Cena da graphic novel O Boxeador, de Reinhard Kleist

Cena da graphic novel O Boxeador, de Reinhard Kleist

Texto de Cristina Duarte 

Vem dos ringues a mais recente graphic novel do quadrinista alemão Reinhard Kleist. Em O Boxeador – A História Real de Hertzko Haft, descobrimos um aspecto pouco conhecido da crueldade dos campos de concentração da II Guerra Mundial.

Os prisioneiros eram obrigados a participar de lutas de boxe para a diversão dos oficiais nazistas. Foi em um desses campos que o judeu polônes Haft descobriu a vocação para o esporte. Publicado este ano no Brasil, a obra foi lançada na Bienal do Rio com a presença do autor, que também assina o livro Johnny Cash – Uma Biografia.

Toda em preto e branco, a narrativa elaborada por Kleist a partir da biografia Um Dia Eu Contarei Tudo: a História de Sobrevivência do Boxeador Judeu Hertzko Haft, de Alan Scott Haft, ainda inédita no Brasil, comove pela crueza com que a vida do prisioneiro é apresentada. Diante da perversidade do contexto da guerra, na narrativa da história real do pugilista não poderia faltar as muitas dores: a separação forçada da família, a tortura cotidiana nos campos de concentração, o desespero pela sobrevivência, a fome e ainda a saudade de um amor juvenil nunca vivido com a mesma intensidade com que era lembrado.

Amor esse que era a motivação de vida do boxeador após o término do conflito, quando viaja para os Estados Unidos atrás da namorada. Haft torna-se então um pugilista profissional na esperança de que a fama e as aparições nos jornais cheguem até sua amada, também imigrante na América.

A obra é a quarta graphic novel do autor lançada pela 8INVERSO Graphics – linha editorial dedicada aos quadrinhos. O livro recebeu o Prêmio Peng! 2013 do Festival de Quadrinhos de Munique como melhor álbum em língua alemã, o grande prêmio 2013 do Festival de Quadrinhos de Lyon e o recente e mais prestigiado Prêmio Alemão de Literatura Juvenil, na categoria não ficção. Este último veio em um momento em que os quadrinistas alemães fazem um movimento para que o HQ seja incluído na categoria arte, independente da literatura.

A Alemanha é o país homenageado na 59ª Feira do Livro de Porto Alegre. O Boxeador… pode ser encontrado na banca 8Inverso.

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Eles e o Frankenstein

12 de novembro de 2013 0

Este seu blogueiro foi testemunha privilegiada da atividade Tu Frankenstein 2, parte da programação paralela da Feira que reuniu, na noite de sábado para domingo 18 autores na Biblioteca Pública do Estado para produzir um conto de horror inspirado pelo ambiente. A ideia era homenagear o famoso sarau realizado em 1816 na residência de verão de Lord Byron ao fim do qual Mary Godwin, na época a jovem amante de 19 anos de Percy Shelley, com quem mais tarde se casaria, emergiu com a ideia para o clássico de horror Frankenstein. Um relato mais completo pode ser lido aqui, como parte da nossa cobertura especial da Feira. Só que as imagens registradas à noite pela fotógrafa Dani Barcellos ficaram tão legais que achei que merecessem uma breve galeria de imagens neste post.

Autores em círculo no salão do segundo andar. Fotos: Dani Barcellos

Autores em círculo no salão do segundo andar. Fotos: Dani Barcellos

Chegava-se ao segundo andar da Biblioteca por meio da escadaria lateral ao lado do saguão de entrada. Lá em cima, os escritores ocupavam três ambientes. No maior deles, cercados por bustos de figuras como Dante, Camões, Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros, os participantes do desafio ocupavam poltronas dispostas em círculo e mesas próximas às únicas fontes de luz no ambiente, como se vê na imagem acima (as imagens que vocês verão nesta página estão mais claras do que o que se via de fato devido à técnica da fotógrafa no uso do flash).

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Alexis Aubenque: autor concentrado e rápido no gatilho

Todo mundo tinha a madrugada de domingo para concluir sua história. Mas, na mesma sala, o francês Alexis Aubenque (acima) se dedicava  a terminar logo. Chegou por volta das 21h30min, abancou-se e não levantou até dar sua história por encerrada, por volta de meia noite. Foi o primeiro a deixar a biblioteca.

Christopher Kastensmidt (em primeiro plano) e Duda Falcão na Biblioteca Pública

Christopher Kastensmidt (em primeiro plano) e Duda Falcão na Biblioteca Pública

Outro que acabou rápido sua história – só que pediu reprise, foi o americano Christopher Kastensmidt, residente em Porto Alegre. Ele terminou uma história em português e aí se dedicou a escrever uma segunda, em inglês.

Sean Branney, discípulo de H.P. Lovecraft

Sean Branney, discípulo de H.P. Lovecraft

Outros autores ocupavam uma mesa na sala na qual se desembocava no topo da escada, entre eles o cineasta e ator norte-americano Sean Branney, que veio a Porto Alegre para apresentar o filme Um Sussurro nas Trevas, que dirigiu, adaptado de uma obra do mestre do horror americano H.P. Lovecraft. Branney foi outro que terminou logo sua participação e havia deixado a biblioteca por volta de 1h.

No outro ambiente ocupado no andar de cima, o Salão Egípcio, os argentinos Gustavo Nielsen e Federico Andahazi trabalhavam. Andahazi é um dos inspiradores do Tu Frankenstein 2, idealizado pela coordenadora da Área Geral, Jussara Rodrigues, após a leitura do romance As Piedosas, no qual ele reconta o sarau de Byron e companhia. Andahazi também terminou rápido sua história e se mandou. Nielsen conclui seu trabalho também em algumas horas, mas passou o resto da madrugada revisando o conto e andando pela biblioteca.

Os argentinos Federico Andahazi (em primeiro plano) e Gustavo Nielsen

Os argentinos Federico Andahazi (em primeiro plano) e Gustavo Nielsen

Quem queria dar uma pausa, beliscar alguma coisa ou arranjar um energético que o mantivesse acordado, descia as escadas até o saguão de entrada, no qual a equipe da Câmara do Livro aguardava e mantinha a mesa abastecida com sanduíches, salgadinhos, refrigerantes e energéticos. O bate-papo no andar de baixo era animado e parte essencial da noite, uma vez que boa parte da curtição estava na troca de ideias entre os participantes.

Saguão de comes, bebes, e bate-papos

Saguão de comes, bebes, e bate-papos

 

 

 

Açorianos na Praça

08 de novembro de 2013 0
Os livros da Artes & Ofícios finalistas do Açorianos. Foto: Carlos André Moreira

Os livros da Artes & Ofícios finalistas do Açorianos. Foto: Carlos André Moreira

Foi anunciada nesta sexta-feira a lista com os três finalistas de cada uma das 10 categorias do Açorianos de Literatura 2013. Talvez pela correria da Feira, nenhuma das editoras e livrarias havia ontem acordado para divulgar com destaque os concorrentes que tinham em suas bancas. Apesar de tanto a Feira quanto o prêmio serem importantes eventos da literatura no Estado, o diálogo entre ambos não é pleno. A não ser no caso das editoras que têm barraca na praça, não é uma tarefa muito fácil encontrar os finalistas.

Essa Coisa Brilhante que é a Chuva, de Cíntia Moscovich, que concorre na categoria Conto, e o livro de crônicas Meus Livros, Meus Filmes e Tudo Mais, de Cláudia Laitano, ambos de editoras grandes (Record e L&PM, respectivamente), são facilmente encontráveis nas suas bancas “oficiais”: a da própria L&PM e a Santucci. A Artes & Ofícios tem três finalistas na relação: A Dança das Palavras (em Ensaio de Literatura e Humanidades) e Em Defesa de Certa Desordem (Poesia), ambos de Celso Gutfreind, e A Primavera de Cecília, de Beatriz Abuchaim (Infanto-juvenil), os três bem expostos.

Difícil mesmo é encontrar as bancas com livros da Grua (O Amor É um Lugar Estranho, de Luís Roberto Amabile) ou da Modelo de Nuvem (Recortes para Álbum de Fotografia Sem Gente, de Natalia Polesso). Nem a banca de informações sabe onde tem.

Top 5 - Você de Novo?

06 de novembro de 2013 0

Cinco livros que você encontra todo ano nos balaios da Feira

O Tambor, de Günter Grass
Mesmo com o Nobel recebido pelo autor alemão em 1999, é mais fácil encontrar edições recicladas na Feira do que as mais novas.

O Verão Antes da Queda, de Doris Lessing
Outra autora que, antes mesmo do Nobel, parece ter sido editada em quantidade suficiente para abastecer os saldos da Feira do Livro pelos próximos 50 anos.

Um Homem Casado, de Piers Paul Read
Hoje um autor que ninguém mais lembra direito, Read foi tão popular que seu livro estilo “classe média sofre” é onipresente nas caixas de descontos.

A Falta que Ela me Faz, de Fernando Sabino
Exemplar brasileiro do gênero, o popularíssimo Sabino tem nesta coletânea de crônicas uma de suas obras mais fáceis de encontrar a preços módicos.

O Matuto, de Zíbia Gasparetto
Não tenho muito a dizer sobre este livro porque não o li, mas já o encontrei tantas vezes nas caixas de saldos que quase tenho a sensação de já tê-lo lido.