Domingo, aconteceu em Vancouver a 30ª Parada do Orgulho Gay. O jornalista (e amigo querido!) Diego Adami está no Canadá estudando e conversou com o artista Gilbert Baker, que há 30 anos, em 1978, criou design da bandeira do arco-íris em substituição ao triângulo cor-de-rosa usado pelos nazistas para se referir aos homossexuais.
Naquele ano, a bandeira tremulou na Parada do Orgulho Gay de São Francisco, na Califórnia (EUA). Com o passar do tempo, popularizou-se como o símbolo do orgulho gay e da luta contra a discriminação e pela igualdade de direitos.
Oficialmente, a bandeira do arco-íris (Rainbow Flag) tem seis cores, cada uma com um significado: vermelho (vida), laranja (cura), amarelo (a luz do sol), verde (natureza), azul (harmonia) e violeta (alma). Confere o que o cara falou:
Quando você criou o desenho da bandeira, imaginava que ela tomaria essa proporção e se tornaria o que é hoje?
Eu não estava certo. Quando criei a bandeira do arco-íris, em 1978, eu não estava completamente certo. Eu esperava. Mas eu soube, imediatamente, depois de terminar o trabalho, em função da maneira com que as pessoas responderam.
Onde você buscou inspiração?
Veio da bandeira americana. E eu a criei por causa do poder das bandeiras e como elas traduzem o significado de todos os tipos de coisa. E outra parte da inspiração foi meu bom amigo Harvey Milk (um dos primeiros homossexuais assumidos a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos). Ele foi tragicamente assassinado (por um adversário de campanha inconformado com a derrota), e sua principal mensagem foi ``mostre-se, seja visível``. Ele me incentivou a criar uma ferramenta, algo que desse visibilidade ao movimento GLBT.
E funcionou... A maioria das pessoas quando vê a bandeira imediatamente dá um sorriso...
É esse o ponto. É sobre celebração, graça... O arco-íris é uma maravilha da natureza, é assim que nós somos. É um sentimento bom. Mas nós também celebramos o sofrimento. Há muitas pessoas que ainda não podem hastear a bandeira do arco-íris.
Na sua opinião, qual a importância de eventos como as paradas gays?
A maior importância é mostrar que podemos viver juntos. É lindo o fato de, um dia no ano, pessoas de diferentes gerações e culturas estarem juntas. É um clichê dizer isso, mas é como uma única e grande família. É maravilhoso.
Você acha que é mais fácil ser gay atualmente?
Não. Já percorremos um longo caminho. Em função de muitos crimes, o assunto foi colocado na agenda dos direitos humanos. Mas em todo o mundo, em cerca de 80 países, ser gay é ilegal e, em sete, as pessoas podem ser assassinadas por serem gays. Mesmo aqui em Vancouver, uma cidade tão maravilhosa e livre, há homofobia. Violência e discriminação continuam, temos sofrimentos e estamos lutando por nossos direitos.
Há ainda bastante trabalho...
Exato. Quanto mais velho eu fico, mais eu chego à conclusão de que há uma fronteira entre nós, jovens e velhos, pessoas das gerações anterior e posterior à minha. Uma coisa inacreditável acontece em nossas vidas quando decidimos ser verdadeiros com nós mesmos. E uma vez que você toma essa decisão e vive a verdade, é uma coisa muito forte. Hoje em dia é tão difícil "sair do armário" para um jovem de 16, 17 anos ou qualquer pessoa, como foi para mim. Mas essa barreira tem diminuído. E é isso o que faz nosso movimento tão forte.
As pessoas estão aceitando mais os gays?
Eu acho que a sociedade avançou de uma maneira inacreditável. Por exemplo, aqui no Canadá, e também nos Estados Unidos e outros lugares no mundo, as pessoas estão realmente aceitando e nós realmente temos uma certa igualdade. Mas, na maioria do mundo não é o mesmo. E é por isso que muitas pessoas marcham pelas ruas. Não só por si mesmas, mas por todas as pessoas ao redor do mundo.
Postado por Tríssia Ordovás Sartori, Caxias do Sul


