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Dor de saudade: quem nunca sentiu?

25 de setembro de 2012 2

Foto: Stock.xchng, divulgação

O texto que segue é da jornalista Nádia Toscan, colaboradora eventual deste blog.

Eu sinto uma dor no peito, de saudade. É uma dor estranha, começa com o estômago doendo, o peito apertado, sobe pela tráqueia, laringe, faringe e, finalmente, chega a boca. Mas a sensação não para por aí, ela decide seguir, passa pelas fossas nasais e enfim chega aos olhos.  As lágrimas brotam sem o menor esforço, lavam o rosto e a alma.

Tempos atrás enquanto andava pela rua pensei do que mais sinto saudade? E não consegui chegar a só uma resposta porque várias cenas me vinham a mente. Pessoas, lugares, sabores, odores…um misto de tristeza e alegria. 

Então decidi descrever alguns desses momentos que deixam meu coração apertado:

- A casa dos meus nonos Pedro e Matilde (já falecidos), em Travessão Paredes, onde eu, meus irmãos Joanir e Rafael e meus primos, Alex, Andreia, Bibiana e César brincávamos o domingo inteiro, sem parar. Era tanto cansaço que eu e meus irmão sempre dormíamos na viagem de volta para casa;

- O coqueiro que ficava em frente a casa do meu tio João, era lá que nos pendurávamos enos balançávamos de um lado para outro;

- Saudades da minha nona materna, Maria (falecida), seus longos cabelos grisalhos enrolados em um coque, e a da sua enorme paciência;

- Tomar banho de mangueira ou no tanque de casa naqueles dias bem quentes lá em Caxias;

- Fazer marmelada na casa da tia Aurélia e comer ainda quente, claro. A dor de barriga que vinha depois não tinha a menor importância;

- Dormir no colchão de palha de milho na casa da nona Matilde e acordar cedo pra tomar o melhor café do mundo, melhor porque era feito com todo o afeto de uma grande pessoa;

- Assistir ao Sítio do Pica-pau Amarelo (na nossa tevê pretoebranco) depois da escola, deitada no chão da cozinha, na companhia do meu irmão mais velho;

- Soltar pipa na estrada de chão batido e descer o morro com nosso carrinho de lomba sentido o vento bagunçar os cabelos;

- Passar o dia com meu pai, trabalhando (ele trabalhando e eu dando trabalho) nas suas construções pela cidade;

- Beijar a minha mãe (ainda faço e é inesquecível).

Comentários (2)

  • Sarita diz: 25 de setembro de 2012

    Só quem nunca viveu… e talvez os sociopatas :P

  • Antonio Carlos Fortunato diz: 26 de setembro de 2012

    Oi Nádia, sensacional, muito lindo. Estava lendo o texto e ao mesmo tempo já fui viajando tbm ao meus bons tempos, parabens bj.

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