Quando a gente volta das férias aquele gostinho fresco das coisas novas persistem por um tempo. Ainda tomada pelas impressões das férias, e impressionada por um país e por uma gente realmente bonita, lhes conto que acabo de conhecer Paris. Para contrariar com gosto aqueles que me dizem que disperdicei tempo visitando uma só cidade, respondo com o lamento que infelizmente não consegui fazer e ver tudo que queria.
Paris é uma cidade para ser vivida e não visitada, mesmo que a visita dure uma semana. A beleza e a arte estão em tudo. Nas ruas, nas casas, na comida, na curiosidade das crianças nos parques, nos túmulos daqueles que ali viveram, nos que fazem, fizeram e farão de Paris uma cidade admirada pelo resto do mundo.
Quer uma dica para tirar máximo proveito de uma viagem à França? Aprenda a falar francês. Um pouco que seja. Você vai poder interagir com o lugar e algo mais gratificante, interagir com as pessoas. Você também verá que os únicos franceses capazes de torcer o nariz para você serão uma ou outra garota do 16º arrondissement, a zona mais rica de Paris. Ok, até a ela eu daria razão. Imagina ter a sua cidade inundada por turistas 24h por dia. Mas me senti muito bem acolhida pelos franceses, tanto em Paris como na nossa visita a Fécamp, cidadela na Alta-Normandia onde fomos ajudadas por policiais-anjos.
Voltando a Paris, sem dúvida o melhor da cidade está nos parisienses. Nos cafés, eles se voltam para a rua, mesmo quando acompanhados. Bancas de revista e tótens de anúncios de peças teatrais por todo o canto, respira-se cultura. A elegância inata dos homens de terno, dos jovens superestilosos, das mulheres de trench-coat e sapatilhas. Eles conseguem ser despojados e elegantes ao mesmo tempo.
É uma população que apesar de todas as polêmicas sobre a imigração parece assimilar muito bem os imigrantes legais. Pelo menos 15% da população parisiense é composta por imigrantes, conforme dados. Parecem mais. Traços africanos e orientais se confundem com os olhos expressivos e claros dos franceses no metrôs, nos ônibus, nos supermercados, lojas e nas boulangeries (padarias).
É aí que eu percebi a beleza de Paris. Liberdade, igualdade e fraternidade não está ali só pra ser lida nos monumentos e flâmulas. Ela está na essência daquela gente. Provamos a igualdade ao sermos extremamente bem recebidas, a liberdade de poder adimirar a cidade à noite e sem medo e a fraternidade de quem oferecia ajuda quando nos sentíamos perdidas, é um povo fabuloso, cordial e genuinamente respeitoso. Eles respeitam o próximo, coisa que infelizmente temos pouco aqui na nossa realidade.
Sete dias foram suficientes para apaixonar este coração fútil e deslumbrado. Mas não foram suficientes para matar a minha vontade de Paris. Paris, je t`aime.
Postado por Ane Meira