
Foto: Stock.xchng, divulgação
Sempre saio da aula de Teoria da Enunciação II, cadeira do programa de Doutorado em Letras que estou cursando, cheia de questionamentos sobre aquilo que (não) aprendemos na escola. Sobre a forma como os conteúdos são ensinados e a aplicação real deles. No caso da Língua Portuguesa, por exemplo, somos convidados a pensar sobre ela — aprendemos a fazer análise sintática, a reconhecer sujeitos e predicados, a entender a crase e por aí vai —, mas raramente a praticamos, certo? Não escrevemos muito, não a moldamos ao nosso dia a dia.
Enfim, o assunto sempre rende.
Por isso, publico aqui um texto-desabafo da jornalista Nádia Toscan, que além de ser uma amiga querida está inconformada com o tema.
"Minhas férias de verão (quase no inverno) recém terminaram. Aproveitei para rever amigos e a família. Nada de muita festa e badalação, apenas descanso. Uma das atividades foi auxiliar a criançada no tema de casa. Quem me conhece sabe que não sou muito paciente, mas é preciso treinar a mente e contar até 10, 100, 1.000 na hora de ensinar matemática. Pois bem, ao trabalho...
A primeira parte da tarefa era recortar a atividade e colocar no caderno. Ler e resolver o problema. Ao ler a questão, surpresa: frases sem ponto, vírgula, acentos faltando e inclusive nome próprio em letra minúscula (caixa baixa). Na hora, fiquei muito irritada: se o exercício é entregue dessa forma, o que esperar do aluno? A escola em questão é pública e já foi "referência" em ensino qualificado.
Sempre considerei a educação o quesito mais importante na vida de qualquer pessoa. Mas ao ver o tratamento que ela está recebendo acho que realmente a coisa só tende a piorar. Se os pais não estiverem atentos a esse problema e empenhados em exigir ensino qualificado e, ao mesmo tempo, ensinarem com qualidade seus filhos, dificilmente vai sobrar muita coisa boa para o futuro desses pequenos."