O escândalo de escutas telefônicas ilegais feitas pelo jornal sensacionalista britânico News of the World, do conglomerado News Corporation, do magnata australiano Rupert Murdoch deve ser reaquecido com mais um caso de grampo. Sara Payne, mãe de Sarah, uma menina de oito anos que foi morta aos 8 anos de idade, em julho de 2000, foi informada pela Scotland Yard que foram encontradas pistas de que ela era alvo de Glenn Mulcaire, investigador do jornal especializado em invadir caixas de mensagens.
Na época, o News of the World lançou uma campanha para criar uma lei que permitisse aos pais saberem se há algum morador na vizinhança acusado por molestamento contra crianças. A chamada campanha pela "Lei Sarah" aproximou o jornal da mãe da menina. A polícia havia informado antes que seu nome não estava entre as anotações de Mulcaire, mas retificaram a informação. Amigos de Payne disseram ao jornal The Guardian que Sara, mãe de Sarah, estava "absolutamente devastada e profundamente desapontada" com isso.
Acreditando que não tinha sido alvo de grampos, Sara escreveu uma coluna na última edição do jornal, que foi às bancas em 10 de julho, se referindo à equipe da publicação como "meus bons e confiáveis amigos". O News of the World chegou a dar um celular para Sara no início da campanha, e é a caixa postal desse telefone que pode ter sido acessada por um detetive a serviço do jornal.
O News of the World (1843-2011) era, até seu fechamento, o jornal popular de maior circulação aos domingos no país. A publicação semanal vendia 2,6 milhões de exemplares. F oi comprovado que jornalistas acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades, membros da família real britânica, vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e do Iraque. As denúncias que culminaram em seu fim foram a denúncia de que um detetive que trabalhava para o jornal teria grampeado o celular de Milly Dowler, uma menina de 13 anos que desapareceu em 2002 e foi encontrada morta. O detetive apagou mensagens do celular, dando à família falsas esperanças de que ela estaria viva. A imprensa também trouxe denúncias de que o jornal teria invadido os telefones de famílias de vítimas dos atentados de 7 de julho de 2005, em Londres, e de parentes de soldados britânicos mortos em combate.
Saiba mais sobre a história do News of the World em post publicado em nosso blog.