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Cachorros e medo de chuva: tem como dar um jeito nisso

12 de novembro de 2013 9

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Hoje é dia de desentocar o cachorro de casa. Dunga passou a segunda-feira inteira com o focinho enterrado no meio de dois travesseiros (mostrei o vídeo ontem), fez mimimi para comer e, de jeito nenhum, queria descer para fazer xixi e cocô. É assim todo dia que chove e desde que veio morar aqui em casa, há 7 meses (aqui tem a história da adoção do pequeno). Ficamos morrendo de pena e fazemos o possível para minimizar o sofrimento dele. A carinha de assustado é de partir o coração. Eu e o marido criamos várias teorias sobre o que faria ele ser tão amedrontado. Lembramos de um papo que diz que o ouvidinho do cachorro é mais sensível e que dói com o som do vento forte. Também estudamos a possibilidade do Dunga ser meio traumatizado por passar dias ao relento quando ainda morava na rua.

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Nem a almofada que ganhei da Viviane e do Bento me acalma.

Como ontem a chuva e o medo do cachorro passaram dos limites, liguei para pet shop onde levamos o Dunguinha e perguntei se a veterinária de lá não daria uma entrevista para o bloguinho. Descobri, relatando a história do Dunga no Facebook e por aqui, que muitos de vocês também têm criaturinhas nervosas em casa. Acredito, portanto, que as respostas da Julice Spencer, médica veterinária da Cusco Amigo, possam ajudar.

Blog da Gabi – Afinal, porque alguns cachorros sentem tanto medo de chuva e trovões? É verdade aquela teoria de que têm ouvido mais sensível?

Julice – Sentem medo porque o barulho destes significa que algo perigoso e ameaçador está se aproximando. Algo que eles não sabem o que é. Sentem medo do desconhecido, do invisível, do que foge ao controle. Quanto aos ouvidos dos cães , estes podem captar frequências 2 a 3 vezes maiores do que os ouvidos dos humanos, mas nem todos os barulhos ou sons em alto volume os assustam: somente os que oferecem perigo. Portanto, não é só uma questão de sensibilidade do conduto auditivo.

Blog da Gabi – O que fazer para amenizar o sentimento de medo do cachorro?

Julice – Devemos acalmá-los e tentar mostrar que esses sons, aparentemente ameaçadores, não oferecem perigo , e que eles estão seguros. Temos que fazê-los mudar o foco e esquecer o que ameaça. Distraí-los com brincadeiras, petiscos, atividades boas. Temos que agir naturalmente, sem proteção excessiva, mostrando que não há razão pra temer.

Blog da Gabi – Alguns cães recusam comida e sair para passear, mesmo em áreas cobertas. Algum macete?

Julice – Recusar-se a comer é passageiro. Ninguém gosta de comer quando está se sentindo estressado. Passear, sair do local de segurança (o interior da casa) talvez não seja a melhor opção em dias de chuvas , trovoadas e “foguetórios “ porque o cão se sentirá exposto ao perigo. Nem as pessoas gostam. Não há chuva que dure para sempre, e não há xixi e cocô que não possam esperar . Mas se for necessário sair , mostre ao cão que você não está com medo, leve um brinquedo, um petisco e tente mostrar que sair é seguro.

Blog da Gabi – Existe alguma forma de treinar o cachorro para que não sinta mais medo de próximas chuvas e trovões?

Julice – Sim! Devemos incentivá-los a desassociar os barulhos ameaçadores das chuvas e trovoadas a coisas ruins e perigosas. Desviar a atenção. Colocar uma música que acalme, estimular a brincar, fazê-los relaxar e recompensá-los com petiscos quando percebermos que eles se sentem melhor, e que o foco não está mais no medo, e sim na diversão. Na infância, nossas mães e avós fazem bolinhos de chuva pra nos distrair em dias de trovoadas, e nosso foco se volta para o prazer de comer bolinhos. Com os cães devemos fazer o mesmo, desviar o foco para algo que dê prazer.

Blog da Gabi – Vários cães se assustam com as trovoadas e fogem. Já ouvi dizer que se ficam presos em ambientes pequenos se assustam e podem quebrar tudo. O que fazer?

Julice – Alguns cães podem entrar em pânico, vocalizar, defecar, urinar, vomitar , convulsionar, pular, tentar fugir daquilo que não sabem o que é, mas que os apavora. Nestes casos, certamente tentar mudar o foco não vai resolver. Muitos precisam tomar calmante ou relaxante muscular (sempre receitado por um médico veterinário). O ideal é ver um local na casa onde seja possível isolar ao máximo os sons externos, colocar uma música relaxante, dar a medicação no mínimo 30 minutos antes do fator de estresse começar e ficar com o cão.

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Esqueceu de dizer que sair na chuva acaba com meu penteado.

Uau, uau, au, Julice! Obrigada! Lendo as tuas respostas percebi que fazíamos algumas coisas erradas. A princiapl é dar proteção excessiva ao cachorro. Eu tenho a mania de pegar o Dunga no colo e largar os famosos “não precisa ficar com medo, mamãe está aqui, nada vai te acontecer”. Meio melodramática, como dona Gabrieli sempre é.

Espero que as respostas da querida Julice ajudem outros donos de dogs que passaram a última segunda-feira de dilúvio em pleno estado de pânico.

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Gabi Chanas

Ótima amiga, péssima cozinheira. Adoro cachorros (tenho um vira-lata charmoso chamado Dunga), Friends, casamentos, decoração. Além do bloguinho, dou dicas todos os domingos na revista Donna, do jornal Zero Hora, e nos sábados na Almanaque, do jornal Pioneiro. Curto muito fazer novos amigos virtuais, por isso recadinhos são sempre bem-vindos!

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Comentários (9)

  • Sergio diz: 12 de novembro de 2013

    Eu colocaria uma música bem barulhenta, um rock pauleira do AC/DC ou do Metálica cheio de explosões para o cão se acostumar com os estouros.
    Você poderia acompanhar a música e pular, dançar e fazer bagunça junto com ele.
    Se mesmo assim ele não esquecer o temporal, então um grande fone de ouvidos adaptado para as orelhas dele, pode ajudar a tornar o mundo do cão mais silencioso. Uma espécie de protetor de ouvidos. Neste caso nem precisa música, basta o silêncio.

  • Dani diz: 12 de novembro de 2013

    Achei bem esclarecedora essa matéria Gabi. A minha poodle, Nica, tem 12 anos, e desde que pegamos ela, com 7 meses, ela tem verdadeiro pavor de chuva, trovões e vento. Ela se esconde embaixo da cama, fica tremendo e não tem ninguém que consiga tirá-la de lá e acalmá-la. Ela só sai se a chuva diminui e/ou se quer fazer as necessidades dela.. Dá um dó ver esses bichinhos assim, tão assustados.. E me dá ainda mais dó pensar nos que ficam pelas ruas..

  • paulo roberto diz: 12 de novembro de 2013

    Boas dicas. Quem sabe uma entrevista sobre cães que ladram pra quem passa no corredor do prédio ou abre e fecha uma porta no mesmo andar.

  • Arita Costa diz: 12 de novembro de 2013

    Gabi, incrível que meus cães não tem medo de chuva, nem trovões, até foguete é tranquilo.
    Quando dou banho e seco meus cães em casa, coloco um tufo de algodão nos ouvidos, por que normalmente não gostam muito do secador. Seria uma ideia! Quem sabe você testa. bjs

  • Marina diz: 12 de novembro de 2013

    Gabi, tenta isso: https://anxietywrap.com

  • Mariane Batista diz: 12 de novembro de 2013

    A alguns meses perdemos a Crystal, uma vira latas adotada das ruas, branca com um olho azul e outro esverdeado ( por isso o nome).

    Ela tinha pavor de fogos, em dias de jogos ou Natal e Ano Novo ela tinha que ficar dentro de casa ( quase 17 quilos a moça) escondida… se não tivesse ninguem em casa ela tentava se esconder, uma vez encontramos ela embaixo da churrasqueira, mas até chegar ali ela pulou o portão do canil, quase arrebentou um portão e derrubou garrafas.. poderia ter se machucado.

    Ainda bem que agora os outros cães que vivem na casa da minha mãe não tem medo e nem a Lisa que mora aqui conosco.

  • síria silveira diz: 12 de novembro de 2013

    Temos duas vira latas a Margô mais velha tem pânico de temporais, de foguetes, já roeu, aranhou portas e janelas da minha casa, numa noite em que deu temporal, eu estava viajando, ela soltou-se da sua casa e fez o maior estrago, e o mais incrível, naquela noite eu sonhei com ela apavorada com o temporal, e quando cheguei de viajem, realmente tinha acontecido, conforme o sonho. Foi criada dentro de casa, e nas noites que tinha tem poral eu ficava apavorada e passei toda ansiedade para ela, a porta da casa dela é toda roída. Morro de pena, por mim colocaria ela dentro de casa, qd dá temporal, mas ela é grandona e arteira. A Bebê tem 4 anos adora barulhos, faz uma festa com foguetes. Mas eu as amo.

  • Lydice diz: 12 de novembro de 2013

    Oi Gabi, tenho 2 yorkies em casa e só a femea mais novinha tem medo de chuva e barulhos fortes, ela sempre fica no mesmo logal sem se mexer esperando alguem pegar ela no colo, meu vet indicou a mesma coisa de nao dar sobreproteção (sim sou daquelas que pega no colo tb) falou para EU se indiferente aos sons, pq eu ficava nervosa por ela e ela acababa sintindo essa energia (eu assisto muito o Encantandor de caes con Cesar Milan), enfim ela melhou bastante e fica mais tranquila mas sempre perto do seu companheiro que ao parecer transmite para ela muita calma. Ele realmente é um filhote muito calminho e sem medo de nada, com excepção do pano de prato mas essa já é outra historia. Boa sorte, tente uns CDs de musicas calminhas para cachorros, como eles tem outras frequencias as musicas sao bem diferentes. Abs

  • Mauricio Marinho diz: 13 de novembro de 2013

    Ótimo post.
    Muito bom blog. Parabéns!

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