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Figura do supertécnico perde força

06 de September de 2013 6

Luxa3Web

Não é um movimento radical. Há refluxos. É lento. Mas avança. A figura do supertécnico, com poderes que vão da escalação até o lugar mais adequado para acomodar a cerca do estacionamento, o mágico capaz de levar ao título ou a escapar do rebaixamento pela sua simples presença no vestiário, este perfil perde força.

Alguns exemplos deste universo estão em baixa. Boa parte desempregada, inclusive: Abel Braga, Muricy Ramalho, Celso Roth, Emerson Leão (foi ele que mexeu na cerca no pátio do Olímpico), Paulo César Carpegiani, Joel Santana. Outros flertam com a segundona no comando de clubes ricos, cheios de recursos. É o caso de Vanderlei Luxemburgo (Fluminense), Mano Menezes (Flamengo) e Paulo Autuori (São Paulo).

Enquanto isso, aos poucos entra na pauta a aposta em treinadores formados em casa e com ênfase na especialização tática. Antes, nem se cogitava manter no cargo um técnico com currículo só de base. Muito jovem, diziam. Inexperiente, acrescentavam. Pois é, mas Guardiola era jovem e inexperiente.

Assim, aos 34 anos, Marquinhos Santos comanda o Coritiba. Claudinei Oliveira, 43, se mantém no Santos. Inter e Grêmio já ficaram, recentemente, com Osmar Loss e Marcelo Rospide por períodos impensáveis em outros tempos, independentemente dos resultados. É uma quebra de paradigma interessante _ e uma economia também: o salário de um supertécnico, à certa altura, destrambelhou para algo em torno de R$ 1 milhão.

Tem lógica esta mudança de paradigma. Se um clube forma jogadores, por que não pode formar técnicos? Nada impede. Hoje, a competição nas categorias de base é medonha. Há mais torneios nacionais e mais gente garimpando talentos em todos os cantos do país. Os jogadores são aproveitados cada vez mais perto da primeira barba bem feita. Por questão de sobrevivência, têm de estar prontos antes.

É difícil descobrir o craque nos juniores. O fenômeno explode no juvenil, que agora mudou de nome, é sub-17. Se chega aos 21 anos sem chamar a atenção, é candidato a comum. Cruel, eu sei, mas é assim. Quem lida com estes jogadores quase no dia-a-dia, senão os profissionais da base?

Os técnicos da base ganharam relevância nos clubes. O Inter, por exemplo. Os dirigentes acompanham o time multicampeão de Clemer como laboratório para o principal. Hoje é Otávio, amanhã será Cláudio Winck e Fernando Baiano. No Grêmio, Fernando tomou conta do lugar aos 18 anos. Além do Efeito Guardiola, há também uma mudança tênue de comportamento que contribui para tirar de cena o supertécnico.

Wagner Mancini (Atlético-PR), Cristóvão (Bahia), Marcelo Oliveira (Cruzeiro), Cuca (Atlético-MG), Ney Franco (Vitória), Tite (o exemplo para mais bem acabado disso), todos estes têm um jeito menos “dono do mundo” e mais tolerante ao contraditório. A ênfase é nos jogadores. Coloque o melhor treinador do planeta no Tamoio, de Viamão, e nada acontecerá.

O próprio Felipão, espécie de hours-concours da profissão no Brasil, deixou o Palmeiras já a caminho do rebaixamento. Reencontrou-se numa Copa das Confederações brilhante na Seleção Brasileira, mas aí com os melhores à disposição, sem o desgaste do convívio diário.

Nada impede os supertécnicos de se encaixarem neste novo paradigma, já que todos têm méritos indiscutíveis. Os novos ares não significam o fim deles, e sim de um modelo. Quem sabe, no futuro, não teremos técnicos brasileiros brilhando na Europa como os argentinos, em vez de só jogadores?

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Comentários (6)

  • LAERT diz: 6 de September de 2013

    Perfeito. É hora de acabar com isso. Supertécnicos e super-salários. Mas uns clubes ainda caem nessa: veja o caso do São Paulo que trouxe de volta o superado Paulo Autuori. Autuori passou pelo Grêmio, com muita lábia e sem nenhum resultado. O mesmo aconteceu com Luxemburgo no Flamengo, no Atlético Mineiro, no Grêmio e agora no Corinthians. Esses treinadores chegam com a conversa mole de que têm um projeto de longo prazo, fazem um contrato milionário e depois só ficam esperando ser demitidos. Os técnicos superados só ficam trocando de times e não dão chance aos mais novos. Parece nosso congresso nacional, onde os políticos só mudam de partido, mas continuam privilegiando famílias e dinossauros da política continuam ser reeleitos pelos adoradores de ídolos. Porque pagar milhões a esses técnicos e não dar chance aos emergentes? Como surgiram Tite e Mano Menezes? Oriundos de clubes pequenos, que ganharam uma oportunidade nos grandes clubes. Não dá mais para aguentar esses que você citou, sempre trocando figurinhas entre si. E também está na hora de pagar jogadores pela produtividade. São absurdos os salários pagos a velhos jogadores que vivem mais do nome do que do espetáculo que proporcionam e acabam tirando oportunidades dos jovens demonstrarem seu potencial. Jogadores como o Hyuri, do Botafogo só surgem por acaso, mas da noite para o dia, têm que virar craques, como aconteceu ontem no jogo Botafogo e Coritiba, quando o jovem lançado fez um dos gols mais bonitos da história do futebol. Chega de técnicos e jogadores dinossauros. Que se dê oportunidade aos jovens.

  • LAERT diz: 6 de September de 2013

    Só uma correção onde disse Luxemburgo no Corinthians, leia-se no Fluminense, onde trabalha com um novo “projeto” chamado segunda divisão. Grato.

  • Eduardo diz: 6 de September de 2013

    Assim como está acontecendo com os técnicos deveria acontecer também com os jogadores, quantos meninos são emprestados para times de segunda ou terceira divisão e se perdem por não terem a mesma parceria que teriam no clube de origem.
    Os técnicos preferem colocar no time jogadores cascudos e consagrados do que apostarem nos meninos, nem a torcida tem paciência com os garotos da base.
    O jogador consagrado recebe salário de, no mínimo, R$ 300 mil, um garoto da base recebe 20% disto.
    Jogadores como Juan, Forlan, Índio, Dale, Zé Roberto, Kleber, Elano, Dida, podem travar a carreira de muitos garotos, bons de bola, que poderiam ser aproveitados imediatamente nos seus clubes.
    O garoto pode entrar em finais de alguns jogos e arrasar, mas no próximo jogo o titular cascudo retorna ao time.

  • Rodrigo diz: 6 de September de 2013

    Excelente analise! Uma das mais lucidas que li entre os comentaristas de futebol nos ultimos tempos. Parabens! Ja estava na hora mesmo dos clubes pararem de dar moral para os medalhoes e comecar a investir em novoas cabecas no futebol. Torco para que o Dunga de certo no Inter e fique por um bom tempo no clube. Mas se (ou quando) sair do clube, espero que o proximo treinador seja o Clemer. O cara ta arrebentando na base. Ele certamente tera moral para lidar com os boleiros qdo chegar a sua vez no time principal.

  • José Antônio diz: 6 de September de 2013

    Diogo, este é o teu assunto: futebol.

    Fica nele e o leite e pão da tua família está garantido..

    Os supertécnicos estão em instinção. O golfinho lilaz alias foi um dos últimos a perceberam que os supertécnicos e os seus “poxetos” não dão em nada.

    Agora, vão me chamar de clubista, mas quem começou tudo isso?

    ?
    ?
    ?

    Que pediu até um kliklin com notícias do clube?

    Pois é, Dunga!

    A empresa gaúcha adora rir do tetracampeão, mas ele deu um ar profissional a profissão de técnico na última década.

    Eu acho que o Inter tem uns 40% de chances de ser campeão. Seria ótimo para o jornalismo gaúcho aprender que essa política de só valorisar o que vem de fora é a causa do nosso atraso.

    No lado vermelho da cidade, Guardiola se faz em casa, sim!

    Saudações vermelhas do José Antônio

  • Maturana diz: 7 de September de 2013

    Esse é tu bruxo, junto com o Pelaipe !

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