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05 mar08:28

Um ano depois do acidente, comunidade de linha Salto tenta se reerguer

Um ano depois da tragédia que matou 29 gaúchos em Descanso (SC), as atividades começam a ser retomadas em Linha Salto, interior de Santo Cristo, onde a maioria morava. As vítimas viajavam para participar de uma confraternização com um time de bolão em Marechal Cândido Rondon (PR). No entanto, o percurso foi tragicamente interrompido na BR-282, em Descanso (SC). Com o acidente, 43 pessoas perderam os pais.

Nos dias 5 e 6 de março do ano passado, 20 pessoas foram veladas em Santo Cristo. Nas semanas seguintes, outras três morreram. Também foram enterradas duas vítimas em Pelotas, uma em Santa Rosa, duas em Giruá e uma em Horizontina.

Conhecida por promover eventos esportivos e bailes, a comunidade da Linha Salto coleciona dezenas de troféus de bocha, bolão e futebol. Um mês e meio depois do acidente, a Sociedade Recreativa Tiradentes foi reinaugurada oficialmente com a presença do apresentador do Globo Esporte Paulo Brito, que participou de um jogo de futebol. Desde então, são realizados eventos esportivos periodicamente. O grupo do bolão perdeu vários integrantes. Atualmente, retoma os treinos e as atividades.

Última vítima a sair do hospital, Maria Teresinha da Silva, 47 anos foi liberada 67 dias depois da tragédia. Ela passou quase dois meses em coma. Com os primeiros sinais de recuperação, foi comunicada da morte do marido. Maria chegou a receber extrema unção dentro do hospital. Passou por duas cirurgias na coluna, reconstituiu a mandíbula e perdeu quase todos os dentes.

_Sobrevivi para cuidar dos meus filhos. Agora quero ter netos_revelou a sobrevivente pouco depois de voltar para casa.

Leonardo Weimer, quatro anos, estava no ônibus da tragédia junto com os pais, Ari Weimer, 49 anos, e Marli Ickert, 40 anos, que não resistiram. O menino mora hoje com o tio e padrinho Ruben Weimer, no distrito de Boca da Picada, Giruá. O menino mudou de casa, cidade e escola. Nos primeiros dias, teve dificuldades no novo colégio. Hoje, prefere não comentar sobre o acidente. Ele recebeu acompanhamento psicológico nos primeiros meses para enfrentar tantas mudanças. Atualmente, está feliz, com novos amigos.

Mesmo abatido pela perda de 16 familiares, filha, futuro genro, quatro sobrinhos e primos, Adelmo Kraemmer precisou dar continuidade ao trabalho de vice-presidente da sociedade. A mulher, Marlene, tenta dar continuidade à rotina mesmo com a família dilacerada.

_ Espero que ninguém passe por isso. É muito difícil, mas não há nada a ser feito. A vida continua _ comenta.

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