O Grêmio eliminado do Gauchão nos pênaltis pelo Juventude (5 a 4), após empate em 1 a 1 no tempo normal, foi uma repetição assustadora de si mesmo nos últimos sete jogos.
Nada contra o Juventude de Lisca, que é organizado e tem méritos. Mas o Juventude é da Série D. O Grêmio busca o tri da América. O Grêmio tinha de vencer com alguma tranqulidade, e não ser eliminado com justiça.
Sem criatividade, errando passes no meio-campo, com poucas opções ofensivas e permitindo ataques do adversário pelos lados com espantosa regularidade, o Grêmio sai do Gauchão sem poder reclamar de nada. No cômputo geral da partida, o Juventude foi melhor.
Dida não saiu do gol no empate do Juventude e, depois, nos pênaltis, não conseguiu nem tocar na bola nas cobranças. Foi um dos destaques negativos da partida.
Se quiser sonhar com algo interessante na Libertadores, o Grêmio terá que jogar muito mais do que vem jogando. Contra o Santa Fe, quarta-feira, na Arena, será preciso quase uma transformação.
Nem a preleção longa de Luxemburgo no hotel, antes de a delegação sair para o Alfredo Jaconi, deu resultado. O Grêmio, simplesmente, parou de jogar. Não se impõe frente a nenhum inimigo.
O que terá acontecido? Luxemburgo perdeu a mão do vestiário, e por isso os jogadores parecem não demonstrar o empenho de antes? Ou é a ausência de Elano que puxou o rendimento tão para baixo?
Bem, vamos ver as explicações durante a semana. Confira a minha análise da partida que tirou o Grêmio do Gauchão:
Primeiro tempo
Fábio Aurélio foi um peso para o Grêmio. Destoando do time, sem ritmo. sem tempo de bola, inibia André Santos pelo lado esquerdo. Como passar, se o contra-ataque poderia vir às suas costas, como de fato veio várias vezes?
Zé Roberto, com suas sete vidas e sete fôlegos, armava o ataque sozinho. Barcos, ao contrário de outras vezes, foi centroavante de ofício, recuando bem menos. Assim, o Grêmio repetiu os problemas de armação crônicos surgidos a partir da ausência de Elano. deixando o ataque isolado.
No 3-5-2, com Moisés e Alan pelos lados e Robinho formando atrás, pela esquerda, com os zagueiros Rafael Pereira e Diogo, o Juventude confundiu a marcação do Grêmio, sempre às costas de Bressan e Grolli. Eles eram abastecidos pela qualidade de Diogo Oliveira, cuja movimentação constante incomodou Fernando e Souza.
Alan somava-se a Rogerinho pela esquerda e entrou algumas vezes na área do Grêmio com perigo. Zulu e Oliveira conseguiram ingressos pelo meio, já que Douglas e Bressan precisavam sair a todo instante para ajudar a conter os avanços pelos lados do Juventude.
Segundo tempo
O Juventude voltou melhor, postado mais à frente. Estava melhor no jogo quando Barcos abriu o placar com um golaço. Ele se aproveitou de uma saída de bola errada da defesa do Juventude e, em segundos, tirou do marcador e chutou de fora da área como rara precisão, em curva, no canto. A esta altura, Marco Antônio já estava em campo no lugar de Fábio Aurélio, que saiu vaiado.
Antes que o Juventude sentisse os efeitos do belo gol de Barcos, dois minutos depois, o Juventude empatou. A bola foi erguida no setor de Pará, Dida mais uma vez não saiu do gol e Diogo Oliveira fez de cabeça. Grolli e Bressan pediram falta, que não houve. Mesmo com Marco Antônio, os problemas de armação de jogadas do primeiro tempo e de outros jogos prosseguiam. O Grêmio até pressionou nos minutos finais por conta da camisa, mas não o suficiente para impedir os pênaltis.
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