Precaução nunca é pouca nestes casos. A Igreja Católica da Bélgica submeterá a exames psicológicos os seminaristas que aspiram ao sacerdócio, para impedir que entrem na instituição aqueles que demonstrem tendência à pedofilia. O anúncio foi feito pelo arcebispo André Joseph Leonard.
- A Igreja deve proteger as crianças. Será feito um perfil psicológico desde o início da formação. Serão analisados em várias sessões especiais por psicólogos - afirmou o arcebispo na segunda-feira à noite, na televisão, após uma onda de denúncias de abusos de menores por padres não só na Bélgica como também em outros países.
As denúncias de abusos sexuais se acumularam contra Igreja belga depois que o arcebispo de Bruges, Roger Vangheluwe, admitiu que havia abusado sexualmente de um sobrinho, o que o levou a renunciar ao cargo. Transferido da Bélgica para a França, onde devia fazer penitência e cair no esquecimento, Vangheluwe voltou a escandalizar a opinião pública belga reconhecendo que, na realidade, havia abusado de dois de seus sobrinhos e minimizou os fatos.
A admissão de Vangheluwe provocou uma onda de denúncias. Em setembro de 2010, uma comissão publicou um relatório com os depoimentos de 500 pessoas que acusaram os religiosos de terem cometido abusos. A maioria das denúncias se referia a abusos cometidos entre os anos 50 e 80, que já prescreveram tanto para a Justiça Civil como para a eclesiástica. Na sexta-feira passada, cerca de 70 vítimas de abusos sexuais por parte de sacerdotes ou religiosos pedófilos na Bélgica abriram uma ação legal contra o Vaticano e a cúpula da Igreja Católica belga.

