clicRBS
Nova busca - outros
22 nov16:20

Opinião: Por que as monitoras se mobilizam?

Jaqueline G. Schneider Goulart, leitora-repórter

No próximo sábado, dia 26 de novembro, haverá uma mobilização na Praça da Bandeira para chamar a atenção à luta das monitoras de escola. Portanto, mais do que nunca, se faz necessário um texto que seja direcionado à comunidade, aos pais e profissionais ligados à educação, sem linguagem formal, para que todos compreendam a seriedade, a urgência, e o caráter legítimo da mobilização das monitoras.

No surgimento do cargo de monitor a exigência era somente ter o ensino médio completo. As atribuições de um monitor eram auxiliar um professor ou executar um trabalho estritamente assistencialista, conforme o estatuto dos servidores monitores de Santa Rosa: “… cuidar, higienizar, ministrar medicamento com receita”.

Visivelmente esta não é a realidade, pois as “profes” das escolinhas infantis, as “profes” do CAS (centros de atendimento Social) inclusive as coordenadoras, maçante maioria delas, não são professoras. São monitoras, desempenhando função de professoras, brilhantemente por sinal e qualificadas para isso, mas recebendo um salário fracassante.

Desde 1995 com a vigência da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação que rege a educação de todo país, osmunicípios tiveram que se adequar às creches se tornando escolas para receber fundos da educação básica (FUNDEB), que alcançam mensalmente cifras de um milhão e meio recebido pela prefeitura. O contraturno escolar (CAS) teve de perder o caráter assistencialista e trabalhar como apoio à escola. Em contrapartida, tiveram de mudar toda dinâmica de atendimento devendo estimular e avaliar o desenvolvimento dos alunos desde o berçário fazendo inclusive a iniciação à alfabetização.

Mas o que mudou afinal? Contratou-se professores visto que é isto que a lei prevê (… ”todo profissional que trabalha diretamente com crianças precisa ser professor tendo como formação mínima curso normal, magistério”. Parâmetros Nacionais de Educação)? Não! O que mudou em Santa Rosa foi que a partir do concurso do ano de 2000, para ser MONITOR era preciso ter no mínimo magistério ou curso superior em educação e desempenhar função de professor, ou seja, mão de obra qualificada e barata. Mas o que automaticamente deveria mudar junto a estas alterações, o salário da categoria, não mudou.

Um monitor recebe para trabalhar 40 horas semanais, R$ 861,86, enquanto um professor recebe por 20 horas semanais, R$ 1.028,39. Os monitores estão querendo se igualar aos professores? Não!Eles SÃO professores, só não recebem por isso e ninguém quer executar o trabalho deles.

Se não bastasse estão criando um novo cargo previsto no novo plano de carreira do magistério, em vias de ser aprovado, o cargo de professor de Educação Infantil, com os seguintes requisitos: magistério; salário de R$ 1500,00 para 40horas semanais, ou curso superior em educação; salário de R$ 2mil para 40 horas, ou seja, nosso cargo! Porém valorizado como deveríamos ter sido desde que mudaram as exigências e as atribuições dos monitores.

Vai então o apelo apóie esta categoria minorizada, explorada há tantos anos, que já luta a outros tantos em vem agindo com diplomacia e respeito, mas não está sendo ouvida, foi retalhada por paralisar um dia para chamar atenção do Poder Público, e precisa de apoio.

>> Qual sua opinião sobre as reivindicações das monitoras? Deixe seu comentário e participe do debate

Por

Comentários