Luto por uma Luta: Amigos de Lucas Boeira Dias com a camiseta que marca a luta pelo fim da morte de surfistas em redes de pesca no RS / Clube Surf
Mais dor do
que indignação
A igreja São Francisco, no bairro Santana, em Porto Alegre, lotou no início da noite desta sexta-feira (17/04) para a missa de sétimo dia da morte de Lucas Boeira Dias, surfista que perdeu a vida na manhã do dia 11 de abril depois de ficar preso em um cabo de rede de pesca na Praia de Capão Novo.
Parentes, amigos e algumas lideranças do surf gaúcho estiveram presentes na cerimônia prestando solidariedade e apoio aos familiares da vítima, a 46ª que morre afogada após ficar enredada em artefatos de pesca no litoral norte do Rio Grande do Sul desde que o primeiro caso foi registrado em 1983.
Apesar do protesto organizado pela família, que distribuiu 100 camisetas estampando a foto de Lucas e a frase “Luto por uma Luta”, o sentimento era de dor. Um dos mais abatidos era o irmão gêmeo de Lucas que surfava com ele quando ocorreu a tragédia.
Fábio Boeira Dias, 22, viu quando o irmão ficou preso ao cabo, mas a corrente forte e o mar revolto impediu que ele conseguisse chegar a tempo de socorrê-lo. Mesmo sofrendo com a recente e abrupta perda, ele declarou que está na hora de dar um basta nesta verdadeira calamidade que assola o surf gaúcho.
“Isso não pode mais continuar”, disse ele. “É preciso achar uma solução para esse impasse e que se crie e se cumpra uma lei de delimitação das áreas de surf e pesca. Mais de 40 surfistas já morreram desta forma e é preciso dar um basta. Que a morte do Lucas sirva para conscientizar a comunidade sobre esta barbaridade”, finalizou Lucas.
Além de amigos e familiares, estiveram presentes na cerimônia religiosa, entre outros, o presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho, representantes do Movimento de Proteção ao Surfista, o professor Nelson Gruber, do Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica da UFRGS e o deputado estadual Sandro Boka, que lidera uma frente parlamentar para tratar do assunto.
Sobre os avanços no trabalho que visa harmonizar surfistas e pescadores para achar uma solução definitiva, o deputado admite a dificuldade de se estabelecer um entendimento pleno entre as partes, mas que avanços estão sendo conquistados neste sentido.
Um deles é o estudo feito pelo Centro de Estudos de Geologia Costeira e Oceânica que prova a necessidade do aumento das áreas destinadas ao surf no litoral gaúcho.
Os dados levantados dão conta de que uma extensão livre de pesca deve ter no mínimo 4 km para que se pratique o esporte com segurança, já que em dias de corrente bi-lateral extrema, o surfista pode ser deslocado a uma velocidade de 1 metro por segundo.
O grupo de trabalho pretende se valer destes estudos para convencer as prefeituras a redefinir suas áreas de surf e pesca.
“As praias que não destinarem extensões de no mínimo 4 km para a prática do surf serão indicadas como áreas de risco e impróprias para o esporte, o que deve causar sérios prejuízos ao setor de turismo das cidades que não se enquadrarem dentro das normas”, falou Boka, que também é surfista.
Na próxima quarta-feira, dia 20 de abril, será lançada uma campanha publicitária que, segundo o deputado, terá como objetivo mostrar para a sociedade gaúcha a importância que o surfe tem dentro do contexto social e econômico de nosso estado.
A campanha visa também mudar a imagem equivocada que parte da população tem em relação aos surfistas, de que seriam alienados e desocupados, tirando a importância da causa.
“Hoje o surfe é muito mais que um esporte, é um gerador de emprego e renda que, principalmente no inverno, incrementa os orçamentos das prefeituras”, finalizou Sandro Boka.
fonte:clubesurf
Postado por paulo-joinville