Há uma confusão tática na imprensa esportiva que dificulta em muito o entendimento da opinião pública, para não dizer que chega realmente a atrapalhar.
Sistema tático é o ponto de partida de cada time, é o posicionamento da equipe sem a bola, com a posse todos têm funções bem definidas de acordo com a estratégia que será aplicada dentro daquilo que foi organizado pelo treinador.
Por isso, o 4-2-3-1 não implica em apenas um atacante, pode ter um, dois, três, quatro ou até nenhum. Fosse assim e Cristiano Ronaldo seria meia no Real Madrid e não atacante.
O 4-2-3-1 pode ser um 4-3-3 com os ponteiros voltando para marcar os laterais adversários, como faz a seleção da Holanda, ou como fazia o Flamengo de Zico, campeão do mundo.
No Inter, que joga neste sistema, Dagoberto é atacante, apenas sem a bola, faz a recomposição defensiva, como todos os times do mundo fazem.
Não existe mais esta de deixar dois ou três jogadores lá na frente esperando a bola. Quem faz isto perde o jogo.
O Santos joga 4-4-2, mas sem a bola, apenas Borges fica na frente. Neymar fez um gol no Inter na Vila pegando um rebote no campo defensivo. Messi faz isso também no Barcelona, independente do esquema.
No Inter, com a posse de bola, Dagoberto tem liberdade total para ir à frente, é atacante e aparece ao lado de Damião.
Chega a ser constrangedor debater este assunto que no estudo da teoria tática é absolutamente simplório.
Mano Menezes ganhou a Copa do Brasil jogando num 4-2-3-1, a seleção brasileira de Dunga jogava assim, o Inter campeão da Libertadores da América de 2010 jogava assim, com Taison fazendo a função de Dagoberto, não há, portanto, nenhuma novidade.
Respeito quem prefere o 4-4-2, normal, cada um tem a sua preferência, mas o desconhecimento incomoda.
Linha de três não significa que o time vai jogar com apenas um atacante, ou que Dagoberto vai deixar de ser atacante. O fato de ele recompor quando o time está sem a bola, não lhe retira as funções de atacante agudo quando o time tem a posse de bola. Basta ver os dois primeiros gols de Dátolo no jogo contra o Veranópolis. E o Inter estava sim no 4-2-3-1.
Não tenho preferência por este ou aquele sistema, mas precisamos qualificar o debate, mesmo discordando do sistema utilizado por este ou aquele treinador.
Há uma rejeição de alguns para com a teoria tática, mas existe uma multidão de torcedores que domina e gosta do assunto.

