Os estádios nos últimos anos estão mais bonitos e charmosos. Isso se deve a presença em massa das torcidas femininas que, cada vez mais atuantes nas partidas, mudam aos poucos o cenário antes ocupado apenas por homens. Foi-se o tempo em que diziam que mulher não entendia de futebol. Hoje são presenças registradas nas partidas. E a paixão pelo time também vem de berço para as mulheres. A colorada Daniela Heck conta que sua história com o Internacional surgiu dentro da família, que é toda colorada, principalmente pelo pai, que sempre a incentivou e passou o amor pelo time.
- Desde pequena, sempre fui colorada e frequentei o Beira-rio, mas quando eu tinha uns 12 anos, me associei em uma torcida organizada do Inter.
Ela conta que sempre acompanhou as viagens do Inter e que seu pai era o maior incentivador.
- Ele não frequentava os jogos, mas sempre me ligava durante ou após as partidas. Em 2008, meu pai faleceu e desde então, a cada jogo, parece que tenho a missão de torcer ainda mais. Sinto como se ele me observasse torcer e se orgulhasse disso.
Daniela afirma que podem falar mal dela, mas nunca do Internacional.
- Sempre que vejo uma discussão sobre futebol, mesmo que não seja comigo, se falarem mal do Inter, eu vou me meter, é fato.
Ela conta que por azar da vida, seus namorados, na sua maioria, eram gremistas, mas nunca sossegou até encontrar um colorado, já que não se via para o resto da vida com um homem que não amasse sua maior paixão.
Sobre os homens respeitar as mulheres nos estádios, ela afirma que antigamente isso não existia. Era uma agressão verbal e sexual. Hoje ela conta que mudou.
- Hoje, acompanhada ou não de um homem, o máximo que acontece é um “aí sócio!”. Existe mais respeito.
A colorada revela para nós um dos momentos mais nervosos de sua história com o colorado, em um Gre-Nal, no Olímpico, de 2004.
- Eu e uma amiga compramos ingressos de última hora e para ficar na torcida adversária. Com um calor de 30 graus, tivemos que usar moletom e casados para esconder o uniforme do Inter. O estádio estava lotado e os gremistas desconfiavam que havia algo de estranho, pois estávamos com roupa de frio naquele calor.
Daniela lembra que quando tudo parecia estar resolvido, com o inicio da partida, a situação complicou mais uma vez, com o gol marcado pelo Internacional. Logo que cruzamos o portão fizemos questão de provocar os gremistas.
- Ficamos mudas, mas não aguentei e dei um sorrisinho discreto. Foi o que faltava para os torcedores gremistas caírem em cima de nós. A Brigada Militar percebeu a nossa situação e nos passou para a torcida colorada. Estávamos sãs e salvas, mas confesso que foi uma das situações em que tive mais medo na vida, completou.
Agora que atire a primeira pedra aquele que diz que mulher não entende de futebol e não tem a mesma paixão pelo time.




