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Xico Sá e as mulheres: fascínio recíproco

09 de agosto de 2014 0

Daniel Marenco/FolhapressEsse é um longo exercício, a história de uma vida e não tem mais jeito, sempre acabo me comovendo — explica o jornalista, escritor e muso do blog Xico Sá, sobre o talento para observar e elogiar mulheres nos escritos.

Tal comoção diz respeito ao universo feminino de maneira ampla, da voz rouca de uma, à mata tropical, do flagra no ônibus ao tesão nada nostálgico ou a gostosura desavisada de outra. Boa parte das celebridades que passeiam pelo imaginário brasileiro estão deliciosamente homenageadas por Xico.

Na obra recém-lançada, O Livro das Mulheres Extraordinárias (Editora Três Estrelas, 264 págs., R$ 39,90), versa sobre 127 delas, num mix saboroso de crônica, perfil e declaração de amor.

São musas diversas mas, como explica, todas integram uma “certa mitologia nacional”.

—São as mulheres da Playboy, as divas da pornochanchada, que fazem parte do meu lendário dos amores que divido com a massa — ri, citando Sônia Braga, Nicole Puzzi e Vera Fischer como exemplos.

Ao referenciar Sônia e Vera, Xico faz alusão também à obra Modos de Homem, Modas de mulher, de Gilberto Freyre. O sociólogo pernambucano apontava Sônia como modelo de beleza da brasileira: pele morena, cabelos longos e crespos, cintura fina, bunda grande, seios pequenos e, com um certo tom de contrariedade, observava, que símbolo estava sofrendo um “impacto norte-europeizante” com o sucesso de mulheres como Vera: branca, loira, cabelos lisos e formas menos arredondadas.

—Acabei brincando com os arquétipos do livro, sempre pensando em duas, como Gisele Bündchen e Camila Pitanga — explica.

Jovens, maduras e com diferentes status de fama, das protagonistas globais às atrizes do teatro underground de São Paulo. Gosto do olhar de Xico porque é sempre inclusivo: sobra admiração para a modelo Lea T., “o belo e o cirúrgico drible nos gêneros” e para a atriz Betty Faria “pegaria com 90 anos”.

O fascínio que as mulheres provocam em Xico se converte em encantamento reverso:

—Há uma lenda que vão criando, essa coisa de “ele é o cara das mulheres” e eu vou deixando (risos).

Até faz graça sobre a fama de queridinho da mulherada.

— Isso não é uma unanimidade e até é bom. Recebo muitos cutucões, alguns muito bem fundamentados, me acusando de machista, com umas advertências “mulheres, não caiam nessa”, como se minhas leitoras precisassem ser alertadas. O que existe é uma admiração pela minha escrita, mais por isso, não me iludo. Mas também não reclamo (risos).

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