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Dismorfia corporal: será que a gente tem?

03 de outubro de 2013 25

Ontem à noite eu estava vendo um daqueles programas que amo, onde uma pessoa é “sequestrada”por gurus de estilo e tem seu guarda-roupa todo transformado. Sabe aquele modelo Esquadrão da Moda? No caso, estava vendo o meu preferido, Tim Gunn Guide to Style, que passa no Discovery Home and Health.

tim

O Tim Gunn é o mesmo que apresenta o Project Runaway com a Heidi Klum. Eu adoro esse programa porque além de renovar o guarda-roupa de moçoilas sortudas, o Tim explica passo a passo (até com a ajuda de um software de computador) como é o corpo da mulher, seus pontos fortes, os seus fracos.

Meu marido não curte esse tipo de programa, mas ontem chegou a parar na sala e assistir comigo de tão impressionado que ficou com as minhas reações. A moça “analisada” era uma menina normal, asiática, que, a meu ver, era magérrima. Ela, no entanto, se achava gorda e o Tim perdeu metade do programa provando que ela tinha uma imagem errada do corpo. E ele contava a ela que isso era mais normal do que se pensa entre mulheres. Até a Hayden Pannettiere tem.

HAYDEN PANETTIERE in Esquire Magazine

Não foi o Tim que contou isso. Eu li numa entrevista da atriz um tempo atrás. Ela revelou que passou anos da vida se escondendo atrás de uma blusa mais folgadinha, jaquetinhas, saias soltas. Se achava gorda (mesmo tendo esse corpão aí). Contou à repórter que sofria de dismorfia corporal. Recorrendo à Wikipedia:

“Dismorfia corporal é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum defeito inexistente ou mínimo na aparência física.”

Pelo visto, o transtorno não atinge apenas quem está acima do peso, tem braço flácido, bumbum caído. Talvez essas pessoas nem tenham as condições que eu acabei de citar. Ou talvez as tenham de forma muito discreta, mas tendem a achar que são muito mais caóticas. Parece familiar? Para mim, sim.

Contei que meu marido estava na sala durante o programa, né? Pois então. Eu suspirava a cada vestido que a Angela colocava, guiada pelo Tim e sua assistente Greta. Ela já era uma moça linda, mas com conselhos de estilo, ficava mais bela cada vez que saía do provador. O engraçado é que eu nem olhava direito para a roupa, mas para como o corpo dela tinha ficado com o modelito. Me identifiquei com o nervosismo da moça por sempre se sentir gordinha e estava amando como a Angela estava se transformando numa Hayden Pannettiere de verdade (não a Hayden que a Hayden acha que é). Para ninguém ficar curioso, catei na internet um vídeo do programa. É um minutinho.

A Angela está longe de ser gorda, concordam? Eu concordo. O meu marido também. Passado o programa, ele me questionou o quanto eu me achava mais gorda do que a Angela.

Saramandaia

Pintei uma imagem mais ou menos assim. Expliquei com argumentos que considerei bem sólidos como meu joelho era gordo, quanto meu quadril era largo, quanto isso, quanto aquilo.

O que aconteceu depois foi uma sessão interessante de terapia em casa. Puxei meu iPad e comecei a mostrar para o marido fotos de mulheres que acho divinas e questionava a ele se eu era mais magra ou mais gorda do que elas. Dando um desconto para a opinião estar sendo dada por alguém que gosta de mim e não quer me magoar, tive retornos de cair o queixo.

khloe

A Khloé Kardashian, por exemplo. Ela é mais alta e tem poucos quilinhos a mais que as manas Kim e Kourtney. Eu acho ela gatíssima e muito, mas muito, mas muito mais magra do que eu. 

A conversa aqui em casa chegou a tal ponto que fui para a internet buscar as medidas da Khloé. Ela é bem mais alta do que eu, mas mesmo assim tem quadril mais largo, busto maior, coxas mais grossas. Por que eu me vejo com medidas maiores que as dela? Pelo mesmo motivo que a Angela, que a Hayden, que muitas das minhas amigas e que talvez algumas de vocês também.

Queria frisar que esta minha reflexão não se trata de ser bonita tendo mais ou menos peso. Se trata da forma como nos vemos no espelho. Eu deixo de usar um modelo ou outro de roupa para esconder uma parte do corpo que não gosto, mas que talvez não seja tão ruim quanto penso. A forma como nos vemos afeta toda nossa vida: prejudica relações amorosas, de trabalho, com os filhos. Isso não é conclusão minha, mas de uma terapeuta que ouvi numa longa entrevista sobre autoestima feminina (aqui dá para ler a reportagem na internet e até fazer um teste que indica a quantas anda a sua percepção de si mesma).

Encerro esse papo com uma listinha de conselhos dada por uma das minhas entrevistadas naquela matéria. E também com a dica de assistir um desses programas de estilo ao lado do marido, namorado, de uma amiga. A gente pode se surpreender com a opinião que os outros têm a nosso respeito. A noite aqui em casa terminou com o Marcelo entendendo porque só uso blusas mais largas. E implorando para parar com isso.

Mude o foco

A elevação da autoestima é um processo gradual. Ângela Leggerini de Figueiredo, especialista em Psicoterapia Cognitiva e Comportamental e professora da Faculdade de Psicologia da PUCRS, conta por onde começar.

* Tenha uma visão realista (nem pessimista nem otimista demais) de si mesma, visando metas de beleza e corpo atingíveis com o seu biotipo.

* Tenha claro onde quer chegar e o que quer comunicar através da sua imagem física.

* Mantenha-se o mais fiel possível aos seus objetivos, levando em conta que todo ser humano é passível de falhas.

* Dê ao corpo a dimensão que ele realmente tem na sua vida, sem depositar nele toda e qualquer razão para felicidade ou infelicidade. O corpo é uma parte do ser e não todo o ser.

* Tente afastar-se de lógicas 8 ou 80: ou sou perfeita ou não valho nada.

* Lembre-se: sempre que nos comparamos a alguém só enxergamos o resultado final e não o processo que a pessoa passou para alcançar o objetivo.

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Gabi Chanas

Ótima amiga, péssima cozinheira. Adoro cachorros (tenho um vira-lata charmoso chamado Dunga), Friends, casamentos, decoração. Além do bloguinho, dou dicas todos os domingos na revista Donna, do jornal Zero Hora, e nos sábados na Almanaque, do jornal Pioneiro. Curto muito fazer novos amigos virtuais, por isso recadinhos são sempre bem-vindos!

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Comentários (25)

  • Patrícia diz: 3 de outubro de 2013

    Adorei, Gabi! Acho que muitas de nós precisamos ler e ouvir sobre isso seguidamente. Parabéns por escrever sobre um assunto que normalmente é tão delicado, que muita gente não aceita ler.
    Adoro ver esses programas também, ele dão ótimas dicas sempre!

  • Daiana A. diz: 3 de outubro de 2013

    Ótimo post Gabi, me identifiquei muito. Após o casamento dei uma boa engordada, usava blusas compridas e larguinhas. Ano passado entrei em uma guerra contra a balança, comecei a reeducação alimentar e exercícios, emagreci mas ainda não cheguei onde queria.
    Mas nessa fase mostrava algumas mulheres na rua para o meu marido e perguntava “eu estou assim????”, ele me olhava apavorado (porque as pessoas realmente eram bem gordinhas) e me falava “Daiana tu realmente acha que está assim??” fui percebendo que eu estava me martirizando muito, e eu realmente não era daquele jeito.
    Hoje tenho me amado mais, isso mesmo, me amado mais, e me vestido como realmente gosto, ainda presto atenção em alguns detalhes, pois tenho que perder ainda alguns quilinhos, e por ser baixinha a coisa fica mais complicada ehehehhe
    Mas é ótimo saber que não estou sozinha nessa!

    Chegaste a ver esta propaganda da Dove? Vale muito a pena ver, cheguei a chorar. http://www.youtube.com/watch?v=ABups4euCW4

    bjus Gabi!!!

    Dai

  • Silmara diz: 3 de outubro de 2013

    A mais pura verdade,quando eu tinha dez quilos a menos me acha gorda e queria emagrecer,hoje olho as fotos e choro. Estou na luta tentando emagrecer um pouco e a gente sempre acha as outras mais magras que nós, e às vezes nem são. Meu marido também diz que sou mais magra que algumas que mostro pra eles. Mulheres quem entende.

  • Isa diz: 3 de outubro de 2013

    Ai, Gabi é bem assim! Eu tenho as coxas grossas e eu não uso mini-saia, nem vestido curto na cidade de jeito nenhum, só na praia ( e morrendo de vergonha), mas porque eu seria uma louca de sair de calça jeans na praia…
    Meu namorado fica apavorado com as gurias que eu me comparo na rua, que eu acho que tem corpo parecido com o meu.
    Ele me incentiva um monte a tentar superar isso, mas eu me enxergo e me identifico com a Dona Redonda e digo que ele é o meu “Encolheu” que apesar do tamanho da Dona Redonda ele acha ela linda do jeito que é!

  • Milene Szaikowski diz: 3 de outubro de 2013

    Nossa, Gabi, já te vi pessoalmente e acho que você está na medida, nem pra mais nem pra menos!!!

  • Camila Dal Prá diz: 3 de outubro de 2013

    Gabiii
    Que mulher não é assim me diz???
    Acho que não existe nenhuma!
    Sobre as tuas neuras… concordo com o Marcelo, você está magra, linda e sempre diva!(puxa saco)
    A primeira vez que lhe vi pessoalmente foi no encontro do blog na Inês Noivas, acredito que tenha sido em 2011… nesse encontro vc estava bem mais cheinha.
    Depois no encontro da choice, estava mais magra…E agora olhando suas fotos… te vejo como uma mulher magra, sim MAGRA.
    Bem mais que a Khloé! Nessa foto aí ela está com corpão.
    Portanto dona Gabi, pode usar blusinhas coladinhas, saias curtas com batom vermelho hehe
    Bjsss

  • Carol X. diz: 3 de outubro de 2013

    Gabi! Adorei o post…também adoro esses programas, mas ano perdida nos horários!
    Com certeza a gente se senti difente do que realmente é se se vesta mal tentando tapar as imperfeições que muitas vezes nem existem. Eu engordei, e agora estou grávida, então fico um pouco sem saber como me vestir. Esses programas primeiro “acabam” com o péssimo gosto pra se vestir, e depois dão um verdadeiro UP que a gente nem sabe onde aquela “diva” estava escondida! ADORO isso, e já “apliquei” em muitas roupas que comprei.
    Beijos (fiquei curiosa pra ver o TEU LOOK de hj…)

  • Luísa diz: 3 de outubro de 2013

    Esse post mara caiu no meu colinho hj! Há 9 meses fiz cirurgia de redução do estômago e esse drama da imagem corporal me desafia todos os dias.. Antes não me via tão gordinha como estava e agora não me vejo tão magra quanto dizem. E não só uma questão de auto estima, é de consciência corporal mesmo.. Tô me achando LINDA mas não me permito usar vários tipos de roupas q sempre evitei por ser gordinha. É um exercício diário e acho que não tem fim.. Mas é sempre consolador ler post bons como estes para levantar a bandeirinha do “não estou sozinha”. Te acompanho sempre Gabi, bjs!

  • Angel diz: 3 de outubro de 2013

    Eu também adoro esses programas e tenho vontade de jogar todas minhas roupas fora e ficar só com o básico e que me cai bem. hehhehe
    Eu acho que não tenho esse problema de se enxergar diferente, me vejo magra, com uma gordurinha localizada na barriga q disfarço quando precisa, porque ninguém merece aquela pancinha saltando pra fora da calça, né!

    Gabi, mas tem o lado contrário também… conheço umas gurias bem gordinhas, que na minha opinião deveriam emagrecer uns 10 quilos pra ficar com o corpo legal e elas dizem que não se acham gordas!

    Bjs

  • Maria Anita diz: 3 de outubro de 2013

    adorei a frase da Lu Larré “quem gosta de mulher magra é mulher magra!” mto verdade. adorei o post, gabi, valeu mesmo!

  • Ana diz: 3 de outubro de 2013

    A chave é ter boa auto estima e não se preocupar com a opinião dos outros, de gente que tu nem conhece e te olha com inveja. É ter segurança pra agir conforme pensa. E ter muito bom senso, claro, para não beirar o ridículo. Corpo não é tudo, cabeça é o que conta. Vão cuidar de suas mentes em primeiro lugar!!

  • Fernanda K diz: 3 de outubro de 2013

    Gabi!
    Em duas situações acompanhando teu facebook eu já pensei que tu tivesse dismorfia corporal: qndo resolveu fazer a dieta dukan e qndo contou que alguém disse q tu tava mto magra, tu agradeceu e a pessoa disse q naõ foi um elogio.
    Pelas fotos vemos que tu é magra. Se alguém disse que tu estava magra demais e tu achou isso bom, talvez realmente tu estivesse passando do ponto do bonito/saudável.
    O que me preocupa muito é que nos espelhamos na perfeição do photoshop das revistas e sites, das atrizes que fazem todo tipo de loucura pra ficar sem uma única gordurinha aparente. Qndo o Hugo Gloss publicou uma foto da Beyonce no Rock in Rio com o último look do show (a blusa branca e o shortinho jeans) e um bando de gente postou comnetários de que ela estava gorda. Gente!!! Que é isso? Ser gorda agora virou qqer coisa acima do manequim 38? É realmente muito preocupante. E conheço vários exemplos de homens que também estão pensando assim, influenciados pelas mulheres q veem na mídia. Um conhecido terminou o namoro com uma guria de proporções normais e começou a namorar uma bem mignon, mega magra e pequena e daí um dia soltou o comentário de q a atual era magra e a anterior sempre tinha sido gordinha. Detalhe: a ex era uma guria q praticara esporte a vida toda, c tão boa genética q foi a única mulher q conheci na vida q não tinha celulite.
    Antes essa neura era só das mulheres. Aí agora alguns homens estão se valendo dos mesmos padrões que nós e achando que manequim 42 é gorda. Alias, tem uma blogueira q tem o rosto bem redondinho, bochechudo e é linda e vive sendo chamada de gorda e recebendo conselhos nos comentários de q ta na hora de fazer uma dieta. Esses dias ela cansou da coisa e contou q usa manequim 42 ms tem o rosto cheinho. E as pessoas continuam dizendo que ela é GORDA.

  • alessandra diz: 3 de outubro de 2013

    Eu sofro deste mal e sei bem de onde isso vem. Tenho 31 anos, 62kg e 1,65. Minha irmã é 3 anos mais nova do que eu, 7 centímetros mais alta e 8 quilos mais magra. Desde pequena eu era a gordinha e ela a magra. Eu realmente achava que ser magra era ser como ela. E apesar de ter me dado conta em determinada época da vida que isso é que me faz ter uma visão equivocada do meu corpo, confesso que é bem difícil mudar esse olhar. Não sou infeliz, mas meu cérebro insiste em me fazer pensar que ter 10% de gordura corporal é melhor dos mundos.

  • alessandra diz: 3 de outubro de 2013

    Eu sofro deste mal e sei bem de onde isso vem. Tenho 31 anos, 62kg e 1,65. Minha irmã é 3 anos mais nova do que eu, 7 centímetros mais alta e 8 quilos mais magra. Desde pequena eu era a gordinha e ela a magra. Eu realmente achava que ser magra era ser como ela. E apesar de ter me dado conta em determinada época da vida que isso é que me faz ter uma visão equivocada do meu corpo, confesso que é bem difícil mudar esse olhar. Não sou infeliz, mas meu cérebro insiste em me fazer pensar que ter 10% de gordura corporal é melhor dos mundos.

  • Simone Souza diz: 3 de outubro de 2013

    Bah Gabi! Eu tenho esse probleminha… meus pais e meu esposo sempre dizem que eu não me enxergo e que sempre me vejo mais gordinha…
    Para mim, eu sou normal, nem gorda, nem magra, mas eu queria mesmo é ser magérrima, como as Angels da VS.
    A gente sempre quer ser mais magra, mas acho mesmo que isso é por conta da influência da mídia, que é muito forte sobre nós, mulheres.
    Eu li na ZH que quanto mais mulheres magras convivem conosco, mais nos espelhamos nisso, e mais queremos ser magras. Imagina só quem convive direto com modelos e manequins, deve se sentir mega pressionado a ser como elas!
    E isso é fato mesmo, pois quando eu convivia com uma colega bem neurótica com o peso e bem magra, eu era mais maluquinha, queria ser mais e mais magra, daí não conversamos por um tempo pois mudei de setor, e eu melhorei minha “dismorfia”, mas foi só voltarmos a conversar de novo, na academia, que a coisa degringolou de vez, e voltei a pirar, eheheh… ai ai, não é fácil, viu!

  • Nessa diz: 3 de outubro de 2013

    Nossa Gabi, esse teu post foi o que eu precisava ler. Desde pequena sofro com a balança, autoestima, espelho, e tudo mais. Tenho 24 anos, quase sempre fui mais cheinha. Não me acho gorrrda, mas tbm não me sinto bem como estou. Me identifiquei mto com o que a Alessandra escreveu. Tbm tenho uma irmã mais nova do que eu. Ela sempre foi mais magra (tanto que faz de tudo para engordar uns quilinhos mas não consegue), do que eu. Acho ela linda, linda e até brinco com ela a chamando de Barbie. Meus pais tbm são magros, bem magros. E isso sempre foi motivo de comparação pra mim. Minha irmão tem quase 20 quilos a menos do que eu que estou pelos 60 e poucos. O ruim, é que eu SEMPRE me comparei com eles. Teve uma época perdi bastante peso, cheguei perto dos 50kg. Não me acho feia nem GORDA, mas não me sinto confortável. É bom, mto bom saber que existem outras pessoas passam por isso tbm. Bom em partes, pq bom mesmo seria se todas nós conseguissemos aceitar a imagem refletida no espelho. Bjsss Gabi…

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