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27 abr13:33

Com mais de 2 mil peças de museu, história da agricultura familiar é contada na Fenasoja

A Mostra “Caminhos da Agricultura Familiar e da Soja”, uma das atrações da 19ª Feira Nacional da Soja (Fenasoja) – que começou nesta sexta-feira, em Santa Rosa – apresenta em 33 cenários e 2 mil peças de museu a história da agricultura no noroeste gaúcho.

Já na entrada da Mostra pode ser observada uma trilhadeira, utilizada na década de 40, quando figuram entre as culturas mais populares da região, o milho, o trigo e a mandioca. O maquinário era um importante instrumento da agricultura e estava presente em grande parte das propriedades. Ao lado da trilhadeira, está uma carroça, emplacada com a data de 1953. Na época, era fundamental no meio rural e precisava receber emplacamento anualmente.

Paralelamente à evolução das culturas e da economia, modificavam-se os cenários da cidades, os hábitos e os costumes das famílias de agricultores. Fogão à lenha, armários artesanais, caixas de lenha, ferro à brasa, prensa de torresmo, máquina de fazer polvilho, moedor de macarrão, tábua de madeira para lavar roupa e cangas de bois são algumas das peças que revelam a evolução histórica da agricultura familiar.

_São peças de cinco museus e cedidas por agricultores que ajudam a contar a história da nossa região_ afirma o presidente da Comissão Soja e Derivados e extensionista da Emater/RS-Ascar, Jorge João Lunardi.

A evolução da soja

Da chegada a Santa Rosa até sua popularização foram necessárias quase quatro décadas. Quando o pastor Albert Lehenbauer, trouxe, em 1923, dos Estados Unidos uma garrafa com as primeiras sementes de soja, a produção ainda era limitada.

_ Cada fiel recebeu cinco sementes. Em dois anos, cada agricultor conseguiu colher em médio dois sacos. No início a soja era usada para alimentação humana, e mais tarde, para a criação de suínos_ explica a extensionista rural Lisete Primaz.

A partir daí, a prosperidade do grão de ouro passou a chamar atenção e assumir papel importante na economia da região. A soja, de acordo com o técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar, Gilson Antônio Grando, passou a popularizar-se a partir da década de 60. A primeira Fenasoja foi realizada justamente nesta época, em 1966.

Os cenários revelam também o foco de produção e econômico da agricultura em diferentes épocas:

1918 a 1945 – Época de muitas matas e prática da caça e pesca. Sem uso de defensivos e produtos químicos, a água era de boa qualidade e os rios e vertentes límpidos. Início da colonização, os agricultores precisavam abrir picadas e usavam carroças e cavalos para o transporte. Os equipamentos utilizados na agricultura eram essencialmente a enxada e o arado.

Neste período, a agricultura era baseada na criação de porcos (para produção de carne e banha), e cultivo de feijão, mandioca, milho ebatata doce. Também eram produzidos charque e mel.

1946 a 1970 –Período de diminuição das matas, água ainda boa, introdução do boi para tração animal, início da erosão e adubação química. Também nesta época, começa a mecanização das lavouras. Agricultores apostavam na criação de suínos e produção de porco, fumo, milho, nata, algodão, manteiga e ovos.

1971 a 2001 – É fortalecida a produção de soja e milho. O leite também figura entre os protagonista da economia. Os agricultores tornam-se dependentes de crédito e preço. Neste período, intensificou-se o desmatamento e a mecanização das lavouras. Com o uso demasiado de defensivos, rios ficaram poluídos e as águas pouco potáveis.

Os mais de 200 mil visitantes aguardados durante a Fenasoja podem conferir também a mostra das agroindústrias, artesanato e turismo rural, alternativas de renda que se fortalecem na região.

Entre os 33 cenários, recebe destaque ainda, o resgate de um dos principais eventos esportivos do meio rural. São 30 anos de integração , por meio do Jogos Rurais Sol a Sol, que integram mais de 20mil atletas nas 50 modalidades esportivas.

A programação da 19ª Fenasoja – que ocorre de 27 de abril a 6 de maio, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson – contempla ainda shows, pecuária, agronegócio, palestras e mais de 600 expositores de diferentes setores.

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