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Posts na categoria "Egito"

Meses depois, Egito finalmente marca eleições

27 de setembro de 2011 0

Sete meses depois da queda do ditador Hosni Mubarak em uma rebelião popular, eleições finalmente foram marcadas no país, hoje governado por uma junta militar. Mas eleições apenas para o Parlamento - para a presidência, não há nada a vista por enquanto. Conforme decisão do Conselho Supremo das Forças Armadas, as eleições para escolher os deputados da Assembleia do Povo serão realizadas em três turnos, a partir de 28 de novembro. A eleição da Shura (equivalente ao Senado brasileiro) terá início no dia 29 de janeiro, conforme a agência de notícias oficial Mena.
O futuro Parlamento egípcio será encarregado de redigir uma nova Constituição para o país. Até o momento não se sabe a data da eleição presidencial, após a qual o exército se comprometeu a ceder o poder aos civis. Mubarak renunciou em 11 de fevereiro, depois de 18 dias de protestos. Foi o segundo ditador a cair na Primavera Árabe.

Fundamentalistas egípcios mostram sua cara

29 de julho de 2011 0

Será que, depois de se livrar do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro, o Egito corre o risco de cair nas mãos de fundamentalistas islâmicos? Dezenas de milhares de pessoas participaram hoje na famosa Praça Tahrir, no Cairo, de uma manifestação dominada por grupos islâmicos. Algumas gritavam slogans a favor da instauração de um "Estado islâmico". O ato foi convocado pela Irmandade Muçulmana, aliada a diversos movimentos fundamentalistas - e havia o temor de confrontos com os militantes das organizações laicas, que voltaram a acampar na praça desde 8 de julho.
Na semana passada, os militantes islâmicos haviam preparado sua própria marcha, acusando as correntes laicas de ir contra "a identidade muçulmana" do Egito. Mas, após dois dias de negociações, as duas correntes acertaram, pelo menos em princípio, deixar de lado suas divergências para salvar os ideais da revolta popular de janeiro-fevereiro, que levou à queda de Mubarak.
Pelo menos 15 partidos e outras formações políticas participavam hoje da manifestação (foto). Entre suas reivindicações, estão o fim dos processos militares contra civis e a redistribuição da riqueza.

Egito vota referendo

19 de março de 2011 0

Os egípcios compareceram em massa neste sábado para votar no referendo para a revisão da Constituição, no primeiro pleito popular sobre os projetos de transição elaborados sob a égide do exército depois da queda em fevereiro do presidente Hosni Mubarak.

Em torno de 45 milhões de eleitores estão sendo chamados a se pronunciar nas urnas até as 19h locais (14h no Brasil). Os resultados serão divulgados no domingo, segundo a comissão eleitoral.

Os partidários da revisão são favoráveis a uma rápida transição com mudanças limitadas da Constituição, enquanto que o campo adverso defende uma nova lei fundamental, apesar de isso levar mais tempo.

Tropas do Iêmen reprimem manifestações antigoverno

12 de fevereiro de 2011 0

No rastro das manifestações que levaram à renúncia do presidente Hosni Mubarak no Egito na sexta-feira, tropas no Iêmen contiveram neste sábado alguns manifestantes antigoverno que celebravam a queda do ditador egípcio, e exigiam a saída do próprio presidente. Milhares de jovens iemenitas se reuniram em Sanaa, capital do país, entoano a frase: "Depois de Mubarak, é a vez de Ali".

A saída de Mubarak após uma revolta popular de 18 dias levantou dúvidas sobre a estabilidade a longo prazo do Iêmen e outros governos aliados do Ocidente na região.
O presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, está no poder há três décadas e tentou conter a agitação popular com a promessa de não buscar a reeleição ao final do atual mandato.


Manifestantes egípcios marcham ao palácio presidencial

11 de fevereiro de 2011 0

Após os rumores de que o ditador Hosni Mubarak renunciaria e seu discurso somente anunciando o repasse de alguns poderes ao vice-presidente, Omar Suleiman, milhares de manifestantes deixaram a Praça Tahrir, palco de protestos contra o presidente egípcio há 17 dias, e marchavam rumo ao palácio presidencial, onde estava o ditador.

A TV árabe Al Jazeera também confirma a informação e seu correspondente no centro do Cairo diz que entre a multidão ouvem-se gritos de "Estamos indo ao palácio presidencial. Estamos indo como milhões de mártires". O palácio estava protegido por barricadas.

Na rede de televisão CNN, correspondentes do Cairo avisavam que a sexta-feira pode ser um dia sangrento na capital egípcia, com um aumento do protestos.


Vice-presidente do Egito adverte opositores

08 de fevereiro de 2011 0

Numa reação a um dos maiores protestos realizados na capital do Egito contra o ditador Hosni Mubarak, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, advertiu nesta terça-feira que o governo não tolerará a continuidade por muito mais tempo dos protestos na Praça Tahrir. Suleiman também descartou a possibilidade de saída imediata de Mubarak do poder.
O ânimo dos manifestantes foi renovado com a libertação e as palavras do gerente comercial da sucursal egípcia do Google, Wael Ghonim, que ficou 12 dias preso e foi libertado na noite de segunda-feira, que surge como um novo rosto de liderança da oposição. Uma página do Facebook que anuncia o executivo como um porta-voz dos manifestantes tinha mais de 150 mil fãs nesta terça-feira.

Viagens de graça constrangem políticos franceses

08 de fevereiro de 2011 0

Dois dos principais nomes da política francesa estão em uma saia justa devido aos protestos no mundo árabe. Hoje, o primeiro-ministro da França, François Fillon, admitiu  que o presidente egípcio, Hosni Mubarak _ na poder há 30 anos e alvo de grandes manifestações há duas semanas _ emprestou a ele e a sua família um avião durante o período das festas de fim de ano, passadas no Egito. Também está enrolada a ministra das Relações Exteriores francesa, Michèle Alliot-Marie, que viajou no Ano-Novo em um avião de propriedade de um empresário supostamente ligado a parentes do deposto ditador da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali.
A assessoria de imprensa de Fillon divulgou rapidamente um comunicado depois que o jornal semanal satírico Le Canard Enchaîné divulgou em primeira mão a história sobre sua viagem ao Egito. O texto diz que o primeiro-ministro, "a convite das autoridades egípcias", usou um "avião do governo egípcio para voar de Assuan para Abu Simbel" (ambas cidades no Egito). O documento também informa que Fillon encontrou-se com Mubarak em Assuan, no sul do país, no dia 30 de dezembro.

Folha de papel

04 de fevereiro de 2011 0

O telefone toca. Imagino que seja uma ligação do Brasil, mas o recepcionista diz que há alguém me esperando no saguão. Ao descer, encontro Ehub, o motorista de táxi que tenho chamado desde quarta-feira. É um homem de cerca de 30 anos e 1m65cm, de cabelo e barba pretos, óculos e pele clara que lembra vagamente o cantor e compositor Tom Zé. Ele me deixou ontem sobre a Ponte 6 de Outubro.

Ehub não fala inglês. Eu lhe digo que não vou requisitar seus serviços naquele momento, mas ele indica o olho esquerdo com o dedo e diz num inglês muito rudimentar:

– I see. (Eu vejo.)

Percebo que ele se refere ao ataque que sofri na véspera, ocorrido alguns segundos depois de termos nos separado. Também diz, por meio de gestos, que não teve condições de intervir (o que é óbvio). Ele tira do bolso um papel com garranchos em inglês e árabe: “Eu devo estar com você todo o tempo por causa dos manifestantes e para mantê-lo a salvo”. Os dizeres foram rabiscados por seu colega Ahmed, que fala inglês.

O papelucho amassado de Ehub não é muito eficaz contra a onda de agressão sistemática à imprensa que se desencadeou no Cairo. Mas, enfim, ele tenta.

Uma sexta de decisão

04 de fevereiro de 2011 0

Nesta sexta-feira, quando se completam 11 dias do início da revolução contra o regime do ditador Hosni Mubarak, estará sendo jogado o destino do Egito – e, por tabela, do Oriente Médio – nos próximos anos.
A razão é que 4 de fevereiro foi o prazo dado pelo líder oposicionista e Prêmio Nobel da Paz Mohammed El-Baradei para que Mubarak “se vá”.
Mas obedecer a ultimatos não é, por assim dizer, do perfil do ditador de cabelos pintados e rosto maquiado. Na quarta-feira, em resposta à megamanifestação da oposição, que afirma ter reunido 1 milhão de ativistas na Praça Tahrir na véspera, Mubarak colocou em ação uma tropa de choque em trajes civis nas ruas do Cairo. O saldo foi de mais de 3 mil feridos, segundo as agências internacionais.
Até agora, os movimentos de Mubarak têm obedecido a um padrão: a cada demonstração de força da oposição, um contragolpe e uma milimétrica concessão. Depois dos choques que deixaram 130 mortos só no Cairo, na sexta-feira passada, Mubarak dissolveu com uma mão o governo e indicou um vice, Omar Suleiman – não por coincidência, o cabeça do Serviço de Inteligência do Egito –, e com a outra cassou a internet por quatro dias. Na terça-feira, a oposição revidou com a concentração multitudinária na Praça Tahrir, o ditador afirmou que não pretende concorrer a um sexto mandato nas eleições de setembro com uma mão e, com a outra, abriu as portas do inferno atiçando seus apaniguados nas ruas contra a oposição.
A contabilidade final, por enquanto, é favorável a Mubarak. A oposição conseguiu denunciar ao mundo seu regime, mas o jogo do poder dificilmente é ganho com boas intenções. É preciso mais do que argumentos para demover a turba que, ontem e hoje, acometeu sobre ativistas e até correspondentes estrangeiros nas ruas do Cairo. Enquanto isso, para a correspondente Cristiane Amanpour, da rede ABC, Mubarak diz que gostaria de deixar o poder, mas teme que isso acarrete o caos para o país. E se propõe a dialogar com a Irmandade Muçulmana – um grupo religioso moderado e que, segundo alguns, admite não ter mais de 30% dos votos em eleições livres –, apesar de toda a repressão dirigida contra seus ativistas desde os anos 1960.
Uma série de lances decisivos desse xadrez político tem sido jogada nas ruas do Cairo. E, nesta sexta-feira, os manifestantes de oposição prometem superar todos os contingentes já reunidos na Tahrir até o momento. A sexta-feira é também um dia santo para os muçulmanos, no qual se reza em mesquitas e não se trabalha. Resta saber o que ocorrerá hoje no momento em que os fiéis começarem a recolocar seus sapatos para voltar à rua depois das preces.

Mubarak conduz os confrontos no Egito de forma maquiavélica

03 de fevereiro de 2011 0

Por Luiz Antônio Araujo, enviado especial do Grupo RBS ao Cairo

O mundo talvez esteja percebendo a crise no Egito de uma maneira errada. Todos imaginavam que Mubarak, um ancião de 82 anos, seguiria o caminho do ex-presidente da Tunúsia Zine El Abidine Ben Ali (que deixou o poder na metade de janeiro deste ano após confrontos nas ruas).

Mubarak é um político extremamente habilidoso, que se conduziu de uma forma tremendamente maquiávelica nessa situação. E a sua última carta foi colocar nas ruas seus simpatizantes para fazer o papel sujo. Ele abriu as portas do inferno e colocou estes baderneiros para fazer o ataque à oposição, que as forças do governo não podiam fazer com medo de sofrer uma condenação internacional.

Mubarak disse na terça-feira uma frase mutio significativa, que só sai morto do Egito. Esta frase ecoa um pouco a carta-testamento do Getúlio Vargas, ou um pouco antes quando o ex-presidente brasileiro disse que só sairia morto do Palácio do Catete (antiga sede do Poder Executivo).

Ocorre que a segurança física do Mubarak não corre perigo no Cairo. O que certamente ele quer sinalizar é que ele vai se aferrar ao poder com todas as suas forças. Estamos vendo uma tentativa desesperada de um ditador se perpetuar por todos os meios: pela intimidação e pela violência.