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06 dez15:20

‘Amores’ (?) de segundo?

*Edna Lautert

O amor é o tema mais banal da história da humanidade. Foi contado por milhares de milhares de poetas por séculos sem fim. Desde a primeira história de amor, que já se ouviu falar, entre Adão, Eva e o suposto paraíso, ao infortúnio e furtuito amor de Romeu e Julieta, o segundo casal mais famoso das relações homem e mulher, sem esquecer de Cleópatra e Júlio César, Afrodite e seus tantos amores, e, claro, dos famosos de época, seja de Hollywood ou de qualquer canto do mundo.

São pessoas que ganharam fama e que a cada dia buscam um par perfeito, “para a vida toda”, mesmo que esse “TODA” seja algo que se distribua aos milhares, como moedas de centavos. Ou, mesmo que por trás destas histórias existam seres cuja família vem desestruturada, forjada em insatisfação pessoal e familiar, repressão, ou mesmo excesso, ou ausência, de limite. Cada suspiro mais profundo atribui-se ao amor. Não ao amor fraternal, que deve existir entre seres de mesma espécie. Mas o amor de um homem por uma mulher, ou vice-versa. Mesmo que, às vezes, o que se atribui ao amor nada mais seja que reação ao toque da pele, principalmente de pessoas com desejos reprimidos, vontades não saciadas ou mesmo, futilidade escancarada.

“Muitas vezes, o que se atribui a amor nada mais é que um desejo reprimido, reação momentânea causada pelo toque de pele em pessoas cujas vontades não foram saciadas, ou futilidades e mais nada”.

Você alguma vez já disse eu te amo? E com que facilidade se dispôs, posteriormente, a dizer não quero mais? Negando-se a aceitar que esteve errado o tempo todo, junta-se a essa a falsa afirmativa de que passou por um equívoco, quando na verdade nada mais fez do que supervalorizar uma emoção (ou reação) de momento.

Amor é palavra bonita, e que gera status. Talvez resida ai o fato de que ela brota da boca como a água que jorra de uma nascente. Porém, antes de proferí-la faça um teste: traduza em palavras cada reação que você sente, antes de fazer tal afirmativa. E verifica se realmente o que sente é amor. E se ele resiste a todos os apelos contrários que o dia a dia o limite. Se você duvidar, um só instante, do seu sentimento, é certo que não o é verdadeiro. E, antes de assim o dizer, torne real o que realmente sente.

Existem campanhas de conscientização contra o uso do álcool, do tabaco, das drogas e alucinógenos. Persiga-as. E inclua na lista a humanização dos sentimentos.

* Edna Lautert – jornalista, membro da Academia Santo-angelense de Letras; membro da Associação Brasileira dos Jornalistas e colunista do Clic RBS

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9 Comentários »

  • Laura disse:

    Eu amei a tantos quantos me permiti amar. E, cada amor foi um experiência diferente. Cada amor é diferente Edna

  • jéssica disse:

    O amor é muito mais que palavras bonitas ou momentos passageiros. é preciso se sentir tocado por esse sentimento e perceber que a outra pessoa faz sentido para sua vida, do contrário quem diz que ama da boca pra fora, quer ser igual a tantas pessoas que estão dispostas a aproveitar apenas um amor de momento

  • Osvaldo disse:

    Não é tão radical assim. Amar pode ser sim uma explosão de momento. Repetida, diariamente.

  • Kelly disse:

    Oi colega de coluna.Parabéns pela leitura leve e gostosa.Realmente falamos tanto em amar,amar.Aí fica a dúvida será q é verdadeiro.Boa reflexão, me colocou a pensar. Parabéns pelo texto!

  • Fátima disse:

    Fiquei comovida com esse texto. Creio que as mulheres não são tão suscetíveis a ‘amores de segundo’ – elas amam por mais tempo, ou dizem que só estão curtindo um momeento. Mas a confusão existe.

  • Patricia disse:

    Oi Edna. Achei bem mais dificil hoje de localizar tua coluna. Bem, de qualquer sorte valeu a pena. O tema não poderia ser melhor – creio que este é o melhor e mais intenso nas necessidades humanas.

  • Luiz disse:

    Só as mulheres opinam ai? Estão nos massacrando e ninguem faz nada? Não sabia que você era líder feminista, Edna.

  • Edna Lautert disse:

    Boa noite amigos. Em primeiro lugar quero agradecer ao carinho. Obrigada por compartilharem suas opiniões, aqui ou no face. Depois, dizer a você Luiz que não sou líder feminista não. Defendo a humanidade de sentimentos tanto por mulheres, homens, GLS, crianças, jovens, enfim, todo ser vivente. Creio que um mundo melhor é possível, e que cada um precisa fazer sua parte. Um bjinho a todos, e mais uma vez obrigada.

  • Mariana disse:

    Amiga, li as duas colunas a de hoje e essa. E gostei. Mas vou sugerir um tema mais agressivo. Gostaria de sua análise sobre pequenas cidades. Sei que você tem acesso a diversos municípios, e seria importante a visão de alguém com conhecimento. Traga algo dos bastidores para a gente….

Comentários