A Bélgica igualou hoje um recorde nada invejável, antes nas mãos do Iraque - 249 dias sem um governo efetivo. Os partidos belgas não chegam a um acordo, em grande parte devido às divergências entre as regiões de Flandres (Norte do país, de língua flamenga, similar ao holandês) e Valônia (sul, que fala francês), e a nação vem sendo administrada por um gabinete e um primeiro-ministro interinos.
O recorde foi "comemorado" com ironia pelos belgas, que batizaram a data de a "Revolução da Batata Frita", em homenagem ao prato nacional favorito. Atos políticos foram organizados em todo o país, incluindo o striptease coletivo de 249 estudantes em Ghent (na foto). A imprensa belga também marcou a data com sarcasmo. O principal jornal de Flandres usou uma analogia futebolística para noticiar o recorde, estampando em sua capa a manchete "Finalmente, campeões do mundo!". O lado de idioma francês também seguiu a mesma linha: "Recorde batido!" é a manchete de hoje do Le Soir, que alertou para a falta de perspectivas de solução da atual crise.
Alguns diários, por outro lado, expressaram preocupação com a situação. O La Capitale, por exemplo, diz que o recorde "envergonha" a Bélgica, enquanto o La Libre Belgique adverte que o mercado de capitais, que já anda reticente com a situação dos países da zona do euro, "não está nem um pouco satisfeito com o vácuo político". O pomo da discórdia da disputa belga é um acordo para reformar o sistema federal, concedendo mais autonomia às regiões de Flandres e Valônia, além da capital, Bruxelas, um enclave bilíngue.



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