
“Casamos dia 20 de novembro de 2010, após 12 anos e meio de namoro. Fomos apresentados por um casal de primos. Quando os "cupidos" namoravam e, em um primeiro momento, a companhia era somente para 'segurar vela'. Com o passar dos dias e dos encontros, os olhares foram se cruzando e um dia, assistindo o Titanic no extinto cinema do Shopping Prataviera, o primeiro beijo aconteceu. A partir daí, o que era apenas uma companhia foi se transformando em um amor muito forte. Dificuldades surgiram, ambos sofreram com a perda da figura paterna, mas encararam juntos todas as tempestades que a vida nos reserva.
A cerimônia religiosa foi na Igreja Nossa Senhora de Lourdes, em Caxias do Sul, em uma cerimônia linda, repleta de detalhes, ministrada pelo Frei Aldo Colombo, nosso amigo há anos. Choveu o dia todo. Na hora em que saí pronta do salão, por volta das 18h, a chuva parou e saiu um sol lindíssimo, algo difícil de acontecer. Consegui fazer fotos muito legais. Fui para a Igreja em um Chevrolet Impala Vermelho 1961 conversível. Fiz a placa com as iniciais em papel mesmo, mas ficou perfeita.
O hotel onde me vesti ficava no lado oposto da cidade em relação à igreja. Então, fiz um passeio maravilhoso pela principal rua da cidade. Todo mundo me chamava, fotografava, desejava sorte. Chorei o trajeto todo,mas foi muito bom.
Eu e meu esposo temos somente as mães, então as entradas na Igreja foram um dilema. Decidimos que ele entraria com a mãe dele e eu sozinha, o que foi muito difícil. Na hora que a porta da igreja abre, você só tem o buquê para te segurar. Mas, vamos lá. Escolhi a Marcha Nupcial com a Clarinada da Rainha, sendo que foi emocionante e eu me lembro de tudo. A minha terapeuta fez umas homeopatias maravilhosas que me ajudaram muito neste período.Quando meu noivo, agora esposo, me viu, não conseguiu segurar a emoção. Mas, a cerimônia seguiu e tudo estava perfeito.
Um dos momentos mais emocionantes foi a entrada das alianças. Duas daminhas, sobrinhas dele, entraram carregando bonecas de pano e quem trouxe as alianças foi a avó dele, de 85 anos. Ninguém sabia e a entrada dela foi ao som de “Somewhere Over The Rainbow”, que significou a benção da pessoa mais velha da família. Muito legal. Na hora dos votos, não usamos aquele texto tradicional. Falamos a tradução da música da Shania Twain, "From This Moment", enquanto a música tocava ao fundo, perfeita para esse momento. Na saída, Beautiful Day, do U2.
Busquei muitas ideias no Noiva.com. Coloquei os lencinhos de “lagrimas de alegria” nos bancos, escolhi as músicas seguindo sugestões. Enfim, é muito bom poder contar tudo isso agora.
O meu vestido foi idealizado a partir de uma releitura do vestido da minha mãe, que casou há 40 anos. Foi confeccionado por excelentes profissionais de Caxias, Lola Sales e Tini Sales, em uma composição de cetim italiano e organza. No corpo, foram aplicadas rendas de guipir, rebordadas com cristais swarowsky por mim. Foram dois meses bordando o corpete. Nas costas, um decote fechado com uma trama de fitas, compondo um look romântico e elegante. Na saia tinha um arranjo de flores de organza rosa bebê e branca, com acabamentos em pérolas, confeccionadas pela minha mãe, reproduzindo com perfeição o modelo utilizado há 40 anos, em seu casamento. As mesmas flores eu usava no cabelo. Minha mãe fez tudo com muito carinho. Meu véu tinha 4 metros. Na igreja, usei um sapato branco, todo bordado. Na festa, usei um Pink com uma faixa na cintura, também personalizado pelas mãos da minha mãe.
O buquê também foi feito por mim. Usei rosas pink e pimentas malaguetas, envoltos por fita de cetim cristalizado branca e com um escapulário trazendo as fotos dos noivos quando crianças. Também levei um terço de cristal, confeccionado pela minha madrinha, com o objetivo de se tornar uma peça de família.
Depois da igreja, fizemos umas fotos e fomos para a recepção. A decoração da festa foi toda planejada por nós, nas cores preto, branco e prata. Passamos a semana toda acompanhando os preparativos e filmando da montagem. Na entrada, uma composição de cubos de madeiras brancos formava um aparador, com fotos nossas e dois porta-retratos, com fotos de nossos pais, no dia de seus casamentos. Uma homenagem singela aos que lhes deram a vida e não estão mais fisicamente entre os familiares.
Após o clip das fotos que fizemos antes do casamento, entramos com a música "Belive", do filme Shrek. É muito emocionante ver todos os amigos reunidos. Depois da valsa, que ensaiamos uma coreografia, mas na hora mudamos de ideia, pois ficamos com medo de errar, ao invés de jogar o buquê, joguei um Santo Antônio de tecido, também confeccionado pela minha mãe. Meu noivo jogou a liga que tinha na minha perna para os solteiros.
No lounge de doces, coloquei a imagem de Santo Antônio em uma capelinha de madeira. Os doces eram delicadamente identificados por noivinhos de biscuit, também confeccionados por mim. O lounge de café reunia copinhos de chocolates e mousses, além da cristaleira com os kits ressaca – fiz caixinha por caixinha, para os amigos estarem bem até o final da festa, e os chinelos de pano personalizados com o arabesco (motivo da festa), presente para as mulheres.
Para os bem casados, usei alfajor comprados no Uruguai e embalei com saquinhos de tecido poá, preto e branco, seguindo a linha das flores do porta-guardanapo, em forma de flor de tecido, tudo confeccionados pela minha querida mãe. Para animar a festa contratamos um barman e os convidados adoraram.
A festa varou a madrugada. No dia seguinte, enquanto íamos para o aeroporto rumo à lua de mel em Punta Cana, nos abraçamos e choramos muito de emoção e por tudo ter saído como planejamos.