
Famoso pelo senso de humor peculiar e por sua lealdade a Elizabeth II da Inglaterra, o príncipe Philip, duque de Edimburgo, celebrará nesta sexta-feira de maneira discreta o aniversário de 90 anos, quase 60 deles a serviço da esposa e rainha.
O duque recebeu hoje o título de Primeiro Lorde do Almirantado como presente de sua esposa por ocasião de seu aniversário.

Segundo a agência AFP, a própria rainha ostentava desde 1964 este cargo criado no século XIV, o mais alto do escalão da Marinha Britânica, corpo ao qual o príncipe Philip renunciou em função da promissora posição de príncipe consorte.
Em seu aniversário, o duque trabalhou normalmente, como era seu desejo, mas, em uma entrevista, explicou que ia reduzir suas atividades até sua "data de vencimento".
"Parece-me que já coloquei meu grão de areia; agora quero desfrutar um pouquinho. Com menos responsabilidade, menos pressa, menos preparação, menos ter que pensar em algo antes de falar", declarou o aniversariante à BBC.

"Além disso, estou perdendo a memória, já não me lembro de nomes. Sim, estou de certo modo desconectando um pouco", acrescentou.
Na agenda de aniversário figuram ainda, no entanto, uma recepção no Palácio de Buckingham por ocasião do centenário de uma das 800 organizações da qual é presidente honorário, o Instituto Real Nacional para Surdos (RNID), e uma conferência de coroneis seguida de um jantar.
O único ato excepcional foram as 62 salvas de canhão disparadas em sua homenagem na Torre de Londres.
Famoso pelo senso de humor peculiar e por sua lealdade a Elizabeth II da Inglaterra, o príncipe consorte mais longevo da história britânica aparentemente optou por um dia de descanso.
No domingo, a família real se reunirá para uma missa de ação de graças no castelo de Windsor, seguida de uma recepção.
Apesar da idade avançada, Philip permanece ativo e não perdeu a capacidade de fazer piadas de qualidade geralmente duvidosa.
A data também não parece impressionar o duque, que disse apenas que está ficando um pouco mais velho, em uma entrevista ao canal ITV.
Convidado a fazer um balanço de sua vida, foi sucinto.
"Gostaria de não ter cometido os erros que cometi. Mas não vou dizer a vocês quais foram", disse.
O príncipe Philip da Grécia e Dinamarca, bisneto da rainha Victoria como a própria rainha Elizabeth II, nasceu em uma mesa de cozinha na ilha de Corfu em 10 de junho de 1921.

E pouco mais de um ano depois, em dezembro de 1922, foi retirado em uma caixa de laranjas com restante da família em um navio britânico, quando o tio, o rei Constantino I da Grécia, avô da rainha da Espanha, teve que partir para o exílio.
Após uma infância errante e uma longa estadia em um pensionato austero da Escócia, ingressou na Marinha britânica e teve participação ativa na Segunda Guerra Mundial.
Após o casamento em 1947 com a jovem princesa Elizabeth, Philip Mountbatten foi enviado a Malta, mas a meteórica ascensão militar foi interrompida pela ascensão ao trono da esposa em 1952, o que o obrigou a renunciar à carreira.
"Estando casado com a rainha me parecia que deveria servi-la da melhor maneira possível", disse à ITV.
Desde então desempenha um papel secundário ao lado da monarca, a qual acompanha em todas as visitas oficiais, mas é alvo constante da imprensa com comentários, ao mesmo tempo, espontâneos e inadequados, e muitas vezes racistas.
Em 1986, por exemplo, aconselhou estudantes britânicos na China a não permanecerem muito tempo no país se não quisessem terminar com os "olhos rasgados".

Durante uma visita à Austrália em 2002 perguntou a um aborígene se "ainda disparava flechas". Em outra ocasião questionou a um professor de autoescola escocês sobre seu método "para manter os nativos sem beber durante tempo suficiente para passar o exame".
Apesar de tudo, ganhou a simpatia dos britânicos com o trabalho de incentivador de quase 800 organizações.
O primeiro-ministro David Cameron homenageou Philip na quarta-feira no Parlamento, ao afirmar que o duque foi um "companheiro constante e uma fonte de enorme força para a rainha Elizabeth".