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Renato rompe o silêncio: "Eu voltarei"

02 de setembro de 2011 237

Renato Portaluppi estava em silêncio. Não havia falado sobre sua saída do Grêmio. Fui a Curitiba na terça-feira, depois de alguns contatos prévios, decidido a ouvi-lo sobre o reencontro de domingo no Olímpico, contra o seu time do coração.


Mas Renato não queria falar antes do jogo contra o Atlético-MG. Poderia ser acusado de desviar o foco de uma partida importante na luta contra o rebaixamento. Seu assessor, Diogo Aída, disse assim: “O Renato falou: pede para me procurar depois do treino. Vamos ver se ele tem poder de persuasão e me faz falar”.


Meu poder de persuasão foi uma proposta: o que ele dissesse seria publicado apenas depois do jogo (derrota por 1 a 0) que acabou sendo a gota d’água para o pedido de demissão, ontem.


A entrevista é elegante e de quem mira o futuro. O rosto de Renato não sugeria a alegria e a descontração habituais. Está claro que restou uma nesga de mágoa com a direção do Grêmio, embora ele negue.


O técnico, agora sem emprego, deixou claro o seguinte: deseja, e deseja muito, voltar para o time do coração. Não agora: o objetivo é descansar. Mas no futuro, é só chamar. Um pedido do Grêmio estará sempre à frente dos outros, aconteça o que acontecer.



Zero Hora – Qual a tarefa mais difícil: salvar o Grêmio do rebaixamento ou o Atlético-PR?
Renato Portaluppi –
O Atlético-PR.


ZH – Por quê?

Renato – No Grêmio eu tinha centroavante: o Jonas. No grupo do Atlético só há atacantes pelos lados. Não há o definidor. No Grêmio eu tinha Jonas e André Lima.


ZH – Muita gente estranhou o silêncio desde sua demissão. Não deu vontade de desabafar, diante de tudo o que se falou, no Grêmio e na imprensa?
Renato –
Ficar falando não ia adiantar nada. Queria que a resposta fosse o meu trabalho. Quando cheguei ao Atlético-PR, o time estava afundado na zona de rebaixamento, sem perspectiva. Agora, briga jogo a jogo para sair. Estamos sem perder faz tempo (a derrota de quarta-feira, para o Atlético-MG, foi a primeira em oito jogos).


ZH – A forma como saíste do Grêmio te modificou como pessoa?
Renato –
A gente está sempre aprendendo. Disse quando saí: se ficar entre os 10 antes de os reforços estrearem, ótimo. Quando fui embora, o Grêmio estava em 11º lugar.


ZH – E agora?
Renato –
O Grêmio vai melhorar. Os lesionados estão voltando. E os reforços, chegando. Vai melhorar, como eu falei.


ZH – E se o presidente Paulo Odone viesse te cumprimentar? Não haveria certo constrangimento?
Renato –
Não (pausa). O presidente é quem manda (pausa). É ele quem decide. Ele entendeu que havia gente melhor para ajudar o Grêmio. O trataria como sempre tratei: com respeito.


ZH – Ficou alguma mágoa?
Renato –
Não guardo mágoa de ninguém. Olha, eu sou gremista. Todo mundo sabe que eu sou gremista e pronto. Minha relação é com o Grêmio. Com a torcida. Vou seguir querendo ajudar o Grêmio.


ZH – Então você pensa em voltar?
Renato –
Penso, não: eu voltarei (balançando a cabeça, repetindo a frase e aumentado a ênfase). Não tenha dúvida disso. Quero e vou ser técnico do Grêmio de novo um dia.

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