Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros
Capa ZH ZH Blogs Assine agora

Cientista gaúcho da Nasa revela bastidores da descoberta de nova forma de vida

07 de dezembro de 2010 0

Por Leandro Becker, de Passo Fundo (leandro.becker@zerohora.com.br)



Um gaúcho de Passo Fundo, que faz pós-doutorado em um centro de pesquisa da Nasa nos Estados Unidos, acompanhou de perto o suspense e a expectativa do anúncio feito na semana passada pela agência especial americana sobre a descoberta de uma nova forma de vida.

Aos 29 anos, Rodrigo Nemmen trabalha no Goddard Space Flight Center, em Greenbelt, no Estado de Maryland, e mora em Washington DC. Em entrevista concedida por e-mail a Zero Hora, ele afirma que os cientistas ainda tem muito a aprender sobre como a vida pode se desenvolver.


ZH – Como foi viver a experiência de uma grande descoberta como integrante da equipe da Nasa?

Rodrigo Nemmen - É emocionante trabalhar numa instituição da qual fazem parte cientistas que estão fazendo descobertas que podem ter um grande impacto e revolucionar diversas áreas da ciência.

ZH – Você acompanhou o desenvolvimento da pesquisa?

Nemmen – Ela foi realizada no Lago Mono, na Califórnia, e nenhum dos cientistas envolvidos na equipe trabalha no Goddard Flight Center, onde eu estou. Vários membros da equipe, porém, fazem parte do NASA Astrobiology Institute, que é uma organização da NASA que coordena times de cientistas distribuídos em diversas instituições, muitos deles no Goddard.

ZH – Como foi o suspense feito quanto à revelação dos resultados?

Nemmen – Foi criado um clima de muito suspense antes da divulgação. O anúncio de que a descoberta causaria um impacto na busca pela evidência de vida extraterrestre despertou a imaginação das pessoas mundo afora e muitos boatos surgiram. Eu também senti um frio na barriga. Infelizmente, não tive nenhuma informação privilegiada, mesmo estando em um centro de pesquisa da Nasa. Eles guardaram muito bem o segredo.

ZH – De que forma a descoberta influencia no seu trabalho de pesquisa?

Nemmen – Infelizmente, a descoberta desta peculiar forma de vida não tem um impacto direto na minha pesquisa, que é sobre como os buracos negros gigantes podem afetar a evolução das próprias galáxias que os hospedam e vice-versa. Mas ela certamente me deixa fascinado com a complexidade da vida e as maneiras que esta encontra de se espalhar na Terra.

ZH – O que a descoberta feita pela Nasa representa para o desenvolvimento da humanidade e das pesquisas?

Nemmen - Todos os organismos vivos no nosso planeta utilizam seis elementos químicos – carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio, enxofre e fósforo – para realizar a operações básicas necessárias para a vida: montar as biomoléculas, tais como o DNA. Esta descoberta nos diz que há formas de vida – como a bactéria estudada – que são ainda mais criativas do que sabíamos e não se limitam somente a usar somente esses seis elementos, podendo substituir o fósforo pelo arsênio para realizar a sua “manutenção”. Isto nos diz que temos muito a aprender ainda sobre como a vida pode se desenvolver.

ZH – Poderá ser esse o princípio da descoberta de vida extraterrestre?

Nemmen – Esta descoberta reforça a noção de que a vida na Terra encontra as maneiras mais variadas e fascinantes de operar e se propagar. Se na Terra foi encontrado um organismo tão peculiar e interessante, imagine do que a natureza seria capaz em outros lugares na vastidão do universo. Infelizmente, até hoje não se obteve evidência alguma da existência de vida fora da Terra. Se for possível a existência de vida fora do nosso planeta, a descoberta sugere que ela não precisa se restringir necessariamente a usar os seis elementos químicos que são favorecidos na Terra.

Envie seu Comentário