Ter filhos nunca foi meu grande objetivo na vida. Não me entenda mal: eu adoro crianças, mas sempre pensei em bebês como uma consequência natural, não como um dos grandes desejos da minha breve existência. Tenho amigas que desde os 12 anos falavam do momento em que seriam mães, de como cuidariam dos seus filhotes, onde eles estudariam e como se vestiriam. Eu ouvia quieta e de vez em quando pensava se não era um monstro por não ter aqueles sentimentos tão à flor da pele.
O tempo foi passando e a minha irmã mais velha foi me dando sobrinho atrás de sobrinho. Brincar e cuidar deles era uma delícia, e por um bom tempo eu não sonhei em ter as minhas próprias crianças, afinal já tinha 3 bem próximas para quem direcionava todo meu afeto. Há uns dois anos até voltei a me questionar se realmente era um monstro que se contentava com os filhos alheios e não planejava ter os seus.
Foi aí que entrou em cena o famigerado relógio biológico. Eu não sei como ele funciona e por que se manifesta em períodos diferentes da vida para cada mulher, mas o fato é que o danado existe e em mim despertou como um gigante adormecido. Nos últimos meses passei a querer filhos como nunca. O meu corpo começou a me dar mensagens que eu não posso fingir que não escuto.
Se antes eu pegava o bebê de uma amiga no colo e morria de medo de deixar cair, hoje parece que a criança se molda nos meus braços. O sentimento é de que eu sei fazer aquilo e que quero fazer mais vezes e o mais rápido possível. Outro fato hilário: passei a desenvolver um amor maternal por um bichinho de pelúcia que tenho lá em casa. Yes, it's true. Não consigo deixá-lo de cabeça para baixo ou jogado em um canto. Cheguei ao ponto de, em dias frios, deitar a cabeça do Knut (ele é uma miniatura do famoso ursinho polar) no travesseiro e tapá-lo. Pareço estar repetindo o comportamento de quando era menina e, pela primeira vez, tinha a noção do que era ser mãe ao me ver responsável pelas bonecas.
Ter meu primeiro filho, projeto que antes parecia distante, agora já enxergo logo ali na frente. Não sei se virá em um, dois ou três anos, mas enquanto aguardo me divirto com como a natureza te prepara para a vida.
Me contem, gurias: o relógio biológico de vocês despertou com qual idade ou ainda segue adormecido?
PS: ilustrei este post com a imagem de um convite da Alannah Rose. Coisa mais cuti cuti fofuchinha este bebê!
























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