
O estilista John Galliano confessou diante de um tribunal francês, que sofre de vício triplo em álcool, soníferos e Valium. O depoimento foi dado durante julgamento, nesta quarta-feira, por insultos antissemitas e racistas feitos pelo inglês num bar parisiense.

O estilista britânico confessou, diante de um tribunal francês, que sofre de um "vício triplo" em álcool, soníferos e Valium, durante o julgamento contra ele por insultos antissemitas e racistas proferidos em um bar parisiense, constataram jornalistas da agência AFP.
"Não me lembro muito bem do que aconteceu", disse John Galliano ao tribunal com a mediação de um tradutor.
Vestido de preto e com os cabelos soltos, mas sem usar chapéu, Galliano, de 50 anos, chegou ao Palácio de Justiça de Paris pouco antes do início da audiência, que começou às 15H50 local (10H50 de Brasília).
O estilista disse que no momento do ocorrido estava sobrecarregado de trabalho, e explicou que após perder seu pai em 2005 e um "amigo muito querido" em 2007, que o "protegia de tudo", dedicou-se a beber cada vez mais, antes de cair no vício. "Não podia ir trabalhar sem tomar minhas pílulas", explicou.
"Agora, sinto-me muito melhor", disse o estilista, que com o rosto tenso e pálido indicou ao tribunal que esteve por dois meses no Arizona (Estados Unidos) fazendo um tratamento de desintoxicação de todos os seus vícios.
Nascido em Gibraltar, filho de um encanador anglo-italiano e de uma espanhola, cujo verdadeiro nome é Juan Carlos Galliano, será julgado por insultos antissemitas e racistas proferidos em outubro de 2010 e em fevereiro de 2011 no bar parisiense La Perle, no bairro de moda de Marais, onde mora o estilista, que se instalou em Paris em 1990.

Galliano entrou por uma porta lateral na sala XVII do Tribunal, escapando assim dos numerosos fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas que aguardavam o início da audiência.
Cinco testemunhas se apresentaram diante da presidente do tribunal, a juíza Anne Marie Sauteraud.
A primeira autora, Géraldine Block, assegura que no dia 24 de fevereiro, estando na varanda deste bar, Galliano disse "dirty jewish face".
O acompanhante da mulher, Philippe Virgitti, afirma que Galliano o chamou de "fucking asian bastard".
O casal, que o acusa por insultos antissemitas e racistas, fez a denúncia à polícia, que deteve na mesma noite o estilista britânico em estado de embriaguez.
A segunda acusação foi apresentada por uma mulher de 48 anos identificada como Fatiha, que afirma ter sido insultada por Galliano no dia 8 de outubro de 2010 no mesmo estabelecimento. Assegura que Galliano gritou "fucking ugly jewish bitch".
No dia 28 de fevereiro, o jornal britânico The Sun revelava em seu site um vídeo do estilista insultando pessoas que estavam sentadas em uma mesa junto à sua, sempre no mesmo bar.
"Amo Hitler (...) Pessoas como vocês estariam mortas. Suas mães, seus pais seriam fodidos com gás", afirma Galliano neste vídeo gravado com um telefone celular.
Esta cena teria ocorrido no La Perle no dia 12 de novembro de 2010.
A publicação do vídeo provocou sua demissão do cargo de diretor de criação da grife parisiense Dior, a grife na qual era diretor criativo desde 1996, o demitiu em março.

Segundo a agência AFP, Galliano pode ser condenado a uma pena de até seis meses de prisão e 22.500 euros de multa (32 mil dólares).
"Meu cliente está mal", disse nesta quarta-feira antes da audiência o advogado do estilista, Aurelien Hamelle. "Só sabe que as declarações pelas quais ele é acusado não refletem sua forma de pensar. Não é nem antissemita, nem racista", disse o advogado.
Um dos advogados dos três autores, Jean Bernard Bosquet Denis, considerou que o estado de embriaguez "não é uma circunstância atenuante".
Associações de luta contra o racismo também acusaram o estilista, cuja sentença deve ser conhecida em algumas semanas.
O julgamento coincide praticamente com o desfile de moda masculina da marca John Galliano previsto para a próxima sexta-feira em Paris, segunda coleção desta marca na ausência de seu fundador, que se caracterizava por performances surpreendentes.