O dramático alerta é da Organização das Nações Unidas (ONU): um total de 750 mil pessoas corre o risco de morrer na Somália nos próximos meses vítimas da fome, em uma tragédia provocada pela seca excepcional na região. A fome já atingiu uma sexta região do país do Chifre da África. O balanço anterior da ONU, datado de julho, mencionava 450 mil pessoas sob risco de vida na Somália, com uma população estimada de pouco menos de oito milhões. "No total, 4 milhões de pessoas estão em situação crítica na Somália, das quais 750 milhões correm o risco de morrer nos próximos quatro meses na ausência de uma resposta adequada em termos de ajuda. Dezenas de milhares de pessoas já morreram, das quais mais da metade crianças", aponta um comunicado da Unidade de Análises da ONU para a Segurança Alimentar e a Nutrição (Fsnau, na sigla em inglês).
No dia 1º de setembro, apenas 59% da ajuda solicitada para o conjunto dos países do Chifre da África afetados pela seca havia sido repassada, o que representa pouco mais de US$ 1 bilhão de um total de 2,4 bilhões. A região de Bay, a sexta e mais recente declarada em fome pela ONU, é controlada pela grupo fundamentalista islâmico Shebab, assim como grande parte do sul e do centro da Somália. Outras cinco regiões foram declaradas "em fome" pela ONU desde julho: Baixa Shabelle e o sul de Bakool, ambas contíguas a Bay, os 400 mil deslocados dos acampamentos de Afgoye, ao norte de Mogadíscio, os instalados na própria capital e nos distritos de Balaad e Adale, na região de Média Shabelle. No total, 12,4 milhões de pessoas do Chifre da África sofrem com a pior seca em décadas e precisam de ajuda humanitária, segundo a ONU.
Na foto abaixo, refugiados aguardam entrega de comida em Mogadíscio.



