Mais de nove meses depois de sua morte, no dia de Natal do ano passado, o ex-presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez (1974-1979 e 1989-1993), finalmente foi sepultado ontem em definitivo, em Caracas, depois de uma longa briga judicial entre seus familiares. Em uma incomum reunião da oposição venezuelana nas ruas da capital (foto), os participantes acompanharam a pé o carro fúnebre.
_ Voltaremos, voltaremos! - gritavam os simpatizantes de Pérez, falecido em Miami, nos EUA, aos 88 anos.
Seus restos mortais não puderam ser repatriados até a última terça-feira devido a uma disputa legal entre sua antiga esposa, Blanca Rodríguez (que mora na Venezuela e de quem ele nunca se divorciou formalmente) e a nova mulher, Cecília Matos, residente em Miami. As duas partes só chegaram a um acordo em agosto. A família de Pérez rejeitou a possibilidade de pedir ao atual presidente, Hugo Chávez, um funeral com honras oficiais. Foi contra Pérez que o presidente Hugo Chávez liderou um golpe de Estado frustrado em 1992.
_ Claro que ele merecia um funeral de Estado, mas não aceitaríamos, porque nesses atos há muita hipocrisia - disse Jorge Ramos Guerra, governador do Estado de Lara (oeste) durante o segundo mandato de Pérez.
A missa fúnebre foi celebrada pelo padre Luis Ugalde, uma figura muito crítica ao governo Chávez. O religioso fez um chamado às novas gerações para "se educarem em política" e defenderem a democracia na Venezuela. Os líderes do partido Ação Democrática (AD), de Pérez, pediram união para enfrentar Chávez nas eleições presidenciais de 7 de outubro de 2012.
_ Assim como carregamos o caixão com os restos mortais de Pérez, nos sentimos também animados a levar adiante o peso da responsabilidade de transformar a democracia na Venezuela - afirmou o prefeito de Caracas e pré-candidato à presidência, Antonio Ledezma.





