Sempre saio da aula de Teoria da Enunciação II, cadeira do programa de Doutorado em Letras que estou cursando, cheia de questionamentos sobre aquilo que (não) aprendemos na escola. Sobre a forma como os conteúdos são ensinados e a aplicação real deles. No caso da Língua Portuguesa, por exemplo, somos convidados a pensar sobre ela — aprendemos a fazer análise sintática, a reconhecer sujeitos e predicados, a entender a crase e por aí vai —, mas raramente a praticamos, certo? Não escrevemos muito, não a moldamos ao nosso dia a dia.
Enfim, o assunto sempre rende.
Por isso, publico aqui um texto-desabafo da jornalista Nádia Toscan, que além de ser uma amiga querida está inconformada com o tema.
"Minhas férias de verão (quase no inverno) recém terminaram. Aproveitei para rever amigos e a família. Nada de muita festa e badalação, apenas descanso. Uma das atividades foi auxiliar a criançada no tema de casa. Quem me conhece sabe que não sou muito paciente, mas é preciso treinar a mente e contar até 10, 100, 1.000 na hora de ensinar matemática. Pois bem, ao trabalho...
A primeira parte da tarefa era recortar a atividade e colocar no caderno. Ler e resolver o problema. Ao ler a questão, surpresa: frases sem ponto, vírgula, acentos faltando e inclusive nome próprio em letra minúscula (caixa baixa). Na hora, fiquei muito irritada: se o exercício é entregue dessa forma, o que esperar do aluno? A escola em questão é pública e já foi "referência" em ensino qualificado.
Sempre considerei a educação o quesito mais importante na vida de qualquer pessoa. Mas ao ver o tratamento que ela está recebendo acho que realmente a coisa só tende a piorar. Se os pais não estiverem atentos a esse problema e empenhados em exigir ensino qualificado e, ao mesmo tempo, ensinarem com qualidade seus filhos, dificilmente vai sobrar muita coisa boa para o futuro desses pequenos."










