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Afinal, eu posso pedir que meus convidados paguem pelo jantar no meu casamento?

06 de novembro de 2013 14

A Celia Ribeiro é colunista de Donna, onde eu trabalho, e eu sempre morri de amores por ela, mesmo antes de me juntar ao time da revista. Ela nasceu em 1929 e é uma das mulheres mais modernas, chiques e divertidas que eu já conheci. Escreveu vários livros de etiqueta e é mestra no assunto como poucos. Com mais de 80 anos de vida, a Celia viu muita coisa mudar nas últimas décadas e adaptou suas dicas de etiqueta para os tempos modernos. Mas aí vem o que mais admiro nela: sobre algumas coisas, a Celia bate pé e segue classificando como falta de polimento, para não dizer falta de educação.

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A querida Celia em foto feita pelo Ricardo Duarte, fotógrafo de Zero Hora.

A Celia passa aqui no nosso QG toda segunda-feira para checar como ficou a diagramação da coluna, se precisa mudar alguma coisa. E numa dessas segundas, há alguns meses, a gente bateu um papo sobre como as pessoas querem saber de etiqueta, mas às vezes relutam em aceitar determinações que não cabem no mundo onde vivem ou que não lhes servem no momento. Explico:

Um trecho da coluna semanal da Celia é dedicado a responder perguntas enviadas por leitores sobre aspectos diversos sobre etiqueta. As pessoas mandam todo tipo de questionamento: se devolve presente se o casamento acabou, se tem como recusar convite para ser madrinha de casamento, se tem que levar um mimo quando é convidado para jantar na casa de um amigo. Ela é sempre certeira nas respostas, dizendo o pode e o não pode. E quem determinou isso não é ela, mas uma série de condutas praticadas ou condenadas em sociedade que formam o bom e velho guia de etiqueta.

Toda essa volta para chegar num tema delicado, que já apareceu algumas vezes na coluna da Celia e que de tempos em tempos também bate à porta da seção de perguntas e respostas do blog: “Eu posso pedir que meus convidados paguem o jantar e as bebidas do meu casamento?”.

Quem manda um e-mail com essa pergunta para uma colunista de etiqueta ou para uma jornalista que vai consultar um entendido no assunto para responder, certamente quer uma resposta na lata, não um “depende”. Vocês concordam comigo? Quem faz uma pergunta dessas certamente também está considerando adotar o esquema no seu casamento. Também concordam? Mas daí vem a resposta que, de novo, não foi determinada por mim, pela Celia ou por outros autores de livros de etiqueta. E algumas vezes ela não agrada a pessoa lá do outro lado, aquela que mandou seu questionamento. O que a pessoa faz, então? Diz que etiqueta é uma bobagem, que só bobos a seguem, que cada um faz o que quer. O que eu concordo em parte (me identifico especialmente com a parte do “o casamento é meu e faço do jeito que eu quiser”). Mas eu fico me perguntando o porquê de alguém que acha etiqueta uma coisa torta, vir perguntar o que manda a etiqueta em um tema do seu casamento.

Mas afinal, o que diz a etiqueta sobre o convidado pagar o casamento? Quando a Celia iniciou a carreira, provavelmente a possibilidade jamais existiria. As festas eram pagas pelos pais da noiva e eram grandes eventos. O convidado arcava com sua roupa mais alinhada e com belos presentes. Há pouco, no entanto, o cenário das festas começou a mudar. As pessoas passaram a casar de forma mais íntima, os noivos, e não seus pais, passaram a arcar com as despesas, muitos investiram as economias em comprar um belo apê e não sobrou muito para fazer o casório do século. E aí, dona etiqueta?

A etiqueta (e agora fala a Gabi, não a Celia) segue pregando que se você convida alguém para uma festa, deve arcar com os custos dela. Mas – e aí vem a beleza das mudanças que o tempo trouxe – se por algum motivo você precisar que o convidado pague qualquer coisa (o jantar, a bebida, o estacionamento, pedágio, hospedagem, passagem de avião), deve informá-lo com antecedência para que ele decida, com base na informação de ter que gastar uma grana, se poderá comparecer.

A modernização dos costumes também aconselha que você indique quais formas de pagamento são aceitas (cartão, cheque, dinheiro) para que os amigos se programem e não se estressem na sua festa. Tudo isso, no entanto, não precisa constar no convite (imagine que horror as bandeirinhas dos cartões abaixo do telefone de RSVP). Como convites de casamento são entregues pessoalmente, mencione o fato pessoa por pessoa ou telefone gentilmente para os que moram mais longe. Se tiver um site do casório, exponha essas informações por lá.

Algo que, tenho certeza, a Celia concordaria comigo: falta de etiqueta é chamar alguém para um festão e só na hora de pedir o primeiro drink a pessoa descobrir que tem que pagar por ele.

PS: algumas meninas perguntam onde comprar a revista Donna. Ela é o caderno feminino do jornal Zero Hora, que circula no Rio Grande do Sul. Sai todo domingo por aqui. Para ler no tablet, baixe o aplicativo do jornal Zero Hora. 

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Gabi Chanas

Ótima amiga, péssima cozinheira. Adoro cachorros (tenho um vira-lata charmoso chamado Dunga), Friends, casamentos, decoração. Além do bloguinho, dou dicas todos os domingos na revista Donna, do jornal Zero Hora, e nos sábados na Almanaque, do jornal Pioneiro. Curto muito fazer novos amigos virtuais, por isso recadinhos são sempre bem-vindos!

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Comentários (14)

  • Betina diz: 6 de novembro de 2013

    Por favor, ninguém é obrigado a fazer festa de casamento, muito menos fazer a “festa do ano”! Se você quer comemorar seu casamento, tem que arcar com as despesas. É muita “chinelagem” querer fazer festa e o pobre do convidado ter que arcar com as despesas e o presente ainda.
    Mesmo os costumes tendo mudado, bom senso sempre é bom. Tenho certeza que a Célia Ribeiro se não concorda pelo menos simpatiza da minha opinião.

  • Gabi Vieira diz: 6 de novembro de 2013

    Embora não concorde, não vou julgar quem opta por cobrar dos convidados o valor da janta e/ou das bebidas. As vezes o casamento é um sonho para o casal, mas não possuem condições de pagar por este sonho.

    Se fosse a minha situação, eu provavelmente optaria por uma festa menor, como por exemplo um mini wedding, ou se fosse realmente necessário que meus convidados pagassem, abriria mão dos presentes com certeza. Acho que é o mínimo que os noivos podem fazer nessa situação.

  • Miss Lexotan diz: 6 de novembro de 2013

    Concordo com a Betina. Acho de última categoria cobrar seja o que for dos convidados. Não tem dinheiro, então não faça festão, ou então ofereça um bolo com champanhe pros mais íntimos. É mais digno.

  • Priscilla diz: 6 de novembro de 2013

    Concordo com a Betina.
    Se você não pode fazer uma grande festa, faça uma comemoração com um belo bolo e espumante. .. Acho muito mais elegante que convidar as pessoas e pedir que paguem sua janta.

    Abraços,
    :)

  • aline maria diz: 6 de novembro de 2013

    Betina eu tambem simpatizo com sua opinião. Eu ia escrever isso tambem, mas como meus comentarios andam muito negativos, nao quis arriscar… mas eu concordo com vc sim, poxa…. vc ta oferecendo uma festa e ninguém te pediu isso…. nao custa bancar né… é isso que eu penso também.

  • Dany diz: 6 de novembro de 2013

    Nossa, como é fácil falar quando se tem dinheiro. E ainda tem gente que pergunta opinião sobre este assunto, acho que cada um tem que fazer aquilo que pode, eu jamais me ofendi quando fui convidada a pagar pelo meu jantar em um casamento. Ninguém é obrigado a ir vai se quer e se gosta do casal, ainda prezo pela amizade e simplicidade, se o casal não tem condições mas sonha c/ isto, não vejo problema em participar e cooperar p/ que este sonho se torne realidade.

  • Vick diz: 6 de novembro de 2013

    É interessante este assunto, porque na maioria das vezes o que vejo são os casais pagando pela festa, mas em compensação na lista de presentes pedem itens absurdos como geladeira, televisão, máquina de lavar roupa, faqueiros carérrimos… daí isto pode, é normal. kkkkkkkkk

  • Andressa diz: 6 de novembro de 2013

    Olha é uma situação delicada… Tambem não acho certo o convidado pagar pelo jantar e ainda levar o presente, pois além disso temos outros gastos como roupa, cabelo, maquiagem… Mas tudo pode ser negociavel, desde que fique bom para os noivos e para os convidados, se não fica um clima ruim, os noivos estão vivendo um sonho (que tbm é estar comemorando entre amigos) mas os amigos não estão tão satisfeitos assim…
    Eu mesma cogitei essa ideia para a minha formatura, mas nao estava me sentindo bem… que bom que vou conseguir pagar tudo aos meus convidados, claro que a lista ja caiu pela metade, mas assim nao corro o risco de pagar o que considero um mico, até aniver em pizzaria onde cada um paga o seu eu já não curto muito fazer…
    E tbm ja passei por situações que achei muito indelicadas, uma foi num casamento que alem do convidado pagar sua despesa, os noivos ainda fizeram aquela brincadeira de passar o sapato, desculpe mas achei o fim… Outra foi num chá de bebê, que além de levar o presentinho tinha que levar um prato… Tudo bem que as pessoas queiram comemorar seus momentos, mas tem que estar cientes que irão desembolsar algo para isso acontecer.

    Aii acho que me enrolei aqui, mas é isso aí heheh beeijos

  • Betina diz: 6 de novembro de 2013

    Isso me leva a fazer uma reflexão sobre os dias de hoje: as pessoas sonham, querem e pronto! Na sociedade de consumo temos que ter, por isso tem tantos ladrões soltos por aí.
    Se não tem como bancar os seus sonhos, paciência! Não dá para sair passando por cima dos bons modos só porque fazer “a festa” é o grande sonho.
    A gente não pode ter tudo o que quer…

  • Andressa diz: 6 de novembro de 2013

    A Dany levantou uma questão interessante, cooperar para que o sonho se torne realidade. Essa é a grande sacada, acho que quando são pessoas da familia, são entes queridos tu não te importa e até ajuda com gosto. Minha familia não é rica, e em eventos “grandes” sempre nos ajudamos, por exemplo, em dezembro tenho uma prima que vai fazer 15 anos e os pais dela, meus tios, não estavam numa situação apropriada para fazer festa, final das contas, cada tio, vô, vó e agregados vai dar alguma coisa e a festa taí quase toda organizada, mas aí venho o pensamento dela ‘bah assim não vou ganhar nada de presente’ hahahah, eu e as minhas outras primas ja combinamos que nao vamos ajudar na festa e que vamos dar alguns presentes pra ela… Todo mundo fica feliz, a familia fica feliz com a festa, a aniversariante fica feliz com os presentes e os convidados ficam felizes…

  • Nathália diz: 7 de novembro de 2013

    Cada casal tem que fazer aquilo que cabe no bolso, o que se pode fazer. Familiares ajudar na festa é uma coisa, agora os outros convidados já é demais.
    Se não dá para fazer um festão, então faça o que der para fazer.
    Imagina ter que pagar pelo jantar e bebida de um casamento e meses depois o casal se separa?
    O sonho não tem que ser a festa, tem que ser a vida que você quer ter com quem está casando.
    Isso de pagar jantar é muito materialista para algo tão sagrado e lindo como o casamento.

  • Marilesia Aguiar diz: 9 de novembro de 2013

    Acho de ‘última’ estas festas de adesão quando quem convoca é o aniversariante ou o formando, ou ainda o noivo ou noiva. Um jantar ou chá por adesão eu aceito quando algum amigo quer fazer uma surpresa para alguém. Então convida os amigos comuns e, aí então, cada um paga o seu, mas que seja pago antes, e que a despesa do homenageado seja incluída. Minha filha se formou há dez anos, e eu paguei tudo, da entrada à sobremesa. Meu aniversário de 65 anos, este ano, foi em uma casa de chá, onde combinei tudo antes, e na hora, só fazia sinal ao garçom e ele vinha servir. Todos adoraram, comeram e beberam à vontade e eu fiquei muito feliz.

  • beth diz: 9 de novembro de 2013

    Sim,
    Os tempos mudaram, mas os VALORES E A EDUCAÇÃO, são os MESMOS .
    CONSIDERO falta de educação, dar a festa e pedir para os outros pagarem A CONTA ???? !!!!@ é o fim !!!
    Se não tem dinheiro, faça, um bolo – que certamente terá uma doceira na família e um espumante brasileiro de qualidade e bom preço , como os que tem no mercado .
    Resolvido o problema !!!
    Ahh, e não esqueça de se certificar , do amor e o desejo de iniciar uma nova vida com seu futuro marido, isto sim é o que importa .

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