Ontem estava comentando com uma amiga um momento do meu casamento quando me dei conta que nunca tinha contado ele aqui no blog. Vou revelar então que o meu casamento quase não aconteceu.
Toda noiva tem seus momentos de neura imaginando o que faria caso o noivo não aparecesse na igreja. O que a gente não pensa é que ele pode aparecer e desistir no meio da função toda.
O Marcelo estava super tranquilo no dia do casamento, mas passou a ficar super nervoso quando se postou no altar para me esperar. Breve comentário: deve ser uma baita tensão ficar ali de frente para dezenas de pessoas te encarando, né? Pois eis que eu entrei de braços dados com meu pai e avistei o meu marido paradinho lá na frente. Achei lindo. Fui me aproximando dele e vi que estava chorando. Achei lindo. Meu pai me entregou para ele e ele me deu um beijo na testa. Achei lindo. Chegamos em frente ao Padre Leandro e as coisas pararam de ficar lindas. O Marcelo congelou. Sério, travou de uma forma que eu não achei bonita, não. A partir daí eu vivi 5 minutos de tensão.
O padre falava e o Marcelo não me olhava. Eu apertava a mão dele, chamava ele, olhava para ele e o menino seguia reto feito uma vara, olhando para o infinito. Sabem aquelas cenas do casal se olhando apaixonado? No meu casamento, pelo menos nos primeiros minutos, elas não existiram. Diante daquela cena eu logo pensei: "caraca, ele vai desistir!". Não, eu não tinha nenhum motivo para achar que o meu marido iria me largar no altar, mas sabe-se lá o que passava na cabeça dele naquela hora. Foi aí que eu bolei meu plano para amenizar o embaraço.
Por 5 minutos eu parei de ouvir o que o Padre Leandro falava. Minha sequência de pensamentos foi: "que saco / putz, e a festa? / que vergonha / porque eu? / oh, my, e o que eu vou dizer no blog? / ah, eu quero sumir! / Marcelo, tu me paga / como eu vou viver com isso? / humm, eu podia escrever um livro / nossa, ia ser o máximo". Juro para vocês que passei a imaginar a capa do livro, como eu contaria a história. Juro, juro, juro. Olha o que não faz a mente de uma pessoa em pânico.
E foi assim que eu passei os primeiros 5 minutos do meu casamento.
O que aconteceu depois? O Padre Leandro, percebendo que o casalzinho estava meio estranho, desligou o microfone e cochichou algo engraçado para a gente. Lembro que fez uma brincadeira sobre o Internacional e disse que parte mais complicada da cerimônia já tinha passado. Pronto! Essa injeção de descontração no meio da formalidade era o que faltava para acordar o Marcelo. Depois disso ele me olhou, sorriu, disse que eu estava linda (alou, demorou!), passou a beijar a minha mão o tempo todo. Enquanto os padrinhos assinavam o livro e fazíamos fotos atrás do altar ele me abraçava tanto que tive que pedir para parar: "olha o respeito, menino, estamos na igreja!".
Foi isso. Por 5 minutos eu achei que seria dispensada no altar, dei a volta por cima e escrevi mentalmente as primeiras páginas do meu livro. Hoje nós rimos muito dessa história e o Marcelo morre de pena por ter me feito passar por aquelas "horas" de tensão. Ele jura que estava nervoso, com medo de esquecer o juramento. Que querido!
As minhas amigas, especialmente as madrinhas, que estavam pertinho de mim no altar, sempre dizem que eu exagero quando conto a história e que o Marcelo nem estava tão estaqueado assim. A questão é que eu tenho provas! As fotos abaixo mostram dois momentos: antes da intervenção do Padre Leandro e após ela. Tem diferença, não tem?

Imagens: Jorge Scherer