Dá para acreditar? O ex-ditador da Tunísia Zine El Abidine Ben Ali, que começou a ser julgado hoje - à revelia - em seu país natal, disse que não abandonou seu cargo de presidente e nem fugiu. Em um comunicado divulgado hoje, ele afirma que foi "enganado" pelo chefe da sua segurança. O libanês Akram Azuri, advogado de Ben Ali, ressaltou, no entanto, que "isso não quer dizer que Ben Ali ainda se considere presidente da Tunísia". Acuado por protestos populares, Ben Ali deixou a Tunísia em 14 de janeiro e se refugiou na Arábia Saudita, marcando o primeiro "dominó" da primavera árabe, que atingiu também o Egito, o Iêmen, a Líbia, Bahrein e a Síria, entre outros países.
No comunicado, o ex-presidente disse que o diretor-geral encarregado de sua segurança, Ali el Siriati, afirmou, em 14 de janeiro, que iriam assassiná-lo e que o palácio presidencial estava cercado:
_ Saí enganado da Tunísia. Ali el Siriati insistiu em acompanhar minha família a Jedá (na Arábia Saudita) por algumas horas para que os serviços de segurança pudessem liquidar com o complô e garantir minha segurança. Então tomei o avião com minha família, mas, depois de nossa chegada a Jedá, o avião voltou para a Tunísia sem me esperar, contrariando minhas ordens diretas. Fiquei em Jedá em contra minha vontade. Mais tarde, foi anunciado que eu havia fugido da Tunísia.
O julgamento de Ben Ali começou hoje em Túnis, sem a presença do acusado, que rejeitou de antemão as acusações de enriquecimento ilícito feitas contra ele. Vários jornais qualificaram o processo de "histórico".


