A moda é cada vez mais global, mas a herança cultural e a inovação são essenciais para evitar que o original se torne comum, de acordo com especialistas internacionais que participaram de um encontro de escolas de moda.
Delegados de cerca de 40 escolas de moda em 20 países estão em Paris esta semana para a 13ª conferência anual da International Foundation of Fashion Technology Institutes.
"A moda e o luxo: entre tradição e inovação" é o tema do evento de quatro dias.
"Tiramos o quimono há muito tempo", afirmou o presidente da fundação Satoshi Onuma, referindo-se à sua terra natal, o Japão, onde atualmente preside o Bunka Fashion College, que tem como ex-alunos Yohji Yamamoto e Kenzo Takada.
"A indústria da moda e da cultura ocidental estão indo muito rápido", disse, acrescentando que "as pessoas misturam suas civilizações. Esta é uma direção, é um movimento que não podemos mudar".
Mas - argumentando que "globalização não significa uniformização" - Onuma ressaltou que "cada país tem sua própria herança".
"Estas são as raízes da criatividade. Isso é o que nós ensinamos, ainda que não possamos ensinar a criatividade em si. A originalidade virá da criatividade. Nós não somos obrigados a vestir a mesma coisa".
Segundo a agência AFP, Dominique Jacomet, diretor do Institut Français de la Mode, a escola de moda parisiense que recebe a conferência deste ano, concordou: "É tentar (unir) isso com a globalização. Todos nós podemos estar de jeans, mas existe uma demanda real pela identidade", afirmou. "O que torna as marcas francesas, em particular, um sucesso no mundo inteiro, é a maneira como elas estão ancoradas em uma herança cultural".
"Há trinta anos, luxo e moda estavam muito separados. Hoje, tudo vem junto, principalmente devido às demandas dos consumidores e às estratégias de negócios".
Encontrar um equilíbrio entre inovação e tradição familiar permitiu à casa de artigos de luxo francesa Hermès, fundada em 1837, crescer no exterior, principalmente na Ásia, que representa 26% de sua atividade, sem contar com o Japão, afirmou o vice-presidente internacional da Hermès, Guillaume de Seynes.
Para atender às exigências especiais na China, a Hermès lançou sua própria marca, Shang Xia, com móveis, cashmeres e porcelanas criadas em meio às linhas tradicionais chinesas e adaptadas aos gostos contemporâneos chineses, explicou.
Ao responder à pergunta de um aluno, De Seynes afirmou que artesãos de couro e seda da Hermès são sempre recrutados em escolas de moda, com os candidatos submetidos a um processo de seleção de seis meses para ingressar em um treinamento de 1 a 2 anos.














